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Postado em 20 jul 2016 às 08:24
O Lado B

Projeto Aurora, em Recife, é interrompido por fiscais

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Por Gustavo Freitas

Como as coisas são injustas, não? Em poucos dias, o Brasil vai sediar o maior evento esportivo do mundo e sofremos com o pouco ou quase nenhum incentivo governamental para que a base comece a praticar o esporte, seja lá qual for. Sim, até existem prefeituras, estados, que tentam priorizar esse tipo de ação, mas sabemos como o Brasil infelizmente é. Até chegar ao interessado, esse dinheiro passou por várias mãos e sofreu alterações de valores. No país da corrupção, quem tenta fazer o bem é o culpado. E foi o que aconteceu em Recife, na semana passada.

João Paulo Farias é um publicitário, que teve no último dia 14 uma surpresa nada agradável. Ele, idealizador do Projeto Aurora, que incentiva a prática de basquete a algumas crianças, tirando-as das ruas e dando a elas a socialização e até mesmo, educação, foi surpreendido por duas funcionárias do CREF, de Pernambuco. Até a presença da polícia foi solicitada. Agora, vejam bem a causa disso: burocracia.

O projeto precisou ser interrompido pela falta de documentação. Sim, João Paulo não é professor de Educação Física. Ele “apenas” tirou dinheiro do próprio bolso, comprou bolas, redes, aros, e montou um grupo para que crianças e adolescentes praticassem basquete. E sim, de graça. Mas, por não ser professor, ele jamais poderia fazer isso, pois não é “habilitado”.

Justo.

Eu comecei a fazer o curso de Educação Física, lá no fim dos anos 90 e tive muito orgulho de estar ali, pois sabia que era algo produtivo e que eu realmente gostava. No entanto, as coisas não são exatamente como imaginamos e acabei seguindo caminho diferente. Porém, por ter feito parte disso, por ter visto o que se deve fazer e o que não deve, eu acho que houve um pouco de excesso. Não da parte de João Paulo, que quis mesmo dar um pouco de alegria aos jovens. Mas pelo órgão responsável por ser chato. Aliás, é obrigação ser chato, pois eu acho mesmo que precisa coordenar, que precisa estabelecer parâmetros, direcionar e fiscalizar. Mas só. Notificar e depois jogar para a torcida, sinceramente, só mostra o quão estamos despreparados.

Sim, é necessário ir atrás, tentar orientar alguém que esteja realizando um projeto desse tipo. Mas impedir a prática esportiva? Ah, é revoltante. É um ultraje ao esporte. O Dois Por Cento também se sensibilizou e publicou o vídeo abaixo.

O Jumper Brasil obteve um áudio de uma dessas funcionárias públicas, que, segundo relatos de pessoas próximas ao local, ela mente ao dizer que João Paulo incentivou seus alunos a proferirem palavrões e que ele elas foram ameaçadas fisicamente. No áudio, a mulher diz: “Isso é um projeto social de fato, orientado por um leigo, o cara é publicitário e pastor de uma igreja e resolveu orientar aula de basquete. Ele, de fato, foi notificado pelo exercício ilegal de profissão. Eu não penalizo profissional, porque são meus colegas de profissão e todo mundo sabe da minha conduta”.

Ela continua: “Chamei apoio policial porque minha integridade física estava sob ameaça. Chamei também porque o senhor João não queria informar seus dados para ser notificado. Depois de esclarecidos os fatos, vocês e os demais profissionais de educação física, que são meus colegas de profissão e para quem eu trabalho, aplaudam a nossa atuação”.

Não tenho a menor necessidade de citar o nome da profissional, mas quem já ouviu o áudio na íntegra, sabe que ela pediu para compartilhar e divulgar. Então estou fazendo.

Saiba que eu sempre aplaudi de pé quem se importa com o esporte, quem tem zelo com as crianças e que até entendo sua posição. É sua obrigação, sim. Mas realmente é necessário? Indicar profissionais interessados no trabalho voluntário seria o mais legal de tudo e jamais estaríamos escrevendo sobre esse assunto no Jumper, que é especializado em NBA, basquete Mundial e Olímpico. Ou seja, moça, você ganhou seus segundos de fama com a autuação e com o áudio no Whatsapp, mas o esporte falou mais alto. O desejo de fazer o basquete crescer e de tirar as crianças das ruas, mais ainda. Quem ganhou foi o basquete e o Projeto Aurora.

Segundo o site do Diário de Pernambuco, o Basquete Solidário vai voltar à Rua da Aurora. O jornal entrevistou a advogada de João Paulo, Fabiana Nunes, que explica a ação de seu cliente:

“Ele não agiu de má fé. Pelo contrário, estava li para promover o bem. Além disso, não se trata de um treino para criar atletas de basquete. De toda forma, a rigor, é importante que tenha um profissional de educação física no espaço. O Conselho Regional permite a atuação voluntária”.

Em nota nas redes sociais, o Conselho Regional de Educação Física informou ter agido com cuidado à saúde das crianças.

“Durante a visita da equipe de fiscalização do CREF12/PE-AL acontecia um treinamento de basquetebol, com o ensino de tipos de passe e condução da bola, para aproximadamente 22 crianças e adolescentes, com faixa etária aproximada de 8 a 18 anos, orientadas por pessoa não habilitada ao exercício da Educação Física. Como visto, o projeto atende à crianças e jovens de diversas faixas etárias, que estão em diferentes fases do desenvolvimento infantil. Essas diferentes fases, compreendem diferentes condições físicas, motoras, cognitivas e psíquicas, que exigem diferentes cuidados quanto à pratica esportiva. Dessa forma, o treinamento aplicado à uma criança de 8 anos nunca deve seguir os mesmos princípios, como intensidade, sobrecarga e volume, do treino voltado para o adolescente. Esse tipo de prática certamente trará prejuízos diversos às crianças, principalmente àquelas que estão nas fases iniciais do desenvolvimento. Apenas o Profissional de Educação Física está habilitado para orientar treinamento esportivo, nesse caso, do basquetebol, desde a iniciação esportiva ao alto rendimento e é o único capaz de aplicar a prática esportiva considerando a individualidade de cada criança sem detrimentos ao seu desenvolvimento integral, como traz a Lei 9696/1998, que regulamenta a Profissão de Educação Física”.

Podemos sonhar com alguma medalha no futuro se o pensamento for esse? Podemos acreditar que a iniciativa privada vai acreditar em projetos solidários ou até mesmo profissionais? Difícil é pensar que nossos governantes farão algo. Aliás, estamos em ano político. De repente, algum papagaio de pirata vai tentar se promover, né? Nunca se sabe.

Tudo bem, como escrevi acima, eu entendo a autoridade e sua necessidade de fazer a lei ser respeitada. O que eu não entendo é como isso não foi resolvido de uma forma mais sadia e amistosa daqueles que querem “canetar”. Jogar a responsabilidade toda para o João Paulo? Muito fácil.

Sim, respeito a profissão. Acho uma das mais encantadoras. Mas nunca vai passar pela minha cabeça a suspensão de um projeto tão digno por conta de um papel. Não tem como. Se tivessem dado um prazo, seria louvável. Mas não. Quiseram interromper.

Conseguiram, por pouco tempo.

O basquete respira. Por aparelhos, mas está vivo.

  • God Usopp

    Porque não vão notificar os traficantes que recrutam crianças e adolescentes para o crime?

  • Cassio

    Mas aí eles levam bala, daí não vale a pena.

  • Erick

    Qualquer iniciativa esportiva no brasil está na merda, sem incentivo, sem patrocínio, sem interesse.
    Eu sinceramente não entendo porque pessoas reclamam quando um atleta não deseja representara seleção brasileira. O que o Brasil fez por eles? Apenas dificultou a vida, desde o dia um.
    Nosso maior esporte está morrendo nas mãos das mafias (do apito, da peneira, dos empresários). Esse foi mo motivo de eu abandonar de vez o futebol.

    Ler isso é revoltante e embaraçoso.
    A única esperança/lado positivo é que ainda existem pessoas querendo fazer o bem.

  • Alex Alves

    O Brasil é ridículo, tem um video que retrata algo parecido de um veterinário que aos sábado atendia gratuitamente pessoas carentes e também foi notificado pela fiscalização não podendo mais faze-lo. Acredito que seja o único país do mundo onde nem caridade e ajuda ao próximo possa ser feito.

  • Alex Alves

    O Brasil é ridículo, tem um video que retrata algo parecido de um veterinário que aos sábado atendia gratuitamente pessoas animais de pessoas carentes e também foi notificado pela fiscalização não podendo mais faze-lo. Esse orgãos de fiscalização em sua maioria só existe para dificultar as coisas.

  • Chimbinha

    Esse é o Brasilzão véi de guerra.País de MEEEEEEERDA

  • O nome do texto é perfeito, porque essa história realmente tem dois lados. Eu não tenho como afirmar os motivos que levaram a essa fiscalização, mas caso não seja nada vindo de interesse pessoal, é até comovente ver um órgão público que, de fato, funciona. O pessoal reclama do país, da corrupção, mas não parece preparado e/ou disposto a viver sob suas regras.

    O lado A é que o mesmo órgão deveria ter uma conduta diferente, oferecendo assistência, talvez até mesmo professores de ed. física disponíveis e dispostos, além de instruir.

  • Rafael Victor

    Curioso como a fiscalização de alguns órgãos públicos só funcionam e aplicam suas regras em cima de algo que está funcionando (geralmente, fruto de algum trabalho pessoal, sem interesse próprio) pelo motivo mais insignificante que possam ter achado, enquanto que para muitas coisas que realmente deveriam ser fiscalizadas, multadas, embargadas e etc, sempre acham um “jeitinho” pra que continuem! Infelizmente, é assim em muito lugares! Que façam os ajustes necessários e o projeto continue, porque trabalhos voluntários dessa natureza, não podem ser interrompidos nunca, mas sim apoiados e levados adiante!

  • Gustavo Rocha

    Caro Gustavo, meu “xará”. Parabéns por esse texto, concordo totalmente.
    Sou advogado e, por muitas vezes, presenciei coisas parecidas. Isto é, a aplicação pura, simples e, principalmente, idiota do texto frio e burro da Lei. Vocês não imaginam a quantidade de injustiça que se pratica diariamente, sob o pretexto da “aplicação da Lei”.
    Os órgãos de classe, como Conselho Regional de Educação Física e também a OAB, visam tão somente a reserva de mercado, a proteção do profissional inscrito. Os beneficiários dos serviços ficam em segundo plano, como aconteceu neste caso.
    No Brasil, infelizmente, é proibido trabalhar, é proibido fazer o bem, sob pena de ser, somente nesses casos, severamente punido.
    Não por acaso, este é o país da corrupção: Educação, esporte e cidadania, todos valores que eram exercidos pelo projeto Aurora, devem permanecer em segundo plano (pelo menos na cabeça dos nossos atuais governantes).
    Não sei se tem salvação. Se tiver, só daqui a algumas gerações.

  • Hilton Silva

    Olá, eu sou o Estado/Governo, como eu posso lhe atrapalhar?

  • Fabrica de Vassilo

    A parte mais difícil da coisa eles já conseguiram. O “patrocínio”, a “verba”. O governo difícilmente cria um projeto incentivando ao esporte, e manda verba para isso, ainda mais para uma causa dessas. Custava eles então ao em vez de atrapalhar, tentar ajudar? Que arrumassem então os “habilitados” para ensinar voluntariamente. Ou ao menos dessem um prazo para o idealizador do projeto arrumar. Mas não, vão interromper mesmo o projeto. Quero ver professor de educação física conseguir ensinar alguma coisa pra alguém sem bolas, redes, aros e uma quadra descente pra jogar. E enquanto o projeto não consegue recrutar os jovens para o esporte, o tráfico os recruta.

  • Hayley

    Ok, então, partindo do pressuposto de que muitos no Brasil ainda não têm acesso a médicos, eu, NÃO FORMADO EM MEDICINA, vou sair por aí dando consulta de graça e receitando remédios para carentes, tudo em forma de um projeto bem organizado, com ampla divulgação (Facebook e programas de TV), e nada esporádico.

    Poderia? Óbvio que não, né?

    O impacto negativo nas vidas das pessoas que um não formado em Ed. Física é beeeeeem menor do que o que um não formado em medicina pode causar, mas, AQUELE HÁ, CARAMBA.

    Claro que é recoltante, pois quase nada nesse país é fiscalizado, mas isso de “nada funciona, só porque ele tava ajudando…” não cola. Foi o certo.

    E para o amigo advogado abaixo, cara, é 2016, NINGUÉM mais se vale do pretexto da “Justiça”. Conceito totalmente ultrapassado (no exemplo do texto, por exemplo: foi injusto para as crianças, mas, do ponto de vista do Conselho foi justo). Tá na hora de uma reciclagem.

    Claro que o CREF poderia ter agido de outra forma. Mas não pode ser culpado por isso.

    Nota: Não sou formado nem estudante de Educação Física.

    • Gustavo Freitas

      Desculpe, mas você está comparando medicina com um treino leve de basquete. Não tem como.

      Deve haver a fiscalização, mas é necessário ver como está sendo feita a coisa. Não é simplesmente esculachando e acabando com o projeto, intimidando o idealizador. Isso foi covarde e egoísta.

      • Hayley

        Apesar de entender o sentido semântico desse “Desculpe”, não, não desculpo. Porque é desonesto do ponto de vista intelectual colocar que eu estou “comparando medicina com um treino leve de basquete”. É um interpretação bastante rasteira, inclusive. Comparei duas atividades que, segundo leis (e acreditem, leis podem ser questionadas – devem ser -, mas elas são a principal forma que um Estado Democrático de Direito pode acontecer), criadas com funções obscuras (como a reserva de mercado) e funções bem claras: proteger os cidadãos.

        Em qualquer país minimamente sério, ninguém acreditaria nesse tipo de discussão, mas, sem querer me valer do famoso “complexo de vira-latas”, como no Brasil toda pessoa cresce conhecendo um Zé da Bola, sujeito de bom coração que procura ensinar a crianças da periferia o nosso futebol, esse tipo de coisa acaba parecendo “normal”.

        Como falei, uma coisa é o grande fato de que no Brasil quase tudo o que deveria funcionar não funciona, mas isso não dá o direito de ninguém colocar a atitude do CREF como errada e absurda. Eles foram protocolares. Simples assim.

        Seria ideal que eles tentassem conseguir alguém habilitado para continuar o trabalho? Seria. Mas essa não é a função do órgão. Perderam uma chance de dar um show e mostrar que eles podem observar as leis, buscando com que ninguém mais venha a achar estranho comparar a atividade do educador físico com a de um médico, e mostrar que também se preocupam com a formação dos jovens e entendem a importância desse tipo de iniciativa. “Erraram” (em aspas porque, como não é obrigação deles, não pode ser considerado tecnicamente um erro) nesse ponto, mas aí, meus amigos, dentro do direito claro e manifesto deles, só nos resta a paciência…

        • Jefferson Cavalcanti

          Falou, falou, falou e não entendeu o mais simples: o bom senso.

          É melhor as crianças jogando bola com um pastor do que nas ruas a mercê do mundo.

          • Hayley

            Leu, leu, leu e não entendeu nada. Nunca falei que isso não era o melhor…

        • Não é tirando o mérito do profissional de educação física, mas pelo o que eu entendi ele não estava propondo um treinamento para as crianças, não havia algo formal, era apenas um espaço de lazer. Tem que saber diferencias as coisas.

          A educação física é importante em diversas vertentes do esporte, mas ela não é dona de esporte nenhum – falo isso no sentido burocrático da coisa. A prática do esporte é livre.

          Posso ter entendido errado, mas não acredito que esse rapaz estava com intenções de formar profissionais e etc. Era apenas para garantir a diversão das crianças. Mas se isso não pode mesmo assim, então concordo com você. Mas é estranho, por exemplo, em clubes ou condomínios de prédios há espaço para prática de esporte mas não há professores de educação física e afins, então tem algo errado aí.

          Prefiro que você, que parece entender do assunto, mostre algumas leis e obrigações sobre a obrigatoriedade de um educador físico e deixe de levar a discussão pelo lado romântico. Cada profissão tem seu papel social.

          • Hayley

            Aí vocês, administradores da página, primeiro precisam ter um consenso sobre o caso. Ou era “um treino leve de basquete” como o Gustavo afirmou ou ele “não estava propondo um treinamento” como você disse.

            A lei é bem clara: “Compete ao Profissional de Educação Física coordenar, planejar, programar, supervisionar, dinamizar, dirigir, organizar, avaliar e executar trabalhos, programas, planos e projetos […] todos nas áreas de atividades físicas e do desporto.”

            Se ele não tava coordenando/dirigindo/organizando um projeto na área do desporto/atividade física, eu não sei mais o que era…

            Sobre o exemplo dos clubes/condomínios, não posso falar sobre todos de forma generalizada. Mas aqui na minha cidade, não é normal pessoas não formadas fazendo algo com crianças nesses locais. Vou dar como exemplo meu condomínio: tem uma quadra aqui, como um lugar relativamente novo (tem uns 10 anos), agora começou ter muita criança. Muitos pais tiveram o interesse de reunir essa molecada, levar para a quadra e organizar treinos de fundamentos, atividades físicas e tudo mais o que o senhor da reportagem fazia (claro, sem o principal: a caridade. Concordo que ele não queria formar, nem tão somente ensinar fundamentos, ele queria ajudar as crianças), mas o que fizemos aqui foi abrir um edital para a contratação de um educador físico. Simples assim.

          • Michel Moral

            Tá. E quantos de nós não jogamos bola em campinhos amadores?

            Não existe nenhum profissional adequado, na maioria deles. E mesmo que tenha, nunca vi ninguém monitorando para ver se o cara alongou, tem algum problema físico, ou algo do gênero.

            E a várzea? Chega ser até profissional pela seriedade dos campeonatos.

            Aqui na minha cidade, jogamos basquete no SESC (um clube de porte grande), que tem tem rabo preso com o governo estadual, e ninguém nunca interditou nada por isso.

            A prefeitura, nesse caso, quis atrapalhar o projeto. Se o único problema era a questão de ter um profissional adequado, por que não disponibilizar? Ou então, que tentasse ajudar a recrutar, sei lá. Barrar é demais?

          • Hayley

            Não entendi. Sinceramente.

            Não há óbice algum a pratica de esportes nesses lugares.

            O que não pode é uma pessoa que não seja educador físico coordenar/dirigir/organizar um projeto na área do desporto/atividade física.

          • Michel Moral

            Mas pode gerenciar, não pode?

            Agora, se for seguir à risca do que diz, a CBF deveria ser banida do futebol brasileiro.

        • Gustavo Freitas

          Desonesto? Ah, nem.

          Eu acho que as leis estão aí para serem respeitadas, cara. Só que, antes de tudo, faltou sensibilidade. E sim, sua comparação foi bem blerght mesmo.

          • Hayley

            Não, cara vou lhe dizer o que faltou (espero que finalmente entenda): O Pastor/Publicitário, ao perceber que poderia ajudar os garotos, e que essa ajuda seria por meio de treinamentos/atividade física, etc, deveria procurar um profissional habilitado para tocar o projeto junto com ele. É assim com QUALQUER profissão: se eu quero ajudar uma comunidade carente possibilitando maior proximidade com conceitos médicos, eu procuro um médico; se quero dar dicas jurídicas para idosos de um certo local, eu procuro um jurista. E por aí vai.

            Diante disto, só há duas implicações no caso: dizer que a lei é injusta, pois é um absurdo ter que ser formado em Ed. Física para fazer o que ele tá fazendo ou dizer que a prática dele não configurou ilegal exercício da profissão. Afirmar o primeiro sem ser formado na área é temerário e irresponsável. E afirmar o segundo, sem ser formado na área, é temerário e irresponsável (pois os fiscais são formados na área) e incoerente também, pois o próprio Pastor, ao invés de procurar um advogado para mostrar que era (sic) “apenas um treino leve de basquete”, tá é procurando um voluntário. Algo que, como falei, ele deveria ter feito no começo.

            Querer afirmar que deveria ser dado um prazo e que faltou sensibilidade é, me desculpe, não querer entender as coisas (ou querer sempre aplicar dois pesos e duas medidas). Se para fazer o que ele fazia é condição si ne qua non ter o diploma, não há outra coisa a fazer senão interromper (claro, poderiam procurar um voluntário, mas aí já falei sobre isso antes). O CFM não vê um falso médico (não que ele tenha sido um falso Educador Físico, mas o exemplo é no tocante à ilegalidade do exercício da profissão) operando aí chega nele e diz “pode continuar aí operando, mas tem 30 dias para conseguir um médico de verdade”, o mesmo não acontece com outras profissões, e isso é tão simples que não entende quem não é da área ou quer se valer de dois pesos e duas medidas.

            Daí a grande questão é essa, comparar a profissão do Educador Físico com outras sempre gera isso “comparação foi bem blerght mesmo”, quando na verdade há uma lei que veda a atuação do Pastor no referido caso, DA MESMA forma que outras leis vedam que eu vá ali receitar medicamentos. São leis. Leis que vedam comportamentos. Comparáveis. E isso é meio que indiscutível…

    • Michel Moral

      Então, mas é muito difícil para o poder público disponibilizar um profissional para AUXILIAR o projeto? Pode ser um professor, que ganhe por hora aula.

      Acho que a burocracia não pode nunca prevalecer sobre algo tão importante.

      • Hayley

        Você é do Nordeste?

        Eu sou.

        Você sendo ou não, esse “Ainda mais no nordeste, onde a situação se agrava ainda mais” não faz o menor sentido.

        No referido caso, ser no Nordeste não muda EM ABSOLUTAMENTE NADA, eram crianças tão carentes como as crianças carentes do Sul, era um senhor com boas intenções da mesma forma que existem milhares no Sudeste, e o que não falta no Recife são educadores físicos. Não é porque é nordeste que não tem educador físico. Ele só precisa encontrar um voluntário nesta área, e vai encontrar.

        • Michel Moral

          Você distorceu completamente meu comentário.

          Só fiz menção ao nordeste pelo fato de ser um local onde as pessoas (principalmente as carentes) não têm as mesmas oportunidades, pelo menos não em sua maioria. Por isso coloquei que o esporte faz TODA A DIFERENÇA. Esse é o ponto.

          Em momento algum eu disse que não tem professor no nordeste porque é o nordeste. Não viaja. Se falta professor no nordeste, falta como no Brasil todo falta (sim, aqui no sudeste não temos professores nas escolas públicas).

          Fato é, se o projeto é bom, por que emperrar? Porque não tem um profissional? Não existe possibilidade de o poder público disponibilizar UM PROFISSIONAL? Isso não tem nada a ver de ser nordeste. É um problema político, sob um governo, seja qual for, não dar o suporte por algo basicamente pronto e sem custos. Deveriam fazer exatamente o contrário, ir atrás, tentar ajudar como pode.

          Essa é a discussão. Não queira entrar em outros tópicos que isso não leva a nada.

          • Hayley

            Como não respondeu minha pergunta, considero encerrado esse caso sobre o Nordeste. Contudo: não, não disse que você afirmou não ter professor aqui. Pensei que fui claro, mas usei TRÊS motivos pelos quais afirmar “ainda mais no Nordeste” não faz o menor sentido NESSE caso.

            “Fato é, se o projeto é bom, por que emperrar?” -> Porque é ilegal.

  • Fagner Santos

    Cadê que vão fiscalizar crianças sendo exploradas no trabalho ? Isso ñ fiscaliza, mas interromper projetos…

  • Michel Moral

    A razão para isso é simples e nojenta: interesse.

    No Brasil, tudo é movido por interesses.

    Um cara, supostamente rico, que ajuda a comunidade e tem respeito das pessoas, especialmente os mais humildes, ganha popularidade. Onde entra o interesse dos políticos nessa causa social? Não entra, pois ninguém se promoveu.

    E se o cara está ligado a uma religião e é pastor então… Nossa, aí já se torna uma ameaça! Reúne todos os atributos para ser elegível e pleitear um cargo de representatividade popular.

    O medo é esse: eleitorado.

    Triste e mesquinho.

  • Guido

    Durante toda a minha infância o CREF não estava lá fiscalizando as escolinhas de futebol pra me “proteger” de um profissional não habilitado. Quanto prejuízo à minha formação!!! Fiquei traumatizado!!!

  • Neverminder

    Então parem o Brasileirão (depois que o Cruzeiro sair da zona, claro..rsrsrs). Nenhum dos “professores” são formados em EF…

  • Neverminder

    Aqui na minha cidade a minha esposa e umas amigas tentaram ajudar um projeto de volei (argh…). Não teve apoio de ninguem… Ai quando começou a crescer o time aqui e disputar campeonatos regionais (parece que ganharam um torneio) aparece o secretario de esporte (que por sinal é vereador e era candidato a deputado estadual à época) querendo tirar vantagem. Minha esposa (e uma amiga) sairam fora por não concordarem com o interesse eleitoreiro de quem não ajudou… Passaram as eleições, o cara não ganhou e adivinhem o que aconteceu com o projeto…

  • Pablo Leite

    Aqui no Brasil é assim. A polícia e órgãos fiscalizadores não vão atrás dos malfeitores de verdade porque são perigosos, poderosos e vão retaliar. Fácil mesmo é ir atrás do cara do movimento social. É inofensivo, esse aí não vai reagir.

  • Marcos Gordinho

    Queria não entrar nesse assunto revoltante, evitei, mas não me contive. Aguardei alguns comentários para poder tomar cuidado nas palavras. O CREF, seja lá de qualquer estado, não está realmente preocupado em apoiar atividades sem fins lucrativos, e claro que um ou outro profissional ou grupo com mais visão social não daria conta de tanta carência. Na situação exposta houveram excessos. A fiscal poderia ter tido contato de forma mais polida com o idealizador do projeto, se possível oferecido ajuda para regulamentar e continuar com o projeto, além de observar um período para ajustes. Mas isto é difícil demais, sempre será mais fácil jogar a meninada de volta as sarjetas, deixar que por conta própria a mulecada se estapeie nas quadras e campinhos aí afora, pois um praticante mais experiente não pode pôr ordem a bagunça sugerindo a observância de fundamentos básicos. Fundamentos estes que o curso de ED. Física arranha, entregando profissionais diplomados mas sem conhecimento prático, exceto se o formado tiver sido atleta da modalidade. Tenho muitos amigos estudantes e já formados em ED. mas quando convidei para tomar parte em um projeto social tive a negativa pois cada um estava cuidando de sua vida e não teria disponibilidade, resultado, o que estava na cabeça foi para o papel, e do pape, morreu. Alguns anos atrás um amigo apaixonado pelo basquete batalhou e a muitas custas promoveu o esporte com a ajuda da boa visão social de duas diretorias em escolas do bairro onde residia e com pouco apoio aleatório, sem igrejas, sem políticos, sem ganhos. Alguns garotos conseguiram depois bolsas integrais em escolas particulares pois eram observados em jogos escolares, e alguns até conseguiram bolsa para curso superior. Lembro que certa vez, embora um professor de Ed. física tivesse responsável, não poderia comparecer ao jogo dos meninos pois haveria um outro de outra modalidade em outro local. E pediu para ele orientar em seu lugar e acompanhar, era uma equipe infantil ou mirim. No meio do jogo, o professor adversário observando sua equipe ganhando mas a muitas custas foi pedir a carteira do CREF-RN, e na negativa expôs para mesa que interrompeu o jogo entregando a vitória e em algumas semanas chegara uma notificação do CREF local para o ex-empolgadosocial. E assim terminou mais uma história que poderia ter virado livro, filme, mas acabou em burrocracia. Os garotos que tiveram tempo de se salvar antes do fim, e ampliaram seus horizontes e carreiras agradecem. OBRIGADO!

  • Marcos Gordinho

    Ps: por via das dúvidas, parei de ensinar meu filho de 10 anos, nem arremessos, nem bandejas, nem dribles, preciso achar as palavras certas para explicar que poderia ser preso por causa disso.

  • BetoMavs

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