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Postado em 10 ago 2017 às 08:28
Como Sebastian Telfair “não aconteceu” na NBA

Gustavo Freitas conta sobre a carreira do atleta que não decolou na liga

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Por Gustavo Freitas
Telfair foi a décima terceira escolha do draft de 2004

Telfair foi a décima terceira escolha do draft de 2004

Estamos em 2017, 13 anos após o armador Sebastian Telfair ouvir seu nome ser selecionado pelo Portland Trail Blazers na 13ª posição do draft de 2004. Hoje, sabemos que ele jamais provou na NBA o que um dia foi imaginado, mas como isso aconteceu, você fica sabendo agora.

Seu irmão, Jamel Thomas, foi um jogador que em duas temporadas, atuou em apenas 12 partidas pelo Boston Celtics, Golden State Warriors e New Jersey Nets. No entanto, seu primo fez um “pouquinho” mais de sucesso: Stephon Marbury. As comparações eram inevitáveis.

Vindo de uma família extremamente pobre, o atleta viu no basquete a chance de mudar de vida. Nada diferente do que uma grande maioria de jogadores que já pisaram em uma quadra nos Estados Unidos. Pressionado a cada dia, ele tinha talento para passar pelo mesmo processo e tornar-se um astro.

No entanto, como sabem, não foi bem assim.

Aos seis anos, pressionou seu irmão a colocá-lo em seu time para menores de 11 anos. Seu irmão disse não, mas de alguma forma, conseguiu sua vaga. Em um jogo, o melhor jogador daquela equipe foi eliminado com faltas. Telfair entrou em quadra e impressionou a todos com sua habilidade. Sim, seis anos.

A partir de então, o basquete virou mais do que uma paixão. Virou sua obrigação diária. Seus irmãos o treinavam antes e depois de ir para a escola. Lembre-se: Marbury tinha conseguido tirar sua família da miséria, era milionário e mundialmente conhecido.

Armador foi capa de revista ao lado de LeBron James nos Estados Unidos

Seu sucesso, apesar de ter apenas 1,83 metro, estava garantido. Bastava treinar e aperfeiçoar seus maiores defeitos.

Em seus melhores anos no basquete colegial, Telfair conduziu sua equipe aos primeiros lugares e tornou-se um ícone bem antes de virar profissional. Ele apareceu nas capas das revistas SlamSports Illustrated, seu nome estava em todos os jornais e em sites especializados. Ninguém tinha a menor dúvida de que ele conseguiria atingir o topo.

Um dia, Telfair desafiou Marbury a um jogo um contra um. Adivinha? Ele brilhou. Imagine isso: ele ainda estava no colégio e conseguiu deixar seu primo de boca aberta. O próximo passo era claro: jogar por uma grande universidade por um ou dois anos e então, ir para a NBA.

Telfair declarou que atuaria por Louisville, de Rick Pitino, antes de seu último ano no basquete colegial. Mas nem tudo aconteceu como ele planejava. Enquanto todo mundo o paparicava e dizia que ele seria um grande jogador na NBA, um vizinho foi assassinado. Ele não teve dúvidas e foi para o recrutamento. Até aquela época, ainda era possível um atleta pular do colégio direto para a liga. Entretanto, nenhum armador havia o feito.

Ele ouviu seu nome chamado pelo Blazers e, a partir daquele momento, tudo mudou em sua vida. Para o bem ou nem tanto. Com um contrato garantido na NBA, Telfair assinou um acordo com a Adidas, o que, anos depois, teria sido um de seus maiores pesadelos.

Só que, enquanto ele brilhava diante de moleques, até maiores que ele, Telfair usava sua velocidade e seu atleticismo para superar cada adversário, na NBA era um papo diferente. Todos eram maiores e tinham mais força, envergadura, e eram tão atletas quanto ele.

Por não ter passado pelo basquete universitário, suas falhas ficaram cada vez mais evidentes. Sua defesa era terrível e o arremesso estava longe de ser o ideal. E quando falamos de enfrentar profissionais, aí é que os problemas aparecem mesmo. Ele não conseguia encontrar os mesmos espaços, apesar de ter uma visão de quadra privilegiada.

Após dois anos no Blazers, sem fazer sucesso algum e com apenas 39% de aproveitamento nos arremessos, uma arma foi encontrada em sua bagagem antes de uma viagem com o time. Era o bastante para a equipe do Oregon, que o negociou na temporada seguinte com o Boston Celtics. Mas em Massachusetts, os mesmos problemas o perseguiam e foi para o Minnesota Timberwolves, em 2007-08. Em duas temporadas pelo Timberwolves, Telfair viveu o seu auge na liga, com médias próximas de 9.5 pontos e 5.0 assistências. Muito pouco para quem era projetado para ser um astro.

Armador rodou a NBA e, no fim, foi parar no basquete chinês

Logo, ele seguiu rodando pela NBA nos anos seguintes: Los Angeles Clippers, Cleveland Cavaliers, retornou ao Timberwolves, Phoenix Suns, Toronto Raptors, jogou na China, teve uma passagem rápida pelo Oklahoma City Thunder e então, voltou a jogar no basquete chinês.

Você consegue se lembrar de outros jogadores que pularam direto do colégio para a NBA, claro. Kobe Bryant, Kevin Garnett, Jermaine O’Neal, Tracy McGrady, LeBron James, Amare Stoudemire e Dwight Howard, realmente tiveram sucesso e tornaram-se astros. Agora, que tal Travis Outlaw, Robert Swift, Martell Webster, Andray Blatche, James Lang, Darius Miles, Kwame Brown, e óbvio, Sebastian Telfair? Estes jogadores optaram pelo caminho mais curto, mas não, não conseguiram brilhar na NBA. A lista é grande. Nos últimos anos, Brandon Jennings e, posteriormente, Emmanuel Mudiay, saíram da escola e foram jogar na China por uma temporada para conseguirem a liberação da liga. Complicado, não?

Telfair não aconteceu na NBA por vários motivos. Você pode culpar os “amigos”, a mídia, a inexperiência, a falta do basquete universitário, a violência, a família e sim, a ele mesmo. Sabe aquele acordo da Adidas? Ele afirmou ter sido o seu grande problema, pois aquilo trouxe comodidade aos seus familiares e Telfair teria perdido a “fome” pelo basquete.

Poderíamos estar falando de um atleta, hoje, aos 32 anos, como um dos melhores jogadores da posição. Ao contrário, Telfair segue jogando na China. É um perdedor? Difícil dizer isso para um sujeito que na carreira, mesmo que atribulada, somou quase US$20 milhões em salários. Pelo lado pessoal e financeiro, certamente não. Para a NBA, o papo é diferente.

  • Igor Dourado

    Tem um belo vídeo do Mike Korzemba contextualizando ainda mais toda a situação de Telfair. Incrível a hype que foi dada para ele à época. Talvez um ano de faculdade e a história fosse diferente, mas são raríssimos os jogadores que pulam o colégio e já trazem impacto imediato a seus times na NBA. Uma das coisas que mais tornam os feitos de LBJ absurdos seja o fato que ele não somente sustentou a hype como a excedeu, sendo o jogador mais cobrado pela mídia em todos os tempos.

  • Vitor Martins

    Belo artigo! Muito bacana saber dessas histórias, mas como ele tem milhares. É uma liga de extra terrestres. Muito difícil se destacar.

  • Alex Alves

    Acho muito importante o período na NCAA até acho que ficar dois anos seria o ideal para quase todos os atletas, exceto os gênios. Mas como no artigo diz antigamente isso era algo mais natural hoje em dia os últimos a terem feito isso Mudiay e Jennings por enquanto podem ser considerados floops em razão da expectativa criada em cima deles.

  • ¯_(ツ)_/¯ -R.I.P. Uncle Drew

    Esse artigo é só a prova de que, é roubada você pular a Faculdade lá nos EUA. Brandon Jennings também deu errado apesar de um brilhareco no inicio da carreira. Mudiay tá se caminhando para isto também, o Denver é melhor sem ele em quadra.
    OK, q a NCAA ainda tem a decisão ridícula de não pagar os atletas. Eu ontem msmo, vi uma declaração do Josh Rosen (QB de UCLA, cotado como um excelente prospecto para o Draft de 2018) de que, segundo ele, escola e Football (a NFL no caso) não dão certo juntos, “é como ter dois trabalhos”. A mensagem pode parecer forte, mas quando vc vê toda a declaração dele.. faz sentido. Se vc quer ser um atleta.. tem q se dedicar bastante no q faz, pq a concorrência é forte. Até por isto, os caras merecem ser remunerados pelo q fazem no esporte, a NCAA ganha grana demais para ficar apenas com eles e com as Universidades.
    Eu apoio a decisão q o Silver pensa em aumentar a elegibilidade dos jogadores universitários para 2 anos. Os q passam apenas 1 ano, chegam crus para a NBA. E os q preferem receber a grana, e vão para o exterior.. chegam mais crus ainda e grande maioria são mal desenvolvidos para o basquete americano.
    Mas para aumentar a elegibilidade, … os jogadores precisam ser remunerados de alguma forma. Até merchandising é proibido, o cara é sancionado pela organização, podendo até perder a chance de disputar um Final Four, ou perder vários jogos.
    Aumentando a elegibilidade e eles sendo remunerados, seria a situação perfeita para tentar evitar q mais Telfairs, Jennings, Kwame Browns e etc, apareçam na liga. Além de deixar o torneio da NCAA ainda mais atraente com mais talentos.

    • Alex Alves

      A questão do salário na NCAA ou qualquer liga universitária eu acho meio complicado, o que poderiam é criar um salário único de digamos 10 mil dólares mês para o jogador indiferente de quem for o atleta. Se houver uma desigualdade de salário pode criar um novo problema universidades fracas e sem estrutura no âmbito esportivo poderiam começar a pagar grandes salários causando problemas de mau desenvolvimento esportivo do jogador.

      • ¯_(ツ)_/¯ -R.I.P. Uncle Drew

        Sim. Poderiam criar um tipo de bolsa dependendo do quanto de lucro é dado para a universidade. Uma porcentagem do lucro q a NCAA disponibiliza para a universidade. ..seria divididas entre os atletas. Acho q não precisaria ser algo tão caro. Até pq se fosse caro demais..seria é prejudicial. A grande maioria se daria mal com tanto dinheiro, ele não seria bem administrado.

    • Vinícius Maia

      Uma coisa que me espanta é que parece que a cada ano que passa, mesmo os jogadores que passaram pela universidade, chegam mais despreparados a NBA. Está cada vez mais raro você ver um jogador que cause um impacto imediato logo em deu primeiro ano na liga.

      • ¯_(ツ)_/¯ -R.I.P. Uncle Drew

        Isso é pq o estilo de jogo praticado na NCAA tá cada vez mais diferente do q se é praticado na NBA. No basquete universitário grande parte das equipes, senão todas, ainda usam dois jogadores próximos ao garrafão durante boa parte da partida.
        Não existe um grande leque de jogadas, comparando com a NBA, tbem. O estilo de jogo na NCAA ainda é mt básico, estilo meia quadra. Enquanto o da NBA só se torna mais complexo. Cada vez mais jogadores precisam jogam em múltiplas posições, ler mais o jogo de forma ainda mais rápida, pq o jogo está mais rápido. E etc.

      • RafaelRox

        Tem o Lillard que já chegou arrebentando

        • Knickerbockers

          Porém o Lillard passou 4 anos na universidade. Não chegou tão novinho e cru na NBA como costuma acontecer com os prospectos mais badalados, que ficam apenas um ano no basquete universitário.

      • Gabriel S Monteiro

        Temos um recente Towns, claro que nenhum como James..

    • Carlos Eduardo

      Se liberassem ao menos assinar acordo com Nike, Adidas, já ajudaria muito.

  • Marcelo Desoxi

    O texto só mostra o quanto LeBron é monstruoso.

    • Da Costa Costa

      Na verdade o texto mostra a carreira de Telfair e como ela não decolou.

      • Marcelo Desoxi

        ‘-‘. Caçador de likes detected

        • Da Costa Costa

          Brincadeiras deixadas de lado, LeBron realmente é uma fera!

    • Danilo

      Howard também fez uma ótima temporada de rookie vindo direto do High School, mas realmente o LeBron é um absurdo

  • Luccas Alcindo

    Dica relacionada ao assunto: Hoop Dreams. Melhor documentário sobre basquete, que lida com a realidade de prospectos pobres que tentam ingressar na NBA.

    É uma decisão muito complicada, difícil julgar Telfair, e o texto tem muito mérito por não cair nessa cilada.

    Qualquer coisa que envolva a NBA vem com um certo risco agregado, no caso de um cara com esse tipo de situação familiar, o risco é altíssimo. Imagina se Telfair rompe os ligamentos durante o college e perde todo o hype criado? isso já aconteceu inúmeras vezes. É a única chance do cara, e ela vai para o buraco.

    A NCAA não ajuda. O sistema é totalmente quebrado pra quem é realmente pobre e vê no basquete uma chance de melhorar de vida.

    LeBron foi até proibido de jogar no high school, teve problemas com a elegibilidade no college. Sua mãe utilizou uma garantia de futuros rendimentos para comprar um carro, e o órgão que regula os jogadores achou que isso foi uma “trapaça”. Dá pra criticar o jogador?

    Na outra via tem a questão esportiva, concordo quando dizem que os jogadores chegam cada vez mais crus, e isso não faz bem para a liga. Acho que dá até pra relacionar esse fato com o boom de prospectos vindos da Europa/África etc.

    Ansioso pra ver qual será a solução encontrada. Realmente espero que flexibilizem as regras que regem o esporte amador nos Estados Unidos.

  • RL23

    Gostei do texto todo especialmente de como terminou!
    Infelizmente nao conseguiu ser o astro que a grande maioria esperava, mas como diz no texto: Perdedor? Jamais…

  • TRUETHIAGO

    Apenas uma correção, o Jennings foi jogar na Itália, não na China. E ele admitiu em entrevistas posteriores que se arrependeu, jogava pouco, não tinha vida social lá, dificuldade com a língua, etc. Enfim, ganhou sua grana, mas para carreira e desenvolvimento como jogador, não contribuiu em nada.

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