A importância do “jogo sujo”

O jogo sujo no garrafão é um dos elementos mais importantes e subvalorizados em uma partida de basquete. Aquele cara que sabe pegar rebotes e dar tocos, marca razoavelmente bem e consegue reduzir o ímpeto dos adversários em infiltrações, além de não ter medo de fazer faltas quando necessário, é uma peça fundamental em uma equipe, incluindo na NBA.

Digo que isso é subvalorizado porque muitas pessoas ainda medem a produção de um jogador em quadra apenas através do número de pontos que ele marca. Um rebote ofensivo vital – muitas vezes no tapinha – ou uma falta estratégica para parar o relógio não saltam aos olhos.

No Miami Heat campeão do ano passado, Chris Andersen saía do banco de reservas com essa função. O sonho dos torcedores do Indiana Pacers era que Roy Hibbert conseguisse fazer pelo menos isso – e hoje em dia ele também é perigosíssimo no ataque da franquia. Anderson Varejão é ídolo no Cleveland Cavaliers tendo passado boa parte da carreira apenas tendo essa atribuição no elenco.

Historicamente, a presença de pivôs limitados, mas que pudessem contribuir pelo menos com entrega quando estivessem em quadra, é uma constante nos elencos dos times que foram campeões da NBA – ou que pelo menos chegaram longe nos playoffs.

O que seria do Chicago Bulls entre 1996 e 1998 sem as figuras de Luc Longley e Bill Wennington, por exemplo? Ou ainda o San Antonio Spurs de 2005, em que o grande Rasho Nesterovic era o pivô titular?

Na verdade, às vezes ter alguém que saiba fazer o jogo sujo na área pintada é justamente o elemento que faltava para um time deslanchar. O Detroit Pistons de 2004 e Rasheed Wallace são um bom exemplo disso. Outro que pode ser citado é o Brooklyn Nets da temporada passada, um time muito mais perigoso com Reggie Evans em quadra.

E, por isso, Robin Lopez pode ter sido a contratação mais importante da temporada. Ele é limitado ofensivamente e dificilmente consegue criar o próprio arremesso, dependendo muito de uma boa movimentação ou de um rebote ofensivo para pontuar. Porém, isso não diminui o impacto que ele causou no Portland Trail Blazers.

Em 2012-13, os torcedores do New Orleans Hornets criticavam bastante a titularidade de Lopez. Alguns até o culpavam por conta do início em marcha lenta de Anthony Davis na liga, por estar “roubando” os seus minutos. Mas a verdade é que era Ryan Anderson que disputava posição com o monocelha, que ainda não tinha físico e experiência para jogar mais de 32 minutos por partida.

O agora Pelicans está apostando no gigante francês Alexis Ajinca para fazer a mesma função que Lopez, cujo sucesso no Trail Blazers consegue passar despercebido, já que muitos ainda têm fixação com o seu jogo ofensivo limitado. 

Lopez é o quarto jogador que mais pegou rebotes ofensivos na temporada atual e, apesar de marcar apenas dez pontos por partida, e o segundo do elenco com o maior offensive rating: 124.1 pontos anotados por 100 posses de bola em que está em quadra, de acordo com o site Basketball-Reference. Ele está atrás apenas do seu companheiro Wesley Matthews (outro jogador subvalorizado).

Lopez também é muito bom fazendo o box out – quando usa o corpo para impedir que os adversários consigam pegar rebotes -, o que permitiu que a taxa de rebotes por partida de quase todos os jogadores do Trail Blazers aumentasse nesta temporada, em comparação com o ano passado.

Por ser “brigador” no garrafão, ele permite que LaMarcus Aldridge brilhe com seu repertório de movimentos no ataque, e descanse um pouco na defesa também. Quando ele está em quadra, o Trail Blazers pontua cerca de 6.1 pontos a mais do que os seus oponentes, de acordo com o 82games.com.

http://www.youtube.com/watch?v=q9InsVaep7k

O certo é que o irmão gêmeo de Brook Lopez, talvez o pivô com mais recursos ofensivos da liga atualmente,  pode nunca se destacar tanto quanto ele, e dificilmente irá para um All-Star Game ou será selecionado para um time ideal da liga. Mas ainda assim, é muito mais provável que ele, fazendo apenas o “feijão com arroz” em quadra, consiga um anel de campeão em 2013-14. Desde que o Trail Blazers consiga sobreviver aos perigos da conferência Oeste, é claro.

  • Michel Moral

    Ao meu ver há uma grande diferença entre o Hornets e o Trail Blazers, em relação ao Lopez. Jogadores que “carregam o piano” fazem toda a diferença quando a equipe tem outras peças tecnicamente fortes.

    O Portland tem Lillard e LaMarcus. O Hornets não tinha ninguém… Talvez o Gordon machucado e o Davis em sua primeira temporada que quase não contam.

    Os caras que fazem o “jogo sujo” são fundamentais em um time forte, mas em um time limitado eles serão sempre as laranjas podres.

    Ben Wallace foi monstro no garrafão, mas só rendeu quando tinha Billups, Rip Hamilton e Rasheed, jogadores que tinham todos os fundamentos, arremesso, passe, etc.

  • Joseph

    Parabéns Cara, belíssimo texto. Pena que meu Blazers tá caindo de produção vertiginosamente (não é culpa do Lopez). Vamos ver se a estreia de CJ McLum dá uma revigorada no time.

  • Muito boa a coluna! Realmente é uma coisa que poucas pessoas reparam e muitas vezes esses jogadores nem são tão ruins quanto parecem…

  • RodrighoN

    fazendo uma brincadeira se juntasse os irmãos Lopez teríamos um super pivo dos bons eim.

  • Rômulo

    O titular do Spurs, em 2005, era o Nazr Mohammed, não?

    • O titular era mesmo o Nesterovic (Nazr venho numa troca com Knicks e ficou no banco)

  • Carlos

    Rodman do Bulls de 96 era esse tipo de jogador. Além de pegar rebotes, defender e lutar feito um louco. Ainda desestabilizava os adversários com suas provocações e irreverência.

  • Elias

    pois e cade aquele tal de lucas?ele se lesse isso ia xingar todo mundo ne,a coluna foi perfeira,o LOpez esta sendo super util!!!

  • Lucas Preis

    Ben Wallace eu era fã demais! Jogava muito e fazia o trabalho sujo…otimo texto

  • rafael taborda

    Concordo demais com a matéria… pra mim Garrafão deve ser sinônimo de Defesa… como era antigamente como não está sendo nos tempos atuais… mas é mais legal ver um Center ou Power Foward defendo o aro e dando tocos do que arremessando de 3 pontos… Old School Man, Old School …

  • RafaelRox

    Um irmão nasceu pra defender e outro pra atacar.. rsrsrs.

  • Alface

    Splitter tambem é muito bom nisso. É um grande facilitador.

  • Como torcedor do Suns conheço bem o Robin Lopez. E me perdoem por discordar, mas pra mim jogador que faz o trabalho sujo, tem que saber defender!!!
    Coisa que o Robin Lopez não consegue… ele é um bom reboteiro, sem dúvidas. Mas é só olhar as estatísticas dos Centers que atuam contra ele. Sempre os jogadores conseguem números melhores do que a suas médias na temporada… Ontem foram 35pts e 13reb do Cousins, e quem tiver paciência de pesquisar verá que não foi uma exceção!!!

  • Se o Perkins no Boston de 2008 era fundamental, assim como Steven Adams será no futuro de OKC, Kosta Koufos em Memphis e Quincy Acy (parece ter um bom potencial) no Kings.

  • Robin Lopez foi uma baita contratação do Blazers mesmo,médias de 10 pts para um Center como ele está bom,álem de uma boa defesa.

  • Afonso

    pra mim o melhor e maior exemplo disso se chama Tyson Chandler, vide o tanto que o knicks sofreu com a ausencia dele

  • Mudando de assunto… Se não me engano hj tem Phoenix Suns vs Minnesota TimberWolves na ESPN. Dois times q jogam soltos. Tem tudo para ser um jogão. Tomara q Leandrinho faça sua estréia hoje…