A Universidade de Kentucky venceria o Washington Wizards?

O time da Universidade de Kentucky é o grande favorito a se sagrar campeão do Torneio da NCAA na próxima segunda-feira. Isso é um fato inquestionável. Além de ter o grupo mais talentoso do país (um caminhão de “draftáveis” liderado pela primeira escolha do próximo recrutamento, Anthony Davis), trata-se de uma equipe harmoniosa e sem egos inflados. O potencial individual ali é imenso, mas joga-se em favor do coletivo. E isso os faz totalmente dominantes – para muitos, o melhor time universitário dos anos 2000.

A polêmica de sempre quando temos uma situação dessas até que demorou, mas veio.

Na última terça-feira, o ex-técnico da Universidade de Maryland, Gary Williams, afirmou que Kentucky poderia vencer o Washington Wizards. Observe as condições: em um jogo isolado, no ginásio da universidade, em um back-to-back-to-back (ou seja, na última parada de uma série de três partidas em três dias). A declaração dividiu a dupla de radialistas da ESPN que comandava a entrevista com o treinador. Na verdade, dividiu todo mundo. Na reação mais ríspida, o comandante do Orlando Magic, Stan Van Gundy, definiu a afirmação como absolutamente absurda.

Eu não defino a declaração como absurda porque, na prática, tudo pode acontecer em um jogo. É muito vago, mas é isso aí mesmo. Pegue o Wizards (que não é lá um grande time – fato consumado que a temporada comprova) cansado e em uma noite bem ruim. Coloque na frente do time de Kentucky motivado, jogando em casa e conseguindo fazer uma rotação apenas com seus seis ou sete maiores talentos. Adicione a contusão de um Nene (que tem histórico de lesões mesmo) com cinco minutos de jogo e… bem… poderia acontecer. Não poderia?

No entanto, tudo isso é pura imaginação, meio que ficar brincando de “se”. Você quer saber de um fato? Se eu tivesse cem pilas na mão para apostar neste jogo, eu colocaria toda a grana no Wizards. Todinha, sem muito medo. Por quê?

1. Eu acho que o Washington é melhor do que a campanha sugere. Nada de playoffs ou coisa do tipo, mas tem talento por lá. Pelo menos, poderiam ser melhores do que a vergonha que passam.

2. Pela óbvia diferença de experiência. O Wizards tem veteranos que produzem há anos na liga e continuam produzindo. Para citar só os dois mais rodados, Nene e Rashard Lewis. Não são caras que estão lá só pela idade e não entram em quadra, mas que jogam noite após noite.

3. Por pior que seja como grupo, a franquia tem os jogadores necessários para bater de frente com o que Kentucky (na teoria) teria de melhor: juventude e potencial atlético. É só escolher: Trevor Booker, Jan Vesely, Chris Singleton, Jordan Crawford, John Wall e por aí vai. Esse é o lado bom de ter escolhas altas de draft todos os anos, né?

4. Do ponto de vista quantitativo, o elenco do Wizards tem mais talento do que Kentucky. Na teoria, a universidade tem sete potenciais jogadores de NBA (Davis, Michael Kidd-Gilchrist, Terrence Jones, Marquis Teague, Doron Lamb, Darius Miller e Kyle Wiltjer). Posso estar colocando um a mais ou a menos, mas a tendência é essa. Já dos 14 atletas no grupo de Washington, eu julgo (você pode não concordar) que 12 são jogadores de NBA. Tire Cartier Martin e Brian Cook da atual lista e todos os outros merecem – no mínimo – o benefício da dúvida pelo tempo em que estão na liga, produtividade e/ou talento não-desenvolvido.

5. Como a temporada vem provando, o back-to-back-to-back não é um monstro invencível. Poucas equipes vencem a terceira partida da série, mas ninguém está passando vergonha ou chegando com metade do elenco disponível nesses confrontos. Ninguém gosta de fazer esse jogo, mas todos conseguem sem parecer time de futebol brasileiro na altitude.

Aqui, estou excluindo propositadamente questões táticas mais avançadas, pois não conheço com tamanha profundidade as duas equipes – e não vou ficar inventando coisas aqui só para parecer mais inteligente do que sou. Estou arranhando a superfície. Gary Williams e Stan Van Gundy não estudaram horas de vídeos de cada time para falar o que falaram também. Então, acho que estou perdoado.

Além disso, estou omitindo a velha história do “Homens contra Meninos” porque acho que ela não cabe aqui. Muitos dos jogadores de Kentucky já estão, física e atleticamente, preparados para causar impacto entre os profissionais. Utilizar tal argumento seria chamar de “crianças” gente como Davis, Kidd-Gilchrist, Jones, Miller e Eloy Vargas. E pode acreditar, eles não são.

Enfim, voltando ao ponto inicial: em casa, Kentucky poderia vencer o Wizards no fim de back-to-back-to-back? Sim. Mas a lógica “grita”: o Wizards ganharia fácil.

Só marcar o dia e o local. E alguém patrocinar minha aposta.

PS: Troque Wizards por Bobcats e a discussão até pode decolar.

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.
  • Acho que, ganhando ou não, já é uma vergonha para o Wizards ser citado dessa forma. Também não acho o time de Washington tão ruim assim.

    • Ricardo Stabolito Jr.

      Realmente, Lucas, essa é a pior parte. Pra fazer a franquia repensar tudo mesmo. Mas é bom saber que não sou o único que vê “algo mais” no Wizards.

      Abraço!

  • Junior

    Do Bobcats eu tenho CERTEZA

  • Julio Zago

    Ridícula a comparação, por melhor que seja o time da Universidade de Kentucky estamos falando de um jogo entre amadores contra profissíonais.

    • Ricardo Stabolito Jr.

      Não acho tanto assim, mas muita gente concorda com você, Zago.