[ATUALIZADO] O Jogo em Números (25-01-14)

A ausência de Wade

Atual bicampeão da liga, o Miami Heat está passando por um momento de instabilidade nas últimas semanas e um dos motivos para a oscilação é a ausência do astro Dwyane Wade. O vice-líder do Leste possui 31 vitórias e 12 derrotas na temporada, mas venceu só sete de 13 jogos na ausência do ala-armador. Na última campanha, o time também não teve o astro em 13 oportunidades e o desfalque foi bem menos – e diferentemente – sentido do que agora, como você pode observar nos quadros abaixo:

2012-13

Recorde (V-D)

Pontos por jogo

Pontos cedidos por jogo

Diferença de pontos

Com Wade

55-14

103.7

95.8

+7.9

Sem Wade

11-2

97.8

90.7

+7.1

2013-14

Recorde (V-D)

Pontos por jogo

Pontos cedidos por jogo

Diferença de pontos

Com Wade

24-6

103.6

96.6

+7.0

Sem Wade

7-6

105.1

103.0

+2.1

O Heat sofreu na última temporada com a ausência de Wade no ataque (5.9 pontos a menos), mas a defesa subiu de rendimento para suprir a queda e, por isso, a diferença de pontos caiu muito pouco – o que, geralmente, significa que a campanha manteve-se estabilizada.

O caso deste ano é bem diferente: foi a defesa que entrou em declínio (6.4 pontos tomados a mais) com a saída do ala-armador e a ofensiva não conseguiu “crescer” a ponto de compensar a oscilação. A diminuição de quase cinco pontos por partida na diferença de pontos simboliza o disparate entre as campanhas do time com e sem o astro.

 

O lado pivô de Wesley Matthews

O ala-armador Wesley Matthews vive a melhor temporada da carreira e, com mais de 42% de aproveitamento nos arremessos de longa distância, é considerado uma presença quase certa no concurso de arremessos de três pontos do All Star Weekend. Mas o titular do Portland Trail Blazers não pontua só chutando de longe, sem marcação. Na verdade, ele também é bastante eficiente em outro tipo de situação, bem mais comum entre pivô do que atletas de sua posição: post ups.

Com 1.96m e quase 100 kg., Matthews é maior do que grande parte dos alas-armadores e vem se aproveitando disso para “levar” marcadores ao garrafão e operar de costas para a cesta – quando pode fazer uso de sua vantagem física. Ele registra 0.98 pontos por posse neste tipo de lance, nada menos do que o quarto maior índice da liga. Não à toa, o Blazers recorre cada vez mais a jogadas que coloquem o jogador de 27 anos neste tipo de situação. Se está dando certo…

 

O lado armador de Josh McRoberts

O ala-pivô Josh McRoberts não é um dos atletas mais reconhecidos da liga, mas é o melhor jogador de garrafão da NBA em um aspecto particular: distribuindo assistências. O atleta do Charlotte Bobcats está entre os três big men com média de, no mínimo, quatro assistências. Nas estatísticas mais aprofundadas, porém, seus números saltam a frente dos outros dois integrantes do seleto grupo:

Jogador

Assistências por jogo

Assistências por minuto

Taxa de assistências

Assistências por turnover

Kevin Love

4.2

0.116

15.0%

1.86

Josh McRoberts

4.1

0.134

31.8%

3.81

Joakim Noah

4.0

0.118

23.0%

1.85

Assistências por erro de ataque é considerada a melhor forma de medir a eficiência de um assistenciador e, como você pode ver, McRoberts realmente está muito a frente de seus companheiros de posição. Na verdade, o segundo melhor no quesito entre os homens de garrafão é o brasileiro Anderson Varejão (2.16). Mas seus números não se destacam entre pivôs e alas-pivôs. Na verdade, apenas sete titulares em toda a NBA – e os outros seis são armadores – possuem proporção de passes decisivos por desperdícios superior a 3.0:

Jogador

Assistências por jogo

Assistências por minuto

Taxa de assistências

Assistências por turnover

Chris Paul

11.2

0.323

36.5%

4.47

José Calderón

4.7

0.149

29.9%

3.96

Josh McRoberts

4.1

0.118

23.0%

3.81

Kyle Lowry

7.4

0.205

31.6%

3.47

Mike Conley

6.3

0.180

25.5%

3.25

Kendall Marshall

9.6

0.294

44.0%

3.19

Ricky Rubio

8.3

0.262

41.1%

3.07

Comparar suas assistências por jogo, por minuto e taxa com armadores é injusto, porque eles operam com a bola nas mãos e tem o passe como função prioritária – por isso, cometem mais erros de ataque também. McRoberts não joga com a bola nas mãos e não tem a obrigação de criar jogadas para os outros atletas, mas revela-se tão eficiente quanto os colegas mais baixos dando assistências. Isso é notável.

 

Ser titular é diferente

Desde que o ala Rudy Gay foi trocado, o Toronto Raptors subiu meteoricamente de produção e já alcançou a terceira posição da conferência Leste. Quem, em especial, agradeceu a saída do jogador para o Sacramento Kings foi Terrence Ross: o jovem ficou com a vaga de titular aberta na equipe e finalmente começou a provar porque foi uma das dez primeiras escolhas do draft de 2012. Sua efetivação ao time titular nesta temporada marcou uma crescente em seu jogo ofensivo, como pode ver no quadro abaixo:

2013-14

Ross reserva

Ross titular

Jogos

19

23

Minutos por jogo

18.8

29.1

Pontos por minuto

0.343

0.409

Arremessos de três pontos (%)

34.5

40.6

PS:

 

[ATUALIZADO] Só de 30 para cima

Kevin Durant chegou ao 10º jogo consecutivo com 30 ou mais pontos neste sábado, anotando 32 pontos na vitória do Oklahoma City Thunder diante do Philadelphia 76ers (103 a 91). Desta forma, o astro vai entrar em quadra na próxima segunda para tentar cravar a maior sequência de partidas com 30 ou mais pontos das últimas dez temporadas. Neste momento, a lista de cinco maiores séries desde 2004 está assim:

Temporada

Jogador

Número de jogos

Média de pontos no período

2013-14

Kevin Durant

10

38.2

2012-13

Kobe Bryant

10

34.4

2005-06

LeBron James

10

37.9

2005-06

Kobe Bryant

9

41.7

2010-11

Amare Stoudemire

9

31.0

O adversário de Durant na próxima segunda-feira será o Atlanta Hawks. Eis os números do ala na carreira e especificamente nos últimos cinco jogos (de 2011 para cá) contra o time da Geórgia. Faça sua aposta: ele consegue o recorde?

Jogos

Pontos por jogo

Aproveitamento de arremessos

Aproveitamento para três

Recorde

Carreira

28.1

46%

41.8%

7-5

Últimas cinco partidas

31.4

48%

43.3%

3-2

[polldaddy poll=7745917]

Jogo rápido

– A partida entre Miami Heat e Charlotte Bobcats, disputada no último sábado (18), começou e terminou com marcas importantes. Antes da bola subir, a Time Warner Cable Arena recebeu seu maior público da história em um jogo do Bobcats, com 19.631 pessoas. Ao fim da partida, o Heat conquistou sua 15ª vitória consecutiva sobre o adversário da Carolina do Norte.

– Considerado um dos pivôs jovens mais promissores da liga, Enes Kanter vem fazendo uma temporada bem abaixo do esperado e até perdeu sua titularidade no Utah Jazz. Se a intenção é vencer jogos, a equipe deveria realmente mantê-lo longe do quinteto inicial: os comandados de Tyrone Corbin venceram só uma das 19 partidas desta temporada em que o turco foi titular.

– Com dores nos tornozelos, o armador Deron Williams voltou a reforçar o Brooklyn Nets após duas semanas longe das quadras na vitória sobre o New York Knicks, na última segunda (20). Ele saiu do banco para marcar 13 pontos e distribuir três assistências. Foi a primeira vez que o astro iniciou um jogo como reserva desde fevereiro de 2006 – ou seja, quase oito anos.

Luol Deng reencontrou seus ex-companheiros de Chicago Bulls na última quarta-feira (22), quando enfrentou a equipe que defendia até o início deste mês pela primeira vez na carreira. O ala, agora no Cleveland Cavaliers, atuou por nove anos e meio na equipe de Illinois. Apenas dois atletas jogaram mais tempo pelo Bulls: Michael Jordan e Scottie Pippen.

– Na terça-feira passada (21), o ala Rudy Gay igualou a maior pontuação de sua carreira ao anotar 41 pontos na vitória do Sacramento Kings sobre o New Orleans Pelicans. Ele acertou 16 dos 25 arremessos tentados no confronto. Foi a primeira vez que o criticado atleta tentou 25 ou mais tiros de quadra em uma partida e acertou 60% deles.

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.
  • D. Wade esta fazendo muita falta com seus descansos essa temporada. Mas é preciso. A equipe é um conjunto. É como se fosse uma banda #Heatles, onde cada peça é importante, cada jogador tem seu peso e sua importância. D Wade é o dono da casa, e é mais do que normal o time sentir sua falta. Temporada passada ele fora, e o time não perdeu muito, isso me preocupou (apesar das vitórias). Nessa temporada eu vejo como a equipe continua jogando coletivamente e evoluindo nesse quesito. Sua falta tem mais peso.

  • Eu acho que o declinio do Heat fica evidente principalmente fisicamente ,creio que terão muita dificuldade em superar os Pacers e hj apostaria que não ganham mais um titulo !!

  • Carlos Eduardo

    Ricardo, uma sugestão para o próximo post. Muita gente pega no pé, injustamente, de alguns bigmen pela taxa de rebotes. Se não pega 10 ou mais, não presta. Sugiro você trabalhar com as seguintes estatísticas: jogadores com 10 ou mais rebotes; jogadores com a maior %REB; e, principalmente pra contrapor esse povo, jogadores que, quando estão em quadra, seus TIMES pegam a maior %REB. Tem muito jogador que não pega tantos rebotes, mas sua grande qualidade no boxout ajuda o time inteiro a pegar rebotes, o que é bem melhor.

  • Michel Moral

    Pra mim, o Heat não é exemplo de coletividade. É um time armado para LeBron, com Wade na sobra. Caso os dois não resolvam, algo que acontece em apenas 10 ou 20 por cento das vezes, vc encontrará o restante do time aberto e posicionado para o chute.

    Óbvio que isso é o que tem que ser feito quando se tem jogadores do nível das duas estrelas de Miami. Por isso, não dou muito crédito ao Spoelstra. O Heat usa o esquema: “vamos apelar”. Se o head coach estivesse no Bobas ou Bucks eu queria ver como seria o início de carreira.

    Aí surge o problema do post, quando Wade não está em quadra. Com LeBron anulado, o time vira uma equipe comum, dependendo da inspiração de Bosh.

    Quando isso ocorre, Miami só fica no pareo pq tem bons jogadores da linha dos três e alguns bons defensores, que não deixam o adversário alargar a diferença no placas. Depois torcem para que LeBron resolva.

    A hora que LeBron acabar fisicamente (com seus 30 e pouco), já que Wade está no início do fim, não creio que farão grandes campanhas.

    • Michel Moral

      Bobas, leia-se Bobcats.

  • Thiago Salles

    Kobe monstro!!!

  • JLino

    Lebron sem dúvidas é o melhor da atualidade, mais algo mim diz que se Wade não tivesse presente nos últimos dois campeonatos, o Heat não tinham levado, sei lá…