Barkley se emociona com morte de Moses Malone: “Chamava-o de pai”

A NBA acordou de luto neste domingo com a notícia da morte do lendário Moses Malone, que teria tido um ataque cardíaco fulminante enquanto dormia. E, entre tanta comoção e reações emocionadas ao redor da liga, nenhuma foi tão emotiva quanto a do grande Charles Barkley. Em nota oficial divulgada logo após o falecimento, o ex-ala-pivô relembrou como foi muito ajudado pelo homem que considerava muito mais do que um amigo e mentor.

“O homem que eu chamava de pai morreu hoje e palavras não podem explicar minha tristeza. Eu nunca saberei por que um futuro integrante do Hall da Fama pegou um garoto preguiçoso e gordo de Auburn e tratou-o como um filho. Ele colocou-me em forma e tornou-me um jogador. Toda vez que o via, eu chamava-o de pai e espero que soubesse o quanto o amava”, declarou Barkley, que foi draftado pelo Philadelphia 76ers quando Malone era o líder da equipe.

Outra pessoa próxima do ex-pivô que ficou devastada com a surpreendente notícia é o técnico Maurice Cheeks. O ex-armador conquistou o título da liga com o Philadelphia 76ers, em 1983, sob o comando do então MVP Malone. Ele ficou sabendo do falecimento do amigo enquanto ainda estava na cama, do ex-jogador Andrew Toney (outro companheiro de Sixers), e ficou sem reação.

“Eu tive a sorte de jogar e conviver com Moses. Você não encontra amizades como essa em qualquer lugar. Ele nos trouxe um título da NBA e não dá para ser muito melhor do que isso dentro de quadra, mas o fato é que tratava-se de uma pessoa inacreditável. Claramente um dos melhores que jogaram, mas que nunca agia como tal”, lembrou Cheeks, titular da campanha vitoriosa de 83.

Mais um técnico da atualidade que jogou ao lado de Malone foi Doc Rivers. O comandante do Los Angeles Clippers, que atuou com o craque entre 1988 e 1991 (Atlanta Hawks) também lamentou a notícia. “Para mim, Moses foi um companheiro de elenco, amigo e mentor. Ele ensinou-me o que era preciso para ser um verdadeiro profissional. A NBA perdeu um de seus gigantes e eu perdi um amigo. Não havia ninguém como Moses”, afirmou.

Dominique Wilkins, que também atuou com o ex-pivô no Hawks, expressou sua tristeza com o falecimento do ex-colega. “Eu estou completamente chocado e palavras não são capazes de explicar a dor que sinto no momento. Tive sorte de poder chamar Moses de companheiro de trabalho e amigo. Nunca vi alguém jogar tão duro dentro de quadra e, fora das quatro linhas, revelar-se uma pessoa tão gentil”, disse.

Primeiro jogador a sair diretamente do colegial para o basquete profissional, Malone disputou 21 temporadas e 1.455 jogos. O “Chairman of the Boards”, como era apelidado, liderou a liga em rebotes por seis temporadas e conquistou o prêmio de MVP da liga em três oportunidades. Além de ter sido campeão em 1983, ele foi eleito para o Hall da Fama (2001) e para as listas de melhores da história da ABA e NBA (1996).

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.