Draft 2019 – Análise do recrutamento mais “estranho” dos últimos anos

Ufa, sobrevivemos ao Draft 2019! Em quase uma década de cobertura, não me lembro de um recrutamento tão estranho. Ao contrário do que ocorreu em 2018, este ano tivemos muitas surpresas e um número considerável de negociações (23 pelas minhas contas).

A classe deste ano não era tão especial, talentosa, como as dos últimos dois anos. O Draft tinha um TOP 3 estabelecido – Zion Williamson, Ja Morant e R.J. Barrett, e, depois da terceira escolha, uma série de dúvidas por conta do grande número de potenciais role players. A impressão que tínhamos era a de que, a partir da quarta escolha, não havia tanta diferença assim entre os prospectos, e que as equipes fora do TOP 3 não estavam muito entusiasmadas com as opções. E o recrutamento confirmou isso, com um número elevado de escolhas surpreendentes e de trocas.

Como esperado, o New Orleans Pelicans, dono da primeira escolha, não brincou em serviço e selecionou o maior talento da classe deste ano, o ala-pivô Zion Williamson, da Universidade de Duke. Na sequência, Memphis Grizzlies e New York Knicks também fizeram o óbvio e selecionaram, respectivamente, o armador Ja Morant, da Universidade de Murray State, e o ala R.J. Barrett, também de Duke.

A partir da pick #4, o recrutamento começou a “pegar fogo”. Trocas e mais trocas, escolhas questionáveis atrás de escolhas questionáveis. E, na segunda rodada, tivemos o ponto alto da noite para os brasileiros: a seleção do ala Didi Louzada por parte do Pelicans, na escolha 35. Desde 2014, quando o ala Bruno Caboclo foi escolhido pelo Toronto Raptors (#20), o Brasil não tinha um atleta selecionado no recrutamento da NBA.

Claro que, em se tratando do recrutamento da NBA, a prática pode ser bem diferente da teoria, e a graça do Draft é quando o improvável entra em cena. Jogadores com potencial estelar fracassam no nível profissional; prospectos que os analistas e o público, em geral, não davam importância se tornam astros na liga; a franquia que, hoje, é criticada por escolhas questionáveis, amanhã poderá ser exaltada e chamada de visionária. Faz parte do jogo…

Sem delongas, vamos às análises do Draft 2019.

 

New Orleans Pelicans

Escolhas: Zion Williamson (1), Jaxson Hayes (8), Nickeil Alexander-Walker (17) e Didi Louzada (35)
Avaliação: Zion na primeira escolha surpreendeu um total de zero pessoas. Maior talento da classe e pronto para contribuir de imediato, apesar de ter somente 18 anos. Hayes na oitava teria sido uma escolha excelente se não fosse o encaixe com o restante do elenco do Pelicans. Ele é um pivô atlético que finaliza bem ao redor da cesta e no pick-and-roll (rim runner de primeira linha), além de ser um grande reboteiro ofensivo. Mas ainda é muito cru, nos dois lados da quadra, e, por isso, um projeto de médio e longo prazo. O elenco atual (contando com os atletas que virão na troca acertada com o Los Angeles Lakers envolvendo Anthony Davis) se ressente de bons arremessadores do perímetro. Um garrafão formado por Zion e Hayes tem um grande potencial defensivo, mas no ataque pode não funcionar da melhor forma por conta da falta de espaçamento. Considero Alexander-Walker uma boa escolha na #17. Combo guard com elevado QI de basquete, capacidade de de arremessar com dinamismo, criar para os companheiros e defender múltiplas posições, o primo de Shai Gilgeous-Alexander tem tudo para ser útil vindo do banco de reservas. A escolha de Didi Louzada na #35 alegrou os brasileiros, é importante para o país, mas ele não deverá ter espaço na equipe logo de cara. Caso vá para o Pelicans de imediato, Didi provavelmente vai passar a temporada mais na Liga de Desenvolvimento do que no elenco principal, que, hoje, conta com vários jogadores para as posições 2 e 3 (Jrue Holiday, Brandon Ingram, Josh Hart, E’Twaun Moore, Kenrich Williams e Nickeil Alexander-Walker). Em linhas gerais, o Pelicans fez um bom recrutamento.

 

Memphis Grizzlies

Escolhas: Ja Morant (2) e Brandon Clarke (21)
Avaliação: Considero o Grizzlies o grande “vencedor” da noite. Tudo bem, o maior talento de 2019 foi escolhido pelo Pelicans, mas o time de Memphis conseguiu dois atletas valiosos – um deles TOP 3 da classe e outro que já chega pronto para contribuir de imediato na NBA. Com a saída de Mike Conley, Ja Morant terá a bola nas mãos e a missão de organizar e liderar o ataque da equipe. Ele é um armador explosivo, com ótimos atributos atléticos e que combina a capacidade de pontuar com a criação de jogadas para os companheiros. Tem tudo para dar certo na NBA. O Grizzlies foi cirúrgico na troca de escolhas que fez com o Oklahoma City Thunder. Na #21, o time de Memphis selecionou Brandon Clarke, que era cotado como escolha de loteria nas projeções do Draft. O ala-pivô talvez tenha o piso mais alto do recrutamento. Apesar de baixo para um big man, o canadense é extremamente refinado dos dois lados da quadra e foi um dos melhores protetores de aro do College, graças à leitura de jogo avançada, timing nos tocos e ao atleticismo. Tem tudo para se tornar um ótimo complemento a Jaren Jackson Jr. Promessa de versatilidade ofensiva e defesa de elite. O torcedor do Grizzlies deve estar rindo de orelha a orelha com o futuro promissor da equipe.

 

New York Knicks

Escolhas: R.J. Barrett (3) e Ignas Brazdeikis (47)
Avaliação: Para alívio da torcida, o Knicks não “inventou” e fez a escolha que todo mundo esperava na #3. Barrett é um dos três maiores talentos da classe e tem tudo para ser o “cara” do time nos próximos anos. Na NBA, com um jogo cada vez mais veloz e espaçado, sua capacidade de criar em situações diversas e estilo de slasher devem-se encaixar muito melhor do que no College. A expectativa é que o canadense, que tem atributos físico-atléticos de eleite, tenha a bola nas mãos e jogue pelas suas forças, não fraquezas (inconsistência e tomada de decisões ruins). Mas é preciso dizer que o Knicks precisa cercá-lo de bons arremessadores. Em Duke, a falta de chutadores atrapalhou demais o jogo de Barrett. Na segunda rodada do próprio recrutamento, a equipe novaiorquina já começou a adotar essa ideia, com a seleção do também canadense Ignas Brazdeikis, um dos mais eficientes e dinâmicos arremessadores do perímetro do Draft. O bom recrutamento será um indício de que o Knicks, finalmente, vai parar de fazer bobagens?

 

Atlanta Hawks

Escolhas: De’Andre Hunter (4), Cam Reddish (10) e Bruno Fernando (34)
Avaliação: O Hawks trocou duas escolhas (8 e 17) com o Pelicans justamente para conseguir a #4 e selecionar o jogador que estava no topo de sua lista do Draft. Campeão da última temporada do College por Virginia, Hunter é um protótipo de 3 and D, tão em alta na NBA. Ele se destaca pelos atributos físico-atléticos de elite e por ser um ótimo arremessador em spot up e excelente e versátil defensor. Chega ao Hawks pronto para contribuir de imediato. Resta saber como será a sua adaptação em termos de ritmo na NBA. Ele vem de um time cuja característica principal era desacelerar o jogo e, agora, vai atuar na equipe que teve o maior pace (posses de bola por partida) da NBA, na última temporada. Na pick 10, o time de Atlanta não deixou escapar o maior talento disponível. Reddish possui um talento atlético natural e um jogo mecanicamente bonito, mas que ainda não se refletiu em quadra. Em Duke, ele ficou à sombra de Zion e Barrett. Se por um lado possui um chute versátil e compacto, boa capacidade criativa de passe e um potencial atlético feroz, é um defensor muito ruim devido à sua falta de disciplina nesse lado da quadra. Vale a aposta. Na segunda rodada, o Hawks selecionou o pivô angolano Bruno Fernando, que já tem força física suficiente para aguentar o nível profissional. Ele é um big man atlético, com considerável explosão vertical, que possui sólida mecânica de arremesso para a meia distância e que vem evoluindo como passador, mas que carece de movimentos refinados de costas para a cesta. Projetado para sair no final da primeira rodada, Bruno foi um achado na #34. Mais um bom recrutamento do time de Atlanta, que tem uma base jovem muito promissora.

 

Cleveland Cavaliers

Escolhas: Darius Garland (5), Dylan Windler (26) e Kevin Porter Jr. (30)
Avaliação: A minha escolha ideal aqui, em termos de encaixe e talento, seria Jarrett Culver. Porém, o Cavs tinha mesmo Garland como o maior talento disponível e selecionou o armador, um ano depois de ter escolhido Collin Sexton. O encaixe entre os dois não é dos melhores – são dois armadores baixos, que são mais cestinhas do que criadores de jogadas para os companheiros. Em Michigan, o técnico John Beilein adorava montar suas equipes com dois armadores, o que também pode explicar a opção do Cavs. Garland jogou apenas cinco partidas no College, antes de sofrer uma ruptura do menisco e ligamento medial do joelho esquerdo, mas deixou ótima impressão com seu dinamismo nos arremessos de média e longa distância, controle de bola de elite e eficiência na execução do pick-and-roll. Mais do que nunca, ao lado de Sexton, ele vai precisar melhorar como passador. Pelo menos ele já deu flashes de que sua visão de quadra é apurada. Na escolha 26, o time de Cleveland selecionou Dylan Windler, especialista em arremessos de longa distância e grande reboteiro. Gosto da escolha porque o Cavs precisa, com urgência, de bons arremessadores. Na última escolha da primeira rodada, a equipe de Ohio selecionou o clone de J.R. Smith. Porter Jr. tem um potencial imenso, mas sua postura questionável em quadra e fora dela podem minar esse talento. Gosto da habilidade dele de criar o próprio arremesso, do seu controle de bola e noção de espaço, mas será que, na NBA, ele será mais do que um pontuador? Na #30, vale a aposta para um time em modo rebuild como o Cavs.

 

Minnesota Timberwolves

Escolhas: Jarrett Culver (6) e Jaylen Nowell (43)
Avaliação: O novo presidente de operações de basquete do Timberwolves, Gersson Rosas, já chegou dando o seu cartão de visitas. Ao fechar uma troca com o Phoenix Suns – pick 6 pela pick 11+ o contrato expirante de Dario Saric, ele colocou o time de Minnesota em condições de selecionar um bom prospecto. A informação é a de que a franquia tinha Garland e Culver como alvos. Como o armador foi selecionado na escolha anterior, não havia dúvidas de que o ala-armador de Texas Tech seria selecionado. Culver é um dos meus prospectos preferidos da classe por causa da versatilidade. Ele tem um ótimo entendimento do jogo, nos dois lados da quadra, possui alto QI de basquete, habilidade de playmaker (armador num corpo de ala) e um pacote de habilidades respeitável. Culver faz de tudo um pouco em quadra: pontua, passa, dribla e defende bem (all-around). Mas a falta de explosão e velocidade para infiltrar com facilidade e finalizar por cima de defensores altos, e a inconsistência nos arremessos, jogam contra Culver. Para que o encaixe seja o mais próximo do ideal, o Timberwolves precisa buscar bons arremessadores no mercado. Na segunda rodada, já pensando nesse espaçamento de quadra, a equipe de Minneapolis selecionou um bom arremessador do perímetro. Nowell, que também pontua de todos os cantos da quadra e ainda é capaz de criar para os companheiros, foi uma boa escolha na #43. Só que ele vai enfrentar uma concorrência pesada (Culver, Josh Okogie e Andrew Wiggins, por enquanto), o que me leva a crer que terá pouco ou quase nenhum tempo de quadra logo de cara. Em suma, gostei do recrutamento do Timberwolves.

 

Chicago Bulls

Escolhas: Coby White (7) e Daniel Gafford (38)
Avaliação: Entendo a necessidade do Bulls em selecionar um armador por conta da carência na posição, mas não gosto do encaixe de Coby White com Zach LaVine no backcourt do time de Chicago. Assim como LaVine, ele é um pontuador versátil, com habilidade para criar o próprio arremesso e que gosta de acelerar demais o jogo e não parece possuir boa noção de controle de ritmo ofensivo. Além do mais, ambos deixam a desejar como defensores. Pelo fato do time de Chicago precisar de um armador mais cerebral (acredito que vão buscar no mercado um jogador com esse perfil), a tendência é a de que exerça o papel de sexto homem da equipe, a não ser que o Bulls esteja pensando em trocar LaVine. Na segunda rodada, o Bulls foi muito bem ao selecionar Daniel Gafford. O pivô foi um achado na #38. Gafford é um pivô atlético, explosivo e capaz de proteger o aro, que se destaca ainda por ser um eficiente finalizador ao redor da cesta. Alvo fácil de pontes-aéreas e rim runner de primeira linha, ele será bastante utilizado nas situações de pick-and-roll na NBA. Evoluiu como protetor de aro, é um grande reboteiro, mas seu jogo fora da área pintada é praticamente nulo e sua visão de quadra e mecânica de arremesso deixam a desejar.  Gafford deverá ser um bom backup de Wendell Carter Jr..

 

Washington Wizards

Escolhas: Rui Hachimura (9) e Admiral Schofield (42)
Avaliação: Com John Wall fora de combate na próxima temporada devido a uma grave lesão, e uma folha salarial inchada, o Wizards dificilmente vai brigar por alguma coisa em 2018/19. Com esse rebuild “forçado”, o time deveria ter selecionado o maior talento disponível no Draft, independente da posição, correto? Errado. Não considerava Rui Hachimura um prospecto de loteria, e fiquei bastante surpreso com a opção do time de Washington em selecionar o ala-pivô japonês. Ele simplesmente não é um encaixe natural na NBA moderna. Tudo bem que ele foi um dos melhores finalizadores do College, e sua evolução na parte ofensiva é notória, mas apesar da força física e dos atributos atléticos, Hachimura ainda deixa muito a desejar como defensor. Ele possui as ferramentas necessárias para se tornar um defensor versátil, mas poucos fundamentos. Além disso, o jogo de perímetro do japonês é praticamente nulo. Por isso, ele terá que remodelar seu jogo para ter sucesso na NBA. O francês Sekou Doumbouya, que tem um teto de crescimento muito maior, teria sido a minha escolha.

Na segunda rodada, o Wizards também optou por um jogador estrangeiro que oferece pouco upside. O ala inglês Admiral Schofield tem atributos físico-atléticos de elite e o corpo pronto para encarar o nível profissional. Potencial 3 and D na NBA, ele tem tudo para ser um role player com uma carreira sólida na liga graças à versatilidade defensiva, à força física e ao consistente chute do perímetro. Schofield é um bom valor na #42. Em suma, gostei mais da escolha de segunda rodada do Wizards do que a feita no TOP 10.

 

Phoenix Suns

Escolhas: Cameron Johnson (11) e Ty Jerome (24)
Avaliação: Horas antes do recrutamento, o Suns fechou uma troca com o Timberwolves – pick 6 pela pick 11+ o expirante de Dario Saric. A primeira impressão era a de que o time de Phoenix não havia se encantado por nenhum talento do TOP 10 (uma pena, pois considero que Jarrett Culver seria um ótimo encaixe na equipe) e que estaria confortável em selecionar um bom valor na #11. O primeiro nome que me veio à cabeça foi o do ala-pivô canadense Brandon Clarke, que, inclusive, fez o High School em Phoenix. Seria uma adição valorosa ao garrafão da equipe, que contribuiria com sua versatilidade defensiva e entendimento do jogo, e estava projetado para sair depois do TOP 10. Ledo engano. O Suns surpreendeu a todos ao escolher o ala Cameron Johnson, que considero o melhor arremessador da classe deste ano. Só que o jogador de North Carolina estava projetado como uma escolha de final de primeira rodada (21-30). Johnson já tem 23 anos e é sete meses mais velho do que Devin Booker, o grande nome do time de Phoenix. Nada contra Johnson, mas seria pedir muito que o Suns fizesse outra troca, angariasse algum ativo e selecionasse o jogador mais abaixo? A franquia do Arizona até que fez outra troca, só que para angariar uma segunda pick de primeira rodada. Pelo menos nessa negociação, considero que foi uma bola dentro do Suns. A equipe selecionou o armador Ty Jerome, campeão universitário por Virginia, na última temporada. Ele não é um prospecto de elite que chama a atenção pelo atleticismo e por jogadas plásticas, mas o protótipo de role player que tem se provado valioso no basquete moderno: um combo guard versátil, bom defensor, ótimo arremessador do perímetro, que não foge do jogo físico, sabe controlar o ritmo do jogo e que tem um elevado QI de basquete. O Suns deve esperar que Jerome repita o sucesso de Malcolm Brogdon e Fred VanVleet na liga. O problema é a concorrência na posição. O Suns é um caso único de carência na posição 1, mas que possui quatro armadores (Jerome, Elie Okobo, D’Anthony Melton e Tyler Johnson) no elenco. Pelo menos Johnson e um dos segundanistas deverão ser negociados. O time deverá trazer um armador consolidado e utilizar Jerome como backup. Eu entendi o que James Jones, GM do Suns, fez no recrutamento. Ele foi coerente com suas entrevistas recentes, quando afirmou que acabou a fase de escolher prospectos crus no recrutamento (Marquese Chriss, Dragan Bender, Josh Jackson) e que chegou a hora de adicionar jovens prontos para contribuírem de imediato. E não por acaso, dois ótimos arremessadores, com sólida compreensão do jogo, foram selecionados. Mas precisava ter selecionado um prospecto de fim de primeira rodada na escolha 11? Vale dizer que o Suns teria direito à pick 32, mas horas antes do recrutamento a negociou com o Indiana Pacers. O time do Arizona ainda “doou”o ala T.J. Warren em troca de alívio na folha salarial e considerações em dinheiro. Ah, James Jones…

 

Charlotte Hornets

Escolhas: P.J. Washington (12), Cody Martin (36) e Jalen McDaniels (52)
Avaliação: O Hornets fez uma escolha de segurança ao selecionar P.J. Washington na #12. O ala-pivô de Kentucky vem de uma grande temporada no College e tem potencial para se tornar um role player sólido na NBA. Washington é agressivo no ataque à cesta, consegue cavar muitas faltas e não foge do contato físico no garrafão. Além disso, ele evoluiu como arremessador e passador, mostrou fundamentos no jogo de costas para a cesta e se tornou um grande defensor no um contra um. A questão aqui é se o Hornets, que, tradicionalmente, não dá muito espaço para os jovens na rotação, vai saber utilizar Washington. Na posição dele, o time de Charlotte tem Marvin Williams e Michael Kidd-Gilchrist.

Na segunda rodada, o Hornets selecionou Cody Martin na #36 e Jalen McDaniels na #52. Não gosto da opção por Martin, um ala com capacidade de armar o jogo, mas que vai fazer 24 anos daqui a três meses e nem era cotado para ser escolhido no Draft. Àquela altura, o Hornets poderia ter optado por um prospecto mais jovem, com mais potencial (Bol Bol, Daniel Gafford, Talen Horton-Tucker). Já McDaniels, escolhido na #52, é um combo forward muito magro, cuja combinação de arremesso, mobilidade e versatilidade defensiva tem seu espaço na liga. O problema é a concorrência na posição. Ele deverá passar o primeiro ano mais na G-League do que na NBA. Vale ficar de olho na postura extra-quadra de McDaniels, já que ele foi acusado de filmar escondido uma relação sexual que teve com duas jovens quando ainda estava no colegial.

 

Miami Heat

Escolhas: Tyler Herro (13) e KZ Okpala (32)
Avaliação: O Heat poderia ter selecionado Sekou Doumbouya ou Nassir Little, mas escolheu Tyler Herro. Ele não seria minha primeira opção, mas entendo a escolha por conta do bom encaixe do ala-armador na equipe de Miami. Herro não impressiona pelo upside, mas possui características que a NBA atual valoriza: toma boas decisões em quadra, consegue iniciar o ataque e, acima de tudo, é um arremessador confiável do perímetro. Na segunda rodada, a opção foi pelo ala KZ Okpala, uma espécie de Brandon Ingram menos talentoso. Okpala tem atributos atléticos de elite, é um ótimo slasher, consegue criar para si e para os companheiros, e tem potencial para ser efetivo nos dois lados da quadra no nível profissional. Mas ainda é muito magro e, simplesmente, lhe faltam polidez e refinamento em diversos aspectos do jogo. Ele não deverá contribuir de imediato no Heat, já que é um projeto de médio e longo prazo, que deverá passar o primeiro ano mais na G-League do que na NBA. A escolha é válida pelo upside que Okpala oferece.

 

Boston Celtics

Escolhas: Romeo Langford (14),  Grant Williams (22), Carsen Edwards (33) e Tremont Waters (51)
Avaliação: Romeo Langford, o escolhido na #14, é um dos prospectos que mais me intrigam este ano. Prejudicado por uma lesão no polegar da mão direita, ele teve uma temporada de altos e baixos no College, mas mostrou potencial para se tornar um jogador sólido na NBA. Ele é um legítimo two-way player em formação: alto, longo, comprometido na defesa, passador em evolução e dono dos instintos e ímpeto ofensivos mais apurados do recrutamento. Langford mostrou, em Indiana, que é um arremessador mais eficiente saindo do drible do que ao receber a bola posicionado. Vamos ver se o seu baixo aproveitamento nos arremessos do perímetro foi mesmo em consequência da lesão. Eu teria escolhido Goga Bitadze aqui, mas entendo perfeitamente a opção por Langford. Ainda na primeira rodada, o Celtics selecionou Grant Williams na #22, um dos prospectos mais subestimados da classe deste ano. Ele é um ala-pivô dotado de muita força física, com elevado QI de basquete e capaz de contribuir de imediato em quase todos os aspectos do jogo. Williams finaliza bem, tem capacidade de atuar como playmaker e mostra versatilidade defensiva. Mas é inegável que precisa expandir seu jogo para o perímetro se quiser ter sucesso na NBA. Gosto muito dessa escolha. Na segunda rodada, o time de Boston selecionou dois armadores ‘baixinhos’. Carsen Edwards chamou a atenção no March Madness pelo poderio ofensivo no perímetro e pode ser uma opção interessante vinda do banco de reservas. Mas cá entre nós, Danny Ainge: não valia a pena ter arriscado nessa escolha de segunda rodada e selecionado o intrigante Bol Bol? A outra pick de segunda rodada foi Tremont Waters, um armador mais cerebral e que não tem um arremesso consistente do perímetro. Ele deverá passar o primeiro ano mais na G-League do que na NBA.

 

Detroit Pistons

Escolhas: Sekou Doumbouya (15), Deividas Sirvydis (37) e Jordan Bone (57)
Avaliação: O Pistons nem deve ter acreditado quando viu que Sekou Doumbouya estava sobrando na #15. O jovem francês é um talento precoce e já muito desenvolvido fisicamente em termos de explosão e força. Dono de um dos maiores potenciais da classe, Doumbouya vem trabalhando e mostrando evolução em dois de seus pontos fracos: o passe e o arremesso. O sucesso de Giannis Antetokounmpo, um mero desconhecido na época em que foi draftado, dá esperança ao time de Detroit. Assim como o grego, o Doumbouya é um projeto de médio e longo prazo. Resta ao Pistons ter paciência no desenvolvimento de seu diamante bruto. A recompensa pode ser alta. Na segunda rodada, na pick 37, a equipe de Detroit selecionou o lituano Deividas Sirvydis, um ala versátil e polido na extremidade ofensiva da quadra, que chama a atenção pelo elevado QI de basquete e entendimento do jogo coletivo, e por ser um grande arremessador. Uma boa escolha a essa altura do recrutamento. Já na escolha 57, o Pistons selecionou Jordan Bone, um dos armadores mais atléticos da classe e um bom organizador de jogadas que cuida bem da bola. Em linhas gerais, considero o Draft do time de Detroit bastante positivo.

 

Orlando Magic

Escolha: Chuma Okeke (16)
Avaliação: Outra escolha surpreendente aqui. Chuma Okeke era projetado como escolha de final de primeira rodada, mas o Magic não quis nem saber e selecionou o ala-pivô na #16, que considero um dos fortes candidatos a steal nesse recrutamento. Okeke ainda se recupera de uma grave lesão no ligamento cruzado anterior do joelho esquerdo, mas mostrou, na última temporada do College, que pode ser bastante efetivo na NBA. Ala-pivô dotado de muito atleticismo e força física, ele se destaca por ser um grande arremessador do perímetro, capaz de espaçar a quadra (stretch four), por ser um ótimo e versátil defensor e por ter uma visão de jogo acima da média para um jogador da posição. Em suma, Okeke é um potencial role player que tem tudo para estabelecer uma carreira sólida na NBA, com impacto nos dois lados da quadra. Boa opção para vir do banco ou ser utilizado em formações mais baixas ao lado de Aaron Gordon e Jonathan Isaac. A dupla Jeff Weltman (presidente) e John Hammond (GM) manteve a tradição dos tempos de Milwaukee Bucks e apostou em um prospecto com atleticismo de elite. Adoro Okeke, mas o Magic deveria ter feito uma troca para angariar algum ativo e selecionado o jogador mais abaixo. Goga Bitadze e Nassir Little também teriam sido boas escolhas aqui.

 

Indiana Pacers

Escolha: Goga Bitadze (18)
Avaliação: O Pacers nem ligou para o fato de já ter dois pivôs no elenco (Myles Turner e Domantas Sabonis) e optou pelo maior talento disponível na #18. Considero Goga Bitadze o melhor pivô da classe deste ano e, a essa altura, pode ser considerado um steal. O georgiano é outro pivô europeu que vai dar muito o que falar nos próximos anos na NBA. Ele tem ótima mobilidade para um jogador do seu tamanho, é excelente protetor de aro, foi muito produtivo em ligas competitivas no nível profissional (eleito melhor jovem da Euroliga) e já mostra um jogo ofensivo muito avançado, incluindo um bom aproveitamento nos arremessos do perímetro (potencial stretch 5 na NBA). Quero acreditar que, ao optar por Bitadze, o Pacers negocie algum pivô do elenco antes do início da temporada, pois seria um desperdício o georgiano ser a terceira opção da equipe.

 

San Antonio Spurs

Escolhas: Luka Šamanić (19), Keldon Johnson (29) e Quinndary Weatherspoon (49)
Avaliação: O Spurs manteve a tradição de selecionar um prospecto internacional. O escolhido deste ano foi o croata Luka Šamanić. Ele é um ala-pivô muito móvel para alguém do seu tamanho e extremamente coordenado em seus movimentos. Com o seu jogo ofensivo moldado em passe-drible-chute com potencial para defesa versátil no perímetro, Šamanić é um ótimo encaixe na NBA atual. O croata foi destaque no Draft Combine e subiu rapidamente nas projeções. Ele é um projeto de médio e longo prazo, que deu a sorte de ser selecionado por uma franquia que tem o histórico de saber desenvolver os seus jovens talentos. Só não esperava que o time texano o selecionasse na #19 (muitos mocks o apontavam com potencial escolha na #29). No fim da primeira rodada, o Spurs optou pelo ala Keldon Johnson, que, surpreendentemente, sobrou na #29. Sua intensidade, espírito competitivo e mentalidade defensiva devem ter chamado a atenção da franquia de San Antonio. Johnson deverá ser uma peça útil vinda do banco, contribuindo com fisicalidade, versatilidade e agressividade nos dois lados da quadra. Com esses atributos, ele tem tudo para cair nas graças de Gregg Poppovich. Na segunda rodada, o Spurs selecionou o ala-armador Quinndary Weatherspoon, ótimo arremessador do perímetro e dono de uma grande envergadura. Pela concorrência na posição, ele deverá passar o primeiro ano mais na G-League do que na NBA. Em linhas gerais, gostei bastante do Draft do Spurs.

 

Philadelphia 76ers

Escolhas: Matisse Thybulle (20) e Marial Shayok (54)
Avaliação: O Sixers adquiriu a escolha #20, após uma troca com o Boston Celtics, com o objetivo de selecionar o melhor defensor da classe deste ano. Há algumas semanas, rumores apontavam que Matisse Thybulle tinha a promessa de ser selecionado por alguma equipe na faixa entre as picks 20 e 30. Era o Sixers. Thybulle chama a atenção pelos atributos físico-atléticos de elite e por ser um autêntico canivete suíço na defesa (não por acaso foi eleito defensor do ano no College). O problema é que, do outro lado da quadra, ele deixa a desejar. Se não aprimorar o arremesso de média e longa distância, ele tende a se tornar um jogador unidimensional na NBA. O bom aproveitamento nos lances livres (acima de 85%) dá a esperança de que Thybulle possa se tornar um arremessador confiável, o que o credenciaria como um sólido 3 and D na liga. Fisicalidade não vai faltar às alas do Sixers.

Na segunda rodada, o Sixers selecionou Marial Shayok, um dos prospectos mais velhos da classe (está prestes a completar 24 anos). O ala canadense chama a atenção pelos braços longos, por jogar duro e por ser um arremessador confiável do perímetro. Dependendo do que o time da Philadelphia conseguir no mercado de agentes livres (renovar com Jimmy Butler e Tobias Harris, por exemplo), dificilmente terá espaço na rotação da equipe.

 

Oklahoma City Thunder

Escolha: Darius Bazley (23)
Avaliação: Mesmo com o senso de urgência em vencer, o Thunder manteve a tradição recente e optou por um prospecto cru no recrutamento. Depois de Terrance Ferguson e Hamidou Diallo, chegou a vez de Darius Bazley, um combo forward que decidiu não jogar basquete por Syracuse no College para tentar a sorte da G-League. Só que nem na liga de desenvolvimento ele atuou. No fim das contas, o jovem escolheu treinar por conta própria por alguns meses até o Draft. Bazley é um dos jogadores mais jovens da classe, com impressionante condição físico-atlética e dono de um upside incomum. Em suma, ele é um projeto de longo prazo, que precisa ficar algum tempo na G-League até estar pronto para enfrentar a competição da NBA. Eu não consigo entender esse perfil desejado pelo Thunder no recrutamento…

 

Portland Trail Blazers

Escolha: Nassir Little (25)
Avaliação: Para a surpresa geral de todos que acompanhavam o recrutamento, Nassir Little sobrou na #25. Projetado como escolha TOP 5 no início da temporada, o ala de North Carolina foi caindo nas projeções ao longo dos últimos meses, mas ainda assim era considerado uma escolha de fim de loteria / meio de primeira rodada do Draft. O Blazers não perdeu tempo e selecionou o maior talento disponível. Little tem o perfil físico-atlético ideal para um ala profissional: combina explosão e impulsão de elite com enorme envergadura e um físico muito forte. Por isso, pode marcar até as cinco posições em formações mais baixas. No entanto, teve um papel reduzido em North Carolina, onde foi foi reserva durante toda a temporada. Little é um jogador muito mais rudimentar do que técnico. Tem um limitado jogo ofensivo e vai precisar de tempo para ser desenvolvido. Em razão disso, ele deverá passar o primeiro ano na G-League. Little é uma aposta que pode gerar uma recompensa alta para o Blazers.

 

Los Angeles Clippers

Escolhas: Mfiondu Kabengele (27) e Terance Mann (48)
Avaliação: O Clippers adquiriu a escolha #27 junto ao Brooklyn Nets justamente para selecionar Mfiondu Kabengele. Sobrinho do lendário Dikembe Mutombo, o pivô canadense tem atributos físico-atléticos de elite, é ativo nos dois lados da quadra e adora o jogo físico. Ótimo defensor e reboteiro, Kabengele chama a atenção também por ser um arremessador consistente do perímetro, algo raro entre pivôs. Mas é bom ressaltar que ele não é um bom passador e não tem boa leitura de jogo. Em suma, Kabengele é o protótipo de pivô moderno: atlético, forte, versátil no ataque e protege bem o aro. Tem tudo para ser um stretch five e estabelecer uma carreira sólida na NBA. O Clippers fez uma ótima escolha a essa altura. Na segunda rodada, o time angelino selecionou outro atleta de Florida State. Companheiro de Kabengele, o ala Terance Mann se destaca pelo trabalho incansável em quadra, por sempre jogar duro e por ser um arremessador confiável do perímetro. A conferir se Mann terá espaço na rotação da equipe ou se vai passar a primeira temporada na G-League. Vale observar que o Clippers selecionou dois jogadores que adoram o jogo físico. Será que a franquia vai buscar esse perfil de atleta na agência livre?

 

Golden State Warriors

Escolhas: Jordan Poole (28), Alen Smailagić (39) e Eric Paschall (41)
Avaliação: O Warriors fez uma escolha surpreendente ao final da primeira rodada. O ala-armador Jordan Poole, que se destaca pela capacidade de criar o próprio arremesso e por ser um chutador consistente do perímetro, estava projetado para ser escolhido apenas ao final da segunda rodada. Sua característica de jogo será bem vinda em um time que, teoricamente, vai começar a próxima temporada sem Klay Thompson (é agente livre, mas duvido que o Warriors não renove com ele).

Na segunda rodada, o time californiano selecionou um projeto de longo prazo (Smailagic) e um jogador pronto para contribuir na NBA (Paschall). O ala-pivô sérvio de 18 anos atuou na última temporada pelo Santa Cruz Warriors, afiliado do Golden State na G-League. Ele vem sendo monitorado pelo Warriors desde os 16 anos. A franquia enxerga tanto potencial nele que adquiriu uma escolha na segunda rodada para selecioná-lo. Já Paschall, que já foi chamado por analistas do College de “o próximo Draymond Green”, agora vai poder atuar e ter a chance de aprender com o próprio. Ele é um role player que faz de tudo um pouco em quadra: forte, ágil, disciplinado na defesa, adora o jogo de contato, bom passador e arremessador, versátil e produto do vitorioso programa de Villanova no College. Um verdadeiro achado na #41 e minha escolha favorita do Warriors no recrutamento.


Destaques da segunda rodada

Brooklyn Nets

Escolhas: Nicolas Claxton (31) e Jaylen Hands (56)
Avaliação: Olha o Sean Marks (GM do Nets) fazendo mais um bom trabalho. No início da segunda rodada, a franquia novaiorquina selecionou um pivô que vinha sendo projetado como escolha de meio / fim de primeira rodada. É verdade que Nic Claxton não está pronto para contribuir de imediato na NBA, mas poucos pivôs da sua idade (20) combinam tão bem qualidades valorizadas em atletas da posição na NBA atual: possui excelente passe e controle de bola, agilidade para defender qualquer troca de marcação e um arremesso em franca evolução. Projeto de médio e longo prazo que o Nets deve trabalhar com carinho. Ótima aposta. Na escolha #56, o time do Brooklyn selecionou o armador Jaylen Hands, um passador criativo que precisa cuidar melhor da bola e ser mais eficiente nas finalizações ao redor da cesta. Hands deverá passar o primeiro ano mais na G-League do que na NBA.

 

Denver Nuggets

Escolha: Bol Bol (44)
Avaliação: A maior surpresa do recrutamento foi a queda impressionante de Bol Bol, projetado nos últimos meses como escolha de loteria. O filho de Manute Bol é o prospecto mais intrigante da classe deste ano, pois é um pivô de 2.21m de altura (2.34m de envergadura) que possui como característica mais marcante o arremesso, mesmo que este tenha uma forma não ortodoxa. Além disso, ele tem um talento natural como ballhandler e uma presença intimidante próximo à cesta, em ambos os lados da quadra. Ao mesmo tempo, ele é questionado pela falta de empenho e capacidade de conseguir oferecer resistência na defesa de perímetro sem ser um alvo. Mas o que pode explicar mesmo a sua queda vertiginosa no Draft é a preocupação das franquias da NBA em relação à sua condição física, ao seu histórico de lesões. Bol Bol disputou apenas nove partidas pela Universidade do Oregon e perdeu boa parte da última temporada em razão de uma fratura por estresse no pé esquerdo, uma lesão terrível para jogadores do seu tamanho. Isso acendeu um alerta sobre sua durabilidade a longo prazo no nível profissional. Alguém tão magro e grande conseguirá se manter saudável em um calendário tão exigente como o da NBA? O Nuggets acredita na recuperação de Bol Bol e, pelo segundo ano consecutivo, aposta em um talento que “caiu” no Draft por conta do histórico de lesões. Michael Porter Jr. perdeu a última temporada e deverá estar pronto para jogar em 2019/20. Na pick #44, o time de Denver está mais do que certo em apostar no pivô sudanês. A recompensa pode valer a pena…

 

Dallas Mavericks

Escolha: Isaiah Roby (45)
Avaliação: O Mavs conseguiu um bom valor na escolha 45. Isaiah Roby é um prospecto que possui altura, envergadura (2.16m) e condição atlética ideais para atuar como combo forward, mas ainda é muito magro e deverá ter dificuldades quando enfrentar adversários mais físicos na NBA. Ele chama a atenção pela mobilidade em quadra, versatilidade defensiva, poder de finalização operando em transição, sólido controle de bola e um eficiente jogo de costas para a cesta. Sua versatilidade e excelência no pick and roll, nos dois lados da quadra, é um encaixe interessante na NBA atual. Mas há de se prestar atenção à sua condição física: Roby sofreu inúmeras pequenas lesões desde que chegou ao basquete universitário (panturrilha, virilha e joelhos). Será que ele realmente terá físico para aguentar uma temporada de 82 jogos da NBA? A essa altura, uma boa aposta do time de Dallas.

 

Los Angeles Lakers

 

Escolha: Talen Horton-Tucker (46)
Avaliação: Projetado como escolha de final de primeira rodada, o ala Talen Horton-Tucker surpreendentemente sobrou na escolha 46. O Lakers adquiriu a pick junto ao Orlando Magic para selecioná-lo. Jogador norte-americano mais jovem do recrutamento, ele é um prospecto único do ponto de vista físico-atlético: não possui estatura ideal (1.93m), mas sua combinação de força física, envergadura (2.17m) e rápido primeiro passo faz com que pareça muito mais alto e veloz do que é. Na NBA atual, em que o chamado “basquete sem posição” está na moda, Horton-Tucker será perfeito para essa tendência. Mostra versatilidade para marcar jogadores de vários tipos físicos e, do outro lado da quadra, pode atuar até como armador. Em suma, ele é dono de um upside incomum, com instintos apurados em quadra, enorme versatilidade funcional e que joga com incomum confiança. Detalhe: Horton-Tucker é agenciado por Rich Paul, da Klutch Sports, mesmo agente de LeBron James e Anthony Davis. Aposta mais do que válida por parte do Lakers.


Por fim, gostaria de deixar registrado o agradecimento da equipe do Jumper Brasil a vocês, caros leitores, que tanto nos prestigiaram nas postagens sobre o Draft durante toda a temporada.

Em sua nona cobertura do recrutamento, o site publicou a ficha de 52 prospectos desde meados de abril, fez mais um programa ao vivo que adentrou a madrugada e trouxe informações sobre todos os 60 atletas escolhidos.

Nos vemos na próxima temporada, com mais uma cobertura (a décima) sobre o Draft da NBA.