E se o draft de 2010 fosse refeito?

O draft da NBA é sempre um dos momentos mais aguardados durante toda a temporada. É quando times selecionam seus futuros astros e se preparam para os próximos anos. No dia 20 de junho, teremos o recrutamento de 2019 com Zion Williamson como o principal candidato a ser a primeira escolha. E se daqui alguns anos notássemos que R.J. Barrett, no fim das contas, deveria ser o primeiro?

Pensando nisso, o Jumper Brasil refez alguns drafts. O primeiro é o de 2010, ano em que John Wall teve o nome chamado pelo Washington Wizards.

Como foi

1 WAS John Wall
2 PHI Evan Turner
3 NJN Derrick Favors
4 MIN Wesley Johnson
5 SAC DeMarcus Cousins
6 GSW Ekpe Udoh
7 DET Greg Monroe
8 LAC Al-Farouq Aminu
9 UTA Gordon Hayward
10 IND Paul George
11 NOH Cole Aldrich
12 MEM Xavier Henry
13 TOR Ed Davis
14 HOU Patrick Patterson
15 MIL Larry Sanders
16 MIN Luke Babbitt
17 CHI Kevin Seraphin
18 OKC Eric Bledsoe
19 BOS Avery Bradley
20 SAS James Anderson
21 OKC Craig Brackins
22 POR Elliot Williams
23 MIN Trevor Booker
24 ATL Damion James
25 MEM Dominique Jones
26 OKC Quincy Pondexter
27 NJN Jordan Crawford
28 MEM Greivis Vasquez
29 ORL Daniel Orton
30 WAS Lazar Hayward

Como deveria ser

Claro que, depois de vários anos, fica fácil dizer quem deveria ter sido a primeira ou a segunda escolha do draft de 2010, mas a ideia é justamente essa: o recrutamento é um exercício de adivinhação, de projeção. Aqui, apenas vamos recolocar a ordem da primeira rodada.

1- Washington Wizards – DeMarcus Cousins (5)

Na época, o Wizards foi de John Wall. De fato, o armador é um dos melhores de sua posição na liga e foi convidado cinco vezes seguidas par o Jogo das Estrelas. Mas ainda assim, o jogador mais talentoso naquele recrutamento era DeMarcus Cousins.

Sim, quando você vai selecionar um jogador no draft, é necessário olhar seu elenco e saber o que precisa. Mas você deixaria Cousins passar por ter no seu grupo o pivô JaVale McGee? Mesmo com todo o potencial defensivo de McGee, se eu sou o GM do Wizards eu vou em Cousins sem pensar duas vezes.

2- Philadelphia 76ers – Paul George (10)

Evan Turner… é difícil defender, né? Quase dez anos depois, Turner jamais passou perto de ser um grande jogador. Sem arremesso, o atleta tornou-se mais um coordenador de jogadas que sabe pegar rebotes. Só. Ajuda aqui e ali, mas não. Paul George é o segundo melhor do draft e deveria ter ido para o Philadelphia 76ers.

George é um jogador completo, que faz (muito bem) os dois lados da quadra e, em 2018-19, tornou-se um dos finalistas do prêmio de MVP. Com grande passagem pelo Indiana Pacers, o astro, agora no Oklahoma City Thunder superou uma gravíssima lesão quando representava a seleção dos EUA em um amistoso para ser um dos melhores jogadores da atualidade.

3- Brooklyn Nets – John Wall (1)

Esse é o ano em que Deron Williams deixa o Utah Jazz e é trocado para o New Jersey Nets. Na época, havia uma disputa entre Chris Paul e ele para saber quem era o melhor armador. O tempo disse que foi o hoje atleta do Houston Rockets, mas seria necessária uma troca quando você poderia ter alguém como John Wall em seu elenco? O Nets era, na época, um time que não brigava por nada. Então, Devin Harris, que havia sido escolhido para o Jogo das Estrelas no ano anterior, poderia ser negociado por jogadores de outras posições.

4- Minnesota Timberwolves – Gordon Hayward (9)

Imagine isso: Gordon Hayward, calouro, podendo evoluir em um time que não ia aos playoffs. Ao seu lado, Kevin Love. A diretoria do Minnesota Timberwolves já não se perdoava após ter deixado Stephen Curry escapar não uma, mas duas vezes no draft anterior (foi de Ricky Rubio e Jonny Flynn) e, então, teria a chance de ter um jogador inteligente, com capacidade de organizar e de ótimo arremesso de longa distância. Bem, a chance foi desperdiçada mais uma vez. O Timberwolves foi de Wesley Johnson. OK.

5- Sacramento Kings – Eric Bledsoe (18)

Hoje a gente sabe que Tyreke Evans foi bem mesmo só em seu primeiro ano de NBA, quando obteve médias de 20-5-5 (20 pontos, cinco rebotes e cinco assistências) na temporada de calouro. Além disso, ele jogou como ala e ala-armador, então Eric Bledsoe caberia no Sacramento Kings sem precisar de muito trabalho. Só com os dois, o time já melhoraria muito e teria um dos mais promissores backcourts da liga.

6- Golden State Warriors – Hassan Whiteside (33)

Imagine só Hassan Whiteside como titular do Golden State Warriors no lugar de Andris Biedrins, com Monta Ellis e Stephen Curry cuidando do ataque. Como se sabe, Whiteside demorou a engrenar na NBA. Rodou muito até se encontrar no Miami Heat. Seria legal vê-lo em um time com elenco promissor e com tempo de quadra.

7- Detroit Pistons – Greg Monroe (7)

Talentoso, Greg Monroe sempre foi. É estranho como sua carreira despenca após o Detroit Pistons selecionar Andre Drummond anos depois. Monroe era titular absoluto e bastante promissor. Poderia ter bastante tempo de quadra em qualquer equipe da liga. Nos últimos anos, porém, pulou de galho em galho para arranjar algum contrato.

8- Los Angeles Clippers – Evan Turner (2)

Por mais que Derrick Favors tenha atingido um teto um pouco superior em relação a Evan Turner, o segundo chegaria ao Los Angeles Clippers sendo mais útil do que foi no Philadelphia 76ers, ao lado de caras como Blake Griffin, DeAndre Jordan e Eric Gordon. Turner poderia ser o point forward que o time tanto desejava, já que Baron Davis estava em declínio (e fora trocado posteriormente por Mo Williams).

9- Utah Jazz – Derrick Favors (3)

Aqui nem precisa muita explicação. Derrick Favors foi trocado meses depois do draft para o Utah Jazz, onde segue até hoje. O resultado é satisfatório. Próximo.

10- Indiana Pacers – Avery Bradley (19)

Paul George chegou ao Indiana Pacers em um momento em que Danny Granger começava a dar sinais de problemas físicos. Granger era o grande nome da franquia e, de fato, teve só mais uma boa temporada após 2010-11 antes de mergulhar de vez no fim da carreira por lesões. George assume rapidamente o protagonismo e, o resto, todo mundo sabe. Mas nesse draft, George já foi escolhido pelo Philadelphia 76ers. Quem, neste recrutamento, reúne características semelhantes na defesa? Lembre-se que o Pacers possui uma cultura de bons defensores. Então, Avery Bradley seria a coisa mais próxima do que o time procuraria.

Bradley chegou a jogar como armador principal em determinados momentos no Boston Celtics quando Rajon Rondo se machucava e só conseguiu introduzir o arremesso de longa distância ao seu repertório anos depois. Na NBA de hoje, joga como ala e ala-armador.

11- New Orleans Pelicans – Lance Stephenson (40)

Lance Stephenson deu a entender que poderia ser um grande jogador na NBA, né? Mostrou muito potencial no Indiana Pacers e, em seu último ano de contrato, obteve 13.8 pontos, 7.2 rebotes e 4.6 assistências. Só que falhou no Charlotte Hornets. Alguns sinais reapareceram no Memphis Grizzlies, após troca com o Los Angeles Clippers. Rodou, rodou e não virou aquilo tudo.

12- Memphis Grizzlies – Al-Farouq Aminu (8)

Imagina Al-Farouq Aminu ao lado de Marc Gasol, Mike Conley, Tony Allen e Shane Battier. Olha só quantos ótimos defensores. Ainda tinha Zach Randolph. O Memphis Grizzlies teve muito sucesso com o famoso grit and grind. Com Aminu, as chances seriam ainda melhores.

13- Toronto Raptors – Jeremy Lin (ND)

A história de Jeremy Lin é uma das mais bacanas dos últimos tempos. O sujeito surgiu do nada e tornou-se febre no New York Knicks. Durou só uma temporada por lá e foi parar no Houston Rockets, com contrato de três anos. Tudo bem que Lin não foi aquilo tudo, mas tornou-se um bom role player. No Toronto Raptors, ele chegaria para disputar tempo de quadra com caras como Jose Calderon, Jarrett Jack e o brasileiro Leandro Barbosa.

14- Houston Rockets – Larry Sanders (15)

Yao Ming estava no estaleiro há um bom tempo. Ficou toda a temporada 2009-10 longe das quadras e, quando finalmente retornou, jogou apenas cinco partidas no ano seguinte e se aposentou. Larry Sanders apareceu com bastante potencial no Milwaukee Bucks e vinha ganhando espaço. Chegou a conseguir um triplo duplo com dez pontos, 12 rebotes e dez bloqueios. Estava realmente se consolidando e ficou em terceiro na lista do Jogador que Mais Evoluiu, em 2012-13. Assinou extensão de US$44 milhões por quatro anos, mas os problemas pessoais surgiram junto com lesões e ele foi suspenso por uso de maconha. Foi dispensado. Não queria mais jogar basquete. Em 2017 o Cleveland Cavaliers deu a ele uma oportunidade, mas sem sucesso.

Completariam o draft após a loteria

15- Milwaukee Bucks – Wesley Johnson (4)
16- Minnesota Timberwolves – Nemanja Bjelica (35)
17- Chicago Bulls – Jordan Crawford (27)
18- Oklahoma City Thunder – Patrick Patterson (14)
19- Boston Celtics – Xavier Henry (12)
20- San Antonio Spurs –  Ed Davis (13)
21- Oklahoma City Thunder – Trevor Booker (23)
22- Portland Trail Blazers – Ekpe Udoh (6)
23- Minnesota Timberwolves – Luke Babbitt (16)
24- Atlanta Hawks – Cole Aldrich (11)
25- Memphis Grizzlies – Kevin Seraphin (17)
26- Oklahoma City Thunder – James Anderson (20)
27- Brooklyn Nets – Lance Thomas (ND)
28- Memphis Grizzlies – Ish Smith (ND)
29- Orlando Magic – Jeremy Evans (55)
30- Washington Wizards – Landry Fields (39)

Gustavo Freitas
Gustavo Freitas
Mineiro de Uberaba, é co-fundador do Jumper Brasil e fã do Boston Red Sox.