E se a temporada fosse cancelada?

A temporada da NBA está correndo sérios riscos de ser cancelada em definitivo. Não que algum dirigente tenha dito, mas os fatos levam a pensar nessa possibilidade. O Coronavírus se espalhou no mundo desde o fim do ano passado, mas a intensidade aumentou de forma significante nas últimas semanas também nos Estados Unidos. A comprovação de que o pivô Rudy Gobert, do Utah Jazz, tinha o vírus COVID-19 foi o estopim para a liga entender que era hora de suspender os jogos, em 11 de março.

Onze dias depois, os números seguem aumentando em proporções alarmantes. Diversos jogadores e membros de equipes foram diagnosticados desde então, incluindo o astro Kevin Durant, do Brooklyn Nets. No dia em que a NBA parou, haviam 1.267 casos nos EUA. Hoje, 22 de março, passam de 25 mil.

Claro que existem esperanças, como no desenvolvimento de vacinas ou de medicamentos que possam, de fato, acabar com a pandemia. No entanto, não há nada concreto ainda. Especialistas trabalham o tempo todo para que isso seja resolvido o mais rápido possível.

Enquanto isso não acontece, especulações, das mais variadas, são feitas a cada momento. Existe a chance de a liga retomar sua temporada na segunda metade de junho, pelo menos, mas alguns jornalistas duvidam dessa possibilidade. Entretanto, o temor de que tudo isso não vai se resolver tão cedo deixa o clima ainda mais tenso.

O Jumper Brasil noticiou ontem a esperança do armador Tomas Satoransky, do Chicago Bulls, que a temporada seja cancelada em definitivo. “Preso nos Estados Unidos” por uma ameaça da liga de banir jogadores que saiam do país, Satoransky torce por um encerramento da atual campanha o mais rápido possível para ele poder voltar para a República Tcheca.

Pensando nisso, quais seriam os próximos passos da NBA?

Ontem, em uma conversa nos grupos de WhatsApp do Jumper Brasil, o leitor Matheus L. sugeriu que a NBA desse o título ao Toronto Raptors, atual campeão. Mas será que essa seria a solução?

Por mais que o Raptors tenha surpreendido com uma boa campanha mesmo sem Kawhi Leonard, que foi para o Los Angeles Clippers, o time canadense não é a melhor equipe da liga hoje. Possui a segunda posição em sua conferência, com sete derrotas a menos que o Milwaukee Bucks. Na conferência Oeste, o Los Angeles Lakers tem aproveitamento superior ao time de Toronto.

A minha ideia, por mais que jamais tenha ocorrido antes na liga, é que Bucks, líder do Leste e Lakers, do Oeste, sejam considerados campeões, dividindo o título. Já houve, todavia, a divisão de premiações, como no Jogo das Estrelas em três oportunidades: 1993 (Karl Malone e John Stockton), 2000 (Shaquille O’Neal e Tim Duncan) e 2009 (Kobe Bryant e Shaq). Teve, também, para o Calouro do Ano em 1995 (Jason Kidd e Grant Hill) e 2000 (Steve Francis e Elton Brand) e para Técnico do Ano em 2003 (Hubie Brown, do Memphis Grizzlies e Gregg Popovich, do San Antonio Spurs).

Ou seja, ainda que nunca houve um título de campeão dividido, isso já aconteceu em premiações que, na teoria, são individuais.

Para os prêmios, que tudo aconteça como nos últimos anos, com votações.

Claro que tudo não passa do “e se”. Estamos com apenas 11 dias de paralisação e, pela falta dos playoffs, dá a sensação de que é aquele período pós-All Star Game, quando os times retomam suas atividades pouco tempo depois. Mas isso vai se acumulando pela suspensão de todas as outras ligas esportivas no mundo, incluindo o cancelamento do basquete universitário, sem um campeão, algo que a NBA também poderia seguir.

O que é mais justo?

Não sei o que é pior.

Gustavo Freitas
Gustavo Freitas
Mineiro de Uberaba, é co-fundador do Jumper Brasil e fã do Boston Red Sox.