“Eu sou parte do problema dos supertimes na NBA”, reconhece Dwyane Wade

O Golden State Warriors, sem dúvida, tornou-se a força dominante da NBA atual. A franquia acaba de conquistar o quarto título consecutivo da conferência Oeste e o terceiro anel de campeão da liga no período, após “varrer” o Cleveland Cavaliers na decisão do troféu Larry O’Brien. O craque Dwyane Wade concorda que a final só provou que a diferença do time de Oakland para a concorrência está aumentando.

“Eu assisti às finais e uma varrida, certamente, não é o que o torcedor quer ver na decisão do título. Todos esperavam que o Cavs pudesse vencer um ou dois jogos, mas sabiam que Golden State venceria a série. Eles são dominantes, estão muito acima. São muito bons. É preciso ser realmente bom para ganhar três em quatro campeonatos”, afirmou o ala-armador, em entrevista recente à rede Bloomberg.

A “dinastia” Warriors, porém, não é uma novidade: com uma coleção de astros, a equipe é mais um capítulo dos cada vez mais comuns supertimes da liga. Golden State conseguiu selecionar três all stars com suas escolhas de draft e, em 2016, fechou a construção com a chegada do ala Kevin Durant. Wade virou vítima de uma tendência (ou monstro) que, ele não esconde, ajudou a “criar” na liga.

“Você precisa de um supertime para ser campeão hoje. E levanto a mão, assumo que sou parte desse problema na NBA. Quando eu, LeBron James e Chris Bosh decidimos nos juntar no Miami Heat, em 2010, o esporte e a liga mudaram. Os jogadores passaram a compreender a sua força e eu já não vejo isso parando: a próxima geração, que está por vir, é ainda mais ligada entre si”, avisou.

Mas será que é cabível chamar essa situação de um “problema”? Wade não vê bem assim. “Isso é um problema, na verdade, só para quem não está vencendo. Miami não estava reclamando. Golden State não tem um problema. Não é verdade que eles estejam prejudicando o esporte também. A NBA nunca esteve tão bem, só queríamos que outras equipes tivessem a oportunidade de vencer”, ponderou.

O veterano conquistou dois dos seus três títulos da NBA em quatro anos atuando ao lado de LeBron e Bosh. A última das decisões do chamado “Big Three” do Heat foi uma derrota taxativa para o San Antonio Spurs, que causou o desmanche da histórica parceria. Para o ala-armador de 36 anos, o basquete vistoso da franquia texana naquela final ainda é superior ao que apresenta o mais estrelado Warriors.

“A melhor equipe que já enfrentei foi aquele Spurs de Duncan, Parker e Ginobili mesmo. Eles desafiam você em níveis que vão além do basquete e atingem o aspecto mental. Você não consegue ver as alternativas. Golden State também faz isso: é um desafio físico e mental. Vai ser necessário um time realmente especial, uma reunião particular de talentos, para derrubá-los do topo”, prevê Wade.

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.