Ex-comissário, David Stern defende a legalização da maconha na NBA

O ex-comissário da NBA, David Stern, acredita que a liga deve remover a maconha do rol de substâncias não permitidas. Contrariando o próprio entendimento, de quando ainda estava à frente da administração, o agora aposentado dirigente participou de um documentário para o site Uninterrupted, criado por LeBron James e que conta com a participação de diversos atletas e ex-atletas, declarando que é preciso rever o conceito atual sobre a droga.

No curta, denominado The Concept of Cannabis, Stern surpreendeu ao defender posicionamento diferente daquele que sustentou durante 30 anos de administração na NBA. “Estou agora no ponto em que, pessoalmente, acredito que [a maconha] provavelmente deveria ser removida da lista de substâncias proibidas”, disse. “Eu acho que há um consenso universal de que a maconha com fins medicinais deve ser completamente legal”.

Ao ressaltar que já houve a legalização da substância em diversas regiões dos Estados Unidos, como Alaska, California, Colorado, Maine, Massachusetts, Nevada, Oregon e Washington, o ex-comissário sustenta que a NBA deve acompanhar a regulamentação vigente dentro de cada Estado. “É uma percepção completamente diferente. Entendo que precisamos mudar o acordo coletivo e permitir que se faça o que é legalizado dentro do Estado”, completou.

O posicionamento de Stern tem relação direta com o rendimento dos atletas, uma vez que a Cannabis é recomendada para o tratamento de lesões, sendo que muitos jogadores têm suas carreiras abreviadas por problemas físicos. “Todas as ligas estão agora adequadamente focadas no treinamento de jogadores, na estrutura correta de seu corpo, na reabilitação em caso de lesão, na nutrição… O jogador isso, o jogador aquilo… Isso deve ser parte dessa conversa. Já imaginou se pudéssemos criar uma situação em que cada superestrela pudesse jogar um ano a mais?”, questionou.

A entrevista foi conduzida pelo ex-jogador da NBA, Al Harrington, que é um dos integrantes do Uninterrupted e cuja história se enquadra perfeitamente dentro do contexto apresentado por Stern. O ex-jogador do Knicks revelou que usou canabidiol (produzida a partir da maconha) durante as últimas três temporadas de sua carreira, quando atuava por Denver Nuggets, Orlando Magic e Washington Wizards, a fim de reduzir a inflamação de seu joelho após passar por cirurgia.

Outro caso recente na liga de tratamento mediante a utilização da substância, foi o do técnico do Golden State Warriors, Steve Kerr, que teve um problema nas costas e precisava da medicação para aliviar a dor. “A percepção dos fãs é importante em termos de vendas de negócio (referindo-se à imagem da liga), mas a saúde dos jogadores deve ser a coisa mais importante”, afirmou o treinador.

Conforme destacado acima, a maconha é legalizada em oito Estados americanos e no Distrito de Columbia. Porém, na NBA, a substância segue proibida em todas as suas formas. O porta-voz da liga, Mike Bass, manifestou sobre o assunto, em nota enviada ao site SB Nation. “Embora o Comissário Silver tenha dito que estamos interessados ​​em entender melhor a segurança e a eficácia da maconha para fins medicinais, nossa posição permanece inalterada em relação ao uso de maconha pelos jogadores da NBA para fins recreativos”.

Aos 75 anos, David Stern esteve no comando da NBA no período entre 1984 e 2014, época em que a liga manteve severas penalidades aos usuários de substâncias não regulamentadas.

  • Enzo Soares

    Zé droguinhas não passarão

    • Hugo Aureliano

      Então não assiste NBA!

  • Rafael Victor

    Já passou da hora de acabar com essa hipocrisia desgraçada, ainda mais sendo pra fins medicinais!

    https://www.youtube.com/watch?v=j6QkVTx2d88

  • eder bicalho

    Não sou usuário de nenhum tipo de droga (cerveja, cigarro e afins) mas sou totalmente favorável a legalização da maconha. Já ta mais que comprovado que esse negócio não faz mal.
    Mas deixo minha dúvida, será que a maconha pode dar ao organismo humano algo que seja considerado doping?

    • Fillipe Carel

      Antes de uma partida, em termos de obter vantagem competitiva, provavelmente a diminuição de ansiedade e adrenalina de uma partida, além de possivelmente aumentar a criatividade dos jogadores, mas ai até onde esse relaxamento seria bom para o jogador só JAH sabe.

    • Guilherme Petros

      só uma correção: de nenhum tipo de droga psicoativa para fins recreativos. É impossível ser humano e não usar drogas. E, claro, isso não é um julgamento. 😉

  • Marcos Gordinho

    Devido sua utilização indevida e excessiva, a maconha amargou o status de entorpecente ilegal. O bom senso precisa imperar, utilizar para fins medicinais e com a moderação necessária para não ser problema , claro que deveria passar ao rol das drogas lícitas. Porém ao ver atletas como Beasley que exagerou e claramente limitou seu teto evolutivo na liga fica a dúvida se realmente legalizar mais uma droga, assim como álcool, tabaco, energéticos… seria a melhor solução. Por ser uma liga realizada em área definida, Stern não chega a ser polêmico a admitir que é melhor liberar onde já é legalizada o consumo, mas também não definiu como seriam os parâmetros dos exames a serem realizados.

  • Victor Chittolina

    Sou dos que acha que as drogas – não apenas a maconha – deveriam ser legalizadas. É a maneira mais eficiente de combater esse tráfico violento que enfrentamos.

    O esporte, no entanto, é um caso à parte. Drogas que aumentam o desempenho podem causar um desequilíbrio na competitividade. Não é o caso da maconha, que tem até o efeito contrário, até onde se sabe. Quanto aos fins medicinais, aí a proibição chega a beirar o ridículo.

  • Alan Cleber Knickerbockers

    Michael Beasley, Z-Bo, entre outros, agradecem!

  • Asf 152

    O que tem que ser feito são estudos,não podemos ficar com ignorância e aspectos culturais, e se
    os estudos mostram que a maconha quase não tem contra-indicações e que ela prejudica bem pouco á saúde, os adeptos tem que ter o direito de ter acesso ao produto

  • Guilherme Petros

    David Stern foi dos mais conservadores e caretas comissários da liga. Agora, longe, que mostrar que está aberto a debates e mudanças? Çei…