Jogadores que não vingaram na NBA

O que é um bust?

Um jogador que gerou grande expectativa, mas que na hora de mostrar serviço, passou longe. Em geral, esse atleta está entre as dez primeiras escolhas de um draft, porém o resultado nem sempre é o esperado. Fizemos uma lista com os dez maiores jogadores que não vingaram na NBA, mas também excluímos alguns deles por acharmos que, enquanto estiveram em quadra, fizeram o mínimo.

Os excluídos

Greg Oden – 105 jogos, 8.0 pontos, 6.2 rebotes, 1.2 bloqueio, 57.4 FG%

O ex-pivô do Portland Trail Blazers e Miami Heat tinha tudo para estar na lista. Afinal de contas, foi a primeira escolha de um draft em que Kevin Durant foi o segundo. Mais que isso, Oden foi um astro em Ohio State, no único ano que ficou por lá. Só que as lesões atrapalharam demais. Várias cirurgias nos dois joelhos, incluindo uma lesão grave após se sentar no sofá. Enquanto esteve em quadra, entretanto, Oden foi relativamente bem. Por 36 minutos, ele teria em torno de 14.9 pontos, 11.6 rebotes e 2.3 bloqueios, números respeitáveis.

Darko Milicic – 468 jogos, 6.0 pontos, 4.2 rebotes, 1.3 bloqueio, 18.5 minutos

Segunda escolha do draft de 2003, aquele que teve LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh, Darko Milicic não foi lá um grande jogador. Tudo bem que esperava-se mais dele, mas também não passou vergonha. Milicic foi titular em 208 jogos na NBA, passando por Detroit Pistons, Orlando Magic, Memphis Grizzlies, Minnesota Timberwolves e Boston Celtics. Ele teve o “azar” de cair em um time (Pistons) que seria campeão em seu ano de estreia, com jogadores consagrados como Ben Wallace e Rasheed Wallace. Não havia tempo para ele entrar em quadra. Quando teve, mais uma vez, não passou vergonha.

Michael Olowokandi – 500 jogos, 8.0 pontos, 6.8 rebotes, 1.4 bloqueio, 43.5 FG%, 59.7 FT%

The Kandi Man! Michael Olowokandi só foi um cara grande que teve a sorte de ficar na NBA por muitos anos. Primeira escolha do Los Angeles Clippers em 1998, o ex-pivô ficou na equipe pelos primeiros cinco anos. Talvez por falta de opção ou por uma visão otimista da direção, Olowokandi durou muito tempo por lá e, quase sempre, como titular. Agora, imagine um cara grande que não sabia o que fazer com a bola. Esse é o seu homem. Olowokandi acertou míseros 43.5% nos arremessos numa época em que pivô não arriscava de três.

Os eleitos

10- Adam Morrison  – 161 jogos, 7.5 pontos, 2.1 rebotes, 37.3 FG%, 33.1 3P%

O ala Adam Morrison era tudo aquilo que a NBA de hoje precisa: um jogador que espaça a quadra e arremesse de três como louco. Bom, quase isso. Morrison foi a terceira escolha do draft de 2006, após produzir 28.1 pontos e 5.5 rebotes, além de um aproveitamento de 42.8% de três pontos em seu último ano em Gonzaga. Ou seja, chegou como grande promessa no Charlotte Bobcats. Mas Morrison simplesmente não “aconteceu” na liga. Após um ano de estreia relativamente bom, ele machucou o joelho e não atuou na segunda temporada. Quando voltou perdeu espaço e foi trocado para o Los Angeles Lakers. Não deu certo. Ainda tentou retomar a carreira, mas foi dispensado por Washington Wizards e Portland Trail Blazers antes de estrear.

9- Darius Miles – 446 jogos, 10.1 pontos, 4.9 rebotes, 1.1 bloqueio, 59.0 FT%

Cara, eu gostava de Darius Miles. Lembro de uma edição da revista Slam com os jovens jogadores do Los Angeles Clippers, com Lamar Odom, Elton Brand e ele na capa. Eu tinha certeza que ali tinha um jogador diferente. Bem, de certa forma, foi. Enquanto Odom e Brand tiveram carreiras sólidas, Miles foi uma decepção. Seu jogo não encaixou na NBA. Tinha um atleticismo invejável, corria a quadra toda, ajudava na defesa, mas não tinha arremesso. Achei que isso fosse mudar com o tempo, mas não deu. Miles vivia contundido. Chegou a ficar duas temporadas seguidas fora por conta de lesão.

8- Sean May – 119 jogos, 6.9 pontos, 4.0 rebotes

Sean May era realmente muito bom em North Carolina, mas a coisa mudou quando foi para a NBA. Baixo para jogar de pivô, lento para jogar como ala-pivô, May foi um daqueles casos típicos de jogadores presos em uma posição imaginária. Nem lá, nem cá. No Charlotte Bobcats, ele foi a décima quinta escolha do draft e até foi bem nos dois primeiros anos, com 11.9 pontos e 6.7 rebotes em cerca de 24 minutos na segunda temporada. Porém, se machucou, perdeu toda a terceira campanha e, por consequência, espaço na rotação. Eventualmente, ele se deu bem no basquete europeu, ainda que estivesse mais pesado que Tractor Traylor mais magro.

7- Jimmer Fredette – 241 jogos, 6.0 pontos, 1.4 assistência, 40.9 FG%

Décima escolha do draft de 2011, Jimmer Fredette chegou como o próximo JJ Redick. Ótimo arremessador que também sabe passar. Só que não virou nada na NBA. Foram duas temporadas e meia no Sacramento Kings, sem sucesso algum. Teve pouco tempo de quadra, é verdade, mas era ineficiente. Oportunidade não faltou em sua carreira. A última, em 2018-19, no Phoenix Suns. Seus 28.9 pontos e 4.3 assistências no último ano em BYU enganaram muita gente. É ídolo no basquete chinês, no entanto.

6- Marcus Fizer – 289 jogos, 9.6 pontos, 4.6 rebotes, 19.1 3P%

Ai, ai. Aquele Chicago Bulls pós-Michael Jordan era difícil de ver. Os anos seguintes foram terríveis, mas a diretoria achou que Marcus Fizer seria um astro. Lembro de entrevistas, inclusive, falando disso. Mas, para começar, ele era um ala que não sabia se era ala-pivô ou não. Também, era reserva de Elton Brand, que era “o cara” do Bulls na época. Não tinha como ter tanto espaço assim. Era útil, mas não para ser uma quarta escolha ou futuro astro. Era um sujeito que não arremessava bem, mas tinha muita força (tipo Sean May).

5- Jonny Flynn – 163 jogos, 9.2 pontos, 3.9 assistências, 40.0 FG%, 33.8 3P%

“Coitado”, nem era tão ruim assim para estar aqui. Era bom jogador até ser escolhido antes de Stephen Curry no draft de 2009. Agora, falando sério, ele teve um bom ano de estreia. Só que no ano seguinte, Luke Ridnour chegou e tomou a titularidade. Flynn perdeu espaço, prestígio, e foi trocado para o Houston Rockets, onde não teve a menor chance de jogar. Ainda teve outra oportunidade, no Portland Trail Blazers, mas, aos 22 anos, deixou a NBA para nunca mais voltar. Vale lembrar que, como sexta escolha do draft e, após um bom primeiro ano, esperava-se muito mais.

4- Jonathan Bender – 262 jogos, 5.5 pontos, 2.2 rebotes, 41.7 FG%

Quinta escolha do draft de 1999, Jonathan Bender saltou do colégio direto para a NBA, um erro na maioria dos casos. Chegou cru, embora tivesse condições para alcançar um teto bastante alto. O Indiana Pacers teve muita paciência. Foram sete anos de tentativas frustradas por inúmeras contusões e jogos em que não entrou por decisão técnica. Entre 2004-05 e 2005-06, Bender atuou em apenas nove partidas. Que talento desperdiçado. Retornou às quadras em 2009-10, quatro anos depois de sua última aparição. Fez 25 jogos e, sem condições de atuar em alto nível, não teve o contrato renovado e abandonou a liga.

3- Rafael Araújo – 139 jogos, 2.8 pontos, 2.8 rebotes, 40.5 FG%

Vamos ser sinceros: Rafael Araújo não merecia o que aconteceu com ele na NBA. Ele não era ruim. Até devia ter jogado, sim. Mas a oitava escolha do draft de 2004 pesou contra ele. Foi alçado a titular logo em seu primeiro ano, mas para um pivô com todo o sucesso que fez em BYU, os 40.5% de aproveitamento nos arremessos durante a curta carreira dizem que a coisa não foi nada bem. Muito pesado, o que dificultava sua movimentação, Araújo jamais teve como reverter seu péssimo início na liga e, após dois anos de Toronto Raptors e um de Utah Jazz, ele foi para a Europa e, por fim, voltou ao Brasil.

2- Nikoloz Tskitishvili – 172 jogos, 2.9 pontos, 1.8 rebote, 30.4 FG%

Três temporadas, quatro times. Nikoloz Tskitishvili, ou simplesmente “Skita”, foi a quinta escolha do draft de 2002 pelo Denver Nuggets. Alto (2,13 metros), ele veio na onda em que times buscavam um novo Dirk Nowitzki. Claramente, Skita não era desse grupo. Em seu ano de estreia, o ala-pivô foi titular em 16 jogos, os únicos da carreira. Acertou 29.3% dos arremessos, uma lástima. Depois, passou por Golden State Warriors, Minnesota Timberwolves e Phoenix Suns, antes de deixar a liga em 2005-06. Em 2015, ele tentou, em vão, retomar a carreira na NBA pelo Los Angeles Clippers e foi dispensado antes do início daquela campanha.

 

1- Anthony Bennett – 151 jogos, 4.4 pontos, 3.1 rebotes, 39.2 FG%

Não sei o que é pior: quatro times em quatro anos, ter sido primeira escolha do draft de 2013 ou simplesmente por não conseguir se encaixar na NBA. Anthony Bennett é daqueles casos de jogadores presos entre duas posições. Pesado para ser ala, baixo para ala-pivô e sem arremesso de três para espaçar a quadra. Bennett é, de longe, a pior primeira escolha de recrutamento de todos os tempos. Lembre-se que o Cleveland Cavaliers o negociou, ao lado de Andrew Wiggins para o Minnesota Timberwolves por Kevin Love, um astro e que ajudou o Cavs a disputar quatro finais consecutivas e ainda obteve um título. Que coisa…

Gustavo Freitas
Gustavo Freitas
Mineiro de Uberaba, é co-fundador do Jumper Brasil e fã do Boston Red Sox.