Jumper Brasil Discute – Eles merecem entrar no Hall da Fama?

Kobe Bryant, Kevin Garnett, Tim Duncan… alguém tinha dúvidas que esses gênios das quadras estariam no Hall da Fama? Não, né? Mas nem todo mundo é unanimidade. 

A maioria dos jogadores, na verdade, não constitui caso inquestionável para aprovação do Naismith Memorial. Muitos grandes craques do seu tempo precisam de muitos anos para conseguir os sonhados 18 votos do comitê de honra – e isso quando têm sorte. É sobre alguns desses casos mais controversos, astros que estão à margem do templo máximo do basquete, que vamos falar hoje. 

Reunimos três integrantes da equipe do site, um de nossos colaboradores recorrentes (Ricardo Romanelli, do Hoop 78) e um convidado especial (Renan Ronchi, do podcast “Na Era do Garrafão”) para dar os seus vereditos sobre cinco atletas que não são (ou serão) unanimidades quando o assunto for Hall da Fama. Será que eles realmente merecem? Nossos participantes, hoje, dão a cara à tapa! 

 

1. Você votaria em favor da entrada de Ben Wallace no Hall da Fama?

Gustavo Freitas: Sim. Muito sim. Foi um dos melhores defensores dos anos 2000. O cara ganhou um título pelo Pistons, em 2004, surpreendendo o Lakers e “segurando” Shaquille O’Neal. Teve quatro convocações para Jogo das Estrelas, cinco eleições em quintetos ideais da temporada… e tudo isso sem nem ter sido draftado

Ricardo Romanelli: Sim. Wallace tem quatro prêmios de melhor defensor da NBA – algo que só Dikembe Mutombo, que já está no Hall, também conseguiu. E não é só isso: são quatro all-stars, cinco quintetos ideais de temporada, seis times ideais de defesa e, lógico, o título da NBA em 2004. Teria o meu voto. 

Gustavo Lima: Sim. Âncora defensiva do Pistons campeão de 2004 é o que todos vão lembrar, mas só um dos vários argumentos em favor de Wallace. Também foi quatro vezes defensor do ano, cinco vezes eleito para o time ideal de defesa da liga e quatro All-Star Games na carreira. Tem motivos o suficiente para entrar. 

Renan Ronchi: Sim. Apesar de ofensivamente limitado, “Big Ben” é um dos melhores marcadores da história da NBA. Ganhou quatro prêmios de melhor defensor da liga em anos de auge de craques como Tim Duncan e Kevin Garnett. Foi essencial na trajetória vitoriosa do Pistons do início do século, campeão em 2004 e referência como modelo de sucesso na liga. Precisa estar lá. 

Ricardo Stabolito Jr.: Sim, mas é por muito pouco. Muito pouco mesmo. Wallace tem o currículo e as conquistas. Vou respeitá-lo por esse histórico e pelo espírito competitivo, pois, do ponto de vista técnico, ele passaria longe de Springfield. Há alguns craques em sua frente na fila do Naismith Memorial também. Dentro de uns dez anos, por aí, o velho “Big Ben” teria o meu voto.

 

2. Andre Iguodala teria o seu voto no comitê do Naismith Memorial? 

Gustavo Freitas: Sim. Apesar de ter sido selecionado para só um Jogo das Estrelas, os três títulos da NBA, seleções para times ideais de defesa e o prêmio de MVP das finais – marcando LeBron James – enriquecem o seu currículo. Eu acho que ele merece, no fim das contas. 

Ricardo Romanelli: Não. O que traz Iguodala para a discussão é o prêmio de MVP das finais de 2015, pois, sem isso, jamais seria cogitado. É por isso que estaria reticente em aprová-lo. Para mim, ele não tem desempenho individual suficiente para esse patamar. E, por sinal, o jogador mais valioso daquela decisão deveria ter sido Stephen Curry. 

Gustavo Lima: Sim. Iguodala tem três títulos da NBA, com direito a MVP das finais em 2015, além de ter sido all-star e eleito para time ideal de defesa na carreira. Isso é o suficiente, para mim, para justificar a sua introdução no Hall da Fama. 

Renan Ronchi: Não. Embora tenha uma carreira muito sólida na NBA, considero como critério pessoal que os indicados ao Hall da Fama deveriam ter um protagonismo maior do que Iguodala teve. É um caso parecido com Horace Grant, para mim: carreira sólida, coadjuvante importante, até all-star em alguns anos, mas pouco para estarem na elite da história do esporte.  

Ricardo Stabolito Jr.: Não. Nem todos os astros do nosso tempo devem estar no Hall da Fama. Iguodala foi importante em seu momento na NBA, um grande defensor, mas eu simplesmente não o vejo nesse patamar.

 

3. Verdadeiro ou falso: Chris Webber merece ser eleito para o Hall da Fama.

Gustavo Freitas: Verdadeiro. Webber foi primeira escolha de um draft, cinco vezes all-star e terminou a carreira com médias de quase duplo-duplo. Ótimo jogador, que deve chegar lá em algum momento. 

Ricardo Romanelli: Falso. Por pouco, na verdade. Webber teve um início de carreira e princípio de auge bastante destacado, mas ele caiu demais de produção na segunda metade da trajetória da NBA. Sei que há muitos jogadores piores já no Hall da Fama, mas eu não tenho que baixar os meus critérios por isso. Para mim, no fim das contas, não alcançou as marcas necessárias. 

Gustavo Lima: Verdadeiro. Mesmo com a falta de títulos, Webber foi espetacular na NBA: teve cinco seleções para Jogos das Estrelas e quintetos ideais da liga, com sete temporadas com médias de duplo-duplo (seis delas com 20/10). Os feitos individuais fazem jus a esse reconhecimento. 

Renan Ronchi: Verdadeiro. Webber tem uma carreira grandiosa na NCAA, como o líder de um time revolucionário (Fab Five). Foi protagonista na maior parte das equipes por onde passou na NBA e até chegou a brigar pelo prêmio de MVP pontualmente. Merece estar lá, sem dúvidas. 

Ricardo Stabolito Jr.: Verdadeiro. Webber integrou uma das grandes equipes da NCAA em todos os tempos, foi um dos melhores alas-pivôs passadores da NBA e está no páreo para ser o maior atleta da história do Kings em Sacramento. Média de quase 20 pontos e dez rebotes na carreira é para bem poucos. Sei que não é lembrado como um vencedor, mas, tecnicamente, foi sensacional. Já faz hora extra, na verdade, na fila de espera.

  

4. Shawn Marion deve ser introduzido no templo máximo do basquete?

Gustavo Freitas: Não. Eu realmente gostava de Marion: ele era um fantástico defensor, mesmo possuindo um dos arremessos mais feios de todos os tempos. Você precisa levar em consideração os seus quatro Jogos das Estrelas e título da NBA, ainda que com papel diminuto, pelo Mavericks. Mas, sinceramente, não dá. Não votaria em seu favor. 

Ricardo Romanelli: Não. Marion foi um role player monstruoso e seria ainda melhor na NBA de hoje, mas fiquemos com os fatos: nunca foi protagonista das equipes em que atuou e nunca venceu um grande prêmio na carreira. Não deve entrar. 

Gustavo Lima: Não. É verdade que Marion encerrou sua carreira com média de duplo-duplo, um anel de campeão da liga (2011, Mavericks) e quatro convocações para o Jogo das Estrelas, mas isso não apaga um ponto fundamental: ele nunca foi protagonista por onde passou. 

Renan Ronchi: Não. Em minha opinião, a mesma lógica de Iguodala cabe aqui: teve uma carreira sólida, alguns anos particularmente ótimos, mas insuficiente para ficar marcado no Hall da Fama. 

Ricardo Stabolito Jr.: Não. Com sua versatilidade defensiva, Marion é muito saudado por ser um dos jogadores-símbolos do que a NBA se tornou atualmente. Isso tem o seu valor, mas, com todo o respeito, não é motivo por si só para estar no Hall da Fama. Para mim, o seu caso é completamente superestimado por uma parcela da mídia.

 

5. Você votaria pela aprovação de Derrick Rose no Hall da Fama? 

Gustavo Freitas: Não. Até poderia considerar, mas acho que não votaria. O seu maior trunfo é um MVP que contesto até hoje. Anfernee Hardaway não foi MVP da liga, claro, mas passou por problemas parecidos na carreira e foi astro na NBA por múltiplos anos antes de lesionar-se. Não está no Hall da Fama. Vejo Rose como um caso parecido. 

Ricardo Romanelli: Não. Rose pode ser o primeiro MVP de temporada a não entrar no Hall da Fama e não daria para dizer que é injusto. Infelizmente, seu tempo em alto nível foi muito encurtado pelas lesões que sofreu. Não dá para colocar alguém para o Hall da Fama por consideração ou projetando o que poderia ter sido. Não elegeria Rose. 

Gustavo Lima: Não. Rose foi o MVP mais novo da história da NBA e isso é algo que não vai se apagar, mas o auge de sua carreira foi quase inexistente por conta de inúmeras lesões. Ele “perdeu” o tempo onde reuniria outras credenciais para solidificar um caso. 

Renan Ronchi: Não. Para mim, essa é a análise mais complicada de todas. O prêmio de MVP e impacto fora de quadra em Chicago pesam muito a favor, mas as lesões durante o auge tornaram pouco perto do que seu potencial sugeria. Não estaria aprovado, pelos meus critérios. Mas vejo o seu caso mais forte do que alguns caras que estão no Hall da Fama (Bill Bradley, Mitch Richmond), então seria uma incoerência deixá-lo fora. 

Ricardo Stabolito Jr.: Não. Sejamos sinceros: Rose viveu seu auge com 22 anos. Teve os prováveis maiores anos da carreira destruídos por lesões e isso joga bastante contra. Todos os MVPs de temporada regular estão no Hall da Fama, mas, de resto… três vezes all-star, um quinteto ideal da temporada, só três campanhas com mais de 20 pontos de média? É muito pouco para o nível que estamos discutindo aqui.

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.