Jumper Brasil discute – Final Four

South Carolina, Gonzaga, Oregon e North Carolina venceram suas regiões no Torneio da NCAA e, neste sábado, entram em quadra para disputarem as duas vagas na grande final da temporada universitária, que acontecerá na próxima segunda-feira (3). Os dois confrontos do Final Four – South Carolina x Gonzaga e Oregon x North Carolina -, além da decisão, vão ser transmitidos ao vivo pelos canais ESPN.

Por isso, nesta semana, convoquei quatro convidados especiais – Italo Vieira, Leonardo Sasso e Rodrigo Lazarini, do blog Live College Br, e Vitor Camargo, do blog Two Minute Warning – para me ajudarem na discussão sobre o que já aconteceu no Torneio da NCAA e o que ainda está por vir neste Final Four.

Quem surpreendeu? Quem decepcionou? E, no fim das contas, quem será o campeão? Nossa equipe opina…

 

1. Quem é a grande surpresa do Final Four?

Gustavo Lima: South Carolina. A grande ‘cinderela’ do March Madness é, sem dúvida alguma, o time de Sindarius Thornwell e companhia. Ninguém imaginava que uma equipe que não havia deixado uma boa impressão no torneio da conferência SEC fosse alcançar o Final Four. E chegou com méritos, eliminando favoritos como Duke e Flórida.

Italo Vieira: South Carolina. A campanha surpreende muito, ainda mais levando em conta que o time não era nem mesmo considerada top 5 na conferência SEC. O crescimento do ala Sindarius Thornwell, de 13 pontos na última temporada para 21 pontos, agora, também ajudou demais essa equipe.

Leonardo Sasso: South Carolina. Pouca gente apostaria em South Carolina no Final Four. Durante a temporada, eles tiveram bons momentos, mas a suspensão do Thornwell foi um duro golpe. Com a sua volta, a defesa do time voltou a figurar entre as melhores e o ataque está voando no March Madness.

Rodrigo Lazarini: South Carolina. Acompanhei a conferência SEC de perto e o retorno do ala Sindarius Thornwell foi muito importante para a equipe. 

Vitor Camargo: South Carolina, claro. O sétimo cabeça de chave do torneio da Região Leste venceu as seeds #2, #3 e #4 de sua conferência, incluindo a poderosa Duke, e colocou Sindarius Thornwell no mapa como prospecto de primeira rodada do Draft. Quem esperava algo assim duas semanas atrás?

 

2. Qual foi a grande decepção no Torneio da NCAA?

Gustavo Lima: Duke. No papel, a equipe treinada pelo Coach K tem, talvez, o maior número de talentos. Duke ganhou o torneio da forte conferência ACC, mas deixou muito a desejar no duelo contra South Carolina, logo na segunda rodada do March Madness. A minha expectativa era tão grande que coloquei os Blue Devils como campeões da temporada.

Italo Vieira: Arizona. A equipe foi campeã na temporada regular e no torneio da PAC-12 e chegou como seed 2 ao torneio da NCAA, ou seja, era muito favorita a chegar ao Final Four. Mas Arizona decepcionou bastante contra Saint Mary’s, ganhando apenas por nove pontos, e perdeu para Xavier com um desempenho bem abaixo do que havia sido apresentado ao longo da temporada.

Leonardo Sasso: Duke. Muito se esperava dos Blue Devils após o grande torneio da ACC que fez. Jayson Tatum estava no seu melhor momento, Kennard era a arma do perímetro e Grayson Allen vinha bem do banco. A falta de um armador clássico (Frank Jackson jogou ali, mas não é um playmaker) fez falta contra uma defesa bem arrumada, como a de South Carolina.

Rodrigo Lazarini: A maior decepção, na minha opinião, foi Minnesota. Fizeram uma campanha decente na conferência Big Ten, mas acho que receberam um seed muito alto e sentiram a pressão. 

Vitor Camargo: Villanova seria a resposta fácil, mas eles foram vítimas da força da sua chave acima de tudo. Ao invés disso, fico com SMU. Os Mustangs eram uma das principais apostas de zebras para surpreender em Março (inclusive a minha) e, ao invés disso, sua temporada terminou com uma derrota para USC logo na primeira rodada.

 

3. Qual prospecto mais beneficiou sua projeção no draft com as atuações no Torneio?

Gustavo Lima: Justin Jackson (North Carolina). O ala de North Carolina exerce uma liderança silenciosa e é eficiente nos dois lados da quadra. No complicado duelo contra Kentucky, ele tinha a “missão” de tentar anular o cestinha Malik Monk, e não decepcionou. Antes considerado no início da segunda rodada ou no final da primeira, Jackson deve subir nas projeções e se estabelecer no TOP 20, quem sabe até seja escolhido ao final da loteria. Menções honrosas a De’Aaron Fox (Kentucky), Sindarius Thornwell (South Carolina) e Jordan Bell (Oregon), outros destaques do March Madness.

Italo Vieira: De’Aaron Fox (Kentucky). Com atuações acima da média no torneio da NCAA, Fox se colocou como uma ameaça no top 6 do recrutamento deste ano. Aliás, o armador quebrou o recorde de pontuação para um calouro no torneio da NCAA, quando anotou 39 pontos contra UCLA.

Leonardo Sasso: Sindarius Thornwell. De um jogador que nem seria draftado a um possível steal de segunda rodada. Ele tem o modelo Jimmy Butler/Kawhi Leonard: excelente defesa e jogo ofensivo em plena evolução.

Rodrigo Lazarini: Jordan Bell e Tyler Dorsey (Oregon). Ambos se destacaram muito neste March Madness, e Dorsey, especialmente, deve subir muito nos próximos mocks

Vitor Camargo: De’Aaron Fox (Kentucky). Não vejo esse March Madness mudando demais em termos de Draft, mas as boas atuações de Fox – em especial contra Lonzo Ball – podem ser diferenciais para alavancar suas avaliações.

 

4. Se você pudesse retirar um time do Final Four e colocar outro, quem sairia e quem entraria?

Gustavo Lima: Eu poderia até dizer Kansas, dada a ótima campanha durante a temporada e a qualidade do time, mas seria uma baita injustiça com qualquer um dos quatro times que chegaram ao Final Four com muito merecimento.

Italo Vieira: Kansas é uma equipe que eu gostaria de ver no Final Four no lugar de Oregon. O time de Bill Self é uma máquina de ganhar títulos na conferência Big 12, mas no torneio da NCAA só chegou ao Final Four em 2008, quando venceu o título.

Leonardo Sasso: Difícil essa. Não trocaria ninguém. Achei o Final Four deste ano interessante, pois conta com equipes que geralmente não chegam até aí. Gonzaga nunca havia ido, South Carolina também, Oregon desde 1939 não ia, e somente North Carolina é a veterana. Gostei.

Rodrigo Lazarini: Por mais que North Carolina tenha um grupo mais experiente, gostaria de ver como a era de one and done de John Calipari iria se portar em um Final Four. Lembrando que essa é a oitava temporada do técnico sob o comando de Kentucky, e apenas um título foi conquistado. 

Vitor Camargo: O quarteto final está muito bem montado, mas quem ficou faltando foi UCLA, que jogou talvez o basquete mais empolgante do ano. Se precisasse sair alguém, escolheria North Carolina simplesmente porque já vimos eles ano passado no Final Four.

 

5. Quem será o campeão nacional deste ano?

Gustavo Lima: Oregon. Mesmo desfalcado do pivô Chris Boucher, a equipe tem se superado e é a que mais me agrada no March Madness. Tyler Dorsey e Dillon Brooks mostraram eficiência nos arremessos e poder de decisão, e Jordan Bell deixou claro quem é o melhor protetor de aro da NCAA. Em suma, Oregon tem um perímetro letal nos arremessos, um monstro defensivo no garrafão, e, de quebra, eliminou o melhor time (Kansas).

Italo Vieira: Minha aposta vai para Gonzaga. É um time muito equilibrado tanto no ataque quanto na defesa, e possui jogadores que podem decidir a partida a qualquer momento, seja no garrafão ou no perímetro.

Leonardo Sasso: North Carolina. Difícil prever, mas acredito que os Tar Heels mantiveram a base do time vice-campeão e adicionaram Luke Maye, que pouco jogou, e Tony Bradley, calouro que vem bem do banco. A vitória sobre Kentucky trouxe a confiança que faltava.

Rodrigo Lazarini: Oregon bateu na trave, no ano passado, para chegar ao Final Four, mas neste ano, com a evolução de Tyler Dorsey e Jordan Bell, os Ducks têm tudo para levar o título. Fizeram uma ótima temporada e enfrentaram equipes fortes dentro da PAC-12. Hoje, dá para apostar em Oregon sem medo.

Vitor Camargo: Oregon. Foi meu palpite antes do torneio começar, e não vejo motivo para mudar. Oregon tem três estrelas, uma excelente defesa, e dois jogadores – Tyler Dorsey e Dillon Brooks – que podem pegar fogo a qualquer momento. Esse é o ano dos Ducks.

Gustavo Lima
Gustavo Lima
Jornalista graduado pela UFMG e pós-graduado em Produção em Mídias Digitais pela PUC-MG. Natural de Ipatinga e residente em BH. Editor do Jumper Brasil desde 2007. Acompanha a NBA desde 1993. Torcedor do Phoenix Suns, mas adepto da imparcialidade.
  • TRUETHIAGO

    Bill Self também levou Kansas ao Final Four em 2012, naquele time liderado pelo Thomas Robinson, que foi vice-campeão perdendo para Kentucky, do Monocelha Davis.