Jumper Brasil Discute – Kobe Bryant (1978-2020)

O Jumper Brasil Discute é um quadro em que debatemos temas que gostamos e acreditamos ser importantes em um momento específico. Nunca foi tão importante e necessário falar sobre Kobe Bryant como agora, mesmo que essa necessidade de estarmos aqui seja pelo motivo mais triste imaginado.

Hoje, nós trouxemos quatro integrantes do Jumper Brasil e o convidado especial Renan Ronchi, do podcast “Na Era do Garrafão”, para discutir a carreira e impacto do ídolo do Los Angeles Lakers, morto em um acidente de helicóptero no último domingo junto com outras oito pessoas – incluindo a sua filha, Gianna Maria, de apenas 13 anos.

Estamos aqui para falar o que for possível nesse momento sobre um dos maiores jogadores de todos os tempos e seu papel na história da NBA. Obrigado, Kobe!

 

 

1. Para você, qual foi a atuação mais icônica de Kobe Bryant na NBA?

Gustavo Freitas: A noite dos 81 pontos. Lembro que vi essa partida conversando com amigos no MSN. A empolgação iniciou no segundo tempo e, a todo instante, Kobe fazia cestas e mais cestas. A gente torcia para que passasse dos 60, 70, 80 pontos. Foi diferente de qualquer outra atuação da NBA na era moderna. Ele teve tantos momentos marcantes na carreira, mas aquela partida contra o Raptors em janeiro de 2006 foi única.

Michel Moral: Contra o Raptors, em 22 de janeiro de 2006. Em um momento onde o basquete praticado não priorizava tanto a parte ofensiva quanto hoje, um jogo de 81 pontos passou a ser o carimbo e assinatura da magnífica carreira de Kobe.

Renan Ronchi: O jogo em que anotou 81 pontos, contra o Raptors. Acho que não tem como dizer outra coisa. Além do volume absurdo de pontuação, sua eficiência nos arremessos foi incrível e tudo aconteceu naturalmente. Isso é o principal, para mim: nada pareceu “forçado” para quebrar recordes – como os 100 pontos de Wilt Chamberlain ou os 70 pontos de David Robinson.

Eduardo Ribeiro: Fico com a atuação de 81 pontos, por mais que nós pudéssemos fazer uma longa lista aqui e esse não tenha sido – nem de longe – o seu jogo mais importante. Pela marca, trata-se de uma partida que resume muito bem o que ele era capaz de fazer em quadra.

Ricardo Stabolito Jr.: Os 60 pontos em sua despedida da NBA. Eu sei que vou ser voto vencido aqui, mas é uma atuação histórica que mostra tudo o que, para mim, Kobe foi: a luta para superar seus próprios limites, o alto volume de jogo, a forma como assumiu o jogo nos minutos finais e os arremessos decisivos. Seu sorriso no rosto, ao fim da partida, transparecia uma pessoa legitimamente realizada.

 

 

2. Kobe foi realmente o jogador mais similar a Michael Jordan, em termos de estilo de jogo, que já vimos?

Gustavo Freitas: Sim, sem dúvidas. Há vídeos famosos mostrando comparações. Kobe foi, de longe, o jogador mais parecido com Jordan em quadra. Você pode até parar e pensar em outros atletas que emulavam MJ, mas ninguém o fez com maior semelhança. Sem chances.

Michel Moral: Sim. Ambos possuíam mesmo biótipo, jogavam na mesma posição, foram grandes defensores e, principalmente, tinham incrível semelhança em suas mecânicas de arremesso. Kobe foi, definitivamente, o jogador que mais aproximou-se das características de Jordan.

Renan Ronchi: Sim. Acho que é isso mesmo. Muitos atletas emularam o jogo de Jordan, mas nenhum atingiu o nível de relevância e dominância em quadra que Kobe alcançou.

Eduardo Ribeiro: Sim. Em termos de estilo, isso parece ser inegável. Admito que não vi Michael Jordan ao vivo, mas há vários vídeos que fazem essa comparação ser bastante evidente. Em muitos lances, na verdade, a semelhança entre ambos chega a ser assustadora.

Ricardo Stabolito Jr.: Sim. Kobe nunca escondeu que inspirou-se em Jordan – e os inúmeros vídeos disponíveis no youtube comparando ambos não são por acaso. Era muito claro. Dizem que emular é uma manifestação de admiração e, de fato, o ídolo do Lakers conseguiu mostrar o quanto MJ foi importante em sua formação.

 

 

3. Verdadeiro ou falso: Kobe Bryant é o maior Laker de todos os tempos?

Gustavo Freitas: Falso. Essa resposta é difícil pelo momento, mas Magic Johnson foi o meu primeiro ídolo no basquete – mesmo sendo torcedor do Boston Celtics – e a primeira camisa da NBA que tive. Sei que muita gente não vai concordar comigo, mas o ex-armador mudou a história em uma fase em que a liga era marginalizada, tinha pouco interesse do público e televisão. Fico com Magic.

Michel Moral: Verdadeiro. Outros jogadores melhores atuaram pela franquia, mas nenhum deles honrou tanto a camisa do Lakers e virou um símbolo tão perfeito de Los Angeles quanto Kobe.  

Renan Ronchi: Verdadeiro. Para mim, longevidade é um fator importantíssimo no debate de maior jogador da história de uma equipe. Kobe atuou duas décadas pelo Lakers com grande relevância, o que coloca-o acima de gênios como Magic Johnson e Jerry West.

Eduardo Ribeiro: Verdadeiro. O próprio Magic Johnson já afirmou que essa honra é de Kobe. Não sou eu quem vou discordar, certo? Ganhou cinco títulos, acumulou uma lista gigante de premiações individuais e foram duas décadas representando a franquia. Difícil discordar.

Ricardo Stabolito Jr.: Verdadeiro. Sempre achei que não fosse, mas, se a maioria dos fãs da franquia e até as “lendas” que acreditava estarem à sua frente apontam Kobe como o maior jogador da história do Lakers, parece-me óbvio que estive errado esse tempo todo.

 

 

4. E onde Kobe está posicionado em sua lista dos maiores jogadores de todos os tempos?

Gustavo Freitas: Fica no meu TOP 15, provavelmente. O momento pode pedir que coloque-o acima disso, mas a NBA já passou por 70 temporadas e teria que ignorar o passado que não vi para posicioná-lo mais acima. Mas, se fizesse uma lista entre os jogadores que acompanhei, Kobe certamente é um dos cinco maiores e melhores.

Michel Moral: É um dos 15 maiores da história. Seu diferencial para os demais, no entanto, era a competitividade. Kobe não nos permitia duvidar que pudesse vencer qualquer adversário. Essa característica foi tão especial que tornou-se uma mística (“Mamba Mentality”). Foi o atleta menos passivo a derrotas que já pisou em uma quadra de basquete.

Renan Ronchi: Kobe está entre os 15 maiores de todos os tempos, em minha lista pessoal. Lembrando que a NBA teve mais de quatro mil jogadores em sete décadas de história, de forma que não acredito fazer diferença alguma em seu legado estar em quinto, décimo ou 20º lugar.

Eduardo Ribeiro: Está entre os cinco melhores, para mim. Eu não gosto de listas desse tipo, pois sempre é complicado definir critérios para “comparar” lendas de épocas diferentes. Mas, uma vez que indiquei Kobe como o maior Laker, é certo que ele vai estar no TOP 5 da história.

Ricardo Stabolito Jr.: Kobe faz parte do meu TOP 15. Ele reúne currículo vencedor, idolatria, técnica e números representativos o bastante para estar consolidado nesse (altíssimo) patamar. A partir daí, eu acho que depende muito das preferências de cada pessoa – e nem sei se faz tanta diferença assim.

 

 

5. Quando seu neto vier perguntar-lhe quem foi Kobe Bryant, o que você vai dizer?

Gustavo Freitas: Kobe foi um cara que superou a barreira da NBA, do basquete e do esporte. Notamos sua grandeza pela comoção que vemos hoje. Comparo ao que houve com Ayrton Senna. Era um jogador enorme, que metia medo nos oponentes e usava seus haters para ser ainda melhor. Esse é um astro que fez acontecer pela perseverança, garra e fome de vencer. Um jogador como (muito) poucos.

Michel Moral: Kobe foi, a princípio, o jogador que as pessoas amavam odiar. E, na medida em que sua carreira aproximou-se do fim, até os torcedores mais fanáticos do Celtics reconheceram que odiavam ter que amá-lo. Todos descobriram que, no fim das contas, era só amor.

Renan Ronchi: Kobe foi um jogador que, entre acertos e erros, foi o símbolo de uma geração. O Michael Jordan de quem não viu Michael Jordan e o Ayrton Senna de quem não sabia o que era “perder” um ídolo tão cedo. Foi uma figura única na história do basquete.

Eduardo Ribeiro: Direi que, embora tenha visto inúmeros astros que gostava mais e/ou acompanhei por mais tempo, jamais vi um jogador com tamanha intensidade e vontade de vencer. Sua mentalidade tornou-se exemplo no esporte em geral e Kobe continuará inspirando muitos. Vou dizer que vi um verdadeiro vencedor.

Ricardo Stabolito Jr.: Kobe foi um gigante do esporte, antes de tudo. Foi um dos maiores, melhores e mais técnicos atletas que já jogaram basquete. Um cara que ensinou a todos que talento não é o bastante para as pessoas que realmente estão destinadas à grandeza, excelência. É preciso entrega, devoção, amor. E, agora, estamos testemunhando a prova de que, como todas as lendas, Kobe é maior do que a vida.

 

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.