Jumper Brasil Discute – O que esperar dessas equipes?

Todo início de temporada tem suas surpresas positivas e negativas, né? É para falar sobre os times que surpreendem, para o bem e para o mal, que estamos aqui hoje.

O Jumper Brasil reuniu quatro dos integrantes de sua equipe e o convidado especial Luís Araújo, do blog Triple-Double (@tripledouble_br), para debater as perspectivas competitivas para alguns dos times que mais vêm contrariando prognósticos nesse início de temporada – seja para mais ou para menos. Quais dessas campanhas são realmente para valer? E quem vive um sonho prestes a acabar? É o que a gente discute agora…

 

  1. Verdadeiro ou falso: o Heat brigará por mando de quadra nos playoffs.

Gustavo Freitas: Verdadeiro. O Heat ficou fora dos playoffs na última temporada, mas, quando você olha caras como Jimmy Butler e Bam Adebayo em quadra, já é possível sonhar com mando de quadra. Ambos, juntos com Kendrick Nunn, são os grandes responsáveis por essa mudança de patamar. Nem mesmo as constantes lesões de atletas vêm conseguindo atrapalhar a boa campanha.

Gustavo Lima: Verdadeiro. Acredito que vai brigar com vários outros times, como Pacers e Raptors, pelo quarto lugar do Leste. Eles têm um grande técnico em Erik Spoelstra, dois novatos que chegaram mostrando serviço (Kendrick Nunn e Tyler Herro) e um forte candidato a atleta que mais evoluiu na NBA (Bam Adebayo). O Heat está a uma troca de subir mais um patamar e brigar nas cabeças do Leste.

Ricardo Stabolito Jr.: Verdadeiro. A quarta posição do Leste parece ser uma briga bastante aberta e o Heat sempre foi o time mais subestimado da conferência. Essa base é mais forte do que recebe crédito. Erik Spoelstra monta defesas sólidas ano após ano e a ascensão de jogadores jovens – como Duncan Robinson, Tyler Herro, Kendrick Nunn – dão a fluidez ao ataque que Miami carecia em anos anteriores.

Eduardo Ribeiro: Verdadeiro. Ainda é cedo para cravar qualquer franquia entre as quatro primeiras de uma conferência, mas o Heat tem tudo para brigar até o final para seguir nessa faixa. É um time organizado nos dois lados da quadra, com um ótimo técnico e muitos atletas jovens e/ou recém-chegados que podem melhorar (ainda mais) ao longo da campanha.

Luís Araújo: Verdadeiro. Se vai conseguir é outro papo. Com essa defesa atuando em tão alto nível, os novatos e jovens atletas (em especial, Bam Adebayo) que têm mostrado desenvolvimento animador, uma estrela como Jimmy Butler e um técnico do nível de Erik Spoelstra, esse time tem tudo para se manter na briga pelas quatro primeiras posições do Leste.

 

  1. Quem você acredita ter mais chances de terminar a temporada com recorde positivo – Magic ou Nets?

Gustavo Freitas: Nets. Os dois trabalhos foram bons na temporada passada, mas, agora, as situações soam um pouco diferentes: enquanto o Magic dá sinais claros de que precisará mexer no elenco para melhorar o ataque, a equipe do Brooklyn parece ter mais cara de conseguir ajustar-se com as peças que tem. Mas bastaria uma troca pontual para Orlando tornar-se essa resposta.

Gustavo Lima: Nets. Apesar do início ruim de temporada, eu creio na reabilitação de Brooklyn pela capacidade de Kenny Atkinson fazer o time funcionar em quadra – especialmente, na defesa. Mas quero deixar claro que também acho que o Magic terminará com campanha positiva e vaga nos playoffs.

Ricardo Stabolito Jr.: Magic. Eu não estou particularmente otimista com nenhum dos dois, mas, ao menos, eu sei como Orlando vence partidas: não importa o que aconteça, eles defenderão bem todas as noites. A versão atual do Nets, ainda que seja um elenco mais talentoso, não me oferece nem isso e não consegue achar uma formação eficiente nos dois lados da quadra ao mesmo tempo.

Eduardo Ribeiro: Nets. É um time que passou por mudanças drásticas no elenco, porém, acho que vai se encaixar. O Magic, apesar da boa defesa, tem rendimento ofensivo terrível até agora e pode precisar procurar opções no mercado durante a temporada para reverter essa situação. As soluções de Brooklyn parecem já estar lá dentro e vão melhorar com o tempo.

Luís Araújo: Nets. Ainda estou com eles, até porque o Magic não é uma opção das mais sedutoras nesse caso. Acredito que os nova-iorquinos vão subir alguns níveis ao longo da temporada e, mesmo em um cenário não muito positivo, ainda dá para imaginar Kyrie Irving – por mais contestado que possa ser – liderando essa equipe a vitórias “na marra” dentro do Leste, flertando com uma campanha de 50%.

 

 

  1. Suns, Mavericks ou Timberwolves: quem tem mais chances de chegar aos playoffs em 2020?

Gustavo Freitas: Mavericks, sem pensar muito. E o motivo é óbvio: Luka Doncic. É claro que não é só isso: Kristaps Porzingis está recuperando seu ritmo ideal e o técnico é um vencedor, campeão da NBA. Rick Carlisle sabe fazer o elenco rodar em função do jovem craque. Suns e Timberwolves surpreendem, cada um possui um astro, mas não contam com um fora de série como Doncic.

Gustavo Lima: Mavericks. O fator Luka Doncic precisa ser levado em conta, já que faz uma temporada espetacular e agora tem a ajuda de Kristaps Porzingis. Com os declínios de desempenho de franquias como Blazers e Spurs, Dallas tem tudo para voltar aos playoffs. E o que falei sobre o Heat também vale aqui: esse time está a uma troca de subir de patamar.

Ricardo Stabolito Jr.: Mavericks. Pode parecer simplista, mas é verdade: Dallas tem o melhor técnico e o único candidato a MVP do trio. Além disso, eu sinto que sua excelência ofensiva é mais sustentável do que o ótimo rendimento defensivo, por exemplo, que o Suns vem mostrando nesse início de temporada. É uma questão de confiança – e Luka Doncic.

Eduardo Ribeiro: Mavericks. As três equipes mostraram pontos positivos nesse início de campanha, mas, mesmo com a falta de algumas peças confiáveis, Dallas seria a minha escolha. Kristaps Porzingis ainda detém potencial para elevar o seu jogo na nova equipe e Luka Doncic é um dos maiores destaques da temporada.

Luís Araújo: Suns. Nunca imaginei que apostaria nisso há algumas semanas, mas, coletivamente, as coisas têm funcionado de forma animadora em Phoenix: a defesa deles está entre as dez mais eficientes da liga e o quinteto mais utilizado por Monty Williams tem números extremamente positivos. A volta de Deandre Ayton pode ser um desafio, pois Aron Baynes “encaixou” e virou um fator importantíssimo nessa história improvável, mas há pontos de interrogação nos outros times também.

 

  1. Suns, Mavericks ou Timberwolves: quem tem menos chances de chegar aos playoffs em 2020?

Gustavo Freitas: O Timberwolves aparenta ser aquele cavalo que subiu no telhado – ninguém sabe como chegou ali, mas vai cair. É verdade que Karl-Anthony Towns agora tem o reforço de um novo Andrew Wiggins – um que não é apático, agride a cesta e tenta ser aquele jogador que esperávamos na época do draft –, mas acho que a franquia precisa de mais do que só essa dupla para manter-se onde está.

Gustavo Lima: Timberwolves. Embora tenha começado a temporada de maneira surpreendente, com Karl-Anthony Towns e Andrew Wiggins jogando em altíssimo nível e liderando vitórias improváveis, considero que a franquia tem o pior elenco entre as citadas. Acredito que essa campanha, por isso, não vai se sustentar.

Ricardo Stabolito Jr.: Suns, mas sem convicção. Acho que é a equipe em que menos confio no momento, embora também não esteja tão firme sobre o Twolves. Não acredito, vendo temporadas anteriores, que esse ótimo desempenho atual do time nos dois lados da quadra seja sustentável – embora o elenco, de fato, tenha mais mudanças do que pensamos – e a rotação depende muito de atletas pouco provados.

Eduardo Ribeiro: Timberwolves. Karl-Anthony Towns realiza grande temporada e Andrew Wiggins, surpreendentemente, vem jogando muito bem. Mas, após tanta decepção com o ala, preciso de uma temporada inteira nesse nível para voltar a ser convencido. Ainda prefiro, além disso, os elencos de Mavericks e Suns. Acredito que Minnesota vai se distanciar dos oito primeiros do Oeste com o passar do tempo.

Luís Araújo: Timberwolves. Quero estar enganado e ver essa equipe nos playoffs. É muito bom ver uma comissão técnica capaz de desenvolver as peças de apoio minimamente e faça os dois principais nomes da franquia “curarem” alguns dos defeitos que vinham segurando-os nos últimos meses. Mas, das três opções, é quem parece estar mais com a corda no limite e sem margem para evolução.

 

  1. Se eu dissesse que só um entre Spurs e Blazers vai recuperar-se do atual péssimo início de temporada, quem seria a sua aposta?

Gustavo Freitas: Blazers. Essa é difícil. Você olha o elenco do Spurs, vê LaMarcus Aldridge e DeMar DeRozan e não acha a referência do elenco. Parecem role players em um grupo cheio de role players. Não sei se a química vai rolar entre Carmelo Anthony e o elenco de Portland, mas, com Damian Lillard e C.J. McCollum – além de saber que Jusuf Nurkic ainda pode voltar –, aposto mais fichas na equipe do Oregon.

Gustavo Lima: Spurs. Não me atrevo a apostar contra Gregg Popovich e o time mais organizado da NBA neste século. Tem um elenco mais encorpado e o melhor técnico da história no banco. O Blazers, por outro lado, é uma grande decepção: as lesões de Jusuf Nurkic e Zach Collins, aliadas às saídas de Al-Farouq Aminu e Moe Harkless, pesam bastante em uma equipe que estava bem encaixada.

Ricardo Stabolito Jr.: Spurs. Trata-se de um elenco melhor, melhor entrosado e menos dependente de suas principais referências. Foi uma experiência agonizante assistir ao Blazers atuar sem Lillard, por exemplo. Ambos têm potencial óbvio de melhora e, embora San Antonio esteja pior no momento, eles aparentam possuir mais alternativas para sair do buraco – se, claro, Gregg Popovich quiser usá-las.

Eduardo Ribeiro: Blazers. Ambos são grandes decepções, mas o momento de San Antonio é de transição. Mudanças maiores acontecerão nas próximas temporada e a equipe busca a sua identidade atual, enquanto Portland já tem um caminho todo traçado – só está com dificuldades para lidar com as alterações que o elenco sofreu na offseason.

Luís Araújo: Spurs. O encaixe das peças ao redor de Damian Lillard soa estranho demais, o Blazers não consegue defender como em seus melhores momentos nos últimos anos e sente demais a falta de Jusuf Nurkic. San Antonio também possui defeitos e a defesa está ainda pior do que a de Portland, mas ainda vejo chances para melhora significativa e mais próximo de um ajuste que leve ao sucesso.

 

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.