Lou Williams faz história e torna-se maior “pontuador reserva” da NBA

Lou Williams é um dos jogadores da atualidade que resumem a função de “sexto jogador” na NBA. E, agora, o armador do Los Angeles Clippers pode afirmar que reescreveu a história da liga nessa função. Depois de marcar 34 pontos na vitória dos angelinos sobre o Boston Celtics, nesta segunda-feira, ele passou Dell Curry para tornar-se o atleta com mais pontos saindo do banco de reservas na NBA.

“Ser o maior de todos os tempos em alguma coisa, não importa o que seja, sempre será especial. Eu sou um ‘sexto jogador’ e fiz carreira saindo do banco de reservas, então ter a oportunidade de dizer que sou o maior da história nesse papel é tudo o que poderia pedir”, celebrou o jogador de 32 anos, que atingiu a marca de 11.154 pontos marcados em partidas onde não foi titular na liga.

A trajetória de Williams na NBA, de fato, foi trilhada saindo do banco: ao longo de 14 temporadas como profissional, ele fez parte do quinteto inicial em apenas 109 de 923 partidas realizadas. O veterano lidera os reservas em média de pontuação na temporada (20.4) e já acumula 28 atuações com 30 ou mais pontos iniciando jogos como suplente na carreira – outro recorde histórico da liga.

“Lou é muito habilidoso, inteligente e capaz de pontuar desde sempre. Eu o vi pela primeira vez quando ainda estava no colegial: ele chegou atrasado ao treinamento, entrou em quadra e ‘destruiu’ todo mundo. Essa é a sua carreira na NBA: ele veste o uniforme e simplesmente pontua. Tem uma capacidade especial para colocar a bola na cesta”, definiu o treinador do Celtics, Brad Stevens.

Mas engana-se quem acha que Williams é só um pontuador: mesmo não sendo um dos titulares, o cestinha é uma referência técnica inquestionável nos bastidores do Clippers. “Lou é o nosso líder. Tem um jogo tão leve, natural e sempre cresce nos momentos decisivos, em que mais precisamos. É aquele cara que, quando fala, todos param e escutam”, exaltou o armador Patrick Beverley.

Ninguém joga basquete desde criança ou chega à NBA sonhando em ficar no banco. Foram as circunstâncias da carreira, as características do jogo e as preferências de técnicos que fizeram o veterano virar um suplente. Foi um papel que não aceitou de cara, mas, depois de quase 1.000 jogos e dois prêmios de melhor reserva da NBA, ele considera ser uma benção e sua identidade no esporte.

“Levou tempo para que eu ‘abraçasse’ essa função. Ficava ressentido, lá no começo da carreira, em ser reserva. Mas, depois de um tempo, você consegue ver a beleza e diversão por trás disso. Abracei esse papel e fui além: ser reserva, hoje, é minha cara. Acho que é o que me faz especial na NBA, na verdade. Virou parte do meu legado e como as pessoas vão lembrar de mim”, concluiu Williams, que saiu da segunda rodada do draft de 2005 – e do banco – para fazer história.

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.