Markelle Fultz é diagnosticado com síndrome rara no ombro

Um dos maiores mistérios da NBA atual, o drama em torno da mecânica de arremesso do armador Markelle Fultz, do Philadelphia 76ers, pode estar perto de ser resolvido. De acordo com o agente e advogado do atleta, Raymond Brothers, Fultz foi diagnosticado com a Síndrome do Desfiladeiro Torácico (SDT), que afeta os nervos entre o pescoço e o ombro direito, prejudicando a amplitude dos movimentos e limitando severamente a capacidade do atleta de arremessar uma bola de basquete.

O tratamento, através de fisioterapia, começará imediatamente e pode durar várias semanas. A síndrome, que é considerada rara, tem esse nome porque atinge o espaço entre a clavícula e a primeira costela (desfiladeiro torácico). As causas comuns da SDT incluem traumas e lesões repetitivas, e os sintomas são, entre outros, dor nos ombros e no pescoço.

Segundo Adrian Wojnarowski, da ESPN, o jogador de 20 anos ficará afastado das quadras por tempo indeterminado. Entretanto, a franquia tem esperanças de que Fultz retorne às atividades em um período entre três e seis semanas. O tempo de recuperação dependerá do sucesso da reabilitação para aliviar os sintomas e a tolerância à dor.

“As pessoas diziam que era um problema mental e agora ficou demonstrado que não é. Não há como você ser a primeira escolha do draft, e, de forma repentina, não conseguir levantar os braços consistentemente para arremessar. Algo está fisicamente errado. Agora temos a resposta para esse problema”, disse Brothers, que acredita que o diagnóstico e a reabilitação possam encerrar de vez o problema na mecânica de arremesso do atleta.

De acordo com Shams Charania, do site The Athletic, o programa de reabilitação de Fultz será comandado pelo renomado fisioterapeuta Judy Seto, em Los Angeles. Ex-funcionário do Lakers, o profissional já trabalhou com o astro Kobe Bryant e com Elton Brand, atual gerente-geral do Sixers, durante a época em que eles jogavam na NBA.

Por causa do problema que o persegue desde que chegou à NBA, em 2017, Fultz afastou-se voluntariamente do elenco do Sixers para realizar avaliações físicas no ombro e pulso direitos. Nas últimas duas semanas, o jogador viajou exaustivamente e visitou cerca de dez especialistas da Filadélfia, de Nova York, de Saint Louis e de Los Angeles.

O Sixers, que aceitou que Fultz ficasse afastado das partidas até ser avaliado por médicos que não pertencem aos quadros da franquia, não havia reconhecido nenhum problema físico no atleta. Há duas semanas, o The Athletic divulgou que o armador estava insatisfeito com a equipe e teria, inclusive, feito um pedido para ser negociado. A informação foi negada de forma veemente pelo agente e advogado do atleta.

O veterano repórter Chris Sheridan informou que Orlando Magic e Phoenix Suns são dois times interessados em contar com os serviços de Fultz. Para liberar o jogador, o Sixers estaria pedindo uma escolha de primeira rodada do draft, além de um ou mais atletas para bater salários. Nesta temporada, o armador vai receber US$8.3 milhões.

Entenda a polêmica em torno do arremesso de Fultz

A alteração drástica na mecânica de chute de Fultz assustou a todos que acompanham a NBA e causou perplexidade nas redes sociais. Um dos melhores arremessadores do recrutamento de 2017, ele apresentou-se ao Sixers com uma sofrível forma de tiro – que, após rumores, foi creditada a uma lesão no ombro direito.

Em seu ano de estreia na liga, o jovem foi desfalque por 60 jogos da temporada regular e, embora recuperado, não conseguiu voltar a arremessar normalmente. Na época, o agente e advogado do jogador revelou que o cliente recebeu uma injeção de cortisona no ombro e mal conseguia erguer os braços. A lesão fez com que Fultz claramente mudasse sua forma de jogar nas primeiras partidas da temporada, focando nas infiltrações e bandejas, e evitando chutes mais longos para que não realizasse movimentos excessivamente agressivos e “forçasse” o ombro direito.

Vale lembrar que, na última offseason, o jogador fez um treino específico de dois meses comandado pelo técnico Drew Hanlen. Segundo Alex Kennedy, do site Hoopshype, há cerca de um mês, Fultz deixou de trabalhar e até de conversar com Hanlen. A relação entre eles teria se deteriorado quando um membro do staff  do armador confrontou Hanlen pessoalmente sobre a falta de resultados esperados quanto à reconstrução do arremesso de Fultz.

Gustavo Lima
Gustavo Lima
Jornalista graduado pela UFMG e pós-graduado em Produção em Mídias Digitais pela PUC-MG. Natural de Ipatinga e residente em BH. Editor do Jumper Brasil desde 2007. Acompanha a NBA desde 1993. Torcedor do Phoenix Suns, mas adepto da imparcialidade.