Marvin Bagley III – Primeiras impressões

Por Gabriel Andrade

Reclassificado no basquete colegial para entrar na classe de 2018 do draft, Marvin Bagley III está entre os prospectos mais intrigantes deste ano. O canhoto ala-pivô de Duke vem ganhando muitos minutos e respondendo com extrema produtividade em seus cinco jogos iniciais no nível universitário, consolidando-se como candidato a uma das cinco primeiras escolhas do recrutamento. Aqui vai uma análise cheia de vídeos das primeiras impressões tiradas deste início de temporada.

Marvin Bagley III

País: Estados Unidos
Clube: Duke
Idade: 18 anos (1999)

Medidas Físicas

Altura: 2.11m (6’11’’)
Envergadura: 2.14m (7’0.5’’)
Alcance vertical em pé: 2.67m (8’9’’)
Peso: 106 kg (233 libras)

Atributos Posicionais

Posição listada: ala-Pivô
Estereótipo posicional: ala-Pivô de Frente para a Cesta + Energia/Motor
Habilidades posicionais: agilidade, controle de bola, post up, rebotes, putbacks e finalização.
Jogadores de NBA na categoria: Julius Randle, Domantas Sabonis, Markieff Morris e Thaddeus Young.

Estatísticas

NCAA (cinco jogos, saiu lesionado em um deles): 19.2 pontos, 9.0 rebotes, 1.2 assistências, 1.4 desperdício de bola, 1.0 roubos de bola, 0.8 tocos, 62.1% nos arremessos de quadra, 28.6% nos arremessos de três pontos e 50% nos lances livres em 26.4 minutos.

Defesa

Bagley é um atleta de garrafão atlético, com pés ágeis e ótima impulsão, explosivo e veloz como um jogador de perímetro. Ele é alto, mas não muito longo em termos de medidas física – algo que é encarado como um problema em relação a proteção de aro e virtuais aproveitamentos como pivô, que caberiam bem para seu conjunto de habilidades.

Graças a sua capacidade atlética, o ala-pivô tem grande potencial defensivo de acordo com a NBA moderna: forte para defender no garrafão, móvel e ágil para trocar de marcação no perímetro e defender atletas mais baixos. É capaz de dobrar os joelhos e mover os pés na defesa individual e dar flexibilidade a retaguarda de sua equipe:

 

No entanto, nem sempre é um defensor concentrado. Não tem grande timing como protetor de aro, nem grande envergadura que projete-lhe como tal em longo prazo. A falta de instinto pode ser mostrada nessa posse. Bagley vê o jogador adversário no post up e, mesmo não marcando ninguém, não parte para a ajuda defensiva:

Em outras vezes, ele poderia impedir a ação do adversário simplesmente sendo mais físico:

Ainda assim, sua agilidade e impulsão podem resultar em tocos pontuais:

Nessa outra posse, apesar de não ter dado o toco, Bagley conseguiu alterar o arremesso adversário colocando seu corpo na frente e obrigando uma mudança no meio do ar:

Chega atrasado demais na ajuda, porém, no lance a seguir:

Em outras situações, pode faltar-lhe um pouco de comunicação e atenção. Vejam essa posse: ele acaba não se comunicando bem no hedge e acaba por ceder espaço para uma infiltração livre:

Há uma precipitação na tentativa de roubada de bola aqui:

Já nessa situação de infiltração, Bagley acaba escolhendo o ângulo errado e cede espaço, mas a ajuda defensiva contorna a situação.

Observe como, agora, o ala-pivô acaba indo cedo demais na ajuda, cedendo um arremesso livre na zona morta sem ter contestado a infiltração:

Ele possui agilidade, tempo de bola e impulsão nas duas tábuas quando o assunto são rebotes, além de força para encarar contra contato:

Também é ativo o suficiente para pegar rebotes ofensivos dos próprios erros, graças ao rápido segundo pulo:

Transição

Seus atributos físicos permitem-lhe atacar em transição após roubos de bola ou receber passes rápidos. Possui excelente coordenação motora e velocidade em quadra aberta para ser alvo em contra-ataques:

Ainda possui fluidez para dar eurosteps como esse:

Por ter bom controle de bola, ele também é capaz de pegar o rebote e iniciar o contra-ataque por si só, com resultados mistos:

Ataque de Frente Para a Cesta

Situação em que mais foi usado ofensivamente por Duke, Bagley adora receber a bola em situações de meia distância e, a partir daí, atacar a cesta. Ágil, móvel, forte e habilidoso, conquista muitas faltas e pontos em suas investidas:

Contudo, ele tem preferência notável por finalizar com a mão esquerda. Infiltra na grande maioria das vezes para o lado de sua mão preferida. Times mais estudados se preparam para isso. Para que aumente sua efetividade, precisa trabalhar a mão direita. A falta de arremesso também prejudica, fazendo com o que o defensor proteja seu espaço mais adorado:

Em algumas das vezes em que ataca a cesta, mostrou-se capaz de dar passes para chutadores no lado forte. Não é um passador avançado, capaz de executar lobs, alimentar pivôs ou o lado contrário, mas pode ler situações básicas:

Ataque de Costas para a Cesta

Ágil, forte e com bom gancho, Bagley é capaz de punir mismatches próximo ao aro e usar sua força para finalizar contra contato:

Entretanto, da mesma forma como prefere a mão esquerda de frente para a cesta, o mesmo se repete de costas. Totalmente cego da mão direita, usa mesmo a canhota quando tenta (muito raramente) o lado direito. Times com jogadores mais longos e fortes estudam e se aproveitam dessa tendência:

Outros Aspectos Ofensivos

Fisicamente refinado, Bagley não é tão polido tecnicamente em meia quadra. Possui jogo ofensivo de pivô em corpo de ala-pivô, contando ainda com suas limitações. É um chutador bastante limitado em qualquer sentido, que refuta a arremessos livres e com mecânica bastante robótica – sai ao lado de sua cabeça, como o caso do novato DeAaron Fox, do Sacramento Kings:

Pouquíssimo envolvido em pick-and-rolls por Duke, ele possui força, agilidade e impulsão para ser alvo de ponte-aéreas e enterradas em cortes sem a bola ou após um bloqueio:

De grande potencial físico-defensivo e técnica ofensiva a se desenvolver, Marvin Bagley III precisará trabalhar em suas tendências ofensivas para expandir sua capacidade de ameaça na NBA – em que não reinará fisicamente como já acontece no basquete universitário. Trata-se de um grande prospecto, mas com alguns passos atrás em relação a outros jogadores mais polidos dentro do recrutamento.

 

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.
  • Começou realmente bem, mas me parece um caso “Nerlens Noel”, em que tem todas as habilidades necessárias para enfrentar gente da própria idade e nível, mas poucas para enfrentar gente maior e melhor.

    • Gabriel Andrade

      Alguns caras produtivos no NCAA as vezes não serão tão produtivos na NBA, mas poderão ser úteis. Excetuando a temporada atual, Noel foi um defensor muito impactante, de ótima versatilidade. Um caso a se citar é o de John Collins, muito produtivo na temporada passada no College, mas cheio de dúvidas dos scouts por ter um jogo muito baseado no post up, baixo e de pouca envergadura. ser péssimo defensor e com visão de túnel. Mas era produtividade demais pra ignorar. Aí lá foi o Hawks usá-lo de maneira totalmente oposta, aproveitando seu atleticismo. E é um sentimento que tenho sobre Bagley. Apesar de limitações óbvias, ele é muito produtivo e flexível na defesa, pode ter seu impacto, ainda que não seja dominando fisicamente como uma estrela em acensão. E claro, são impressões iniciais, sobre 4 jogos. Evoluções podem surgir, além de muitas coisas de seu jogo que podemos não ter visto 🙂

  • Eu concordo na totalidade com o que foi dito!

    Eu vejo os jogos de Duke, e é muito claro que ele tem muitas deficiências no quesito “recursos técnicos”. É um cara que que oferece pouco quando a bola não está com ele, ou quando atacar a cesta não é mais uma opção.

    Preciso ver mais dele, apesar dos número que vem colocando nas partidas, eu não saio dos jogos com uma impressão tão boa.

    • Gabriel Andrade

      A situação de Duke não é muito perfeita também. Acho que ele seria ótimo como pivô em quadra espaçada, mas o elenco de garrafão é todo formado por gente que joga próximo a cesta. Mas ele é, no mínimo, um defensor impactante e projetável como role player de alto nível, complementar, pra NBA. E claro que dá pra evoluir nas partidas seguintes, adicionar ferramentas ao jogo.

  • The Night King #Soulkeeper

    Bust igual Noel. Próximo?

  • Chimbinha

    Eu também vi 2 jogos dele e não achei nada demais.

  • Sanliv

    Infelizmente ele se lesionou cedo no jogo que seria o melhor teste pra ele, contra Michigan State. Daria pra ter uma ideia melhor, com ele enfrentando um defensor de nível de NBA no Jaren Jackson Jr

    • Gabriel Andrade

      Com certeza. Aquele jogo foi ótimo pra ver Jaren Jackson, inclusive. Nos poucos momentos que Bagley ficou, foi até produtivo. Mas a temporada é longa e ainda terão muitos testes.

  • Beto #MFFL #AgoraÉTank

    Mais cru que sushi ainda, veremos como evolui durante a temporada.

  • Fernando Henrique

    Mesmo não aparentando estar pronto pra causar impacto na NBA e não convencendo 100%, dificilmente ele não sai em uma das três primeiras posições do Draft, ainda mais sem o Porter Jr.

    Vamos esperar pra ver seu desenvolvimento durante a temporada, mas pelas características imagino que seria uma boa pro Bulls. No Kings e no Suns também teria um encaixe bacana

    • Pierry Silva

      Bulls já tem o Markkanen, não seria uma boa

      • JOSE MARINHO

        Bulls tem que ir de Deandre Ayton e formar um garrafão muito bom. Ayton será dominante na NBA.

        • Pierry Silva

          Pra mim, ou ele, ou o Doncic

  • Claudio R.

    Poxa tava botando fé nesse cara… mas ainda tá cru…

  • Felipe Santos Vieira

    Pelo hype achava q ele era BEM melhor q isso… hehehehe

  • “KOBE” -Thank You Kyrie.

    É um pouco compreensível ele estar ainda cru a nível de NCAA. Bagley adiantou um ano! Era para ser da classe de 2018, e por boas notas ele pode se adiantar.
    O cara era para estar no High School ainda. Eu desconheço o estilo de jogo de High School, mas deve ser algo básico. Certamente vai ter algum impacto inicial em questão de disciplina, foco, e refinamento de seu jogo na NCAA.
    A escolha de Duke dele tbem deveria ser melhor analisada. É mt jogador novo para dar atenção especificamente a ele, sem falar q eles estão pensando no título, vai ter mt pressão. Não é mais a Duke de antigamente, em q focava mais em desenvolver e disciplinar os jogadores. O Coach K acabou entrando na onda do Calipari, os “One and Done”.
    Em termos de desenvolvimento, acho q seria melhor ir para North Carolina, Kansas, Texas, Indiana… Poderia aliar competitividade e foco no desenvolvimento como jogador. Precisa ter cautela agora, apesar desse método One and Done, ñ pregar mt por isso (é só olhar o Skal Labissiere em Kentucky.).

    • Beto #MFFL #AgoraÉTank

      Isso sem falar que revelar big man nunca foi o forte de Duke.

      • “KOBE” -Thank You Kyrie.

        Pois é, rs. O Okafor do jeito q entrou na Universidade.. foi do msmo jeito q saiu, apenas com jogo de costa para cesta. O Mason Plumlee, tá com um jogo diferente do q era na Universidade. Tá mais passador.
        Já o Bolden, q entrou mt badalado, tá no seu 2º ano, depois de ñ mostrar quase nada no ano de Freshman. E eu vi um jogo dele nesta temporada, no Champions Classic.. e o cara foi uma tragédia!
        O esteriótipo de Kentucky do Calipari, é de ter jogadores atléticos q tenham vontade, ou q saibam defender. O de Duke é ter jogador de perímetro q seja scorer. rs

    • Gabriel Andrade

      O fator idade também entra e até importante frisar. Bagley não é um produto pronto, possui upside pra melhorar em várias áreas. Pra ficar um ano apenas na universidade, talvez nem faça tanta diferença assim o destino. Eles já entram focados pra ir pro Draft mesmo. Duke não é uma situação ideal pelo estilo de jogo também, quadra pouco espaçada, focado em acionar os chutadores.

  • Alan Cleber Knickerbockers

    Chris Bosh 2.0

    • Gustavo – DefendTheLand

      O garoto vai ser monstro então.

      • Alan Cleber Knickerbockers

        Aí só o tempo dirá, mas tem tudo pra ser, por isso esse hype todo em cima dele.

  • Baiano #BRICKELTICS FDP 🐳👴☘

    Wendell Carter Jr >>>>

  • 76

    Parabéns ao Gabriel Andrade. Trabalho muito bem feito!!

  • TRUETHIAGO

    Bom trabalho mesmo, Gabriel. Claramente ainda é um jogador para ser lapidado, mas que já está causando bastante impacto no nível universitário.

    Aliás, aproveitando, hoje tem um matchup bem interessante, entre ele e o Bamba (Duke x Texas, 20h30)