Mikal Bridges e seu potencial ainda subestimado

Quando os analistas e torcedores de Villanova começaram a observar a evolução de um menino, antes desconhecido, todos se perguntaram até onde ele poderia chegar. Pode chegar. Mikal Bridges é um daqueles tantos jogadores que surgem sem muito renome no High School, são lapidados na universidade e conseguem uma evolução tremenda. De redshirt (ficou sem jogar) no primeiro ano, sexto homem e, agora, referência da equipe. Bridges lutou e o reconhecimento começa a vir.

As credenciais que demonstra são clássicas de um prospecto de NBA: 2.01m de altura, com mais de 2.13m de envergadura. Ala, arremessador sólido do perímetro e extremamente eficiente infiltrando o garrafão. Mas Bridges nunca teve o espaço para mostrar seu potencial como tem atualmente. Pelo menos não em grande escala. Quando chegou ao Wildcats, quatro anos atrás, Bridges pesava 79 quilos. Jay Wright, treinador da equipe, decidiu que a melhor escolha era preservá-lo dos jogos na primeira temporada. Aprimorar a parte física e o rigor que o College Basketball apresentariam para Bridges. No final da temporada 2014-15, o jogador já pesava 93 quilos e tinha maior capacidade de defender e pontuar, quesito que demonstrou nos treinos do time.

No High School, Bridges era um arremessador. Pouco usava seu corpo, que na época não era tão representativo como hoje. Cresceu cerca de 12 centímetros desde o seu ano de sophomore no basquete colegial até a temporada de junior no universitário. Tinha capacidade, mas pouco QI de jogo e isso foi um dos trabalhos mais difíceis para Jay Wright, Baker Dunleavy (assistente de Wright, hoje técnico de Quinnipiac) e todo o staff. Conseguir colocar uma mentalidade de trabalho em equipe e maior consciência de jogo em Bridges foi complicado. Depois de ser redshirt na primeira temporada, Bridges finalmente estreou pelo Wildcats. Foi peça importante do título nacional de 2015-16, em que era o segundo a sair do banco, em uma rotação menor do time.

A peça importante do banco tornara-se essencial em 2016-17. Virou sexto homem e um dos mais atléticos jogadores da equipe. Sofreu com alguns períodos de lesões, assim como o seu companheiro Phil Booth, os dois que vinham do banco. Isso, talvez, tenha sido um dos maiores percalços para que Villanova não repetisse a campanha da temporada anterior. A geração de vitórias foi embora ao final da temporada (Ryan Arcidiacono e Daniel Ochefu já haviam ido; Kris Jenkins e Josh Hart se formaram no fim dela). Caberia a Jalen Brunson, único titular remanescente, e Mikal Bridges liderarem a nova equipe do Wildcats.

Villanova se reinventou. Brunson começou esta temporada sendo o pontuador que todos esperavam. Booth voltou bem das lesões. Donte DiVincenzo, peça da rotação na temporada anterior, virou sexto homem e com minutagem de titular. Omari Spellman e Eric Paschall estão lidando bem no garrafão e Bridges despontou. Despontou como uma referência de Villanova, uma referência da conferência Big East, um prospecto para a NBA. Scouts de todos os times acompanham os jogos de Villanova, em busca de informações e observando o talento do menino que desenvolveu seu jogo tão rapidamente, que hoje já figura entre os melhores do país.

Os 17.1 pontos por jogo na temporada, aliados a números defensivos ótimos como 2.7 roubos e 1.8 toco a cada 40 minutos, credenciam o menino, antes franzino, a ter seu nome chamado, até mesmo, na loteria do próximo Draft. Villanova só espera que, antes disso, Bridges ajude a equipe a brigar por mais um título nacional.