Mike Daum – A estrela que demorou a aparecer

Um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, 11 e 12. Poderia ser uma contagem numérica normal, no entanto, por que até doze? Um número que não representa nada quando posto isoladamente. O ala-pivô de South Dakota State, Mike Daum, de 22 anos, guarda esse número com carinho. Doze bolas de três pontos em um mesmo jogo. Stephen Curry bateria palmas, Reggie Miller também aplaudiria e Ray Allen faria reverências. O número que mudou a vida de um jogador que estava fora do mapa, que nasceu em Kimball, Nebraska, cidade de menos de três mil habitantes.

Mike jogava no time de Rocky Mountain Fever, equipe sem muita tradição e que não disputava torneios tão importantes no cenário do ensino médio americano. Com seu time, ele jogou o AAU (Amateur Athletic Union Boys Basketball), que conta com várias equipes do país. A maioria dos jogadores que consegue bolsas de estudos em times da Divisão I do basquete universitário joga o calendário desse torneio. Entretanto, nenhum olhar seguia os passos do jovem de Kimball. Até um evento em Las Vegas, quando enfrentou o time de Tacko Fall, pivô de 2,29m, que, posteriormente, foi recrutado pela Universidade de Central Florida. Vários olheiros estavam no ginásio para acompanhar o gigante que despertava a atenção de todos. Mike sabia que tinha que brilhar. E brilhou. Doze bolas de três que deixaram todos atônitos, se perguntando: “quem é esse menino?”.

“Isso (o jogo) foi louco. Com certeza mudou a minha vida. Foi aí que South Dakota State me viu”. Daum sabia que seguiria sua carreira no basquete. No entanto, as dificuldades prosseguiriam para o menino que quase nunca era notado. No seu primeiro ano em South Dakota State, o seu talento foi colocado à prova e a comissão técnica achou que ele não tinha condições de fazer parte do elenco. Foi redshirt (ficou sem jogar) no seu ano de estreia, treinando e treinando para evoluir e melhorar. “Meu primeiro ano foi duro e eu sabia que ia ser, mas ser redshirt era o que eu precisava para deixar meu corpo pronto para a jogabilidade do basquete universitário. Eu vim com excesso de peso e não muito forte, então eu passei um ano trabalhando só no meu corpo e meu jogo e isso foi muito benéfico para mim. Não estava pronto para jogar imediatamente quando cheguei lá, então ser redshirt foi incrível”.

Mike perdeu 11 quilos de gordura e adquiriu quase sete quilos de massa muscular e estava pronto para definitivamente estrear por South Dakota State.

A sua estreia foi vindo do banco de reservas contra Chadron State. Quinze pontos e sete rebotes em 17 minutos. Pronto. Mike havia estreado e o talento a partir dali iria fazer a diferença. O jogador atuou uma média de 20 minutos por jogo durante a temporada e teve incríveis 15.2 pontos e 6.1 rebotes, sendo escolhido o calouro do ano, sexto homem na Conferência Summit League e líder de pontuação com 29.3 pontos por jogo quando o seu saldo era ajustado para 40 minutos. A participação no March Madness também ajudou Mike a ser mais conhecido no país, inclusive com uma boa atuação na primeira rodada, mesmo sendo derrotado pela forte Maryland: 16 pontos e seis rebotes. Além disso, ele teve uma enterrada bem forte sobre pivô Damonte Dodd (vídeo abaixo).

A chegada de T.J Otzelberger como novo treinador da equipe foi essencial para o sucesso de Daum. O ex-auxiliar de Fred Hoiberg, em Iowa State, reconheceu o talento do jovem desde a primeira vez que o viu treinar e Mike sabe o quão importante o técnico foi para seu desenvolvimento: “O que ele sabe sobre o jogo e me ajudar a levar meu jogo a outro nível é ótimo. Ele sabe o que está falando e é um técnico fantástico”.

Médias de Mike Daum no basquete universitário:

  • 2015/16: 15.2 pontos, 6.1 rebotes, 55.3% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 44.6% de aproveitamento nas bolas de três pontos (34 jogos)
  • 2016/17: 25.1 pontos, 8.1 rebotes, 51.4% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 41.8% de aproveitamento nas bolas de três pontos (35 jogos)
  • 2017/18: 19.9 pontos, 8.7 rebotes, 44.2% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 37.5% de aproveitamento nas bolas de três pontos (sete jogos)

O menino que estava fora do mapa e que apareceu com 12 bolas de três pontos sabe que nada é impossível e seu desenvolvimento no basquete universitário o tem credenciado para ser falado pelos analistas da NBA. Seu sonho, claro, é jogar na melhor liga de basquete do mundo: “É o meu sonho desde criança. É difícil até pensar em fazer isso agora. Neste momento estou focado em ser melhor a cada dia e ajudar meu time a voltar ao Torneio da NCAA. Vamos ver onde isso pode me levar no final do ano.”.

Se depender da história e da persistência de Daum, a NBA será só mais o próximo passo de uma carreira de desafios vencidos.

  • Rafael lima

    Se deixar o GSW pega tranquilo e calmo kkkkk

  • Gustavo

    Impressão minha ou já li essa reportagem em algum outro portal?

    • Gustavo

      Pesquisando achei… tinha lido no timeout brasil. É o mesmo texto, ainda bem que do mesmo autor… ufa.