Mudado, Dwight Howard prega jogo coletivo e nova mentalidade: “Meu ego está morto”

Um dos maiores astros da NBA nesse início de século, Dwight Howard atingiu um ponto crítico na carreira. O veterano está prestes a ser dispensado pelo Memphis Grizzlies, após ter sido trocado pelo Washington Wizards, o que vai colocá-lo em busca de sua sétima equipe nos últimos sete anos. Foram temporadas difíceis, mas que deram chance ao pivô de refletir sobre sua trajetória e momento na liga.

“Uma pessoa disse-me que nunca achou que estive focado na carreira. Eu pensei nisso e não acreditava: estava sempre treinando, em quadra, né? Mas ela estava falando da minha vida profissional. Fui o “cara” por muito tempo e, agora, é hora de sair dos holofotes para fazer o que for preciso pelo time. Sempre imaginei que tivesse essa mentalidade, mas descobri que nunca tive”, confessou o atleta de 33 anos, em entrevista ao site The Athletic.

Em seus 15 anos atuando na NBA, Howard sempre foi acusado de ter um estilo de jogo pouco coletivo, exigir que as equipes jogassem em função dele e não adotar uma postura profissional em muitos momentos. Ele mesmo admite, hoje, que as críticas tinham fundamento e enxerga a nova fase na carreira como um processo necessário de engrandecimento na carreira e pessoal.

“Não tenho mais um ego. Está morto. Ele teve que morrer para que eu mudasse e virasse o que sou hoje. Às vezes, quando você quer tornar-se aquilo que deseja, é preciso que algo morra por dentro. E, quando você aprende que é necessário abrir mão do individual pela equipe, as coisas voltam a nascer dentro de si”, desabafou o oito vezes all-star e dono de três prêmios de melhor defensor da liga.

A mudança de comportamento não é o único quesito que vem chamando a atenção sobre Howard nos bastidores da NBA. De acordo com Shams Charania, do The Athletic, várias franquias estariam intrigadas com sua condição física: o veterano perdeu mais de 11 quilos desde que a temporada terminou e já está totalmente recuperado de uma cirurgia na região lombar realizada em novembro passado.

Hoje, para dar a volta por cima na liga, o pivô tem uma inspiração inusitada para si mesmo. “Eu costumava odiar a maneira como Draymond Green joga, mas o que percebi ao assistir suas atuações nos playoffs é que ele faz tudo por sua equipe – está em todos os cantos da quadra, cava faltas, defende, comunica-se, “compra” brigas, toma falta técnica. Faz tudo aquilo que não aparece nas estatísticas, mas fica na cabeça das pessoas. Quero ser um jogador assim”, concluiu Howard.

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.