NBA se mexe, mas será o suficiente para o mundo entender a mensagem?

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Suspender Donald Sterling pelo resto da vida foi um tapa na cara da sociedade, por mais que essa frase esteja batida. Foi um pequeno passo para que todos entendam que racismo é uma estupidez sem tamanho.

Já são conhecidos fatos anteriores ao problema da ligação telefônica com sua namorada. Sterling foi multado, brigou com alguns de seus diretores, e seguiu dirigindo um time medíocre até que Chris Paul se juntou ao ala-pivô Blake Griffin. Antes disso, amigos, o Los Angeles Clippers era simplesmente horroroso. E não era por falta de dinheiro.

Alguém aqui acha que ele se importa se o time vai vencer? Desde 1983-84, o Clippers não foi aos playoffs em 24 temporadas. Nas seis vezes que se classificou, em quatro delas caiu na primeira rodada, excluindo 2013-14.

O Clippers está hoje em um outro patamar, obtendo a vaga nos últimos três anos, mas a diretoria não. Ao menos, não estava.

Ora, bolas! O que um dono de time de NBA está pensando? No time dele existem vários negros. O maior torcedor da equipe, Darrell Bailey, é negro. E adivinha? Há dois anos, a direção pediu para que ele parasse de usar o apelido Clipper Darrell. Uma balinha para quem acertar quem pediu isso.

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Por mais que Sterling tenha sido criado de uma forma diferente, que seja um senil bilionário, seus comentários e seus atos foram patéticos. Mas isso vai mudar a vida dele tão drasticamente?

Vamos ser sinceros. Ele foi multado em U$2,5 milhões, vai acabar vendendo o time por pressão ou por algum tipo de regra. E daí? Ele vai continuar bilionário e vai sair do centro das atenções.

Não há lugar para ele na NBA, isso é certo. Porém, apesar de toda a comoção, toda a união de jogadores e dirigentes, isso não passa de um paliativo. Serve para calar a boca dos críticos, serve para dar uma lição de moral.

Hoje, a NBA está mais feliz, enquanto o mundo ainda não. O racismo está inserido em todos os lugares e é isso o que mais me preocupa. Um dirigente foi banido e multado, ok, ótimo. Um sujeito joga banana em um campo de futebol e outro vai lá e a come, vira mito e depois é descoberto um plano publicitário. 

O que aprendemos com tudo isso?

Que o racismo vai continuar. É um câncer na sociedade e não vejo hoje algo que extermine esse tipo de atitude. Daqui algumas décadas, talvez. Estamos plantando algo para as próximas gerações. Quem sabe?

Gustavo Freitas
Gustavo Freitas
Mineiro de Uberaba, é co-fundador do Jumper Brasil e fã do Boston Red Sox.
  • Rodrigo

    O banimento provavelmente não vai resolver. Mas é um grande passo para, ao menos, abolir isso do esporte…

  • rhafaheat

    É isso Mastô, é uma semente plantada pras próximas gerações. Na minha opinião o racista não muda, por nada, podem punir a vontade, o ódio do cara contra o que quer quer seja só irá aumentar, então só nos resta deixar exemplos pra aqueles que ainda estão formando seus conceitos de vida, entenderem o quão babaca é um cara que julga o proximo por seu credo, cor, classe social ou opção sexual. Sem querer ser clichê, mas já sendo: Somos todos iguais!

  • seijinkari

    é uma pena mas é mesmo assim, até aos 16 anos fui sempre gozado pelos meus colegas por ser o mais alto, tive bastantes complexos até um colega que entrou para a minha turma que jogava basquete fez isso atenuar… o ser humano não aceita a diferença de imediato, quem sabe daqui a meio ou 1 seculo como isto estará

  • Belo texto!

    Assunto delicado, que infelizmente NUNCA será unânime.

  • Pra eliminar o racismo, só com o próprio “racismo”. Vamos pegar todos os racistas e tratá-los como uma raça imunda e colocar fogo neles (a história nos dá muitas idéias de como fazê-lo). Vendo bem, não fica bonito isso. Isso sempre existiu e infelizmente sempre vai existir. Bani-lo da liga foi o certo. Tentar fazer ele vender, concordo também, apesar de soar engraçado. Mas seria só um lugar a menos onde ele iria ser preconceituoso. Ele ainda irá a restaurantes e ofender donos ou garços, no caso de serem negros. Ele irá a praças públicas e irá se ofender com negros caminhando, namorando, se divertindo. Irá levar seus netos na escola (caso tenha) e dizer para eles não andarem com negros e etc. Ao meu ver, o certo já foi feito, agora fazer mais o que tem de fazer e esquecer o caso. Deixa ele queto vivendo o que lhe resta de vida. Ele sabe que é um idiota e corno. Não precisa a mídia ficar jogando isso aos ventos.

    • robertolakers

      assino embaixo, menos a parte que ele é corno, como saberia ? conhece a mulher dele ??

      • Sterling: “Você pode dormir (com negros), fazer o que quiser. Só o que eu peço é não promover isso e não trazê-los para meus jogos”.

        Se não é corno, ele eu um vale-night pra ela agora hauehuaeh

      • Carlos

        Vale-Night…kkkkkkkkk

    • Michel Moral

      Entendo seu ponto de vista.

      Porém, não acho que preconceito se “cura” com preconceito.

      Se eu fosse seguir somente o caminho da emoção, sim. Contudo, é preciso também se valer da razão, pois é um assunto muito complexo.

      O caminho inicial é esse mesmo que o novo comissário tomou: punição e banimento no seguimento que ele atua, já que são paradoxos, esporte x racismo.

      O problema é que esse cara continua na sociedade e precisa ser feito alguma coisa, algum tipo de acompanhamento, e até prisão em ultimo caso.

      Agora tratar preconceituosos com preconceito é tão desumano quanto.

  • nba fan

    belo texto, e otimos comentários dos amigos acima

  • Nettmann

    para esse cara ter tanto ódio de negros só posso supor que algum negro fez algo muito grave pra ele, algo que ele nunca digeriu….

    • Anônimo

      Não é so negros, ele ja teve problemas com mexicanos e asiaticos senao me engano.

  • Não! Não foi suficiente! A liga apenas atendeu a demanda da mídia! Se a liga realmente estivesse interessada com a gravidade do ato ela teria punido o Jay-Z por ostentar um medalhão do “Five Percent National group” durante uma partida do Nets (time que, inclusive, eu torço). Esse grupo é um coletivo radical islâmico que dizia entre outra coisas ‘white men are the devil‘, ‘the Christian god is a ghost’, black people are the ‘mothers and fathers of civilization’, and ‘only a small percentage of people understand the world’.

    • Assim como Larry Johnson pediu um all-black basketball league

    • Michel Moral

      O melhor comentário, Gustavo.

      O racismo tem uma abrangência muito maior do que se pensa.

      Entretanto, ainda dou créditos ao novo comissário. Não creio que Stern seria tão enérgico na punição, caso ainda tivesse o poder nas mãos.

  • Marcos Mengatto

    Cara hipócrita, maior parte do se time é formado por negros, inclusive dois pilares da equipe: Chris Paul e DeAndre Jordan
    Foi um tremendo desrespeito por parte dele e a punição deve servir de exemplo pra todo o mundo, afinal temos inúmeros casos de racismo que permanecem impunes

  • Nicolas Rodrigues

    EDUCAÇÃO. Enquanto isso não for ensinado as nossas crianças, as gerações futuras estão fadadas a reproduzir nossa atual realidade. E quando falo em educação não falo em escolas apenas, mas nos lares, e na mídia, afinal a melhor ferramenta de ensino é o exemplo.
    A medida não resolve o problema, mas era o que podia ser feito. Foi uma medida até certo ponto exemplar e deve evitar novos episódios. Deveriam prender este cara, mas os bilhões dele impedem que isso aconteça.