Nikola Jokic compara NBA a “circo” e vê imprensa como “agente ruim” nos esportes

Poucas palavras definem melhor a ascensão de Nikola Jokic para o estrelato do basquete mundial do que meteórica. Em cinco anos, o jovem pivô passou de um reserva tentando ganhar minutos no basquete sérvio para o principal jogador do Denver Nuggets. Ele viveu o processo de desenvolvimento de talento nos dois lados do Atlântico e admite que nada se compara ao funcionamento da NBA.

“O sistema da NBA é preparado para fazer possível que um jogador alcance o seu melhor. Os times oferecerão tudo, dos treinadores aos médicos, para não lhe dar qualquer razão para culpá-los pelos seus fracassos. Em três ou quatro anos, eu já tive uns 30 companheiros de elenco diferentes. Sempre existem novos talentos e atletas chegando”, contou o astro, em entrevista ao site sérvio Sportklub.

Chegar ao estrelato na NBA, obviamente, significa mais do que entrar em quadra e marcar 25-30 pontos todas as noites. Trata-se de ser uma celebridade do esporte, reconhecido em todos os cantos do planeta e seguido de perto por milhões de fãs. Jokic reconhece que, algumas vezes, fica próximo do impossível não desfocar da realidade: entre atrações e ídolos, tudo começa e termina no esporte.

“A NBA é um grande show que segue em frente e, quando você se contunde, nota que só é uma parte pequena desse circo. As pessoas querem tirar fotos conosco, como loucas e em todos os lugares, como se fossemos animais em um zoológico. Fica engraçado para mim porque você perde a consciência da realidade, que nós somos apenas esportistas que jogam basquete”, explicou o líder de Denver.

E a imagem de Jokic ganha essa amplitude global pelas mãos da imprensa. É uma relação de ganho mútuo, na verdade: o jogador fica em evidência, enquanto sua imagem dá audiência para os meios de comunicação. Mas esse “ganha-ganha” é uma visão que o atleta não exatamente compartilha. Ele entende que, na era da informação, a mídia tornou-se um “inimigo” necessário do esporte profissional.

“Para ser sincero, eu sou um grande oponente da imprensa porque acho que é um agente ruim nos esportes. Mas, ao mesmo tempo, reconheço que só somos quem somos por causa da mídia. É a razão de sermos famosos, influentes. E a influência que podemos ter é maior do que algumas das mais importantes personalidades”, refletiu o pivô de 24 anos, com uma carreira quase inteira pela frente ainda.