O College Basketball nos mínimos detalhes

Estamos a exatamente um mês do início da temporada no basquete universitário norte-americano (College Basketball), e nesta temporada, o Jumper Brasil através de parceria com o site Live College Brasil, irá trazer uma cobertura ainda maior do College Basketball para os fãs do esporte no Brasil.

Nesse mês que antecede o inicio da temporada no college, teremos algumas matérias especiais apontando os melhores atletas universitários, os calouros da nova classe “one and done”, as melhores universidades, os melhores atletas de universidades menores que podem ser um “novo Damian Lillard ou Paul George” além do tradicional guia que o Jumper traz todos os anos.

E pra começarmos com chave de ouro, nada melhor do que entender como funcionam as regras, as conferências, os torneios que antecedem o tradicional “march madness” que acontece em Março. Estes e outros assuntos, você só encontrará nesta matéria super explicativa.

Se depois de ler esta matéria e mesmo assim ainda tiver alguma dúvida, deixe a sua pergunta nos comentários e responderemos com todo prazer!

O que é a NCAA?

A NCAA (Associação Atlética Universitária Nacional em português) é um organização sem fins lucrativos, responsável por gerenciar e controlar universidades, conferências e estudantes-atletas. A NCAA também é a responsável por organizar e gerenciar competições regionais e nacionais de todos os esportes praticados no âmbito universitário.

Em agosto de 1973, a NCAA adotou a separação das universidades em três divisões em uma convenção especial. Segundo o acordo, a divisão I receberia as universidades mais proeminentes e que possuíam grande número de programas esportivos, enquanto a divisão II receberia universidades com menos programas esportivos em atividade. A divisão III foi então estabelecida para receber apenas universidades com menor capital financeiro e que não precisariam de conceder bolsas de estudo, uma obrigatoriedade nas duas primeiras divisões.

OBS: A NCAA mantém todos os esportes universitários com status de “amador”. Em outras palavras, nenhum atleta universitário pode receber salários ou qualquer tipo de bonificação em dinheiro que não seja apenas parte da bolsa de estudos.

As diferenças para a NBA

O basquete praticado na NCAA tem algumas diferenças em relação ao praticado na NBA. Confira:

  • Na NCAA, o jogo é disputado em dois tempos de 20 minutos, e não em quatro de 12 como na NBA.
  • O tempo de posse de bola é de 30 segundos, sendo obrigatório a passagem da quadra de defesa para o ataque em 10 segundos. Na NBA são 8 segundos.
  • Faltas coletivas: Da sétima à nona falta coletiva do time durante o período, o adversário tem direito a um lance livre, dois se acertar o primeiro. A partir da décima falta, dois lances livres serão cobrados independentemente de acerto e erro. Na NCAA, todas as faltas pessoais, defensivas e técnicas, na quadra ou de qualquer um no banco são consideradas como falta coletiva. Faltas ofensivas cometidas por jogadores que não estão com a posse de bola também são faltas coletivas.
  • Faltas técnicas são punidas na NCAA com dois lances livres além da jogada continuar no lugar de onde parou.
  • O arco da linha de 3 pontos da NCAA mede 6,32 metros, enquanto o da NBA mede 7,24.
  • Na NCAA, após cometer 5 faltas, o atleta é eliminado da partida.

Repare na linha de 3 pts da NCAA e note a diferença para a NBA

O que são conferências e como funcionam no College?

Na primeira divisão da NCAA existem 351 universidades distribuídas em 32 conferências. Cada conferência tem entre 8 e 14 universidades. As conferências são como ligas menores interligadas à NCAA e possuem pleno poder para vender os direitos televisivos dos jogos de seus filiados, além de também organizar torneios e premiar atletas e técnicos.

No início, as conferências foram criadas para funcionar como divisões regionais em que universidades de um mesmo estado ou região específica do mapa pudessem se enfrentar sem ter de se deslocar por longas horas. Com o passar dos anos, muitas universidades se fortaleceram enquanto outras universidades da mesma conferência não acompanharam o ritmo. Esse processo de fortalecimento de algumas universidades, em particular, deu origem aos primeiros casos de universidades trocando de conferência, fazendo também com que a conferência tivesse que adicionar outra universidade para seu lugar.

Com muitas conferências se enfraquecendo com a perda de universidades e outras se fortalecendo com a adição dessas, surgiram os primeiros nomes para diferenciar as conferências fortes das mais fracas.

Confira:

Mid Major Conference

As conferências mid-major são aquelas ditas de menor expressão, com universidades que não têm um programa de basquete tão conhecido ou qualificado. No entanto, muitas universidades mid major se destacam todos os anos e são as maiores responsáveis pelos “upsets” (as famosas zebras) no March Madness. Algumas equipes já são mais conhecidas e muito regulares durante as temporadas, tais como Middle Tennessee, Gonzaga entre outras.

No total, são 26 conferências chamadas de mid-major. Destas 26, três se destacam das demais e são reconhecidamente as mais fortes mid-majors. São elas: Atlantic-10, American (AAC) e a West Coast (WCC).

As outras 6 conferências restantes são chamadas de major conference e é delas que vamos falar agora.

Major Conference

As majors conferences são as conferências mais conhecidas do basquete universitário. São aquelas que contêm as universidades mais qualificadas e com maior histórico de títulos e participações no March Madness e em Final Four.

Duke, Kentucky, Kansas e UCLA são algumas das universidades que compõem essas conferências. Juntas, elas somam 27 títulos nacionais. Das major conference saíram os maiores nomes do esporte no planeta como Michael Jordan, Kareem Abdul-Jabbar, Jo Jo White, Magic Johnson entre muitos outros. O próprio inventor do basquete, James Naismith, participou de uma major conference e foi o primeiro treinador da história da universidade do Kansas, seis anos após ter definido as primeiras regras para o esporte.

Segue a lista das majors com as principais universidades que compõem cada uma delas.

ACC: North Carolina, Duke, Syracuse e Louisville
Big 12: Kansas, Oklahoma e Texas
Big East: Georgetown, Villanova e St. John’s
Big Ten: Michigan State, Michigan, Indiana e Ohio State
PAC 12: UCLA, Arizona, Oregon, Washington e USC
SEC: Kentucky, Alabama, Ole Miss e Flórida

Recrutamento universitário

O recrutamento é uma etapa importante para uma universidade. É através do recrutamento que são feitas reposições para os jogadores que vão para a NBA ou mesmo por aqueles que tenham se graduado ou se transferido.

O recrutamento das universidades é bastante complexo de explicar, mas de modo geral existem quatro períodos dentro de um ano letivo em que os técnicos universitários podem recrutar os futuros calouros. Cada período é bem descrito pela NCAA, com regras específicas e punições duríssimas para quem as descumprir. Para mais detalhes deste assunto, clique aqui e entenda como funciona cada detalhe.

Importância das notas acadêmicas

As notas são um fator importante na vida esportiva de um atleta universitário. Se o GPA (média de notas da universidade) estiver abaixo de 2.0, o atleta pode ser punido pela universidade sendo proibido de atuar pelo time em um jogo ou sendo retirado do time definitivamente até as notas terem a melhora desejada.

Um exemplo disso foi Ben Simmons que por ter notas muito ruins ,acabou sendo colocado no banco de reservas em dois jogos de LSU na temporada 2015/16. Muitos atletas que não alcançam o índice exigido pela NCAA, quando vêm do High School, optam por jogar em universidades Junior College (como na série Last Chance U), que é um caminho alternativo para se alcançar a 1ª divisão do basquete universitário.

Como funcionam os rankings? O que é a AP?

Em primeiro lugar, a AP (Associated Press) é uma associação de jornalistas, em que diversos veículos de imprensa mantêm-se representados por jornalistas conhecidos e respeitados. Desde 1948, a AP estipula rankings Top 25 para o College Basketball e outros esportes universitários. O ranqueamento da AP é feito ainda na pré-temporada e vai sendo alterado toda semana a partir dos resultados. North Carolina e UCLA são as universidades que mais vezes estiveram com a primeira colocação no ranking de pré-temporada.

Alguns fatores são levados em conta pela AP para que uma universidade apareça no ranking. Veja:

  • Força do elenco: Quantos seniors (veteranos) ainda estão no elenco, e como foi o desempenho do time na última temporada. Seniors sempre são bem vistos pela AP, seniors são sinônimo de experiência e levando em conta que a média de idade nos times universitários é baixa, ter experiência é fundamental para ser um candidato a título.
  • Força do recrutamento: Universidades que têm bom recrutamento começam a temporada com muitas esperanças de títulos e a AP sempre avaliam bem os times que recrutam os melhores atletas do high school.
  • Força do calendário: Em qual conferência a universidade está e contra quem ela vai jogar também conta para o ranking. Uma derrota para Duke (uma das universidades mais fortes do College) tem um peso, e para Fresno State (universidade da Costa Oeste dos EUA) tem outro totalmente diferente. O mesmo serve para as vitórias.

Calendário e sua importância na NCAA

O calendário de jogos, como falei anteriormente, é extremamente importante para uma equipe pequena que deseja chegar ao March Madness e também de vital importância para uma equipe tradicional e importante se manter no topo do ranking.

O calendário de jogos é dividido em três partes: Não-conferencional (Non-conference), temporada regular conferencional e torneio conferencional.

Non-Conference

A primeira parte é totalmente livre e acontece nos meses de Novembro e Dezembro. Os non-conference são exatamente o que o nome diz, jogos contra universidades de outras conferências, ou seja, equipes de mesma conferência não se enfrentam nos dois primeiros meses da temporada. Apesar de esses jogos serem intra-conferencionais, possuem um peso grande na hora do comitê analisar quais times merecem as vagas por índice técnico no March Madness. É uma fase importante também para analisarmos quais conferências são as mais fortes, o que consequentemente resultará em mais convites para o Torneio da NCAA.

Temporada regular conferencional

A segunda parte dura aproximadamente três meses e é a fase “doméstica” do calendário. Aqui só temos confrontos de times de mesma conferência. Cada liga tem 16 ou 18 rodadas, onde necessariamente todos os times dentro dela se enfrentam ao menos uma vez. Esse período vai de Janeiro a Março.

OBS: É normal que aconteçam jogos non-conferences dentro desse período. Um exemplo disso é a SEC e a Big 12, duas conferências que costumam realizar um desafio entre suas equipes no mês de fevereiro.

Torneio conferencional

Um dos momentos mais aguardados do ano são os torneios conferencionais. São esses torneios que garantem a vaga para o torneio da NCAA, e todas as equipes, mesmo aquelas que perderam todos os jogos na temporada, podem se classificar para o March Madness se vencerem o torneio de sua conferência.

Após o término da temporada regular, conforme a classificação disposta, as piores equipes começam jogando. Muitas conferências seguem um modelo de pior contra o melhor e assim por diante (#1 vs #10, #2 vs #9, etc…). Outras conferências têm fases em que se dividem os melhores dos piores (1ª rodada – #12 vs #9 e #11 vs #10, quem passa enfrenta a seed #4 e #5 e seguindo). Os campeões de cada um dos torneios das 32 conferências existentes no College estão automaticamente classificados para o March Madness, ou seja, há sempre lugar para surpresas e elas ocorrem muito.

Os torneios das mid-major são sempre mais emocionantes porque apenas o vencedor vai ao March Madness. Ser o melhor time da temporada regular e não vencer o torneio da conferência, pode significar que sua universidade está fora do March Madness.

Nas majors, o campeão do torneio também se classifica, mas é muito normal que até seis equipes além do campeão do torneio conferencional avancem para o torneio da NCAA.

Torneio da NCAA (March Madness)

O Torneio da NCAA, também chamado de “March Madness” e “NCAA Tournament”, foi criado em 1939 por um treinador da universidade de Ohio State chamado Harold Olsen. Mas foi a partir de 1985 que o torneio tomou o formato como conhecemos até hoje, com 64 universidades. A NCAA sempre usou o sistema “mata-mata” para seus torneios, por entender que era mais atraente para o público e que atrairia mais pessoas aos ginásios. Além do mais, o sistema de torneio da NCAA é bem curto e pode facilmente ser acomodado dentro de apenas um mês fazendo com que o custo financeiro seja menor.

Com o decorrer dos anos, o torneio ganhou fama, respeito e admiração dos fãs a ponto de se tornar um dos eventos mais assistidos em toda a América. Já nos anos 80, o Torneio da NCAA começou a ser chamado de “March Madness” (Loucuras de Março, em português) e “Big Dance” (grande dança) por causa do formato do torneio, além da quantidade de jogos em tão pouco tempo, com grande parte acontecendo em apenas quatro dias no mês de Março.

Recentemente, a NCAA adotou uma eliminatória que antecede o início do torneio para que pudesse incluir ainda mais universidades no torneio. Essa eliminatória, também chamada de First Four, contém oito equipes que vão lutar por apenas quatro vagas para se juntarem às 60 pré-classificadas.

Critérios de seleção para o torneio

Como disse anteriormente, cada conferência tem seu próprio torneio mata-mata, em que o campeão garante a vaga para participar do Torneio da NCAA. Ao todo são 32 conferências, logo, 32 vagas estão reservadas para os campeões dos torneios das conferências. Para as outras 36 vagas restantes, um comitê da NCAA formado por diretores atléticos de conferências e universidades se reúnem para decidir quais universidades ficarão com as vagas restantes.

Os critérios são:

  • RPI (Rating Percentage Index) – Índice de porcentagem das notas
  • Classificação no ranking nacional (Ranking da NCAA. Elaborado com base em rankings como o da AP)
  • Força de calendário (Qualidade técnica dos adversários enfrentados ao longo da temporada)

Também existe um RPI adaptado, usado pelo comitê de seleção. Os ajustes levam em conta fatores como vitórias contra times com excelente classificação. Esse RPI adaptado não é revelado.

OBS: Por ter um nível técnico menor, as Mid-Majors dão apenas uma vaga para o torneio, mas não é difícil vermos duas ou mais equipes de conferências menores serem selecionadas para o Torneio da NCAA.

OBS 2: Uma major conference como a ACC, sempre tem sete ou oito times selecionados para o torneio por ser considerada uma conferência muito competitiva e com nível atlético e acadêmico muito alto.

O que são seeds e como são distribuídas?

Com as 68 equipes definidas para o torneio da NCAA, o mesmo comitê que escolheu as universidades, agora tem a tarefa de ranquear todas elas de 1 a 68. Posteriormente, o comitê distribui as equipes pelas quatro regiões (Mid-West, South, West, East) levando em conta o equilíbrio técnico e, às vezes, a localização geográfica das universidades.

Dentro de cada região, as equipes recebem um novo número de ranqueamento que vai de 1 ao 16. Quanto menor o número, maior é o nível técnico do time universitário. O chaveamento é feito para que o time de menor seed (numero de ranqueamento) enfrente o de maior seed dentro de sua região até que só sobre uma equipe.

First Four

O First Four é uma fase preliminar em que oito equipes universitárias devem se enfrentar em busca de quatro vagas no torneio da NCAA. O primeiro First Four aconteceu em 2011. De lá pra cá, em todos os anos pelo menos uma equipe que passa pelo First Four chega a uma fase mais adiante no torneio principal. Essas oito universidades são escolhidas de forma diferente. Entenda:

  • Quatro universidades campeãs de torneios conferencionais jogam entre si por duas vagas no torneio da NCAA. As duas equipes vencedoras receberão a seed de número 16. Estas quatro universidades são de quatro mid majors com o nível técnico mais baixo apresentado ao longo da temporada da NCAA.
  • As outras quatro universidades são convidadas pelo comitê. Essas universidades costumam ser equipes que tiveram uma boa temporada, mas que não conseguiram uma classificação direta ou que não tiveram um desempenho que chamasse a atenção do comitê para entrarem direto na fase principal do torneio. Essas equipes podem ser de Major conference ou não, mas todas devem ter um recorde positivo na temporada (mais vitórias do que derrotas) para participarem. As equipes vencedoras recebem a seed de número 11 no torneio da NCAA.

First Round

Após a definição das equipes que vêm do First Four, dá se início ao First Round. Também chamado de round 64, o First Round é a etapa mais “louca” do March Madness por conter 32 jogos em apenas dois dias. Como falei anteriormente, a seed 1 enfrenta a seed 16, a seed 2 enfrenta a seed 15, e, assim por diante, em cada região, até termos apenas 32 equipes definidas. Dezesseis jogos do primeiro round acontecem em uma quinta feira e os outros 16 jogos acontecem em uma sexta feira.

OBS: Nunca na história do March Madness, uma equipe com seed 16 venceu outra com seed 1. Mas já tivemos uma seed 15 vencendo outra seed 2. Em 2016, Michigan State, então favorita ao título e com a seed 2, perdeu para Middle Tennessee State, que era seed 15, provocando um dos maiores upsets da história do torneio da NCAA.

Second Round

Também chamado de round 32, o segundo round é onde as maiores zebras do First Round costumam cair. Tradicionalmente, aqui ocorre a consolidação dos favoritos ao título e costumeiramente uma ou outra equipe desponta para ser uma surpresa no torneio.

O round 32 é jogado no sábado e domingo imediatamente após a primeira rodada. O segundo round consiste em vencedores de quinta-feira jogando no sábado, seguido por vencedores dos jogos de sexta-feira jogando no domingo. Assim, após o primeiro fim de semana, 16 equipes vão permanecer para jogar a próxima fase, vulgarmente conhecida como o “Sweet Sixteen”.

Northern Iowa e Texas A&M protagonizaram um dos maiores jogos da história do Second Round no Torneio da NCAA, em 2016.

Sweet Sixteen

O Sweet Sixteen é o nome dado para as semifinais regionais de cada região ou um round 16 (para nós, brasileiros, oitavas de final). Aqui, acontecem alguns dos maiores clássicos do College Basketball e muitos favoritos são eliminados. Os times de conferências menores que chegam até aqui costumam ser eliminados nesta fase. Os jogos do Sweet Sixteen acontecem uma semana depois do First Round, também em uma quinta e em uma sexta feira.

Foi no Sweet Sixteen da última temporada que ocorreu o confronto mais aguardado da última temporada: Lonzo Ball (UCLA) x De’Aaron Fox (Kentucky).

Elite Eight

Se o Sweet Sixteen é a semifinal regional, o Elite Eight é a final de cada uma das quatro regiões (para nós, brasileiros, quartas de final). Estes jogos são disputados no sábado e no domingo seguintes aos dias do Sweet Sixteen.

OBS: A seed mais baixa a aparecer nesta fase do torneio foi a número 12, em 2002. Naquele ano, a universidade do Missouri conseguiu chegar até esta fase vencendo equipes tradicionais como Miami (FL), Ohio State e UCLA, perdendo no Elite Eight para Oklahoma, que era seed 2.

Foi no Elite Eight que Christian Laettner, um dos melhores atletas da história do basquete universitário, acerto o icônico game winning contra Kentucky em 1992.

Final Four

Os campeões de cada região avançam para a fase seguinte, que é o Final Four, conhecida também como semifinal nacional. Aqui estão as quatro melhores equipes do país e este é o evento mais aguardado pelos fãs do basquete universitário. As universidades que chegam ao Final Four já são consideradas como campeãs, pois estão entre as quatro melhores de 351 universidades.

O Final Four é realizado em um lugar previamente definido. A NCAA tem escolhido estádios de futebol americano para comportar esse evento de uns anos para cá, e tem sido um sucesso de público e audiência. Segundo estimativas, a audiência do Final Four é ainda maior que a da grande final nacional.

Os jogos são realizados, em sequência, no primeiro sábado de Abril, com os vencedores fazendo a disputa pelo título nacional na segunda feira seguinte ao Final Four.

Veja a lista com as sete universidades que têm pelo menos dez aparições no Final Four:

Aparições Universidade
20 North Carolina
17 Kentucky e UCLA
16 Duke
14 Kansas
10 Louisville e Ohio State

Confira os melhores momentos do último Final Four

Championship game

A grande final nacional acontece sempre na primeira segunda-feira de Abril, com transmissão para vários países, incluindo o Brasil. Várias universidades já venceram o torneio da NCAA e muitas outras chegaram perto disso.

Veja a lista dos maiores campeões:

Escola Títulos Anos
UCLA 11 1964, 1965, 1967, 1968, 1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1975, 1995
Kentucky 8 1948, 1949, 1951, 1958, 1978, 1996, 1998, 2012
NorthCarolina 6 1957, 1982, 1993, 2005, 2009 e 2017
Indiana 5 1940, 1953, 1976, 1981, 1987
Duke 5 1991, 1992, 2001, 2010, 2015

Veja o último minuto da grande final de 2016 entre North Carolina e Villanova que foi considerada uma das melhores da história.

Premiações individuais

Tanto as conferências como a NCAA concedem premiações aos melhores atletas da temporada. Veja alguns dos principais prêmios de temporada concedidos:

  • Naismith College Player Of The Year: Considerado um dos prêmios mais importantes do College Basketball, é dado ao melhor atleta do ano. O curioso é que apenas uma vez um calouro levou o prêmio, Kevin Durant, em 2007.Últimos vencedores: Buddy Hield e Frank Mason III
  • John R. Wooden Award: Este prêmio leva o nome do maior treinador de todos os tempos da NCAA, que conquistou vários títulos com a universidade de UCLA. Os candidatos devem ser estudantes com uma média GPA igual ou superior de 2,0 durante toda a sua carreira universitária. Os jogadores que são nomeados devem ter contribuído de forma notável para a sua equipe, tanto ofensivamente como defensivamente, ser um cidadão-modelo, exibindo força e caráter, dentro e fora de quadra.Últimos vencedores: Buddy Hield e Frank Mason III

Existem muitos outros prêmios, mas esses são os principais e mais conhecidos.

Termos Utilizados no College Basketball

Upsets: São as famosas zebras. Uma equipe favorita que perde para uma equipe menor e sem tradição. Acontece o tempo todo nos esportes universitários.

Redshirt: Nos esportes universitários, redshirt ou camisa vermelha (tradução livre) é um artifício que permite que os jogadores ganhem um ano a mais de elegibilidade no College, com a contrapartida de não atuarem no corrente ano.

Exemplo: um jogador recebe a redshirt na sua temporada de calouro. Com isso, no ano seguinte ele não será um sophomore, e sim um redshirt freshman, podendo ficar por até cinco anos na universidade.

Embora seja muito mais comum um jogador receber a redshirt na sua temporada de calouro, ela pode ser dada em qualquer um dos seus quatro anos de elegibilidade. Kris Dunn, por exemplo, sofreu uma lesão no ombro em 2013, na que seria a sua segunda temporada, e recebeu redshirt médico.

Walk-on: Jogador que atua uma universidade sem receber bolsa de estudos, pagando de maneira integral os custos de mensalidade como qualquer outro estudante regularmente matriculado (nos EUA, todas as universidades são pagas, inclusive as públicas). Mesmo nas grandes universidades, é normal encontrar esses atletas.

Freshman: calouro ou primeiro ano na Universidade

Sophomore: segundo ano na Universidade

Junior: terceiro ano na Universidade

Senior: último ano na Universidade

JUCO (Junior College): são universidades controladas por outra entidade, parecida com a NCAA, mas que possuem sua própria liga e regras específicas. Nela estão presentes pequenas universidades que se mantêm com pouca contribuição do governo e que não possuem um sistema esportivo tão forte como as universidades maiores. Atletas com notas insuficientes para entrarem nas universidades da divisão I, passam pelas JUCO, onde ficam por dois anos, transferindo-se para as universidades maiores depois disso.

OBS: Assista a série Last Chance U e você entenderá melhor como funciona uma Junior College.

Bubble: A melhor tradução para esse termo em português seria “bolha”, o que ainda não faria muito sentido. Mas é uma definição muito fácil de se entender: Os times que estão na bolha do basquete universitário são aqueles que estão lutando pelas últimas vagas que o comitê distribuirá, ou seja, naquele limite de entrar ou sair da zona de classificação.

Então, para resumir, vai chegar em uma determinada época da temporada que teremos três grupos de equipes: os virtualmente classificados para o March Madness; os virtualmente eliminados; e os times da bolha. Neste último grupo estão universidades que podem conseguir um convite para o torneio mediante uma vitória. Todas as partidas passam a ser decisivas.

Ficou com alguma dúvida? Então não hesite em deixar nos comentários sua pergunta.

Contribuíram para esta matéria: Leonardo Sasso e José Luiz (Zeca).

  • João Rafael Barros

    Go UK! Melhor e maior universidade da NCAA da história.

  • Deve ter dado um trabalho da porra escrever isso.

    • Italo Vieira

      Deu bastante trabalho, mas no fim sempre vale muito a pena. Espero que tenha curtido.

    • Italo

      Deu bastante trabalho, mas no fim sempre vale muito a pena. Espero que tenha curtido.

  • Marcinho Mueller

    Até agora eu não entendo o Mason sendo escolhido na pick #34, sei que ele é mais velho e ficou 3 anos no College, Mas quem assistiu os jogos viu que ele é um puta jogador. Chamou toda a responsabilidade nos principais jogos, enquanto o Josh Jackson sumiu em vários jogos e foi pick #4. Vai entender né? Fiquei triste quando Sacramento draftou ele, mais 3 picks e tenho certeza que ele tava no meu Celtics!

    • Italo Vieira

      As equipes da NBA levam em conta muitos outros fatores que nós, fãs não costumamos levar. No caso do Mason, a altura dele, a idade o teto de evolução eram fatores determinantes para as equipes. A possibilidade de dar certo na NBA é muito pequena comparado ao College então as equipes preferem não arriscar escolher esse tipo de jogador no primeiro round.

    • Pedro

      O Mason teve mais destaque só na temporada de sênior, e não tem o “protótipo” de jogador da NBA. É baixo e pouco atlético, o que são caracteristicas que limitam o potencial do jogador na NBA. Poucos jogadores nessas condições tem destaque na liga, então GMs geralmente usam escolhas mais baixas.
      Já o JJ que foi muito bem na NCAA, como calouro, é um puta atleta, ótimo defensor e suas deficiencias podem ser consertadas (arremesso, controle de bola)

      • Marcinho Mueller

        Eu até entendo ele não ter o “protótipo” da NBA, mas tivemos vários casos de jogadores assim que deram certo, o próprio Thomas no Celtics, sabia que ele não seria escolha de loteria, mas cair pra segunda rodada? Ele foi um dos melhores, se não o melhor jogador do college ano passado. Ele vai ser no mínimo um bom role player.

        • Kevin Viana

          A NBA trabalha mais com potencial, por exemplo se fossem escolher o Antetokounmpo pelo que tinha feito antes do Draft, todos os seniors da NCAA tinham feito mais, mas o cara tinha potencial e foi escolhido. As vezes quebram a cara com os busts, mas eu concordo com você, acho que essa é a técnica do spurs, eles pegam caras humildes e com funções específicas para o time, por isso o time tá cheio de bons role players!

        • Pedro

          O Thomas (que nem teve tanto sucesso no college) é uma exceção, acho que dificilmente alguem vai se apoiar no caso dele para gastar uma escolha de primeiro round. A maioria dos casos de jogadores nesse perfil geralmente não se dão bem na liga, nos últimos anos lembro do Trey Burke, Shabazz Napier, Fredette. Todos esses foram atleta do ano e sem qualquer destaque na NBA. Acho que os GMs preferem arriscar, apostando em jogadores com “teto alto” do que jogadores com perfil de role player. Porque esses podem ser adquiridos facilmente via FA.

  • Marcos Gordinho

    Poderiam fazer uma matéria de top players universitários e o alcance prático deles na NBA. Chalmers teve destaque na NCAA e o tratam como piada na liga. Creio que poucos como Durant corresponderam a o hype créditado a eles.

    • Italo

      Vem muita coisa boa por ai Marcos.

  • Ricardo Sá

    E as faculdades mais conceituadas? Como Havard, Stanford.. Elas fazem parte da NCAA?

    • Italo

      SIM. Harvard faz parte da primeira divisão e pertence a uma conferência chamada Ivy League (Conferência que reúne a melhores universidades acadêmicas do país como Princeton, Cornell, Yale entre outras).

      Stanford esta numa grande conferência (PAC-12) e joga contra UCLA, Arizona e Oregon por exemplo. Aliás, Stanford vem muito forte pra esta temporada, assim como Harvard que é favorita na sua conferência.

  • Uma pergunta: a faculdade de Connecticut é boa/bem conceituada? Sei de alguns jogadores bons que vieram de lá, como o Drummond, Kembinha… vlw!

    • Italo

      Connecticut é uma das universidades mais tradicionais do basquete sem dúvida. Mas nos últimos anos ta muito mal e nesta temporada deve ficar no meio da tabela na A-10, que é a sua conferência.

    • Alan Cleber Knickerbockers

      Ultimamente não tem a força de antigamente, pois agora está numa conferência menor, menos atrativa, AAC. Embora UCONN tenha ganhado o título de 2014 já pertencendo a AAC. Mas sem dúvida seu auge foi na época da antiga Big East, que contava com “alguns” times que agora se encontram na atual Big East e ACC e AAC. Na verdade a AAC é a antiga Big East, só que os bons times se mandaram, de tradicional só restou UCONN e Cincinnati, daí a conferência ficou fraca e menos atrativa.

  • Tássio Marcel Hoffmann Coelho

    MUito bacana. Apesar de gostar muito, confesso que acompanho menos do que queria a NCAA. Mas é legal ter essa elucidação pra galera que nao ta muito ligada.

    • Italo

      Obrigado pelo elogio Tassio. Neste mês que antecede o início da temporada vem muita coisa boa aí como matérias sobre as melhores equipes, jogadores pra ficar de olho e muito mais.

  • TRUETHIAGO

    Parabéns pela matéria, Italo.

    Fico muito feliz vendo o aumento do interesse da galera pelo College, não apenas na época do March Madness. E a cobertura de vocês ajuda demais nisso, com toda a certeza.

    • Italo

      Obrigado pelo elogio mano. Esperamos fazer uma cobertura ainda maior nessa temporada.

  • Rodrigo SMC

    Um dos melhores textos que encontrei sobre a NCAA.

    Uma dúvida é, porque antigamente a seleção USA usava somente jogadores da NCAA e não da NBA? E essa mudança ocorreu pela derrota contra o Brasil em Indianápolis ou é papo da mídia BR?

    • Italo

      Essa questão de utilização de jogadores da NCAA acontecia justamente por que a NBA proibia seus jogadores de atuarem por seleções. Isso mudou justamente depois daquele Pan que o Brasil venceu a seleção americana, mas não sei se esse foi o motivo real.

      • TRUETHIAGO

        A própria FIBA tinha uma regra que impedia jogadores da NBA de atuar, até 1989, não era apenas escolha deles.

    • TRUETHIAGO

      Isso é um pouco de mito, pode até ter acendido um sinal amarelo neles, mas não foi efetivamente a partir dali que passaram a usar os jogadores da NBA.

      Tanto que eles disputaram as Olimpíadas de Seul (88), o Mundial de Argentina (90) e o próprio Pan de Havana (91) ainda com jogadores universitários, sendo que nestas duas últimas já estava liberado convocar qualquer um.

      Outra coisa que deve ser contextualizada da época é que antigamente, década de 70, 80, etc, era raro um jogador pular direto do High School ou ir para a NBA depois de apenas uma temporada de College, como é comum hoje em dia. Portanto, mesmo com jogadores da NCAA, conseguiam formar seleções fortes. Dando um exemplo, a seleçao campeã nos Jogos de Los Angeles (84) contou com caras como Michael Jordan, Patrick Ewing e Chris Mullin, que foram parte do Dream Team de Barcelona (92).

  • Lucas

    Parabéns pelo texto!
    Uma duvida, quais foram os brasileiros que mais se destacaram na NCAA até hoje?

    • Italo

      Tiveram vários brasileiros na NCAA, mas os mais destacados foram o Rafael Araujo (BYU), JP Batista (Gonzaga). Mas o Fab Melo foi quem teve o melhor desempenho na minha opinião. Ele jogou em Syracuse de 2010 a 2012 sendo muito importante para a equipe e acabou sendo selecionado pelos Celtics no draft de 2012.

      • TRUETHIAGO

        Desses mais recentes, acrescentaria também o Jonathan Tavernani, que teve uma carreira bem sólida e quebrou alguns recordes em BYU.

        Dos mais antigos, tivemos o próprio Rolando Ferreira, primeiro brasileiro a jogar na NBA, que atuou bem na Universidade de Houston; e o Marquinhos Abdalla, nos anos 70, que foi o primeiro jogador brasileiro draftado, embora não tenha chegado a jogar na NBA… Ele é idolatrado lá em Malibu e inclusive teve sua camisa aposentada na Pepperdine.