O Jogo em Números – Olhando para Deandre Ayton

Há algum tempo, eu vi alguém comentar em alguma rede social que Deandre Ayton ter sido o primeiro escolhido do draft de 2018 será uma ótima “pegadinha” para fazermos quiz’s no futuro. É inegável que Luka Doncic e Trae Young, de fato, têm carreiras bem mais destacadas do que colega de classe – e chegaram até a ser titulares do Jogo das Estrelas desse ano. Eles subiram o padrão até o teto, na verdade. 

Mas será que, longe dos holofotes, o pivô do Phoenix Suns não faz um grande início de carreira que estamos simplesmente ignorando? Será que a própria situação do basquete atual, onde a maioria dos jogadores de garrafão “flerta” com a irrelevância, faz com que não olhemos esse jovem talento com a devida atenção? 

Ayton acabou de completar 100 jogos na carreira e, nesse intervalo, registrou 57 duplos-duplos na liga. Possui, além disso, 26 atuações com mínimo de 20 pontos e dez rebotes. Para termos uma ideia do quanto esses números são expressivos, decidimos compará-los com as primeiras 100 partidas realizadas por todos os atletas de garrafão escolhidos na loteria do draft (TOP 14) ao longo dos anos 2000.  

Eis o que esse levantamento aponta:

 

Posição 

Nome  Ano  Duplos-duplos 
1  Blake Griffin  2010/2011 

74 

2 

Karl-Anthony Towns  2015/2016  63 
3  Emeka Okafor  2004/2006 

60 

4 

Deandre Ayton  2018/2020  57 
5  Joel Embiid  2016/2018 

53 

6 

Dwight Howard  2004/2005  47 
7  Kevin Love  2008/2009 

45 

8 

Anthony Davis  2012/2013  40 
9  Demarcus Cousins  2010/2011 

39 

10 

Julius Randle  2015/2016 

39 

 

Posição 

Nome  Ano  Atuações 20/10 
1  Blake Griffin  2010/2011 

54 

2 

Joel Embiid  2016/2018  39 
3  Karl-Anthony Towns  2015/2016 

33 

4 

Deandre Ayton  2018/2020  26 
5  Anthony Davis  2012/2013 

21 

6 

Pau Gasol  2000/2001  19 
7  Emeka Okafor  2004/2006 

18 

8 

Brook Lopez  2008/2009  15 
9  Yao Ming  2002/2003 

13 

10 

Dwight Howard  2004/2005 

11 

 

Ayton está entre os quatro jogadores de garrafão mais produtivos dos anos 2000 nos dois quesitos em questão, o que é um número muito expressivo ao lembrarmos que estamos avaliando todos os pivôs escolhidos na loteria em duas décadas. É claro que essa produtividade passa por vários fatores que vão além da qualidade técnica, mas, até certa altura, todos acabam (parcial ou integralmente) se anulando. 

Precisamos considerar que Ayton foi titular desde a sua primeira partida na NBA, por exemplo, sempre atuando minutos amplos. Isso, no entanto, também é verdade para jogadores que estão em sua frente (Blake Griffin, Karl-Anthony Towns), atrás (Dwight Howard, Anthony Davis) e até aqueles não aparecem (Andre Drummond, Chris Bosh) nas duas listas. 

Pode-se dizer ainda que atletas como Dwight Howard e Anthony Davis eram mais jovens e tinham potencial maior a ser trabalhado do que Ayton – algo que é subjetivo demais, devemos salientar. Mas, nessa linha, o mesmo pode ser dito quando comparamos o pivô do Suns com Emeka Okafor. E o que dizer sobre um caso como Joel Embiid, que só disputaria seu 100o jogo na NBA quase cinco anos depois de ter sido draftado

O fato é que, pelas estatísticas, poucos pivôs da NBA recente tiveram um desempenho de partida tão impressionante na NBA quanto Ayton, que passa despercebido por um rendimento ainda mais notável de Trae Young e Luka Doncic. Como será o restante de sua carreira é um ponto de interrogação, mas, por mais que haja restrições a alguns aspectos do seu jogo (defesa, notavelmente), esse é um bom sinal para o Suns. 

Durante a paralisação da NBA e quarentena mundial, a coluna “O Jogo em Números” retornará em edições especiais – entre duas a três por semana – para discutir alguns pontos curiosos sobre jogadores, da temporada em aberto e da história da liga. 

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.