Os coadjuvantes – Chicago Bulls do segundo tricampeonato

Esta é a segunda edição da série de postagens que o Jumper Brasil vai apresentar semanalmente sobre os coadjuvantes de times que foram campeões ao longo da história. Hoje, vamos falar do segundo tricampeonato do Chicago Bulls, já na segunda metade da década de 90.

Chicago Bulls

Títulos: 6
Participação em playoffs: 53
Melhores jogadores da franquia: Michael Jordan, Scottie Pippen, Dennis Rodman, Jerry Sloan, Bob Love, Artis Gilmore e Derrick Rose.

Contextualizando

Ao conquistar o primeiro tricampeonato (1991, 1992 e 1993), o Chicago Bulls havia alcançado o topo. Era o primeiro time desde o Boston Celtics de Bill Russell a conquistar três títulos consecutivos. No entanto, após a terceira conquista, Michael Jordan anunciou sua aposentadoria, em razão de vários fatores, incluindo a morte de seu pai, que foi assassinado.

Com a retirada precoce do maior jogador de basquete de todos os tempos, ascendeu a estrela de Scottie Pippen, que assumiu a liderança do time. O Bulls venceu 55 jogos na temporada regular de 1993-94, angariando a terceira posição do Leste. Nos playoffs, a equipe do técnico Phill Jackson foi eliminada nas semifinais de conferência para o New York Knicks, em uma série acirrada de sete partidas.

Depois de passar pelo período sabático com direito a uma empreitada malsucedida no beisebol, Jordan retorna às quadras da NBA e para o Chicago Bulls. O fato ocorreu a apenas 17 jogos do final da temporada 1994-95 e, naquele ano, o time de Illinois foi eliminado mais uma vez nas semifinais de conferência Leste, dessa vez para o Orlando Magic de Shaquille O’Neal e Penny Hardaway.

1995-96

O Chicago Bulls de 1995-96 ficou marcado por ser, talvez, o melhor time da história, graças à campanha impecável de 72 vitórias e dez derrotas, tornando-se a primeira equipe a vencer mais de 70 jogos durante a fase regular da NBA. Naquele ano, os comandados de Phill Jackson foram os melhores da liga tanto em eficiência ofensiva, quanto defensiva. O assistente técnico, Jim Cleamons, chegou a dizer que os jogadores se recusavam a perder, e que nas poucas vezes em que isso acontecia, era algo altamente doloroso.

Nos playoffs da conferência Leste, o Bulls passou por Miami Heat (3-0), New York Knicks (4-1) e Orlando Magic (4-0). Já a grande final foi diante do Seattle Supersonics, de Gary Payton e Shawn Kemp, sendo que o time de Chicago fechou a série em 4 a 2, dando início, ou melhor dizendo, retomando, a dinastia estabelecida na década de 90.

Principal jogador: Michael Jordan – 30.4 pontos, 6.6 rebotes, 4.3 assistências e 2.2 roubos de bola, além de 49.5% nos arremessos de quadra e 42.7% nos arremessos de longa distância.
Técnico: Phill Jackson

1996-97

Mesmo depois de realizar uma campanha histórica, o Bulls não relaxou. A equipe só não superou a própria campanha da temporada anterior, mas conseguiu atingir 69 vitórias e igualou o feito do Los Angeles Lakers da temporada 1971-72. Bem, a temporada não foi tão fácil quanto esses números possam deixar transparecer. Jordan e Pippen tiveram que se superar para suprir as ausências de Luc Longley e Toni Kukoc, ambos fora por lesão, bem como as suspensões de Dennis Rodman.

Para conquistar o segundo título seguido e o quinto da história da franquia, o Bulls passou nos playoffs por Washington Bullets (3-0), Atlanta Hawks (4-1) e Miami Heat (4-1), antes de derrotar pela primeira vez o Utah Jazz (4-2), da dupla Karl Malone e John Stockton.

Principal jogador: Michael Jordan – 29.6 pontos, 5.9 rebotes, 4.3 assistências e 1.7 roubos de bola, além de 48.6% nos arremessos de quadra e 37.4% nos arremessos de longa distância.
Técnico: Phill Jackson

1997-98

A temporada havia começado de forma bastante tumultuada, graças às ameaças do gerente-geral Jerry Krause, que queria uma reformulação a todo custo. Com a notícia de que aquela seria a última temporada de Phill Jackson à frente da equipe de Chicago, Michael Jordan informou que não daria sequência na carreira se o treinador fosse demitido. Já Scottie Pippen passou por uma cirurgia no pé e, para piorar, chegou a dizer que nunca mais jogaria pela franquia por divergências com a direção acerca do seu contrato. Para romper com todas essas barreiras, iniciou-se o projeto alcunhado de “The Last Dance”, hoje retratado em uma série de documentário pela ESPN, que foi o último ano de uma das maiores gerações do baquete em todos tempos.

O Chicago Bulls conseguiu naquele ano superar todas as adversidades. Pippen retornou ao time e Rodman chegou a ser “resgatado” de Las Vegas por Michael Jordan após se autodeclarar de férias em meio a temporada regular. O resultado foi mais uma campanha com mais de 60 vitórias e fazendo o novamente como vítima o Utah Jazz nas finais da liga.

Como comentado mais acima, conquistar três títulos na sequência é considerado um grande feito na NBA e poucos times na história foram capazes de fazê-lo. O Bulls, que já havia alcançado essa marca no início da década de 90, repetiu o feito conquistado anteriormente, vencendo novamente um tricampeonato, encerrando um ciclo de uma dinastia em 1998.

Principal jogador: Michael Jordan – 28.7 pontos, 5.8 rebotes, 3.5 assistências e 1.7 roubos de bola, além de 46.5% nos arremessos de quadra e 23.8% nos arremessos de longa distância.
Técnico: Phill Jackson

O Chicago Bulls da segunda metade dos anos 90 foi formado, essencialmente, pelo trio Michael Jordan, Scottie Pippen e Dennis Rodman. Juntos, conquistaram três títulos. No total, a franquia venceu seis títulos em oito anos. Para muitos, trata-se do melhor time de basquete de todos os tempos.

Os Coadjuvantes

Scottie Pippen

Não é nada confortável colocar Scottie Pippen em uma lista de coadjuvantes, por toda a sua importância, não só nos títulos do Chicago Bulls, mas também pelo fato de ter se tornado um dos melhores alas da história da NBA. Porém, esse seria o ônus de basicamente qualquer jogador que atuasse ao lado de Michael Jordan. Foi eleito para os times ideais de defesa em dez oportunidades (oito delas para o primeiro time), além de ser selecionado sete vezes para o jogo das estrelas (MVP em 1994). Pippen chegou a ser considerado o segundo melhor jogador da liga, atrás somente do seu colega de equipe que usava a camisa 23. Inacreditavelmente, apesar de toda a sua qualidade, na temporada 1997-98 haviam 121 jogadores na NBA recebendo mais do que ele. Seus melhores números foram angariados na campanha de 1993-94, registrando médias de 22.0 pontos, 8.7 rebotes, 5.6 assistências e 2.9 roubos de bola, ficando em terceiro na votação para MVP da temporada.

Dennis Rodman

Dennis Rodman foi a grande contratação do Chicago Bulls para a temporada 1995-96, já que a equipe de Phill Jackson buscava alguém para substituir Horace Grant. Ele foi adquirido em troca com o San Antonio Spurs, pelo pivô Will Perdue. Inicialmente, haviam muitas dúvidas sobre o encaixe dele com o restante do elenco do Bulls, não pela sua capacidade ou qualidade, mas pelo seu jeito peculiar de ser e de agir. Vale lembrar que o ala-pivô fez parte do elenco rival mais odiado pelo Chicago Bulls em anos anteriores – os “Bad Boys” do Detroit Pistons. Entretanto, o camisa 91 foi peça fundamental para as conquistas do Chicago Bulls e foi o pilar defensivo daquele grupo.

Reboteiro nato, Rodman liderou a liga no fundamento por sete temporadas. Sete também foi o número de vezes em que integrou o time ideal de defesa da liga. Em duas oportunidades foi eleito defensor do ano, quando ainda atuava pelo Pistons.

Fora das quadras, tornou-se uma grande celebridade. O integrante do Hall da Fama também coleciona relacionamentos de grande repercussão, com destaque para o namoro com a cantora Madonna e um casamento inusitado com a atriz Carmen Electra. Um ponto marcante da personalidade de Rodman era a forma como a sua identidade era exposta através do seu corpo, com piercings, tatuagens e cabelos coloridos.

Toni Kukoc

Escolhido na segunda rodada do draft de 1990, o croata foi a grande aposta de Jerry Krause. A predileção do gerente-geral pelo jogador era tamanha que, antes de ser integrado ao time do Bulls, Jordan e Pippen fizeram questão de anular o ala-pivô em duelo válido pelas Olimpíadas de 1992, quando o “Dream Team” acabou massacrando a Croácia. Tudo sob os olhares de Krause, claro.

Já em Chicago, Kukoc foi peça chave do segundo tricampeonato do Bulls e era o principal jogador vindo do banco de Phill Jackson. Destaque individual para o prêmio de melhor reserva da NBA em 1996, ano em que a equipe do Bulls bateu o recorde de vitórias em uma única temporada (72), quando o croata registrou médias de 13.1 pontos, 4.0 rebotes, 3.5 assistências, além de acertar 49% dos arremessos de quadra e 40.3% nos arremessos de longa distância.

Ron Harper

Ala-armador de origem, Ron Harper foi, durante os seus primeiros anos na NBA, um grande scorer. Ao assinar com a equipe de Chicago, na temporada 1994-95, Harper se reinventou e passou a desempenhar a função de armador, reduzindo drasticamente seus números. Antes acostumado a fazer 20 pontos por jogo, o articulador de jogadas do Bulls só conseguiu registrar dígitos duplos em uma de suas cinco temporadas na franquia.

Engana-se, porém, quem pensa que ao assumir um papel secundário seu jogo passou a ser menos importante. Ele foi peça elementar no sistema de triângulos utilizado por Phill Jackson, tanto que depois acabou acompanhando o experiente treinador nas conquistas com o Los Angeles Lakers no início dos anos 2000.

Luc Longley

Primeiro australiano a jogar na NBA, Longley foi a sétima escolha geral do draft de 1991, pelo Minnesota Timberwolves. Enquanto estava na faculdade, o pivô era um jogador capaz de dominar pela sua altura e força, mas no basquete profissional não teve o mesmo impacto logo no início, apresentando muitas dificuldades de adaptação. Após duas temporadas em Minnesota, foi negociado com o Chicago Bulls, onde passou a exercer e se dedicar a uma função mais tática. Em 1995-96, Longley assumiu a titularidade e conseguiu encontrar o seu espaço dentro da equipe. Defensivamente, era o titular com estatura para bloquear e conter as jogadas de infiltração. No ataque, por mais que não aparecesse tanto individualmente, era conhecido por executar os screens (corta-luz) com precisão, algo que facilitava e muito o trabalho de Michael Jordan. Em 1997-98, o australiano angariou os melhores números da carreira, anotando 11.4 pontos, 5.9 rebotes e 1.1 bloqueios por jogo.

Steve Kerr

O atual técnico do Golden State Warriors iniciou sua trajetória como jogador de forma discreta, passando por Phoenix, Cleveland e Orlando. Em 1993, no entanto, Kerr assinou com o Chicago Bulls, onde se tornou um dos melhores arremessadores de três pontos da história da NBA. Em 1994-95, o armador acertou 52.4% dos arremessos de longa distância. Até hoje ele mantém o recorde histórico da liga em aproveitamento nos tiros de três, com 45.4% durante a carreira. Kerr foi um reserva sólido na equipe de Phill Jackson. O grande momento no time de Chicago foi o arremesso que definiu o título da liga contra o Utah Jazz, em 1997, ano em que também venceu o concurso de três pontos no All-Star Game.

Jason Caffey

O ala-pivô foi a 20ª escolha do draft 1995, do próprio Chicado Bulls. Ou seja, foi campeão da liga logo em sua temporada de estreia. Caffey permaneceu em Chicago nas campanhas vitoriosas de 1995-96 e 1996-97, apresentando boa evolução nos números, atingindo 7.3 pontos e 4.3 rebotes de média. Além disso, fez parte do elenco que conquistou o tricampeonato em 1997-98, mas foi trocado para o Golden State Warriors antes da trade deadline. A justificativa de sua saída foi para que pudesse abrir mais espaço para Toni Kukoc e motivar Dennis Rodman.

Bill Wennington

Bill Wennington foi o reserva imediato de Luc Longley. Taticamente, o pivô canadense era o responsável por abrir as linhas de marcação para Michael Jordan e Scottie Pippen. A sua grande contribuição, contudo, foi fora das quadras – ele era uma presença muito positiva no vestiário.

Jud Buechler

Com um físico invejável até para os atuais jogadores, o ala Jud Buechler era aquele reserva que entrava para contribuir apenas na rotação. Foi titular apenas em 29 dos 720 jogos! Mas manteve-se na liga com passagens por New Jersey Nets (hoje, Brooklyn), San Antonio Spurs, Golden State Warriors, Detroit Pistons, Phoenix Suns, Orlando Magic e, claro, Bulls. Era especialista em três pontos para a época, com 38.1% de aproveitamento. Assistente do New York Knicks, Buechler também foi jogador de vôlei na Universidade do Arizona.

Scott Burrell

Atualmente técnico da Southern Connecticut State, do basquete universitário, Scott Burrell foi o primeiro jogador na história a ser selecionado na primeira rodada dos drafts da NBA e MLB. Como jamais passou das ligas menores, Burrell deixou o beisebol e ficou apenas com o basquete. Ele fez apenas uma temporada pelo Chicago Bulls e sua função, basicamente, era arremessar de longa distância nos minutos que sobravam de Michael Jordan e Scottie Pippen. Foi relativamente bem, com 5.2 pontos, 2.5 rebotes e 35.4% de aproveitamento de três em quase 14 minutos na campanha 1997-98. Passou ainda por Charlotte Hornets, Golden State Warriors e New Jersey Nets (hoje, Brooklyn).

Randy Brown

Trigésima primeira escolha do draft de 1991, Randy Brown começou a carreira no Sacramento Kings e, após quatro anos, foi para o Chicago Bulls. Ele participou dos três títulos, embora tivesse tempo de quadra limitado. Era o típico armador que não arremessava de três dos anos 90 (24 acertos em 120 tentativas). Só ganhou espaço mesmo quando os principais jogadores foram embora após o tri. Em 1998-99, ano do primeiro locaute, Brown foi titular em 32 das 39 partidas, acumulando médias de 8.8 pontos, 3.8 assistências, 3.4 rebotes e 1.7 roubada. Encerrou a carreira em 2002-03, no Phoenix Suns.

Jack Haley

Contratado pelo Chicago Bulls para ser babá de Dennis Rodman (é sério), Jack Haley foi um jogador pouco produtivo, para se dizer o mínimo. A carreira, que até durou muito (entre 1988-89 e 1997-98), foi marcada por pouquíssimo espaço e raras aparições após 1991-92. Foram 96 jogos depois disso, incluindo um pelo Bulls. Na franquia de Chicago, ele tinha a função de domar Rodman, já que haviam sido companheiros no San Antonio Spurs e a diretoria percebeu que ele poderia fazer o ala-pivô se encaixar naquele elenco. Haley morreu em 2015, aos 51, vítima de um ataque cardíaco.

Robert Parish

Após passar quase toda a carreira no Boston Celtics, onde ganhou três títulos, Robert Parish encerrou a carreira com mais um, em 1996-97. Vindo do Charlotte Hornets, Parish chegou para ser a terceira opção para pivô e foi titular em três dos 43 jogos disputados. Ele obteve 12 pontos e quatro rebotes em sua melhor performance pelo time de Chicago. Foi nove vezes para o Jogo das Estrelas e foi eleito duas vezes para os times ideais da liga.

John Salley

Foram apenas 17 jogos pelo Chicago Bulls, mas John Salley foi o primeiro jogador a obter títulos por três franquias diferentes (Detroit Pistons, Los Angeles Lakers e Bulls) e o primeiro a ser campeão em três décadas diferentes. Depois da chegada de Dennis Rodman, a presença de Salley não chegou a incomodar Michael Jordan e Scottie Pippen. Pelo contrário, ele e Jordan são amigos, mesmo sendo um dos Bad Boys. Após a passagem pelo Bulls, ele foi jogar na Grécia por um ano e ficou outros dois parado, até que surgiu um convite para se juntar ao Lakers e, de quebra, ganhou um quarto campeonato na carreira. Depois de encerrar a carreira em definitivo, Salley participou, por muitos anos, do ótimo programa da Fox Sports americana chamado The Best Damn Sports Show Period.

Leia também: Os coadjuvantes – Boston Celtics dos anos 80

Michel Moral
Michel Moral
Piracicabano, colaborador do Jumper Brasil, professor e advogado especialista em Direito Bancário