Para McCollum, classificação às finais do Oeste evitou mudanças drásticas no Blazers

O Portland Trail Blazers passou de decepção a surpresa da NBA em intervalo de uma temporada. A equipe recuperou-se da (chocante) eliminação na primeira rodada dos playoffs de 2018, quando foi “varrido” pelo New Orleans Pelicans, alcançando as finais do Oeste nesse ano. Uma reviravolta que, se não tivesse acontecido, teria tido reflexos pesados na franquia para C.J. McCollum.

“Se tivéssemos perdido na primeira rodada dos playoffs novamente, eu acho que teríamos muitas mudanças dentro e fora de quadra. Uma ótima temporada pode tornar-se um fracasso em questão de dias na NBA atual. E, então, vira um efeito dominó que não dá para prever. Acredito que muitas coisas teriam mudado aqui”, avaliou o ala-armador, em entrevista a um podcast da ESPN.

Para provar sua teoria, McCollum utilizou o exemplo do adversário do Blazers na primeira rodada dos playoffs desse ano. “Imagina se o Oklahoma City Thunder tivesse nos derrotado e chegado até a decisão do Oeste: Paul George e Russell Westbrook ainda estariam lá, provavelmente. Poderia ser que Kawhi Leonard ficasse em Toronto. Quem sabe, né?”, questionou.

Evitar mudanças traz um elemento importante – e constantemente subestimado – para o Blazers: continuidade. Enquanto muitos times apostaram em reforços de peso e midiáticos, as grandes notícias no Oregon foram as extensões contratuais prévias do próprio McCollum e do astro Damian Lillard. O ala-armador crê que, de fato, manter a base do elenco junta é o caminho para Portland.

“Continuidade importa. Ter um grupo unido, uma cultura estabelecida e a noção do que é preciso para vencer muda a forma como se encara as adversidades. Você sai atrás em uma série de playoffs e a culpa não é atirada de lado a lado, ninguém fica em pânico, porque possui temporadas de 50 vitórias no currículo assim como uma ‘varrida’ para o Pelicans, por exemplo”, justificou o arremessador.

Com um novo contrato assinado, McCollum agora mantém foco máximo na próxima temporada e nos rumos competitivos do Blazers. Foco esse que pesou no pedido de dispensa do jogador de 27 anos da seleção norte-americana que disputará a Copa do Mundo FIBA. Mesmo que não existisse esse “foco absoluto”, porém, ele acredita que os atletas têm bons motivos para abdicar do Team USA nesse ano.

“Eu acho que jogadores estão olhando para a situação e perguntam se querem ficar marcados como o símbolo de uma seleção derrotada. Ou pensam no esforço extra, em não descansar nessas férias. Esses treinos são algo que você não sente agora, mas, especialmente lá para março e abril, o corpo vai cobrar. Esses jogos a mais e horas gastas no verão sempre têm um preço lá na frente”, alertou o ala-armador.

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.