Por alívio financeiro, Suns negocia Josh Jackson com o Grizzlies

O problemático ala Josh Jackson não faz mais parte do elenco do Phoenix Suns. Nesta quarta-feira, a franquia do Arizona trocou o jovem de 22 anos com o Memphis Grizzlies, de acordo com Adrian Wojnarowski, da ESPN.

Na negociação, o Suns também enviou o armador De’Anthony Melton e duas escolhas de segunda rodada (2020 e 2021). Em contrapartida, o Grizzlies cedeu o armador Jevon Carter e o veterano Kyle Korver, recém-adquirido na troca que culminou na ida do armador Mike Conley para o Utah Jazz.

A negociação trouxe alívio salarial ao Suns, que, agora, terá condições de assinar com o armador Ricky Rubio um contrato de US$51 milhões, válido por três temporadas. A próxima movimentação da equipe deverá ser a renovação do vínculo com o ala Kelly Oubre Jr., que é agente livre restrito.

A troca evidencia a desvalorização de Jackson no mercado. Quarta escolha do Draft de 2017, o ala não produziu em quadra tudo o que se esperava dele e, fora dela, virou manchete em páginas policiais. Em maio deste ano, ele foi preso após tentar entrar algumas vezes de “penetra” na área VIP de um festival de música, em Miami. Há duas semanas, ele foi acusado pela mãe de sua filha de intoxicar a criança, de apenas cinco meses, depois de tanto fumar maconha perto dela.

A situação envolvendo Jackson comprova a incompetência do Suns em desenvolver jovens oriundos do Draft. No período em que Ryan McDonough foi o GM da franquia (2013-2018), o time teve direito a cinco escolhas no TOP 10: Alex Len (#5, em 2013), Dragan Bender (#4, em 2016), Marquese Chriss (#8, em 2016), Josh Jackson (#4, em 2017) e Deandre Ayton (#1, em 2018). Desse quinteto, apenas Ayton continua na equipe. Len, Bender e Chriss saíram sem deixar saudades.

Segundo Wojnarowski, Korver será dispensado pelo Suns através de um buyout. Dos US$7.5 milhões previstos no último ano de contrato do veterano, “apenas” US$3.4 milhões são garantidos. Uma vez dispensado, o ala de 38 anos deverá assinar com Los Angeles Lakers, Milwaukee Bucks ou Philadelphia 76ers.

Quanto ao Grizzlies, a equipe não perdeu ativos consideráveis e ganhou uma boa opção defensiva vinda do banco para a armação, além das picks. A franquia aposta na recuperação de um talento como Jackson. Se der errado, o time de Memphis tem a opção de encerrar o vínculo com o ala ao final da próxima temporada.

Salários dos jogadores envolvidos na troca

Kyle Korver: expirante de US$7.5 milhões (US$3.4 milhões garantidos)
Josh Jackson: US$7 milhões em 2019/20 e uma team option de US$8.9 milhões em 2020
De’Anthony Melton: expirante de US$1.4 milhão
Jevon Carter: expirante de US$1.4 milhão

Buyout: uma das formas de se encerrar o vínculo entre jogador e franquia. Nessa situação, quando há interesse mútuo em rescindir o contrato, as partes chegam a um acordo sobre os salários que ainda faltam ser pagos. O jogador abre mão de parte do que teria direito a receber e, em troca, fica livre para assinar com outro time. Costuma acontecer com atletas que, por diversos motivos, acabam ficando sem papel na equipe e desejam buscar uma nova oportunidade na liga. Normalmente ocorre com jogadores durante seu último ano de contrato porque é mais fácil chegar a um acordo financeiro, mas não há vedação para que isso ocorra em qualquer momento durante o cumprimento do vínculo.

Em termos de contabilidade salarial, para cálculo do teto de gastos, a parte garantida do salário do atleta continua contando contra a folha do time até o final. Por exemplo, se o atleta tinha contrato para aquela temporada por US$10 milhões, mesmo que haja um acordo de buyout, os US$10 milhões continuam contabilizados no teto salarial. A franquia só não vai precisar pagar os US$10 milhões para ele, pagando apenas a quantia que for fruto do acordo entre as partes. Esse é outro motivo pelo qual buyouts não costumam ocorrer quando há muito tempo de contrato para cumprir, pois uma vez que a franquia faz o buyout, fica “presa” com aquele número em sua folha salarial, ao passo que, se não fizesse o buyout, poderia tentar trocar aquele contrato e tirá-lo de sua folha.

Gustavo Lima
Gustavo Lima
Jornalista graduado pela UFMG e pós-graduado em Produção em Mídias Digitais pela PUC-MG. Natural de Ipatinga e residente em BH. Editor do Jumper Brasil desde 2007. Acompanha a NBA desde 1993. Torcedor do Phoenix Suns, mas adepto da imparcialidade.