Previsão: Denver Nuggets (2º) x (3º) Portland Trail Blazers

Denver Nuggets (2º) x (3º) Portland Trail Blazers

 

Como foi o confronto na temporada regular?

30/11 – Blazers 112 x 113 Nuggets
13/01 – Nuggets 116 x 113 Blazers
05/04 – Nuggets 119 x 110 Blazers
07/04 – Blazers 115 x 108 Nuggets

Datas do confronto

29/04: Nuggets x Blazers – 23h30 (no Colorado)
01/05: Nuggets x Blazers – 22h (no Colorado)
03/05: Blazers x Nuggets – 23h30 (em Oregon)
05/05: Blazers x Nuggets – 20h (em Oregon)
07/05: Nuggets x Blazers – Horário a ser definido (no Colorado)*
09/05: Blazers x Nuggets – Horário a ser definido (em Oregon)*
12/05: Nuggets x Blazers – Horário a ser definido (no Colorado)*

* Se necessário

Denver Nuggets (54-28)

Primeira rodada dos playoffs: passou pelo San Antonio Spurs em sete jogos.

Time-base: Jamal Murray, Gary Harris, Torrey Craig, Paul Millsap, Nikola Jokic

Principais reservas: Will Barton, Malik Beasley, Mason Plumlee, Monte Morris

Técnico: Michael Malone

Portland Trail Blazers (53-29)

Primeira rodada dos playoffs: passou pelo Oklahoma City Thunder em cinco jogos.

Time-base: Damian Lillard, C.J. McCollum, Moe Harkless, Al-Farouq Aminu, Enes Kanter

Principais reservas: Seth Curry, Evan Turner, Rodney Hood, Zach Collins

Técnico: Terry Stotts

Análise do confronto

Analisar momento de times, em qualquer esporte, passa longe de ser uma ciência exata e essa série evidencia tal incerteza. O Nuggets é o teórico favorito do duelo e, como segundo colocado do Oeste, possui vantagem de mando de quadra. Mas veja o fim da temporada e início dos playoffs para notar que o Blazers é a equipe que chega mais consolidada às semifinais de conferência.

Os dois times se enfrentaram quatro vezes na temporada regular e Denver ganhou três dos encontros. Essa informação já seria um forte indicativo sobre a vantagem dos comandados do treinador Michael Malone no matchup, mas a coisa fica pior: o único resultado positivo de Portland aconteceu, na verdade, em uma partida onde Jamal Murray e o astro Nikola Jokic foram poupados.

Aliás, Jokic projeta ser o fator nevrálgico dessa série. O pivô teve médias próximas de um triplo-duplo (25.7 pontos, 9.7 rebotes e 8.0 assistências, convertendo 62% dos arremessos de quadra tentados) nos três jogos contra o Blazers da temporada e, se já era um atleta naturalmente difícil de ser marcado, tornou-se uma tarefa mais complicada com a ausência do lesionado Jusuf Nurkic.

Digamos que as chances de Enes Kanter aqui não são tão animadoras. É verdade que o turco fez um bom trabalho contra Steven Adams, na rodada anterior, mas Jokic é diferente: enquanto o neozelandês vive próximo da cesta – o que facilita seu trabalho –, o sérvio opera majoritariamente fora do garrafão e pode expor a péssima defesa do oponente em espaço aberto.

Um ponto positivo que apareceu para o Nuggets na primeira rodada foi a volta de Torrey Craig, jogando bem, no quinteto inicial. O ala defensivo vai ser de enorme valia para a limitar o forte perímetro do Blazers e a tendência é que seja o marcador primário do craque Damian Lillard na série.

É seguro dizer que o Blazers fará o que é seu expediente costumeiro: colocar Lillard e C.J. McCollum em pick-and-rolls, dando-lhes as oportunidades ideais de pontuar enquanto tenta explorar a defesa de Jokic longe da cesta. A questão é que a defesa do Nuggets é uma das melhores da liga evitando as situações de P&R, atacando o homem da bola para forçar passes.

Lillard, por exemplo, registrou média de quatro posses a menos operando no pick-and-roll nas partidas contra Denver do que contra outros adversários. No geral, as suas estatísticas sentiram isso e foram mais tímidos nos duelos contra a equipe do Colorado: anotou 21.2 pontos e 7.0 assistências nas quatro partidas, acertando só 26 de 70 arremessos de quadra tentados (37.1%).

Por sorte, o próprio astro já mostrou na série contra o Thunder que pode lidar com esse tipo de marcação mudando sua forma de jogar: tomando decisões e atacando mais rápido, negando bloqueios para infiltrar sem coberturas e – o que virou a sua nova marca registrada – colocando pressão nas defesas arremessando de longuíssimas distâncias.

Outra solução em potencial para o Blazers é usar mais ballhandlers em quadra para manter a ofensiva dinâmica mesmo que a bola saia das mãos de Lillard e McCollum. Imagino que o tempo de Moe Harkless possa ser reduzido na série – especialmente, quando Craig estiver em quadra –, para o uso de atletas mais “capazes” com a bola nas mãos: Rodney Hood, Jake Layman e até Seth Curry são alternativas viáveis.

O fato é que, se Craig oferece a oportunidade de incluir um melhor e mais atlético defensor no quinteto inicial, ele não suscita uma ameaça em defesas adversárias no mesmo nível de jogadores como Will Barton e Malik Beasley.

Outro detalhe importante da série é que o Nuggets força Lillard e McCollum a serem marcadores atentos e dinâmicos, movendo-se para fechar os arremessadores que orbitam em torno de Jokic. Os dois são defensores em franca evolução ao longo da carreira, mas esperar consistência de execução de ambos, diante do alto fardo que já carregam no outro lado da quadra, pode não ser algo realista.

Por outro lado, o Blazers é o oponente com potencial atlético e de acelerar o ritmo do jogo que pode incomodar o Nuggets – algo que, por exemplo, o Spurs não era apto a explorar. Denver não gosta de correr, até por ter seu armador de fato em um pivô pouco atlético, então sente dificuldades quando oponentes aceleram as ações e forçam respostas mais aceleradas.

É sintomático, por exemplo, que Al-Farouq Aminu seja um dos destaques dos jogos entre os times da temporada (16.0 pontos e 11.0 rebotes): é um ala alto e atlético que atua como ala-pivô nas formações de Terry Stotts, explorando a velocidade e o vigor atlético nos rebotes e no jogo de transição. Sua presença ainda praticamente inviabiliza a escalação de dois pivôs que o Nuggets gosta (Jokic e Mason Plumlee).

As duas equipes tem alternativas nessa série e o Blazers possui o momento em seu favor, mas o Nuggets tem várias vantagens aqui. A temporada regular sugere que dominam esse duelo e o mando de quadra é trunfo valioso para um dos melhores mandantes da liga. É preciso respeitar Damian Lillard e Portland pelo que fizeram na primeira rodada, mas será mais uma batalha contra as probabilidades.

Palpite: Nuggets em sete.

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.