Por conta de alguns problemas pessoais e o movimento do fechamento da janela de transferências, não pude postar mais cedo esta segunda edição do ranking. Observem o período de avaliação para compreenderem melhor porque determinados jogadores, que tem atuado bem nas últimas semanas, ainda não estão contemplados na lista.

Primeiro mês

Brandon Knight
Derrick Williams
Kawhi Leonard
Kemba Walker
Kyrie Irving
Markieff Morris
MarShon Brooks
Norris Cole
Ricky Rubio
Tristan Thompson

Estes foram os dez novatos selecionados para participar do “Rising Stars Challenge”, novo formato do “Desafio dos Calouros” e evento de abertura do Fim de Semana das Estrelas da NBA. Eu tenho certeza que todos se divertiram e fizeram bonitas jogadas, tendo suas duas horas de recreação no meio do calendário frenético da liga. Depois do jogo, cada um para o seu canto. Foi bom enquanto durou, mas a realidade espera na segunda-feira.

Particularmente, eu não tiro conclusões do jogo em si. Não sei se há alguma conclusão guardada dentro dele e nem acho que deveria. No máximo, torço para que seja algo competitivo e interessante de se ver.

Talvez, o aspecto mais interessante que possa ser extraído do “Rising Stars” está ligado às convocações. O que eu quero dizer é: historicamente, como os assistentes técnicos da liga (responsáveis pela seleção dos participantes) se saem “prevendo” quem serão os destaques de uma turma? Ser chamado para o evento significa sucesso na NBA?

Para o levantamento, peguei os 45 atletas selecionados para o jogo entre os anos de 2003 e 2007. Eu imagino que o intervalo de cinco temporadas seja um período considerável para que tenhamos uma ideia dos rumos que uma carreira tomou – os talentos que “explodiram” e as promessas que ficaram pelo caminho. Os resultados são apresentados nos cinco pontos a seguir. Então, desses 45 jogadores:

1. Dezessete (37.7% do total) foram votados ou selecionados em algum momento da carreira para participar do Jogo das Estrelas. Eu não estou julgando se mereciam a convocação ou se eram bons o bastante para estar lá. Certamente, você vai torcer o nariz para alguns dos nomes relacionados abaixo. Mas a verdade é que, de uma forma ou outra, eles alcançaram uma das maiores recompensas individuais que alguém pode receber na NBA. São eles:

Amare Stoudemire (2003), Carlos Boozer (03), Caron Butler (03), Carmelo Anthony (04), Josh Howard (04), Chris Kaman (04), LeBron James (04), Dwyane Wade (04), Chris Bosh (04), Dwight Howard (05), Andre Iguodala (05), Luol Deng (05), Devin Harris (05), Danny Granger (06), Chris Paul (06), Deron Williams (06) e Brandon Roy* (07).

2. Onze (24.4% do total) sequer estão mais na liga. Logicamente, motivos diferentes afetam vários dos nomes a seguir (deficiência técnica, melhores ofertas de outras partes do mundo, lesões sérias), mas não estou aqui diferenciá-los. De uma forma ou outra, eles já não atuam mais na NBA:

Gordan Giricek (2003), Marko Jaric (03), Dajuan Wagner (03), Jay Williams (03), Jarvis Hayes (04), Luther Head (06), Sarunas Jasikevicius (06), Brandon Roy* (07), Jorge Garbajosa (07), Marcus Williams (07) e Adam Morrison (07).

3. Os 18 atletas restantes (40% do total) nunca foram – até o momento? – convocados para o Jogo das Estrelas, mas estão na NBA e possuem carreiras estabelecidas. A maioria, inclusive, é titular em suas equipes. São eles:

Drew Gooden (2003), Nene Hilário (03), Kirk Hinrich (04), Udonis Haslem (04), Tony Allen (05), Emeka Okafor (05), Josh Smith (05), Beno Udrih (05), Al Jefferson (05), Andrew Bogut (06), Channing Frye (06), Nate Robinson (06), Charlie Villanueva (06), Andrea Bargnani (07), Jordan Farmar (07), Randy Foye (07), Rudy Gay (07) e Paul Millsap (07).

4. Existem mais do que nove ou dez jogadores de destaque em cada turma. Pelo menos, é o que todos esperamos. Por isso, há vários atletas que não foram convocados para o “Desafio dos Calouros” e conseguiram construir carreiras sólidas na liga. Aqui vão dez dos mais bem sucedidos exemplos:

Tayshaun Prince (2003), Luis Scola (03), Boris Diaw (04), Kevin Martin (05), Anderson Varejão (05), Kris Humphries (05), Trevor Ariza (05), Monta Ellis (06), Marcin Gortat (06) e Kyle Lowry (07).

5. Aqui, provavelmente, está o número mais interessante. Nos cinco anos estudados, pelo menos um futuro all star não foi convocado para o “Desafio”. Como sempre, eu não descarto que os motivos para a presença ou ausência de alguns deles estejam além da questão técnica (lesões, por exemplo), mas o acaso também faz parte do jogo. De uma forma ou outra, estes oito atletas foram convocados para um Jogo das Estrelas:

Yao Ming (2003), David West (04), Mo Williams (04), Jameer Nelson (05), Andrew Bynum (06), David Lee (06), LaMarcus Aldridge (07) e Rajon Rondo (07).

Como qualquer avaliação imediatista de jogadores jovens, o “Rising Stars Challenge” (ou melhor, os assistentes técnicos da liga) não é sempre certeiro ao localizar o talento ou qualidade de uma turma. O que não é um crime ou problema, diga-se de passagem.

Agora, volte ao início e veja mais uma vez a lista de dez novatos que participaram do jogo festivo do último dia 24. Com base nos números que tivemos acesso aqui, podemos especular que entre os anos de 2017 e 2021:

– Três a quatro deles terão participado de, pelo menos, um Jogo das Estrelas;
– Dois a três deles não vão estar mais na liga;
– Um a dois all stars desta classe de estreantes estão fora da convocação, perdidos por aí.

Então, vamos à segunda edição do ranking dos novatos, que analisa o desempenho dos estreantes da liga no período entre 26 de janeiro e 25 de fevereiro:

1. Kyrie Irving (armador, Cleveland Cavaliers)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. R.B. Erros FG% 3pt.% FT%
28 31.0 18.1 3.5 5.1 0.8 3.1 47.6 41.5 85.7

Fazer sucesso na NBA implica chamar a atenção, não tem jeito. E, definitivamente, Kyrie Irving chamou a atenção em seu primeiro mês como jogador profissional. Tanto que, em fevereiro, já foi possível ver várias equipes preparando-se especificamente para pará-lo. Assim, o calouro começou a ter os melhores defensores adversários pela frente, ser pressionado desde a saída de bola, forçado a usar a mão direita, etc. São pequenas medidas que retiram o atleta de uma zona de conforto com a qual está acostumado. Atuações ruins vieram, mas, com seu arsenal técnico e inteligência, o armador tem sobrevivido ao teste sem abalos.

Em especial, esta nova situação mostrou como Irving busca alternativas dentro do próprio jogo para tornar-se mais eficiente. Quando seus arremessos não estão caindo, ele não insiste nos chutes longos (como muitos astros fazem) e, visivelmente, começa a atacar a cesta com mais frequência – situação em que acerta quase 60% de suas tentativas e mantém média de quatro lances livres cobrados por partida (líder entre os estreantes).

E, se tudo dá errado, o calouro intensifica o volume de passes para os companheiros e tenta fazer com que o time seja menos dependente de sua pontuação. Não por acaso, Kyrie ainda não tem nenhum duplo-duplo na temporada: as partidas em que faz mais assistências são, sem variação, aquelas em que anota menos pontos. Muitos líderes de equipes continuariam amassando a cesta até o fim da noite, mas este garoto de 19 anos é consciente o bastante para saber (e admitir) quando aqueles que estão ao seu lado estão melhores do que ele.

2. Ricky Rubio (armador, Minnesota Timberwolves)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. R.B. Erros FG% 3pt.% FT%
34 34.9 11.3 4.3 8.4 2.4 3.4 37.5 35.4 81.2

O aspecto pelo qual mais fui questionado em minhas análises iniciais sobre Ricky Rubio foi sua qualificação defensiva. E, de fato, talvez tenha sido um pouco rigoroso com o jovem. A verdade é que, em seus dois primeiros meses na NBA, o espanhol provou ser um marcador acima da média dos estreantes em geral. E, se ele não tem condicionamento atlético e velocidade de elite (atributos comuns aos bons defensores novatos), compensa basicamente com inteligência e experiência de alguém que joga profissionalmente desde os 14 anos.

Embora seja um grande ladrão de bolas, Rubio raramente pressiona o jogador que marca. Na verdade, sua postura é exatamente o contrário. Mantendo uma relativa distância, o armador nega infiltrações aos oponentes mais rápidos e atléticos – minando a desvantagem física natural e rendendo-lhe com regularidade várias faltas de ataque – e se aproveita dos longos braços que possui para continuar capaz de contestar arremessos. Além disso, sua leitura de jogo é apurada o bastante para indicar quando são os momentos de dar o bote e tentar um roubo de bola e quando apenas guardar a posição.

No entanto, mantenho a opinião de que o espanhol tem uma lacuna comprometedora em sua eficiência como marcador: os bloqueios. Ele fica preso nas “paredes” impostas por pivôs constantemente, permitindo fáceis oportunidades de finalização aos oponentes – arremessos ou ataques à cesta. A dificuldade, porém, tem mais a ver com sua condição física e atlética abaixo da média da liga do que com uma deficiência técnica e seria normal vê-lo evoluir neste aspecto no decorrer da carreira.

3. Kawhi Leonard (ala, San Antonio Spurs)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. R.B. Erros FG% 3pt.% FT%
34 23.3 7.0 4.9 0.9 1.3 0.7 46.4 34.8 65.9

Leonard é, provavelmente, o calouro que mais assisti durante o mês de fevereiro. Assisti por opção própria: continuo cada vez mais impressionado com o nível de maturidade que o ala mostra dentro de quadra, como se mistura em um elenco experiente e vencedor sem que se note sua intrusão. Mais do que isso: ele é uma peça fundamental desta equipe, a segunda colocada do Oeste. Hoje, o calouro é o mais próximo de um defensor de perímetro de elite que a franquia texana possui, com seus braços longos, vitalidade e postura agressiva. Kawhi ainda comete erros ocasionalmente, mas sua atenção defensiva é muito apurada: as falhas são sempre resultado do excesso de agressividade, nunca pela omissão ou desleixo.

No entanto, o que faz com que seu segundo mês seja ainda mais impressionante do que o primeiro é o desenvolvimento de seu jogo ofensivo. Sua atual seleção de arremessos é a segunda melhor da turma (atrás de Irving) e as cestas estão começando a cair com maior regularidade. A evolução ficou comprovada no jogo contra o Portland Trail Blazers, em que Gregg Popovich resolveu poupar Tim Duncan e Tony Parker. O revés era inevitável, mas Leonard liderou o Spurs com uma atuação impressionante: 24 pontos, dez rebotes e cinco roubos de bola. Foram nove de 14 arremessos de quadra convertidos, mostrando quão espetacular o ala pode ser.

Leonard tem o potencial para ser um dos melhores jogadores da quadra, mas tem consciência do seu papel em quadra a cada noite e faz disso sua excelência. Mais um brilhante trabalho de recrutamento do Spurs.

4. Kemba Walker (armador, Charlotte Bobcats)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. R.B. Erros FG% 3pt.% FT%
32 29.2 13.3 3.8 3.8 1.1 1.8 37 34.5 80

Escondido no time de pior campanha da temporada, Kemba Walker fez um mês de fevereiro muito melhor do que recebeu crédito. A verdade é que nem Kobe Bryant ou LeBron James poderiam fazer com que o atual Bobcats fosse um time vencedor. E, para complicar tudo, o calouro teve que assumir a armação da equipe após a lesão do titular D.J. Augustin. Ele era, basicamente, o único que podia assumir a função no elenco, o que o levou a atuar quase 34 minutos por jogo no período.

Embora tenha continuado arremessando abaixo dos 40% de aproveitamento (com pequena melhora estatística em relação a janeiro), o novato mostrou que consegue traduzir suas principais qualidades como prospecto contra os melhores jogadores da liga. Ele criou seus próprios arremessos, atacou a cesta e, mais importante, provou ser um atleta capaz de criar oportunidades para outros com grande eficiência. Nos 13 jogos que disputou, Walker deu 4.7 assistências para (excelentes) 1.4 erro de ataque. Foram mais de três passes decisivos por desperdício, índice mantido por apenas quatro armadores titulares da liga neste momento: Chris Paul, Jose Calderon, Steve Nash e Mike Conley. Levando em conta toda a temporada, apenas Ricky Rubio tem melhor média de assistências por erros de ataque do que o formando de Connecticut entre os novatos (que atuam mais que 15 minutos por jogo).

Os poucos bons momentos do Bobcats em fevereiro foram protagonizados por Kemba: seu triplo-duplo contra o Wizards (o único feito por um estreante na atual campanha) e contra-ataques espetaculares puxados com atletas como Bismack Biyombo e Derrick Brown. Sendo sincero, é difícil ver futuro para o atual grupo de Charlotte. Mas, aos poucos, o armador vai provando que pode ser ainda melhor do que imaginávamos.

5. MarShon Brooks (ala-armador, New Jersey Nets)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. R.B. Erros FG% 3pt.% FT%
25 30.4 14.6 4.3 2.0 1.1 1.9 43.9 35.6 77

Com um dedo do pé direito quebrado, MarShon Brooks passou a maior parte de fevereiro fora de ação e o ala-armador ainda não conseguiu recuperar sua melhor forma. Isso não apaga, porém, o que ele fez entre dezembro e janeiro, quando insinuou entrar (com justiça) na briga pelo prêmio de calouro do ano.

Aliás, seu retorno abaixo do (excelente) nível apresentado no primeiro mês era algo esperado. Como um legítimo jogador que cria o próprio arremesso – e que, por isso, precisa finalizar em movimento, sem equilíbrio e sob pressão dos marcadores com frequência –, a falta de ritmo é debilitante para a produtividade de Brooks. Nos jogos pós-lesão, ele converteu somente 45 de 115 tentativas de quadra (39.1%) e a tendência é que, nas próximas semanas, seu volume ofensivo diminua – com a melhora de Deron Williams e a chegada de possíveis reforços no fechamento da janela de transferências. Neste cenário, voltar a ser eficiente será muito importante para que não perca espaço na rotação.

6. Chandler Parsons (ala, Houston Rockets)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. R.B. Erros FG% 3pt.% FT%
33 25.9 7.7 4.8 1.8 1.2 1.0 42.8 30.4 34.6

Parsons deu uma prova séria do quão bom defensor pode ser na NBA contra o Thunder, no dia 15 de fevereiro. Embora não tenha feito nenhuma cesta, ele foi fundamental para a vitória por 96 a 95 ao marcar Kevin Durant no minuto final de partida e não permitir que ele convertesse pontos em nenhuma das quatro tentativas que teve para definir o confronto. Com 2.06 metros, ótima envergadura e movimentação lateral acima da média, o formando da Universidade da Florida possui o tipo físico para marcar até os mais singulares atletas da liga, como Durant. E, por si só, este é um atributo que pode garantir-lhe uma longa carreira.

No entanto, do outro lado da quadra, Parsons é um ponto fraco que os adversários começam a utilizar contra o Rockets. O jogo ofensivo do calouro é um problema e já não é tão raro ver um oponente deixá-lo livre para arremessar, buscando explorar seu baixo índice de acerto. Há noites em que as bolas caem, mas sua taxa de conversão mal passa dos 40% nos tiros de média distância neste momento. Até mesmo suas infiltrações, carro chefe ofensivo, podem acabar neutralizadas levando o ala para a linha dos lances livres, onde acerta horrorosos 34.6%.

Observar Parsons nos dois lados da quadra é quase como ver dois jogadores diferentes em ação.

7. Isaiah Thomas (armador, Sacramento Kings)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. R.B. Erros FG% 3pt.% FT%
32 19.6 8.8 2.2 2.9 0.6 1.2 41.3 35.4 83.6

O Kings busca alguém para preencher a lacuna na posição de armador há uns cinco anos. Em 32 partidas, Thomas está se firmando como o mais próximo de uma solução que a franquia já encontrou. Jogando com atitude e agressividade, o último selecionado do recrutamento de 2011 é uma injeção de dinamismo e confiança no até então apático, pífio e estático ataque de Sacramento. Não por acaso, ele assumiu o espaço que todos imaginavam estar destinado a ser de Jimmer Fredette.

Em alguns momentos, Thomas lembra outro icônico armador que vestiu a camisa do Kings: Bobby Jackson. Incisivo, o estreante não é veloz apenas por si só, mas acelera e cria espaços para todos ao seu redor. E, neste panorama, os números demonstram com clareza o impacto que o jovem causou no time neste período. Se isolarmos o tempo em que Isaiah esteve em quadra, Sacramento venceu sete de suas 14 partidas e acumulou saldo geral de 1.8 pontos a favor. Com o novato fora, venceram somente quatro destes jogos e teriam saldo geral de 3.9 pontos contra.

Terceiro melhor jogador da classe – entre aqueles que jogam mais de 15 minutos por noite – na proporção de assistências por erros de ataque (2.4) e por 48 minutos jogados (7.0), Thomas é um sinal de vida no ataque estático e individualista do Kings. Do “alto” de seu 1.75 metro de altura, ele é a prova de que o sucesso de um estreante tem muito mais a ver com a atitude e intensidade que se mostra dentro de quadra do que com a posição em que se é escolhido.

8. Iman Shumpert (armador, New York Knicks)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. R.B. Erros FG% 3pt.% FT%
28 30.1 10.3 3.4 3.2 2.0 2.5 37.7 26.8 85.4

Shumpert nunca foi considerado a peça ideal para organizar o ataque do Knicks e as inclusões de jogadores como Baron Davis, J.R. Smith e (lógico) Jeremy Lin prometiam um enorme golpe no tempo de quadra do calouro. Sim, ele perdeu a titularidade. A diferença na prática, porém, foi de apenas três minutos de ação. Esta é a prova de que, por mais que não seja o típico arremessador que o esquema do treinador Mike D’Antoni costuma celebrizar, o jovem já conquistou o seu lugar na franquia de Nova Iorque.

Aliás, sair do banco de reservas fez bem para o novato: sem carregar a responsabilidade de organizar o time e criar oportunidades para os companheiros, Shumpert teve suas melhores atuações no período. Suas médias de pontuação (de 6.1 para 11.2), desperdícios de posses (2.8 para 1.9) e aproveitamento dos arremessos de quadra (37.2 para 40%) melhoraram após perder a posição de titular. Basicamente, ele ganhou novamente a chance de ser si mesmo: um jogador agressivo (muitas vezes, é verdade, descontrolado), atlético e que tem a bola nas mãos para finalizar, não criar para outros.

Além disso, não há dúvidas de que Shumpert já é o melhor defensor de perímetro de elenco. Isso ficou provado quando D’Antoni ousou colocá-lo para marcar o 17 centímetros mais alto Dirk Nowitzki. A estratégia foi um fracasso, mas a mensagem está dada: o calouro ganhou seu lugar no Knicks.

9. Brandon Knight (armador, Detroit Pistons)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. R.B. Erros FG% 3pt.% FT%
35 31.8 12.8 3.5 3.5 0.7 2.6 41.3 38.2 81.7

Ao fim do primeiro mês, eu defini com preocupação Brandon Knight como um “armador que não sabe jogar com a bola nas mãos”. Fevereiro trouxe ótimas mudanças para o Pistons e o próprio novato, mas não dá para mudar o discurso. Isso porque a efetivação de Rodney Stuckey para atuar ao lado do estreante tirou a bola de suas mãos – e é possível que, como havia acontecido em Kentucky (com Kendall Marshall), esta seja razão para sua subida de produção.

Sem ter a necessidade de carregar a posse de bola e ser o ponto de referência na organização da equipe, Knight pôde jogar da forma como mais gosta – em transição e com liberdade para se movimentar sem a bola, buscando espaços para arremessar. Neste aspecto, ele possui inegável talento – sua condição atlética e mecânica rápida fazem com que seja um jogador muito difícil de ser marcado. Embora tenha tido quatro partidas de 20 ou mais pontos neste período, o armador poderia ter sido ainda melhor – como evidenciam seus baixos 38.3% de aproveitamento nos tiros de quadra e 39.1% para três pontos.

A pergunta segue viva na minha cabeça: até que ponto pode chegar um armador que não sabe jogar com a bola nas mãos? Ainda é cedo para julgar, mas é difícil ver um talento como Knight (que atraiu várias comparações com Chauncey Billups) soando cada vez mais como um Randy Foye mais atlético.

10. Enes Kanter (pivô, Utah Jazz)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. Tocos Erros FG% 3pt.% FT%
32 14.5 5.0 5.2 0.1 0.5 0.9 46.7 67.3

Após ficar mais de um ano sem jogar competitivamente, Kanter foi selecionado pelo Jazz na terceira escolha do último recrutamento em uma manobra de risco. A aposta dá sinais de que vai se pagar, mas, curiosamente, não pelos motivos que muitos esperavam: na NBA, o pivô tem sido um jogador bem diferente do que apontavam os recrutadores. De um raro atleta de garrafão capaz de criar seu próprio arremesso, mas defensivamente pouco empenhado, ele “virou” um reboteiro de primeira linha com produção ofensiva em lenta evolução.

A estatística que mais chama a atenção na temporada de estreia de Kanter é sua eficiência como reboteiro. Quando está em quadra, ele pega um de cada cinco rebotes que acontecem no jogo. Isso não só o coloca entre os dois melhores calouros da turma (com Kenneth Faried), mas também entre os dez melhores jogadores da temporada. Além disso, em anos recentes, este número é apenas comparável aos de Kevin Love, Greg Oden e DeJuan Blair quando novatos.

Embora não fossem esperadas, as dificuldades no lado ofensivo da quadra não chegam a colocar em risco a evolução do pivô. A falta de ritmo de jogo e a sensível evolução do nível competitivo que enfrenta assumem papel fundamental nesta situação. Durante toda a vida, Kanter foi um “homem jogando contra meninos” por sua altura, força e envergadura. Neste estágio, pela primeira vez, ele encontra atletas capazes de fazer frente aos seus atributos físicos. Criar e finalizar jogadas de costas para a cesta, como fazia nas categorias menores, é o grande desafio de sua adaptação ao basquete profissional nos EUA.

Completando o TOP 20 (em ordem alfabética)

Alec Burks (ala-armador, Utah Jazz)
Bismack Biyombo (ala-pivô, Charlotte Bobcats)
Derrick Williams (ala, Minnesota Timberwolves)
Gustavo Ayon (ala-pivô, New Orleans Hornets)
Kenneth Faried (ala-pivô, Denver Nuggets)
Klay Thompson (ala-armador, Golden State Warriors)
Markieff Morris (ala-pivô, Phoenix Suns)
Nikola Vucevic (pivô, Philadelphia 76ers)
Norris Cole (armador, Miami Heat)
Tristan Thompson (ala-pivô, Cleveland Cavaliers)

Subindo

Kenneth Faried (ala-pivô, Denver Nuggets)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. Tocos Erros FG% 3pt.% FT%
15 17.0 7.2 6.1 0.4 1.1 0.9 53.9 72.2

Foi necessária uma onda devastadora de contusões para que George Karl desse uma chance para Kenneth Faried. Era só disso que o ala-pivô precisava. Tendo, finalmente, oportunidade “real” de jogar na segunda metade de fevereiro, ele revelou-se uma grande adição ao elenco do Colorado. Isso não chega a ser uma surpresa para quem acompanhou suas atuações por Morehead State, pois todas as principais virtudes do atleta de 22 anos se traduziram perfeitamente no basquete profissional.

Em síntese, Faried é um guerreiro e usa bem seus atributos físicos para brigar pela bola nos dois lados da quadra. Sua combinação de condicionamento atlético e longos braços, que fez com que se tornasse o maior reboteiro da história moderna da NCAA, já o colocam também no topo dos calouros em rebotes por jogo. De cada cinco rebotes que acontecem enquanto o ala-pivô está em quadra, um é dele (número igual ao de Enes Kanter). E, apesar do repertório ofensivo bastante limitado, Kenneth é um excelente finalizador em torno da cesta (quase 54% de aproveitamento nos arremessos de quadra), atuando sem invenções e usando os mesmos recursos já descritos.

Faried não é o jogador mais técnico que você vai encontrar em     quadra, mas tem consciência de seus pontos fortes e luta para impô-los dentro de quadra.

Descendo

Jimmer Fredette (armador, Sacramento Kings)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. R.B. Erros FG% 3pt.% FT%
29 20.7 8.0 1.2 1.9 0.6 1.3 37.5 37.5 88.9

Assistir aos primeiros meses de Jimmer Fredette como profissional não tem sido agradável. Infelizmente, isso já era esperado. Acostumado a jogar com a bola nas mãos e liberdade dentro de quadra, o armador está aprendendo a ser “apenas mais um” em Sacramento: um processo que costuma levar o atleta ao fundo do poço antes de dar condições para que se reerga. Lembre-se, por exemplo, do caso de J.J. Redick.

Tecnicamente, nada mudou em Fredette. As qualidades que se via no basquete universitário estão lá e dão sinais esporádicos – o alcance no arremesso, sua subestimada qualidade de passe, a capacidade de criar as próprias oportunidades de cesta. A peça que está faltando é a confiança. E, na falta de confiança, a tomada de decisões do armador caiu a níveis alarmantes. Não é raro vê-lo tentar um tiro de três pontos marcado e, na posse imediatamente seguinte, passar um arremesso livre. Neste momento, com a bola na mão ou não, falta convicção ao seu jogo. E, para alguém que se sobressaía como prospecto pela confiança e incisão com que atuava (sua defesa e atributos físicos não estão a altura da média da NBA), isso é um atestado de improdutividade.

Compare Fredette com Isaiah Thomas, 60º selecionado no mesmo draft. Qual dos dois está jogando com a agressividade e confiança dos tempos de universidade? E, agora, qual dos dois é o titular do Kings?

Relatório da D-League

Malcolm Lee (ala-armador, Minnesota Timberwolves / Sioux Falls Skyforce)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. R.B. Erros FG% 3pt.% FT%
3 25.3 9.7 2.7 6.0 0.7 2.0 39.4 0 100

A temporada de Malcolm Lee só está começando neste mês, por conta de uma cirurgia que realizou recentemente no joelho esquerdo. Particularmente, eu sempre gostei muito do ala-armador, um especialista defensivo formado em um programa de primeira linha (UCLA) e que tem todos os atributos necessários para ser um excelente marcador entre os profissionais: velocidade, altura, condicionamento atlético, movimentação lateral, jogo de pernas.

Não assisti a nenhum dos seus jogos na D-League, então não posso dar uma visão mais profunda de sua defesa. Em suas estatísticas, saltam aos olhos dois aspectos: o número de assistências e aproveitamento de arremessos de quadra. No primeiro caso, é uma agradável surpresa vê-lo mostrando sua subestimada capacidade de enxergar a quadra tão cedo, o que pode render-lhe valiosos minutos como armador no próximo nível – potencializando sua vantagem física natural. Por outro lado, os menos de 40% de acerto nas tentativas de chute são fortes indícios que sua seleção de arremesso – que já o comprometia na universidade –, continua a ser um problema sério.

Greg Smith (pivô, Houston Rockets / Rio Grande Valley Vipers)

Jogos Min. Pts. Reb. Ass. Tocos Erros FG% 3pt.% FT%
21 27.8 16.7 7.9 1.6 1.3 2.3 66.4 0 56.2

As ligas menores são o caminho mais longo para a NBA. E foi este o caminho que Greg Smith teve que percorrer após não ter sido selecionado no último recrutamento. O pivô foi para a D-League e teve seu esforço recompensado no início de fevereiro, quando assinou contrato de três anos com o Rockets. Um prêmio merecido para o ex-aluno da Universidade de Fresno State, que teve uma passagem meteórica pela competição e foi, inclusive, selecionado para participar do Jogo das Estrelas da liga.

Pelo Rio Grande Valley Vipers, Smith teve a oportunidade de mostrar algo que parece ter passado despercebido por muitos analistas: embora não seja um jogador tecnicamente espetacular – especialmente, na defesa –, ele possui um corpo pronto para o basquete profissional. Forte e alto o bastante para bater de frente com veteranos, o atleta de 21 anos ainda faz uso de suas enormes mãos para garantir vantagem na briga por rebotes e trabalhando próximo da cesta.

UMA SEGUNDA OPINIÃO…

Kenny Smith (TNT) sobre Kyrie Irving:

“Eu adoro sua forma de jogar e ele é tão tecnicamente polido. É equilibrado, maduro e amo sua altura e força. Kyrie não foi afetado pelas diferentes defesas que foram usadas para pará-lo. Ele está mentalmente preparado para essa liga”.

Anthony Macri (Hoopsworld, consultor do Pro Training Center) sobre Kemba Walker:

“Eu gosto do que vi de Kemba Walker – acho que ele tem uma forma natural de jogar e entende quando acelerar e a hora de cadenciar mais o jogo”.

David Thorpe (ESPN, diretor do Pro Training Center) sobre Brandon Knight:

“Ele é um calouro em um time terrível. Desperdícios de bola são esperados. Independente disso, eu acho que ele pode ser muito bom, talvez até um astro. Sua ética de trabalho é espetacular”.

Chad Ford (ESPN) sobre Jimmer Fredette:

“Uma grande parte do seu sucesso na faculdade foi o técnico Dave Rose. Ele me disse durante os treinamentos pré-draft que Fredette joga bem quando sabe que pode arremessar quanto quiser. Se ele não tem luz verde e começa a pensar demais, acaba piorando. Grande parte do sucesso de Jimmer está em ter um treinador que acredite nele e o deixe jogar com liberdade”.

LEGENDA:

Min. – Minutos
Pts. – Pontos
Reb. – Rebotes
Ass. – Assistências
R.B – Roubos de bola
FG% – Aproveitamento de arremessos de quadra
3pt.% – Aproveitamento de arremessos de três pontos
FT% – Aproveitamento de lances livres

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.
  • O post ficou excelente!
    Gostei da comparação com os ‘Rookie Challenge’ anteriores!

    E agora, com a lesão do Rubio, o Irving dificilmente perde o ROY!

    • Ricardo

      Valeu, Marcos. Na verdade, Irving poderia se machucar hoje que seria o ROY. Rubio, contundido mesmo, deve ser o segundo mais votado no fim das contas. É difícil ver alguém desbancando os dois.