Revisão da temporada – Chicago Bulls

Chicago Bulls

Todos os números

Resultado final: Perdeu na final da conferência Leste para o Miami Heat por 4 a 1
Temporada regular: 60-22, 1° na divisão Central, 1° na conferência Leste
Maior invencibilidade: Nove jogos – entre 30 de março e 13 de abril
Maior jejum de vitórias: Dois jogos – quatro vezes
Média de público como mandante: 20.916 pessoas (100% da capacidade)
Maior salário: Carlos Boozer, $ 14.400.000 dólares
Pontos por jogo: 98.6 (20°)
Pontos sofridos por jogo: 91.3 (2°)
Rebotes por jogo: 44.2 (2°)
Assistências por jogo: 22.1 (9°)
Bloqueios por jogo: 5.7 (5°)
Roubadas de bola por jogo: 7.2 (17°)
Erros de ataque por jogo: 13.5 (15°)
Porcentagem de arremessos convertidos: 46.2% (13°)
Porcentagem de lances livres convertidos: 74.3% (26°)
Porcentagem de arremessos de três pontos convertidos: 36.1% (13°)
Maior pontuação: 132, contra o Sacramento Kings no dia 21 de março
Menor pontuação: 78, contra o Orlando Magic no dia 1° de dezembro
Maior pontuação sofrida: 120, contra o New York Knicks no dia 4 de novembro
Menor pontuação sofrida: 73, duas vezes
Maior cestinha em um jogo: 42 pontos, Derrick Rose, duas vezes
Maior reboteiro em um jogo: 22 rebotes, Carlos Boozer contra o New York Knicks no dia 12 de abril
Maior assistente em um jogo: 17 assistências, Derrick Rose contra o Milwaukee bucks no dia 26 de março  

Ginásio: United Center (capacidade para 20.916 pessoas)
Técnico: Tom Thibodeau (Uma temporada, 62-20)

Movimentações no elenco:

13 de julho de 2010: Assinou contrato com Omer Asik, em troca com o Portland Trail Blazers no dia do draft de 2008.
Assinou com Carlos Boozer, Kyle Korver, Ronnie Brewer, C.J. Watson (assinou com o Golden State Warriors e foi trocado em seguida), Kurt Thomas, Keith Bogans, Brian Scalabrine, e Rasual Butler como agentes livres.

A temporada

A aposta em um técnico sem experiência no cargo, poderia deixar muitos torcedores preocupados, porém, Tom Thibodeau mostrou que é capaz de montar times na defesa. Claro que o treinador não caiu de paraquedas, já que era assistente na NBA desde 1989, passando pelo Minnesota Timberwolves, San Antonio Spurs, Philadelphia 76ers, New York Knicks, Houston Rockets, e Boston Celtics. Ou seja, ele acumulou bagagem para assumir a posição.

De cara, Thibodeau colocou o Bulls entre os favoritos da conferência Leste, ao utilizar um time completamente diferente do ano anterior. Nada menos que oito jogadores vieram da agência livre, entre eles, dois titulares: Carlos Boozer e Keith Bogans. A adição do primeiro, especialmente, trouxe ao time algo que não tinha há anos, que é a força ofensiva no garrafão. Desde a saída de Elton Brand, em 2001, a equipe sentia a falta de um jogador que pudesse contribuir todas as noites no ataque. Bogans era a defesa de perímetro que o time perdeu com a saída de Kirk Hinrich.

Assim, o time de Chicago começou o ano, mas foi durante a temporada que a coisa fluiu. Derrick Rose era o homem para comandar o ataque, e o fez como poucos em 2010-11, com média de 25.0 pontos por jogo. Mas foi na reta final da temporada regular que a equipe ganhou corpo. Nos últimos 31 embates, venceu 28. Para completar, o Bulls só foi perder em abril, já nos playoffs, para o Indiana Pacers.

Nos playoffs, o Bulls foi muito bem contra o Pacers, vencendo por 4 a 1, mas começou a se complicar na série contra o Atlanta Hawks, quando perdeu a primeira partida em casa, mas recuperou-se vencendo fora, fechando em 4 a 2. Contra o Miami Heat, começou de forma arrasadora, derrotando o oponente por 103 a 82. Era o sinal de que o título da conferência estava em suas mãos. Enganou-se quem pensou assim, pois esbarrou em LeBron James e Dwyane Wade, sendo eliminado com quatro derrotas consecutivas.

O draft 2011

O Chicago Bulls não tinha escolhas entre as 20 primeiras seleções, e acabou recebendo o ala-pivô sérvio Nikola Mirotic em uma troca, e por fim, ficou com o ala Jimmy Butler, de Marquette. Nenhum dos dois deve aparecer logo de cara, já que o elenco é muito forte.

O perímetro

Derrick Rose é a primeira opção de ataque do Chicago Bulls. Ele, apesar de ser armador, carregou o time ofensivamente. Rose também tem a virtude de buscar a cesta. Ele sofreu muitas faltas, o que o proporcionou 555 arremessos da linha do lance livre. Com quase 86% de aproveitamento, o jogador só não foi melhor que o ala-armador Kyle Korver, que teve 88.5%.

Korver é especialista nos arremessos, tanto de longa distância, quanto nos lances livres. O jogador liderou o time nos dois quesitos, sendo muito importante em momentos decisivos.

Muitos não confiam na capacidade de Keith Bogans, e acham que ele poderia ser substituído como ala-armador titular. Porém, o jogador vai muito além de bom defensor. Bogans tem um arremesso de três bem calibrado, e foi quase um termômetro do time quando precisou atacar. Nas seis vezes que anotou ao menos dez pontos, o Bulls sempre venceu.

Ronnie Brewer é outro especialista em defesa. É quase um clone de Bogans, mas com mais recursos ofensivos.

Luol Deng teve uma clara evolução nos últimos anos, e teve uma temporada bastante consistente. Pela quarta temporada na carreira, ele conseguiu ao menos 17.0 pontos de média. Uma ótima terceira opção de ataque. Sua defesa, é boa o suficiente para ser notada.

O garrafão

Com Carlos Boozer, o Chicago Bulls teve muito mais opções no ataque. Não é tão bom defensivamente, quanto é do outro lado da quadra, mas sabe contribuir também. Passou longe de ser a primeira opção, como fora no Utah Jazz, mas ainda assim conseguiu médias de 17.5 pontos e 9.6 rebotes. Tem um arremesso de média distância mortal, e sabe jogar de costas para a tabela.

Seu companheiro de garrafão, o pivô Joakim Noah, sofre com sua fragilidade física. Atuou em apenas 48 partidas da temporada regular, porém foi efetivo quando esteve em quadra, com médias de duplo-duplo.

Por conta das lesões de Noah, o veterano Kurt Thomas foi obrigado a assumir um papel maior que lhe foi proposto no início da temporada. Ainda assim, soube lidar bem com isso, e trouxe toda sua experiência ao time. Como titular [37 jogos], Thomas obteve 7.4 rebotes e 1.0 bloqueio.

Omer Asik fez um primeiro ano satisfatório, principalmente nos rebotes. Em uma projeção, caso jogasse 24 minutos, ele teria cerca de 7.5 rebotes.

Análise geral

O Chicago Bulls, de certo modo, surpreendeu muita gente em 2010-11. Seria muito óbvio dizer que o time foi bem, pois foi parar nas finais de conferência com um elenco todo renovado. Palmas para John Paxson, GM da equipe e ex-jogador, que soube contratar jogadores fundamentais para a campanha. O técnico Tom Thibodeau fez o time andar nos trilhos conforme seu pensamento defensivo. Tanto é, que o Bulls só sofreu 100 pontos ou mais em apenas 14 oportunidades.

O armador Derrick Rose, que apesar de não ser um armador clássico [que pensa no passe antes do arremesso], foi o MVP da temporada. O Bulls rendeu muito em suas mãos, já que nos anos anteriores era conduzido por Kirk Hinrich. Rose possui grandes jogadores ao seu lado, e poderia utilizar sua visão de jogo para crescer ainda mais. Obteve quase oito assistências por partida, entretanto é evidente que pode contribuir mais, envolver mais seus companheiros, do que se limitar aos arremessos e as investidas ao garrafão adversário.

O time inteiro é muito bom, com boas peças de reposição. Talvez tenha faltado justamente outras opções ofensivas na série contra o Miami Heat, já que Rose quis colocar a bola debaixo do braço o tempo todo [35.0% de aproveitamento em arremessos, 3.8 erros de ataque, e 6.6 assistências].

De qualquer forma, o Bulls fez um grande ano, superando todas expectativas do início de 2010-11. Seguindo assim, e melhorando em alguns aspectos, vai brigar sempre pelo título.

O torcedor – Fernando Mendonça

Perdemos Lebron James, e consequentemente Dwyane Wade e Chris Bosh na agência livre passada. Afinal ele [James] foi levar seus talentos pra Miami. Águas passadas e a esperança toda depositada em Derrick Rose com o tão sonhando PF que os Bulls perseguia a anos, Carlos Boozer. Contratou um técnico que vinha fazendo um magnifico trabalho nos Celtics como assistente e adicionou algumas peças do Utah Jazz. Tudo conspirava a favor de uma bela temporada regular.

Resultado? Muito mais surpreende do que qualquer torcedor poderia imaginar. O time fez a melhor campanha da temporada regular, superando forças de temporada regular do Leste como Boston Celctis, Miami Heat e Orlando Magic, e do Oeste como San Antonio Spurs, Dallas Mavericks e Los Angeles Lakers. Sorte? Um pouco. Competência? Um pouco também. Mas não foi nada fácil.

O garrafão, sofrendo com contusões de Boozer e Joakim Noah alternadamente, deixando Derrick Rose com a responsabilidade de resolver grande parte dos jogos. Luol Deng, enfim jogou até mais do que muitos esperavam não sendo aquele astro, mas sim sendo mais consistente e principalmente ajudando muito na defesa. Tom Thibodeau realmente ensinou defesa para o time.

O que ajudou muito os Bulls foi o banco. Com o quinteto sendo completado por Keith Boogans, o Chicago tinha no banco jogadores que colocavam fogo na partida quando entravam ou que poderiam manter a constancia do time. Taj Gibson, Kyle Korver, CJ Watson e outros. Isso foi determinante para a melhor campanha da temporada. Não era o melhor time, claro que não. Porém com a inconstância de alguns times durante a temporada e outros nas rodadas finais presenteam os Bulls com a melhor campanha levando também prêmios individuais de MVP para Rose e melhor técnico para Thibodeau.

Playoffs começando, tudo certo apesar de um pequeno tropeço contra o Indiana Pacers, mas perdeu onde poderia perder. Um pouco de sorte também e o Atlanta Hawks elimina o Magic, tornando nosso caminho até a final mais fácil, enquanto Celtics e Heat se matavam do outro lado.

Final da conferência contra um contestado Miami e principalmente contra um ultra-mega contestado Lebron James, tendo que provar que sua apatia em jogos finais era coisa do passado.

Quem nós menos esperávamos que se destacasse acabou por resolver a série que foi Chris Bosh. Matou a defesa do Chicago com seus arremessos certeiros e o Chicago dava adeus a chance de ir pra tão sonhada final. Ficou a decepção de ver Boozer defender menos que um juvenil e certas bolas de três forçadas por Rose em muitos jogos da série. Tom tem muito a melhorar o time e extrair mais desses jogadores.

Mas foi maravilhoso no final das contas, porque vimos que temos condições de disputar de igual pra igual com os melhores, principalmente se Boozer começar a defender e Rose ficar mais preciso em seus arremessos.

Chicago tem uma boa base pra muitos anos. Talvez uma troca envolvendo Boozer por um jogador que defenda melhor, mas que pontua razoavelmente bem, seria o que muitos torcedores fariam. Nenê? Quem sabe…

O torcedor – Luis Araújo – iG Esportes

“Título não vai dar. O que podemos sonhar é com uma vaguinha nas semifinais de conferência. Passar da primeira fase dos playoffs já vai ser uma vitória”. Este era o meu pensamento sobre as aspirações do Chicago Bulls para esta temporada, após o anúncio da contratação do ala-pivô Carlos Boozer.

Antes mesmo do início do campeonato, Boozer machucou a mão e ficou mais de um mês afastado. Eu, que já estava com um pé atrás, coloquei também o segundo no que diz respeito à evolução do Bulls em relação à temporada anterior. Tinha a impressão de que qualquer vitória sem aquele que era a principal aquisição da franquia deveria ser bastante comemorada.

Erro meu. Com os olhos voltados para Boozer, não percebi que, na verdade, a grande novidade no tricolor de Illinois estava no banco e atendia pelo nome de Tom Thibodeau. Ex-auxiliar de Doc Rivers no Boston Celtics, o novo treinador tratou de implantar no Bulls uma defesa sólida, agressiva, capaz de fazer o adversário encontrar imensa dificuldade para marcar cestas.

Os dedos de Thibodeau também lapidaram o ataque. Mas o resultado da obra não teria sido o mesmo se não contasse com um arquiteto chamado Derrick Rose. As atuações do armador ao longo da temporada, a sua terceira como profissional, encantaram os torcedores e conduziram o Chicago às vitórias.

Assim, despretensiosamente, o time foi subindo na tabela de classificação da conferência Leste. Orlando Magic e Atlanta Hawks, concorrentes que classificava como mais fortes antes de a temporada começar, ficaram para trás. Restava o experiente Boston Celtics – que, pra mim, seria finalista novamente – e o Miami Heat, formado por aquele trio de caras que são talentosos na exata proporção em que são malas.

Rose foi titular no “All-Star Game”. Foi a primeira vez que isso aconteceu com um jogador do Bulls desde Michael Jordan, em 1998. O camisa 1 manteve o alto nível das apresentações pelo decorrer do campeonato e levou a equipe a ultrapassar Boston e Miami, alcançando o topo do Leste. Repito: foi a primeira vez que isso aconteceu desde 1998.

O prêmio de MVP (melhor jogador) da temporada ficou com Rose. Tom Thibodeau faturou o troféu de melhor treinador da liga. As 62 vitórias na fase classificatória fizeram com que o Bulls chegasse aos playoffs com a melhor campanha da liga. As chances de título eram bem reais, para o deleite dos fãs. E insisto: pela primeira vez desde 1998.

Nos playoffs, apesar de algumas partidas bem equilibradas diante do surpreendente Indiana Pacers, não foram necessários mais do que cinco jogos para que a classificação fosse garantida. Na fase seguinte, o Atlanta Hawks também chegou a assustar, mas as atuações convincentes nas duas últimas partidas da série fizeram com que o time avançasse à final de conferência em alta.

No último degrau antes do tão sonhado retorno à decisão, estava o Miami Heat. Lembro-me que a empresa que fabrica o game de basquete mais badalado da atualidade, a 2K, simulou o que aconteceria no desfecho da temporada. E a brincadeira apontou que o Bulls seria campeão. Passaria pelo Heat e, depois, pelo Dallas Mavericks nas finais. Ambas as séries seriam decidias em sete jogos.

Infelizmente, não foi isso o que aconteceu. Após aplicar uma surra ao time da Flórida no primeiro jogo, o Bulls foi dominado nos quatro confrontos seguintes. Nos revezes, os placares foram apertados. As partidas foram definidas apenas nos minutos derradeiros. Mas o Heat mostrou que, no momento, é um time mais capacitado a concluir os jogos.

Rose, de fato, mostrou um basquete de primeira linha o ano todo. O fato de ter integrado a seleção norte-americana campeã mundial na Turquia em 2010 contribuiu bastante com o desenvolvimento que ele teve. No entanto, foi aluno nas finais do Leste de um professor chamado LeBron James, que ensinou o jovem armador como se deve definir uma partida de basquete.

Ainda é necessário que o Bulls faça alguns ajustes para verdadeiramente chegar em condições de disputar o título no futuro. Mas a experiência nesta temporada foi bastante animadora e permitiu que os torcedores voltassem a sonhar com aquilo que não acontece desde 1998.

A esperança é que a temporada 2011/12 – se o locaute permitir que ela realmente seja realizada – seja ainda mais positiva.

Titulares

PG: Derrick Rose – 25.0 pontos, 7.7 assistências, 4.1 rebotes
SG: Keith Bogans – 4.4 pontos, 38.0% nos três pontos
SF: Luol Deng – 17.4 pontos, 5.8 rebotes
PF: Carlos Boozer – 17.5 pontos, 9.6 rebotes, 51.0% nos arremessos
C: Joaquim Noah – 11.7 pontos, 10.4 rebotes, 1.5 bloqueio, 52.5% nos arremessos

Principais reservas

PF/C: Taj Gibson – 7.1 pontos, 5.7 rebotes
SF/SG: Kyle Korver – 8.3 pontos, 41.5% nos três pontos, 88.5% nos lances livres
PG: C.J. Watson – 4.9 pontos, 2.3 assistências
SG: Ronnie Brewer – 6.2 pontos, 3.2 rebotes, 22:00 minutos
PF/C: Kurt Thomas – 4.1 pontos, 5.8 rebotes
C: Omer Asik – 2.8 pontos, 3.7 rebotes, 12:04 minutos

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Gustavo Freitas
Gustavo Freitas
Mineiro de Uberaba, é co-fundador do Jumper Brasil e fã do Boston Red Sox.