Rumornelli: As decisões do Sixers, dilema de Kevin Love e desmanches abortados

Precisamos falar sobre o Sixers

Na última offseason, finalizadas as trocas e contratações, era consenso quase geral que o Leste tinha dois candidatos a título: o Milwaukee Bucks e o Philadelphia 76ers. No caso do Sixers, o GM Elton Brand teria criado uma equipe que exploraria o melhor de Ben Simmons e Joel Embiid. Adicionando o pedigree coletivo e defensivo de Al Horford a um dos times mais altos da NBA, o Sixers estaria equipado para defender forças quase imparáveis da NBA como Giannis Antetokounmpo, e seria a criptonita do atual MVP da NBA.

A ideia até deu certo – por um jogo, o de Natal – mas talvez o GM Elton Brand tenha esquecido de se planejar para todos os outros times da liga. O Sixers tem demonstrado problemas de encaixe e de rendimento, o que faz com que a diretoria já passe a olhar para o elenco de outra forma.

Tim MacMahon (ESPN) reportou que o time busca jogadores com perfil de arremessador e criador de jogadas no mercado, de preferência para o backcourt. Ou seja, busca exatamente o tipo de jogador oposto ao que investiu tão pesadamente na offseason. Parece evidente que a diretoria reconhece a falha e trabalha para consertar, mas quais as opções realistas?

Uma troca de Horford ou Tobias Harris parece improvável. Os dois possuem contratos longos e caros, então dificilmente o Sixers moveria um deles sem ter que receber outro contrato igualmente danoso ou então levando a pior na troca em termos de talento. O time também foi listado como um dos interessados por Marcus Morris, que faz grande campanha no Knicks. Apesar disso, é difícil chegar no número de US$ 15 milhões do salário de Morris sem mexer em outras peças importantes ao time. Além disso, estamos falando justamente sobre corrigir o equilíbrio das posições do elenco, que está muito carregado no frontcourt. Que sentido haveria em adquirir outro jogador deste setor?

Um parceiro de troca que, talvez, fizesse sentido para uma troca de Horford é o Sacramento Kings. O time da California já mostrou interesse no veterano no passado, e possui atualmente dois “problemas” no elenco: Dewayne Dedmon e Bogdan Bogdanovic. O primeiro está insatisfeito com seu tempo de jogo e já pediu para ser trocado publicamente, enquanto que o segundo é agente livre restrito ao final da temporada e já recusou uma oferta de extensão do Kings. Com medo de perde-lo ou ser obrigado a renovar mais caro do que gostaria, o time busca um negócio para o ala-armador.

Ambos encaixariam bem no sistema do Sixers, mas será que são o suficiente para corrigir os defeitos e retornar o time ao status de candidato ao título? É difícil dizer, mas é fato que o time que mais “deu certo” da Era Embiid/Simmons, ao menos em termos de encaixe e estilo, foi o de 2017-18. Naquele ano, os dois jovens astros dividiam a quadra com coadjuvantes complementares como Robert Covington, Dario Saric, JJ Redick, Marco Belinelli e Ersan Ilyasova. Este perfil está longe do elenco de apoio montado hoje, então cabe ao Sixers analisar as opções de mercado para tentar se reaproximar deste modelo de sucesso.

Como moeda de troca, o time tem o jovem Zhaire Smith, que demonstrava muito potencial na NCAA, mas ainda precisa de tempo de desenvolvimento na NBA e não encaixa num projeto que deseja vencer agora. Além dele, vários dos contratos menores do time podem ser envolvidos para bater salários, como Mike Scott e James Ennis. O calouro Matisse Thybulle demonstra grande habilidade defensiva e só deve ser trocado caso um negócio muito bom apareça, por algum atleta de nível alto.

Entre nomes especulados, estranha bastante o fato do time estar envolvido em rumores por jogadores de frontcourt. Além de Morris, Davis Bertans também foi ventilado. Isso poderia indicar que o time busca em paralelo realmente um negócio para Al Horford, que recentemente expressou sua insatisfação com sua participação no sistema ofensivo. Josh Richardson, outro que chegou nesta temporada, falou sobre os novos chegados (como ele) não poderem ter voz ativa no vestiário, o que foi interpretado como uma crítica velada aos astros da equipe que já ali já estão há algumas temporadas. Com sua declaração vindo pouco tempo após as reclamações de Horford, parece que os dois estão “juntos” nessa.

Richardson é um ativo de troca que também pode ter valor no mercado, mas uma das poucas peças que dá equilíbrio ao time nas rotações e o único jogador capaz de carregar a bola no final das partidas além de Simmons, então uma troca dele também parece improvável.

No final de tudo, o GM Elton Brand tem um quebra-cabeças para resolver, e se formos tomar por base sua experiência como GM do Sixers, deve resolvê-lo jogando as peças para o alto. Em menos de duas temporadas no cargo, ele já fez diversas trocas e contratações de vulto, com apenas Embiid e Simmons permanecendo no elenco entre os jogadores de rotação desde que Brand assumiu. Se formos tomar isso como padrão, podemos esperar pelo menos uma movimentação considerada importante de Brand até o dia 6 de fevereiro, data final para trocas na NBA.

Kevin Love segue sem interessados

Com o Portland Trail Blazers cada vez mais parecendo que não vai fazer movimentos bruscos para comprometer sua flexibilidade futura, o ala-pivô Kevin Love fica cada vez mais distante de uma troca. Com o surgimento de outros nomes da posição teoricamente disponíveis no mercado, fica difícil imaginar quem se interessaria por ele e seu polpudo contrato e não em Marcus Morris, Danilo Gallinari ou Davis Bertans, opções bem mais baratas para a mesma posição e função. O único interessado teórico segue sendo o Phoenix Suns, mas quanto mais o time se afastar da briga por playoffs, menos sentido faz o interesse em Love. Também não ajuda em nada o fato de Deandre Ayton ter dito recentemente que prefere jogar na posição quatro, com Aron Baynes ao seu lado.

Ao que tudo indica, Love precisará ser paciente e aguardar novas movimentações no mercado que possam lhe abrir uma oportunidade. O Cavs, inclusive, pediu a ele e seu agente que ajudassem a buscar interessados no atleta, num sinal de que a negociação está difícil.

Desmanche no Pelicans? Alto lá…

Até algumas semanas atrás, o cenário da temporada do New Orleans Pelicans parecia terrível. Com Zion Williamson fora de ação por uma lesão no joelho, o time patinava na competição e os veteranos do elenco passavam a desejar trocas para situações mais vencedoras. O armador Jrue Holiday puxou a fila, desejando ser trocado para um time de playoffs em caso da temporada ir pelo ralo.

Mas aí o time melhorou de campanha, e com outros times passando por turbulências no Oeste, o Pelicans está a apenas quatro vitórias da oitava colocação do Oeste. Some-se a isso as notícias de que Zion já treina com bola, podendo fazer sua estreia ainda neste mês, e um calendário considerado mais fácil nas próximas semanas, e o Pelicans deve entrar firme na briga por uma vaga nos playoffs. Caso tudo isso se confirme, um desmanche ainda durante esta temporada se torna bastante improvável.

E em OKC também…

Outro time que parece ter abortado o desmanche é o Oklahoma City Thunder. Na sétima posição do Oeste e com campanha positiva, Chris Paul e seus companheiros de time estão mais do que firmes na briga pela classificação aos Playoffs, o que faz com que rumores de troca de Danilo Gallinari, Steven Adams e do próprio Paul tenham quase desaparecido. Talvez Gallinari ainda seja trocado, já que é um contrato expirante e o time poderia conseguir algum ativo por ele, caso não pense que consegue renovar seu vínculo ao final da temporada. Mas mesmo neste cenário, pode ser que o Thunder acabe usando esta situação para buscar reforços ao invés de desmontar seu time em troca de ativos. A classificação para os Playoffs nesta temporada seria um tremendo ato de afirmação, depois de ver seus dois All-Stars, Paul George e Russell Westbrook, pedirem para ser trocados durante a última offseason.


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