Rumornelli: Reformulação do Sixers, mercado de técnicos e VanVleet em alta

Com a NBA tão focada na competição em sua “bolha” em Orlando, as últimas semanas têm sido fracas em termos de rumores. Agora, os times começaram a ser eliminados dos playoffs e, com isso, as especulações sobre essas equipes se iniciam.

Reformulação na Philadelphia

No cargo desde 2013, o ciclo de Brett Brown no comando técnico do Philadelphia 76ers terminou nessa segunda-feira. Por mais que ele não seja o culpado exclusivo pelos maus resultados do time, e que a demissão o tenha deixado com aparência de bode expiatório, é também verdade que ele falhou na condução do vestiário e do próprio time em quadra. A impressão que ficou é que o elenco parou de lhe ouvir e o empenho e dedicação dos jogadores do Sixers passou a não ser o ideal, algo que sempre passa pela comissão técnica.

Brown é um excelente profissional, mas o Sixers chegou a um ponto onde mudanças eram necessárias. Segundo repórteres que cobrem o time, a reformulação não deve parar por aí. Por mais que Elton Brand esteja garantido no cargo de gerente-geral, a diretoria da franquia vai passar por uma reformulação em todos os níveis. Com isso, executivos devem ser contratados para trabalhar com Brand, e não se descarta a busca por um presidente de Operações de Basquete, que ficaria acima de Brand na hierarquia, um modelo cada vez mais comum ao redor da liga.

Por ora, a franquia não cogita separar a dupla Joel Embiid e Ben Simmons. O bem sucedido time de 2017-18 seria a prova de que o encaixe entre ambos é possível, desde que as demais peças sejam as corretas. Ademais, é certo que o próximo técnico deve vender para a diretoria a ideia de que consegue fazer ambos jogarem juntos para ser contratado. Então, por enquanto, a dupla não deve se desfazer. Embiid tem contrato até 2023, enquanto o vínculo de Simmons vai até 2025. O time não está, portanto, pressionado a pensar em trocar um deles nesta offseason.

Uma das difíceis missões da diretoria vai ser tentar trocar Tobias Harris ou Al Horford. Ambos não encaixaram bem no time, e têm contratos bastante complicados para serem negociados. Harris assinou uma extensão de US$ 180 milhões por cinco anos, na última offseason, e ainda tem quatro anos de contrato com salário médio na casa de US$ 36 milhões. Já o veterano Horford tem mais três anos na casa dos US$ 27 milhões, mas estará com 37 anos no último ano de contrato e isso assusta diversos times, já que, desde o ano passado, ele demonstra sinais de declínio físico.

Uma estratégia para o Sixers seria tentar trocar esses contratos ruins por outros atletas que recebem acima do que deveriam, mas que encaixem melhor com Simmons e Embiid. Um dos alvos mais especulados por colunistas é o arremessador Buddy Hield, que está insatisfeito com seu papel no Sacramento Kings e tem mais quatro anos de contrato, com salário médio de US$ 23,5 milhões. O Kings já demonstrou interesse tanto em Harris quanto em Horford no passado. O armador Terry Rozier, hoje no Charlotte Hornets, também seria outro nome interessante.

É cedo demais para falar em outros nomes, já que as negociações devem ficar para outubro, caso a agência livre realmente se confirme neste período. É interessante, entretanto, observar quem vai ser o próximo técnico do Sixers. A filosofia do escolhido pode revelar muito sobre os planos de mercado da franquia. As especulações iniciais colocam Tyronn Lue, Jay Wright, Ime Udoka e Dave Joerger como principais nomes almejados pela diretoria.

Mercado de técnicos aquecido

E falando em técnicos, esse é o mercado que mostra sinais de alta demanda no momento. Com as demissões de Alvin Gentry e Brett Brown após as competições em Orlando, New Orleans Pelicans e Philadelphia 76ers se juntam a Chicago Bulls e Brooklyn Nets como as equipes que atualmente buscam um novo treinador.

Os quatro postos de trabalho têm atrativos distintos para bons treinadores, e a expectativa é de uma disputa bastante intensa e dinâmica pelos cargos. Chicago Bulls e New Orleans Pelicans são jovens times em reconstrução. Em Chicago, o novo treinador trabalharia em um dos mercados mais importantes da NBA e com aval da nova diretoria, comandada Arturas Karnisovas e Marc Eversley. Já em New Orleans, treinar Zion Williamson se mostra uma oportunidade única na carreira de qualquer treinador.

Com Sixers e Nets, os objetivos são diferentes. Com duplas de All-Stars em ambas as equipes, a ideia é competir por um título da NBA. Se no Sixers a missão é arrumar a casa e buscar o encaixe ótimo entre Embiid e Simmons, no Nets a tarefa envolve criar um sistema de jogo ao redor de Kyrie Irving e Kevin Durant que não aliene o núcleo que ajudou o time a voltar à relevância nos últimos anos.

Vários nomes em comum aparecem como especulados nesses times, com Tyronn Lue e Jason Kidd liderando as cotações. No caso do Nets, há também o interino Jacque Vaughn, que tenta se manter no cargo, além de uma possível oferta a Gregg Popovich, que está no comando do San Antonio Spurs desde 1996. Pop tem relação prévia com Sean Marks, gerente-geral do Nets. Como atleta, Marks jogou no Spurs de Pop entre 2003 e 2006, vencendo um título da NBA. Depois, iniciou a carreira fora das quadras como assistente da diretoria do Spurs em 2012, e posteriormente foi assistente de Popovich entre 2013 e 2016, sendo parte da comissão técnica que venceu o título de 2014. Em fevereiro de 2016, ele assumiu o cargo de GM do Nets e faz um dos trabalhos mais bem sucedidos da NBA nessa área.

Apesar do sonho com Popovich, é de se imaginar que o cargo do Nets é o mais atrativo para treinadores que estejam negociando com várias franquias no momento, e isso pode desempatar a corrida a favor do time do Brooklyn.

Fred VanVleet em alta

A agência livre ainda está longe de começar, e neste ano está permeada de incertezas pela ainda imprevisível situação do teto salarial e com muitas franquias resguardando suas finanças para a forte classe de agentes livres de 2021. Com isso, os times devem apostar apenas em certezas no mercado deste ano, e poucos jogadores se tornaram tão atrativos como Fred VanVleet.

O armador do Toronto Raptors percorreu um longo caminho entre não ter sido draftado em 2016 e o atual status de um dos pontuadores mais perigosos dos playoffs. Aos 26 anos, ele chega à agência livre com a certeza de que vai conseguir um excelente contrato. Com 17,6 pontos, 6,6 assistências e 39% de aproveitamento nas bolas de três nesta temporada, ele subiu essas médias para 21,3 pontos, 7,8 assistências de incríveis 55,9% nas bolas de longe nos playoffs.

As grandes atuações chamaram atenção de franquias como New York Knicks, Detroit Pistons e Phoenix Suns, de acordo com o repórter Shams Charania, do site The Athletic. O Raptors enfrenta, portanto, um grande dilema. A equipe tem grandes planos para 2021, e tem gerido sua folha de pagamentos de modo a ter bastante espaço nesta offseason, onde o maior nome disponível no mercado pode ser o de Giannis Antetokounmpo. Por outro lado, para ser atrativo para agentes livres, não basta ter apenas dinheiro. A franquia precisa mostrar ao mercado que o jogador que decidir assinar com o time vai ter um bom elenco para trabalhar, e atletas no perfil de VanVleet são perfeitos para criar essa equipe de apoio atrativa.

O presidente do Raptors, Masai Ujiri, vai ter mais concorrência do que desejaria pelos serviços de seu dinâmico armador, mas a expectativa é de que ele pague o que for preciso e depois faça outras trocas para liberar mais espaço para 2021, caso sejam necessárias. VanVleet atualmente recebe US$ 9,3 milhões, e o Raptors tem outros grandes contratos expirando ao final desta temporada, como os de Marc Gasol (US$ 25,5 milhões) e de Serge Ibaka (US$ 23,2 milhões).