Sem Conley, Jazz melhora produção e sobe na tabela do Oeste

Utah Jazz

Utah Jazz center Rudy Gobert (27) high fives Utah Jazz guard Donovan Mitchell (45) after having a foul called on him against the Cleveland Cavaliers at the Vivint Smart Home Arena in Salt Lake City on Friday, Jan. 18, 2019.

Fique de olho no Utah Jazz. A equipe de Salt Lake City venceu seus últimos seis compromissos, 11 dos últimos 12, sendo sete deles fora de casa. Os termômetros são diversos, como a ausência de Mike Conley, lesionado na coxa. Conley só atuou em um desses jogos. Com o ex-Memphis Grizzlies em quadra, o Jazz possui 13 vitórias em 22 embates (59.1%). Sem ele, o time perdeu apenas três em 14 partidas disputadas (78.6%). Além disso, desde que Jordan Clarkson chegou após troca com o Cleveland Cavaliers, o Jazz não perdeu. E ainda teve Joe Ingles, que subiu muito de produção sem Conley. Hoje, o time ocupa o quinto lugar no Oeste.

Na temporada passada eu comentei sobre isso em algumas oportunidades. A constatação é que o Jazz não precisa de um armador de ofício. Donovan Mitchell começou a campanha passada abaixo do esperado e, quando Ricky Rubio se lesionou, Mitchell fez números de All Star. Esse ano quem começou mal foi Ingles. O australiano foi relegado ao banco de reservas com a chegada do cestinha Bojan Bogdanovic. Na ausência de Conley, o técnico Quin Snyder optou por Ingles no quinteto inicial. O tempo de quadra não chega a ser muito diferente: 33 minutos como titular e 27 como reserva. Mas a produção, sim. Ele faz, em 16 jogos, 14.1 pontos, 5.9 assistências contra 7.6 pontos e 3.5 passes decisivos vindo da reserva, mas o arremesso mudou muito: de 36.2% para 51.9% no de quadra e de 31.2% de três para 51.1%.

No mais, o Jazz conta com Rudy Gobert no garrafão. Seus números crus ainda são excelentes, mas nas estatísticas avançadas mostram uma queda em relação aos anos anteriores. A melhor explicação fica por conta da ausência de um ala-pivô como Derrick Favors, que foi para o New Orleans Pelicans. Snyder opta por Bogdanovic para ter quatro jogadores abertos no ataque, o que prejudica um pouco na área pintada. Isso já era planejado.

É óbvio que a direção do Jazz não vai se mexer agora, mas também não vai acelerar a volta de Conley. Claro que ele pode contribuir, especialmente na defesa e na organização, mas com Ingles e Mitchell, a armação já está pra lá de servida, embora não sejam da posição de ofício. Conley tem contrato garantido até 2020-21 e receberá US$34.5 milhões na próxima temporada. Trocar um jogador de 32 anos, que não atua em mais de 70 dos 82 jogos desde 2013-14, é algo difícil de acontecer esse ano. Talvez, ao fim de 2019-20, quando ele terá acordo expirante, torna-se atrativo no mercado. Além disso, são apenas 22 jogos. Eles devem considerar pouco para uma conclusão.

O banco também cresceu de produção. Antes da troca, fazia 26.9 pontos. Desde a chegada de Clarkson, pulou para 34.7, sendo 81 só nos últimos dois jogos. Basicamente, antes era um “parto” para fechar os jogos. Dependia exclusivamente de Mitchell. Hoje, além de Bogdanovic, tem um banco que vai ajudar.

Mais do que um time forte, o Jazz é um time coletivo de verdade, sem vaidades. Snyder disse recentemente que os jogadores se alegram quando outros mostram evolução. E quem mais incentiva isso é Mitchell, o cestinha da equipe. Ele elogia seus companheiros e dá a eles o crédito devido.

Eu sei Los Angeles Lakers, Los Angeles Clippers, Houston Rockets e Denver Nuggets aparecem como os principais favoritos no Oeste, mas o Jazz é muito bom. E é melhor ainda quando você vê esse time jogar, fluindo nos dois lados da quadra.

Gustavo Freitas
Gustavo Freitas
Mineiro de Uberaba, é co-fundador do Jumper Brasil e fã do Boston Red Sox.