A aposentadoria de Shaquille O’Neal praticamente colocou fim em uma era de super pivôs, que venceram quase tudo na NBA. Nos anos 90, várias equipes baseavam-se em um jogador da posição para conquistar títulos. E deu certo.

Tudo bem que Shaq estava mais fazendo hora extra do que jogando nos últimos tempos, especialmente no Boston Celtics, mas onde ele atuava era sinônimo de disputa de campeonato. Foi assim no Orlando Magic, no Los Angeles Lakers e no Miami Heat. Ele participou de finais pelas três equipes, e saiu com quatro triunfos.

Depois, O’Neal envelheceu, ficou mais pesado ainda, e perdeu vários jogos por contusões. No Phoenix Suns, no Cleveland Cavaliers e no próprio Celtics, era mais uma figura, um emblema. OK, teve um brilhareco no Suns, já aos 36 anos. Foi co-MVP do Jogo das Estrelas, ao lado de Kobe Bryant, seu antigo rival. Mas já não era mais o mesmo.

Carismático, o jogador sempre deu um jeito de aparecer para as câmeras, mesmo que fosse para brincar com seus defeitos, como os lances livres, onde tinha enormes dificuldades. Seja com suas músicas de gosto questionável, em seus filmes ou pelo Twitter, onde anunciou que estava deixando o basquete, ele aparecia.

Seu nome poderia estar entre os grandes há mais tempo. Em 1992, o time dos Estados Unidos, o aclamado Dream Team, venceu de forma arrasadora todos os seus adversários nas Olimpíadas de Barcelona. Os jogadores da NBA pela primeira vez foram chamados, mas um dos 12 teria que ser universitário. Shaq era um dos nomes da lista, mas foi preterido por Christian Laettner.

Em 92-93, ele estreou na NBA e fez grande parceria nos anos seguintes com o armador Anfernee Hardaway. O sucesso foi imediato. O Magic foi para as finais da Liga, mas perdeu para o Houston Rockets, de Hakeem Olajuwon, em 94-95. Era apenas a sua primeira das seis finais que participou.

O’Neal, então, tornou-se agente livre em 1996, e foi parar na Califórnia, no Lakers. O começo não foi tão fácil, pois o time era sempre brecado nos playoffs. Mas isso durou pouco tempo, pois a diretoria contratou o técnico Phil Jackson para comandar Bryant e ele. Três títulos consecutivos pareciam ser uma dinastia que duraria por muitos anos.

A quarta tentativa, entretanto, foi frustrada pelo Detroit Pistons, em 2004. Na ocasião, a equipe de Los Angeles não conseguiu superar seu oponente, mesmo com Karl Malone e Gary Payton no elenco. Desgastado por problemas com Kobe, Shaq foi trocado para o Heat.

Seu quarto título aconteceu com o time da Flórida, com Dwyane Wade. O Heat, por intermédio do presidente, e posteriormente técnico Pat Riley, contratou vários jogadores de prestígio na NBA, como Antoine Walker, Jason Williams e o mesmo Payton. A incrível vitória de virada sobre o Dallas Mavericks foi sua última em finais.

Posteriormente, Shaq não parou mais em time algum. Foi negociado com o Suns, mas no Arizona ele já não era tão decisivo. O estilo de jogo de transição, talvez seja a melhor explicação para os seus números, pois já estava em declínio.

Veio o Cavs, onde foi escudeiro de LeBron James. Seu papel no time era somente intermediário. Não era nem a primeira ou segunda opção de ataque. Ficava escondido atrás de James, de Mo Williams e até de Antawn Jamison. A derrota para o Celtics nas semifinais foi definitiva para ele tomar um novo rumo.

No próprio Celtics, O’Neal tinha ainda menos tempo de quadra, mas a equipe ainda poderia dar-lhe mais um campeonato. Foi vencido pelas contusões, pela idade e pelo Heat, de James e Wade, seus antigos companheiros. Era hora de parar.

Aos 39 anos, Shaq contabilizou grandes histórias, títulos, brigas, apelidos, e cifras pouco imaginadas quando entrou na NBA [Em torno de $ 292 milhões de dólares, apenas em salários]. Mas tudo isso agora é apenas história.

Abaixo, alguns confrontos que ele fez em sua carreira:*

Contra Patrick Ewing

Contra Hakeem Olajuwon

Contra Dikembe Mutombo


Contra David Robinson



Contra Rik Smits

Contra Arvydas Sabonis

Contra Alonzo Mourning

Contra Jermaine O’Neal

Contra Yao Ming

Contra Ben Wallace

Contra Zydrunas Ilgauskas


Contra Vlade Divac




Seus triunfos

Quatro vezes campeão da NBA (2000, 2001, 2002, 2006)
Três vezes MVP das Finals (2000, 2001, 2002)
MVP (2000)
Melhor calouro do ano (1993)
15 participações no Jogo das Estrelas (1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2009)
Duas vezes cestinha da temporada (1995, 2000)
Oito vezes no time ideal da NBA (1998, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006)
Duas vezes no segundo time ideal da NBA (1995, 1999)
Quatro vezes no terceiro time ideal da NBA (1994, 1996, 1997, 2009)
Três vezes no segundo time ideal de defesa da NBA (2000–2001, 2003)
Uma vez no time ideal dos calouros (1993)
Três vezes MVP do Jogo das Estrelas (2000, 2004, 2009)
Campeão Mundial da FIBA com a seleção dos EUA (1994)
Campeão Olímpico (1996)

Seus números:

Times: Seis (Orlando Magic, Los Angeles Lakers, Miami Heat, Phoenix Suns, Cleveland Cavaliers, Boston Celtics)
Idade: 39 anos
Altura: 2,16m
Peso: 147 quilos
Jogos: 1207
Como titular: 1197
Pontos: 28596
Média de pontos: 23.7
Rebotes: 13099
Média de rebotes: 10.9
Bloqueios: 2732
Média de bloqueios: 2.3
Assistências: 3026
Média de assistências: 2.5
Cestas convertidas: 11330
Cestas tentadas: 19457
Porcentagem: 58.2%

*Todas as estatísticas foram retiradas do site Basketball Reference

Legenda:

G: Jogos
W: Vitórias
L: Derrotas
GS: Como titular
MP: Minutos jogados
FG: Arremesso convertido
FGA: Tentativa de arremesso
FG%: Porcentagem de arremesso convertido
3P: Arremesso de três pontos convertido
3PA: Tentativa de arremesso de três pontos
3P%: Porcentagem de arremesso de três pontos convertido
FT: Arremesso de lance livre convertido
FTA: Tentativa de arremesso de lance livre
FT%: Porcentagem de arremesso de lance livre convertido
ORB: Rebotes ofensivos por jogo
DRB: Rebotes defensivos por jogo
TRB: Total de rebotes por jogo
AST: Total de assistências por jogo
STL: Total de roubadas de bola por jogo
BLK: Total de bloqueios por jogo
TOV: Total de erros ofensivos por jogo
PF: Total de faltas cometidas por jogo
PTS: Total de pontos por jogo

Gustavo Freitas
Gustavo Freitas
Mineiro de Uberaba, é co-fundador do Jumper Brasil e fã do Boston Red Sox.