Stashes da NBA – Equipes da Divisão do Atlântico

Por Gabriel Andrade

O Draft and Stash é uma prática consolidada na NBA, em que equipes escolhem jogadores na NCAA ou no basquete internacional e optam por deixá-los desenvolvendo em algum outro canto do mundo antes de irem para a liga, seja por questão contratual ou por sentirem que esses atletas não estão prontos para o melhor basquete do mundo.

De casos de sucesso a fracassos, podemos citar como exemplos de jogadores que seguiram essa trajetória recentemente: Dario Saric, Nikola Mirotic, Nikola Jokic, Ante Zizic, James Ennis, Mike Muscala, Guerschon Yabusele, Bogdan Bogdanovic, Bojan Bogdanovic, Furkan Korkmaz, Cedi Osman, Willy Hernangomez, Lucas Bebê, Alex Abrines, entre outros nomes de diferentes de adaptação.

Neste sentido, vamos iniciar uma série de textos analisando os jogadores draftados pelas franquias que andam desenvolvendo seu jogo em algum lugar do mundo. Começamos pelas equipes da Divisão do Atlântico.

 

Philadelphia 76ers

Jonah Bolden

País Natal: Austrália

Clube na Temporada 2017-2018: Maccabi Tel Aviv

Idade: 22 anos

Altura: 2.08m (6’10’’)

Envergadura: 2.21m (7’3’’)

Posição: Ala-Pivô/Pivô

Contexto: Jonah Bolden (foto) atuou toda a temporada pelo Maccabi Tel Aviv, parte integral da rotação do principal time de Israel e que competiu ativamente por uma vaga de playoffs na Euroliga. Foi o segundo melhor jovem jogador do torneio continental, atrás apenas da Escolha #3 do Draft de 2018, Luka Doncic, que também foi o MVP. O australiano saiu de UCLA após problemas pessoais no NCAA, foi escolhido na Segunda Rodada do Draft de 2017 em temporada produtiva pelo FMP Belgrado (Sérvia) e foi um dos jogadores que melhor produziram nas Summer Leagues da NBA no ano passado. Com o fim de uma temporada consolidada em nível maior, é esperado que o 76ers leve seus talentos já nesta offseason, para compor a rotação de garrafão da equipe.

Estilo Ofensivo: Pivô Móvel, Playmaker e Espaçador de Quadra

Ofensivamente, Bolden é um jogador bastante moderno. Seu melhor atributo neste ponto da carreira é o passe. Dono de ótima capacidade atlética, coordenação motora e controle de bola para alguém de seu tamanho, possui criatividade e visão de jogo para fazer passes em movimento, acelerar jogadas em transição e aproveitar quebras de defesa para gerar espaços para os companheiros. Sua capacidade como facilitador jogando de frente para a cesta tende a ser ainda mais aprimorada nas quadras espaçadas da NBA.

Em termos de pontuação, não se trata de pontuador volumoso, mas possui versatilidade para trabalhar de diferentes formas. Seu arremesso está longe de ser uma arma consistente neste ponto da carreira, mas ele existe e é alguém que joga aberto, capaz de acertar chutes de três pontos livre. No passado, já mostrou dinamismo para ações após o drible. A tradução de seu chute para a NBA será uma das ferramentas mais incertas, dados os resultados inconsistentes na carreira até agora.

Para além do arremesso, seus pontos costumam vir de ataques a cesta, usando sua fluidez, capacidade de operar em transição, controle de bola e capacidade atlética para bater defensores mais lentos ou ágeis. Também é um ótimo alvo para pontes-aéreas.

Sua tomada de decisões no ataque, contudo, pode ser problemática: comete desperdícios de bola bobos, força chutes em situações ruins, infiltração sem um plano caro.

Estilo Defensivo: Pivô Móvel, Atlético para Trocas de Marcação

É na defesa que está o grande chamariz de Bolden: Trata-se de um defensor versátil e moderno, grande, longo e atlético o suficiente para defender o aro e fazer a cobertura do garrafão, mas também ágil lateralmente, com baixo centro de gravidade e móvel para defender jogadores de perímetro, incluindo armadores. Jogador muito flexível defensivamente que possui poucos pontos a serem explorados individualmente.

Entretanto, ainda que cheio de potencial e impacto neste lado da quadra, Jonah é um tanto inconsistente na defesa. Faltam instintos mais apurados de rotação defensiva, atenção às ações secundárias, disciplina em quando ajudar ou manter posição, no geral, tomar melhores decisões e melhorar sua técnica defensiva.

Médias na temporada 2017-18 (Liga Israelense): 7.6 pontos, 6.6 rebotes, 1.3 assistências, 1.2 roubada de bola, 0.8 toco, 1.4 desperdícios de bola, 44.6% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 29.5% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 54.2% de aproveitamento nos lances livres, 20.5 minutos em quadra
Médias na temporada 2017-18 (Euroliga): 6.9 pontos, 5.5 rebotes, 1.6 assistências, 1.2 roubada de bola, 0.9 toco, 1.1 desperdícios de bola, 48.4% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 31.9% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 51.2% de aproveitamento nos lances livres, 21.1 minutos em quadra

 

Anzejs Pasecniks

País Natal: Letônia

Clube na Temporada 2017-2018: Herbalife Gran Canaria

Idade: 22 anos

Altura: 2.18m (7’2’’)

Envergadura: 2.21m (7’3’’)

Posição: Pivô

Contexto: Escolha de Primeira Rodada em 2017, o gigante Anzejs Pasecniks fez sua segunda temporada como parte importante da rotação do Gran Canaria, uma equipe de bom porte na Liga ACB, mas que disputa a Eurocup, segundo nível dos torneios continentais europeus. Em relação à temporada passada, enfrentou queda de produtividade, que pode ser explicada por uma rotação de pivôs abarrotada na equipe, que já conta com outros dois homens de garrafão com 7 pés de altura, Ondrej Balvin e Luke Fischer. Dado seu atual nível de produtividade e a situação estrutural do elenco do Philadelphia 76ers, espera-se que siga mais uns anos na Europa.

Estilo Ofensivo: Pivô Refinado como Finalizador + Chute

Enorme, dono de grande alcance vertical e refino técnico no ataque, Pasecniks é um grande alvo ofensivo assim que entra em quadra. Sua melhor habilidade é a finalização ao redor do aro, combinando rara habilidade ambidestra com tamanho. Além de receber a bola em passes muito altos, possui rapidez, paciência e macetes para usar ambas as mãos com grande eficiência ao redor do aro. Embora, vale lembrar, não é um atleta muito explosivo e forte, tende a ter mais dificuldades contra contato.

Projetado como um pivô espaçador no Draft passado, seus números pouco têm evoluído neste sentido, incluindo aproveitamento ruim nos lances livres. A mecânica de arremesso é lenta e ele precisa de espaço para converter bolas livres. Ainda segue como uma arma plausível da meia distância, mas está longe de ser uma arma consistente.

Anzejs tem um pouco de “buraco negro” ofensivamente, pouco tem leituras avançadas de passe, tende sempre a receber a bola buscando a finalização. Pouco polido para lidar com marcações duplas.

Estilo Defensivo: Pivô Grande e Móvel para Proteger o Garrafão

Por conta da altura e envergadura, Pasecniks é alguém que ocupa muito espaço em quadra. Combinando isso com sua mobilidade e noção de ângulos na defesa de pick-and-roll, o pivô do Gran Canaria consegue fazer o Hedge-and-Recover, ou seja, dobrar agressivamente no armador e ainda recuperar o espaço inicial para o pivô na retomada do ângulo. O perfil físico é imponente perto do aro, consegue proteger o garrafão.

Contudo, seu impacto defensivo vem e vai. Muito ainda pela falta de força para conseguir defender jogadores de garrafão mais pesados e explosivos, disciplina na defesa (4.6 faltas por 40 minutos) e pouco impacto nos rebotes, em especial os de defesa. Confia demais em seus atributos físico-atléticos, pouco fazendo boxout para assegurar os ressaltos.

Médias na temporada 2017-18 (Liga Espanhola): 6.3 pontos, 3.3 rebotes, 0.2 assistências, 0.4 roubada de bola, 0.4 toco, 0.8 desperdícios de bola, 55.2% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 15.4% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 53.2% de aproveitamento nos lances livres, 15.0 minutos em quadra
Médias na temporada 2017-18 (Eurocup): 8.5 pontos, 3.9 rebotes, 0.6 assistências, 0.4 roubada de bola, 0.4 toco, 1.0 desperdícios de bola, 61.2% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 28.6% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 67.4% de aproveitamento nos lances livres, 17.4 minutos em quadra

 

Mathias Lessort

País Natal: França

Clube na Temporada 2017-2018: Crvena Zvezda

Idade: 22 anos

Altura: 2.06m (6’9’’)

Envergadura: 2.13m (7’0’’)

Posição: Ala-Pivô/Pivô

Contexto: Escolhido na Segunda Rodada em 2017, Mathias Lessort, trocou o basquete francês pelo Crvena Zvezda, principal clube da Sérvia e disputou a Euroliga na última temporada. Titular em boa parte dos jogos, compôs uma rotação de pivôs que contava com Nikola Jovanovic e Stefan Jankovic, jogando muito mais minutos que os dois de uma maneira geral. Ao final da temporada, a equipe acabou contratando Alen Omic, que assumiu rapidamente a titularidade e minou os minutos de Lessort na Liga Sérvia, último torneio disputado cronologicamente em 2017/18. No geral, foi mais produtivo e eficiente do que as expectativas apontavam, mas ainda deve seguir na Europa.

Estilo Ofensivo: Pivô Atlético, Reboteiro e Alvo em Transição

Um dos atletas mais explosivos da Europa, trata-se um atleta quase puro de transição, alguém que adora atacar as linhas de passe e explodir em quadra aberta rumo a furiosas enterradas. Dono de grande capacidade de salto, impulsão, joga por cima do aro, como alvo para ponte-aéreas e se elevando contra o tráfego para enterrar o máximo que pode. Uma presença enérgica atacando o aro.

Lessort ainda é ótimo reboteiro ofensivo, combinação de sua incansável energia, capacidade atlética e instintos atacando a tábua ofensiva.

Por outro lado, suas limitações ofensivas são muito claras. Não é alguém com controle de bola avançado, depende de seus ataques enérgicos a cesta para pontuar. Não exibe também nenhuma distância de arremesso, não causa ameaça de frente para a cesta ou estacionado na linha de três pontos. Vem trabalhando para melhorar seu jogo de pés de costa para a cesta, mas é bastante limitado neste sentido, sem falar que sua altura é baixa para alguém com jogo ofensivo de um pivô, tende a sofrer contra jogadores mais longos/grandes. Em termos de passe, normalmente é pouco participativo e nem exibe muita criatividade com a bola em mãos, mas vez ou outra consegue fazer boas leituras para acionar chutadores espalhados pela quadra.

Estilo Defensivo: Pivô Enérgico para Trocas de Marcação

Pense em Jordan Bell aqui, um pivô baixo, sem tanta envergadura, mas muito ágil lateralmente, capaz de deslizar os pés no perímetro e defender jogadores menores em infiltrações, além de utilizar sua energia para impactar o jogo defensivamente como um todo.

Faltam braços maiores para ser um grande protetor de aro, ou mesmo instintos muito avançados, mas sua impulsão e motor são exibidos também em ações na cobertura defensiva com tocos.

O problema é que seu perfil físico limitado o deixa bastante desconfortável na defesa do garrafão, é comum que pivôs mais fortes e maiores abusem de costas para a cesta, assim como sofre nos rebotes de defesa. Também há bastante indisciplinada na retaguarda, pelo fato de pular muito em hesitações dos adversários e não entender tão bem a defesa de pick-and-roll, como escolher os melhores ângulos dificultar o arremesso.

Médias na temporada 2017-18 (Liga Sérvia): 4.0 pontos, 3.8 rebotes, 0.4 assistências, 0.7 roubada de bola, 0.3 toco, 1.5 desperdícios de bola, 56.2% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 50.0% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 65.7% de aproveitamento nos lances livres, 12.0 minutos em quadra

Médias na temporada 2017-18 (Liga Adriática): 8.8 pontos, 4.4 rebotes, 0.6 assistências, 0.9 roubada de bola, 0.9 toco, 1.3 desperdícios de bola, 67.1% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 60.8% de aproveitamento nos lances livres, 18.4 minutos em quadra

Médias na temporada 2017-18 (Euroliga): 8.5 pontos, 5.7 rebotes, 0.8 assistências, 0.8 roubada de bola, 0.7 toco, 1.7 desperdícios de bola, 54.9% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 63.2% de aproveitamento nos lances livres, 21.1 minutos em quadra

 

Vasilije Micic

País Natal: Sérvia

Clube na Temporada 2017-2018: Zalgiris Kaunas

Idade: 24 anos

Altura: 1.97m (6’5,75’’)

Envergadura: 2.01m (6’7’’)

Posição: Armador

Contexto: Após rodar a Europa por alguns bons anos desde que foi draftado em 2014, com passagens pelo Mega Bemax, Bayern de Munique, Crvena Zvezda e Tofas, Vasilije Micic fez sua primeira temporada produtiva e eficiente em um nível mais alto de competição, sob a tutela de Sarunas Jasikevicius no Zalgiris Kaunas. Estrela em torneios de base pela seleção sérvia, Micic foi o segundo principal armador da equipe que fechou a Euroliga em terceiro lugar, atuando até como titular em boa parcela de jogos, fazendo dupla armação com o canadense Kevin Pangos, acima do veterano Beno Udrih, que jogou vários anos na NBA. Com o maior destaque que teve no último ano, acabou ganhando um contrato milionário para atuar no Anadolu Efes Istanbul, clube em que atuavam Dario Saric, Cedi Osman e Furkan Korkmaz antes de irem para a NBA.

Estilo Ofensivo: Armador Puro sem Chute + Uso do Tamanho

Micic é um armador de estilo clássico, que controla as ações do jogo com a bola em mãos, opera a maior parte das suas ações ofensivas no pick-and-roll e geralmente busca o passe primeiro em relação a um arremesso para si próprio. Possui bom controle de bola em termos mudanças de velocidades e direção para abrir diferentes espaços em quadra, além de paciência trabalhando no corta-luz.

Em situação de pick-and-roll, sua habilidade e destreza com a bola são necessárias para buscar espaços, já que não se trata de alguém particularmente atlético, que quebra defesas através de explosão ou velocidade.

Sua criatividade como passador e arsenal pode ser vista de diferentes maneiras:

Aqui, manipula a defesa com os olhos e o corta-luz para acionar Aaron White em um corte surpresa para a cesta

Nesta, trabalha em diferentes velocidades e faz o passe no último momento para Jankunas livre, na meia distância

Em outros casos, simplesmente usa de sua vantagem de tamanho para a posição de armador para atacar de costas para a cesta e dar passes por cima da defesa

Essa habilidade no poste baixo também pode ser usada para ele mesmo buscar a cesta

Todavia, Micic comete muitos desperdícios de bola relativo ao tempo que passa com a bola em mãos, constantemente toma decisões ruins de passe e arremesso, além de possui um chute inconsistente, de mecânica lenta e com muito arco, sem qualquer dinamismo. Por não ser um jogador atlético, também é limitado como finalizador ao redor da área pintada. A falta de chute e capacidade atlética o torna um jogador sem muito poderia em termos de pontuação.

Estilo Defensivo: Armador não-atlético Grande e Forte

Fisicamente, Micic é forte e possui conjunto de tamanho e envergadura suficiente para marcar sua posição – a de armador – e eventualmente ala-armadores não tão baixos e explosivos. Além do mais, sempre atua de forma aguerrida na defesa, joga fisicamente. Mas suas decisões desse lado da quadra são terríveis, por vezes pressionando exageradamente o jogador adversários, deixando avenidas para infiltrações, além de se perder na marcação sem a bola. Combine isso com suas limitações físicas, de não ser um atleta versátil na defesa e que consiga brecar jogadores de perímetro atléticos, teríamos um potencial alvo defensivo na NBA.

Médias na temporada 2017-18 (Liga Lituana): 8.3 pontos, 2.3 rebotes, 3.8 assistências, 1.2 roubada de bola, 0.1 toco, 2.1 desperdícios de bola, 46.7% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 33.0% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 82.7% de aproveitamento nos lances livres, 19.7 minutos em quadra

Médias na temporada 2017-18 (Euroliga): 7.7 pontos, 2.2 rebotes, 4.4 assistências, 0.9 roubada de bola, 0.1 toco, 2.3 desperdícios de bola, 43.2% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 36.5% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 70.7% de aproveitamento nos lances livres, 22.4 minutos em quadra

 

New York Knicks

Louis Labeyrie

País Natal: França

Clube na Temporada 2017-2018: Strasbourg IG

Idade: 26 anos

Altura: 2.08m (6’10’’)

Envergadura: 2.08m (6’10’’)

Posição: Ala-Pivô/Pivô

Contexto: Considerado um late bloomer (prospecto com desenvolvimento relativamente tardio), Louis Labeyrie foi uma escolha de baixas expectativas na posição 57 do Draft de 2014. Quatro anos após ser Draftado, o cabeludo francês vem em sequência crescente e progressiva de evolução, temporada após temporada, até se tornar um membro da Seleção Francesa de Basquete e um dos jogadores mais produtivos do basquete francês. Findado seu melhor ano da carreira, é bastante provável que dê um salto para uma equipe de nível de Euroliga ou para algum clube de maior orçamento na Europa.

Estilo Ofensivo: Ala-Pivô Móvel e Espaçador de Quadra

Labeyrie, do ponto de vista físico, é bastante móvel e atlético, capaz de jogar por cima do aro como para ponte-aéreas, além de impactar bastante próximo ao aro na tábua ofensiva. A maior parte de seu volume é baseado em sua constante atividade próxima a cesta, combina velocidade de deslocamento com vigor.

Louis ainda é capaz de espaçar a quadra e arremessar, mais confortavelmente da meia distância que para três pontos, mas é uma arma confiável para Pick-And-Pops, além das situações em que se joga agressivamente rumo ao aro. Seu chute lhe dá melhores oportunidades de atacar a cesta, obrigando a defesa a ser mais agressiva

Apesar de produtivo, não é alguém particularmente polido ofensivamente. Raramente fará jogadas de costas para a cesta ou produzir algo por conta própria a partir do drible, moldado mais como um atleta complementar para um ataque que cria as oportunidades para ele.

Estilo Defensivo: Ala-Pivô Enérgico e Reboteiro

Seu melhor atributo é o rebote: Labeyrie possui instintos de elite para ler a trajetória dos arremessos e muita atividade para perseguir os ressaltos. Sempre faz boxout e apresenta muita energia neste aspecto

Possui mobilidade e capacidade atlética para ocupar espaços na defesa, mas não se trata de um grande prospecto defensivo, sem muita envergadura para impactar o jogo na proteção de aro, nem muita flexibilidade como defensor de perímetro. No geral, usa bem sua mobilidade para ocupar espaços no perímetro e no garrafão, não se trata de um alvo.

Médias na temporada 2017-18 (Liga Francesa): 12.8 pontos, 7.3 rebotes, 1.4 assistências, 0.6 roubada de bola, 0.5 toco, 0.8 desperdícios de bola, 63.0% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 56.1% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 58.8% de aproveitamento nos lances livres, 28.0 minutos em quadra

Médias na temporada 2017-18 (Basketball Champions League): 11.1 pontos, 7.1 rebotes, 1.0 assistências, 0.7 roubada de bola, 0.4 toco, 1.4 desperdícios de bola, 55.9% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 42.1% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 71.4% de aproveitamento nos lances livres, 26.9 minutos em quadra

 

Ognjen Jaramaz

País Natal: Sérvia

Clube na Temporada 2017-2018: Mega Bemax

Idade: 23 anos

Altura: 1.94m (6’4’’)

Envergadura: 1.97m (6’5,5’’)

Posição: Armador

Contexto: Desde 2013 que Ognjen Jaramaz faz parte do programa do Mega Bemax, clube que pertence ao agente europeu Misko Raznatovic, focado em usar jovens talentos para aumentarem suas produções e rodagem no basquete europeu, a fim de obter melhores contratos. Após boa performance no Eurocamp de 2017, acabou conseguindo ser escolhido na segunda rodada do Draft e jogou a Summer League pelo New York Knicks. Na temporada 2017-2018, atuou apenas do mês de janeiro até o fim da temporada por uma dezena de jogos, com performances convincentes. Para 2018-2019, já acertou um vínculo com o Burgos, que disputa a Liga ACB.

Estilo Ofensivo: Armador Atlético e Slasher

Para os portes do basquete europeu, Jaramaz é um armador de estilo atlético e agressivo, que possui ótimo primeiro passo e gosta de quebrar defesas via infiltrações. Sua combinação de explosão e agressividade lhe permite criar após o drible via pick-and-roll.

Contudo, o sérvio não é um grande finalizador, capaz de finalizar com as duas mãos com excelência ou ajustar seu corpo no ar para fugir dos protetores de aro.

Como passador, não é alguém muito criativo, mas suas infiltrações são boas o suficiente para gerar a quebra inicial da defesa e, assim, abrir espaço para chutadores espalhados pela quadra. Como arremessador, é alguém inconsistente e limitado, sem dinamismo para chutar após o drible ou depois de corta-luzes, dono de mecânica lenta e relativamente quebrada.

Estilo Defensivo: Armador ágil para Pressão Defensiva

Na defesa, Jaramaz combina pés rápidos, uso de suas pernas e dureza para ser uma peste pressionando a bola do adversário. Não se trata de alguém muito longo e versátil na retaguarda, mas consegue defender jogadores da posição 1 com proficiência e eventualmente trocar marcação.

Médias na temporada 2017-18 (Liga Sérvia): 13.0 pontos, 2.6 rebotes, 4.2 assistências, 0.6 roubada de bola, 1.6 desperdícios de bola, 61.4% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 33.3% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 50.0% de aproveitamento nos lances livres, 24.0 minutos em quadra

Médias na temporada 2017-18 (Liga Adriática): 10.8 pontos, 3.4 rebotes, 3.8 assistências, 1.2 roubada de bola, 0.2 toco, 2.8 desperdícios de bola, 44.2% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 27.8% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 68.8% de aproveitamento nos lances livres, 24.4 minutos em quadra

 

Brooklyn Nets

Juan Pablo Vaulet

País Natal: Argentina

Clube na Temporada 2017-2018: Bahía Basket

Idade: 22 anos

Altura: 1.98m (6’6’’)

Envergadura: 2.13m (7’0’’)

Posição: Ala-Armador/Ala

Contexto: Escolhido em 2015 na Segunda Rodada do Draft, Juan Pablo Vaulet faz parte de uma leva de prospecto da família Vaulet que vem ganhando destaque no basquetebol argentino. Atuando pelo Weber Bahía já há quatro temporadas, todas como parte integral da rotação da equipe, o ala vem convivendo com lesões que tem tirado boa parte de sua sequência de jogos. Treinado pelo renomado Pepe Sánchez, o clube foca seus esforços no desenvolvimento de jovens atletas, um cenário ideal para ganhar minutos e rodagem na América do Sul, ainda que a produção tenha se estagnado. As especulações creem que Juan consiga uma oportunidade nos Estados Unidos logo, seja na Summer League ou na filial da G-League do Brooklyn Nets.

Estilo Ofensivo: Ala Slasher Atlético

A melhor característica de Vaulet é o ataque a cesta: Explosivo e longo, usa de sua envergadura e explosão para atacar com autoridade à cesta, aproveitando de passadas largas para chegar ao redor do aro e finalizar. Essa mesma capacidade o ajuda nos rebotes ofensivos.

Ainda é um passador capaz, que consegue quebrar a defesa e alimentar arremessadores espalhados pela quadra. No entanto, seu jogo de meia quadra e pontuação é bem limitado pela deficiência como arremessador, um non-shooter neste estágio da carreira.

Estilo Defensivo: Ala Versátil Defensivamente

Na defesa, Vaulet combina braços longos, boa velocidade lateral e instintos de rotação defensiva para ser um jogador de impacto. Seu corpo lhe permite trocar a marcação no perímetro. Além do mais, é um grande reboteiro para um jogador da posição, constantemente atacando a tabela para facilitar a transição. No nível sul-americano, conseguiu encarar qualquer posição do perímetro e ala-pivôs.

Médias na temporada 2017-18 (Liga Argentina): 9.7 pontos, 6.4 rebotes, 1.7 assistências, 0.4 roubada de bola, 0.5 toco, 1.6 desperdícios de bola, 53.0% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 27.0% de aproveitamento nas bolas de três pontos 66.7% de aproveitamento nos lances livres, 23.5 minutos em quadra

 

Aleksandar ‘Sasha’ Vezenkov

País Natal: Bulgária

Clube na Temporada 2017-2018: Barcelona

Idade: 22 anos

Altura: 2.06m (6’9’’)

Envergadura: 2.16m (7’1’’)

Posição: Ala-Pivô

Contexto: Depois de liderar a Liga Grega em PER e pontos aos 19 anos, além de ser escolhido na segunda rodada no último Draft pelo Brooklyn Nets atuando pelo Barcelona, Sasha Vezenkov tem enfrentando uma situação difícil. Se em 2016-2017 foi o jogador mais eficiente e de impacto coletivo para a equipe catalã, na temporada seguinte ficou escondido na rotação, dado que o poderoso clube contratou atletas veteranos que atuam na mesma posição, que tiveram temporadas questionáveis. De uma maneira geral, estar jogando pelo Barça tem sido horrível para jogadores jovens, mesmo os mais polidos, como é o caso de Vezenkov, que já é o principal jogador de sua seleção nacional.

Estilo Ofensivo: Stretch Four Com Chute Dinâmico + Decisões Rápidas

Vezenkov tem como maior trunfo seu arremesso, dono de mecânica de arremesso perfeita em termos de forma: Rápida, compacta, alta e com um movimento só. O canhoto possui versatilidade em suas ações como arremessador, capaz de receber bola saindo de corta-luzes, estacionado nos corners, se realocando pelo perímetro ou ajustando espaços depois de um ou dois dribles. Pontua de vários lugares da quadra através de seu chute.

Sua versatilidade ofensiva chama a atenção e é auxiliada pelo chute. O arremesso obriga que as defesas sejam mais agressivas, acabando por abrir espaços livres para infiltrações que Sasha usa para infiltrar ou passar a bola. Sua tomada de decisões rápidas e jogo de hesitações mantém uma grande fluidez ofensiva, é o tipo de jogador que se adapta fácil e dá flexibilidade a esquemas ofensivos diversos.

Seu deslocamento inteligente fora da bola também abre oportunidades para cestas fáceis como cutter.

Em certas situações, ainda consegue usar sua força e refino ofensivo para atacar de costas para a cesta.

No geral, trata-se mais de um completo ofensivo versátil do que alguém que cria jogadas por si só. Sua capacidade de driblar-passar-chutar combina com a NBA moderna, mas também trate-se de um atleta que acumula baixíssimo índices de USG%, focado mais em seu papel limitado movendo a bola e arremessando.

Estilo Defensivo: Ala-Pivô Não-Atlético e Lento + Alto QI

Em termos de tipo físico, pode ser enquadrado como ala ou ala-pivô na defesa, considerando apenas a altur, mas aqui temos um caso clássico de tweener: pouco explosivo e ágil lateralmente para defender alas atléticos, muito fraco e sem envergadura para proteger o garrafão. Ainda que seja bastante inteligente na defesa, ocupação de espaços, busca por rebotes de defesa cavando faltas de ataque, possui limitações físicas tão grandes que acaba sendo um alvo. De um modo geral, a defesa de perímetro é um desafio para o búlgaro

Médias na temporada 2017-18 (Liga Espanhola): 6.9 pontos, 3.3 rebotes, 0.9 assistências, 0.4 roubada de bola, 0.5 toco, 0.5 desperdícios de bola, 53.8% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 42.9% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 71.4% de aproveitamento nos lances livres, 15.4 minutos em quadra

Médias na temporada 2017-18 (Euroliga): 3.5 pontos, 2.5 rebotes, 0.5 assistências, 0.4 roubada de bola, 0.1 toco, 0.2 desperdícios de bola, 42.9% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 22.2% de aproveitamento nas bolas de três pontos, 92.3% de aproveitamento nos lances livres, 11.7 minutos em quadra

Gustavo Lima
Gustavo Lima
Jornalista graduado pela UFMG e pós-graduado em Produção em Mídias Digitais pela PUC-MG. Natural de Ipatinga e residente em BH. Editor do Jumper Brasil desde 2007. Acompanha a NBA desde 1993. Torcedor do Phoenix Suns, mas adepto da imparcialidade.
  • Joabe#VamoSpurs

    Excelente matéria, Parabéns Jumper! Show de bola esse tipo de matéria

  • Alexandre Silva

    Muito boa a matéria, parabéns.

  • Gustavo

    Excelente matéria!

    Jonah Bolden tem tudo pra dar certo nesse Sixers: passe e defesa é basicamente o que o time de Brett Brown faz. Se desenvolver um catch and shot confiável pode ganhar minutos relevantes.

  • Celso Cachali Jr

    Caralho… Que matéria foda… Realmente o jumper está a frente de qualquer site sobre NBA. Nem lembrava destes encostos hehehehe

  • Guilherme

    Muito interessante a matéria. Imagino que não seja muito fácil acompanhar todos esses jogadores em ligas de menor importância se comparadas a NBA e mesmo assim, fazer uma análise tão minuciosa e precisa. Parabéns!

  • Allan Lopes Soledade

    Jumper mantendo o alto nível nas matérias, muito bem detalhada e com vídeos.Parabéns pelo belo trabalho,não é fácil. Já aprendi muito sobre basquete aqui.

  • Oberdan Gonzalez

    Parabéns pela matéria. Sensacional !!!

  • TRUETHIAGO

    Excelente trabalho mesmo, parabéns Gabriel!

    Bom, falando dos stashes do Sixers, com certeza o Bolden foi quem mais mostrou ferramentas para ser aproveitado, embora realmente existam esses pontos que deixam algumas dúvidas no ar, como esse arremesso inconsistente. Na Sérvia ele teve um excelente 3-PT% de 40,5, em 4,2 tentativas por jogo, e em Israel esse número caiu para 30,7%, em 2,7. Obviamente que o nível dos adversários aumentou, enfrentando defesas melhores, sobretudo em partidas da Euroleague, porém não deixa de ser algo preocupante. Nessa Summer League que está rolando, só matou uma bola de fora até o momento; enquanto na passada, apesar de uma porcentagem baixa, me pareceu mais confiante arremessando (11 de 36, em 8 jogos). Ah, e nos lances livres segue amassando o aro, como destacado no texto, no padrão já visto lá no Maccabi, pouco acima dos 50% FT. Enfim, mas no geral é um jogador que se encaixa, sim, no estilo que o Brett Brown gosta, transição, muitas trocas de passes, versatilidade defensiva, etc.

    Pasecniks e Lessort, a princípio não vejo muito futuro para eles, pensando em NBA. O letão até possui uma certa qualidade, mas essa fragilidade física, somada a sua dificuldade nos rebotes, complicam demais. Enquanto o francês até mostra bons atributos físicos e atléticos, porém como bem demonstrado nos vídeos, é limitadíssimo no lado ofensivo. Se desse para fazer um “mix” de ambos, talvez saísse algo interessante, rs. Em relação ao Micic, também não é exatamente o tipo de armador que faz brilhar os olhos dos americanos.

    Quanto aos outros citados, o que eu tinha mais expectativa era no Vezenkov. Aquela temporada dele no Aris foi impressionante, ser MVP num campeonato duro como o Grego, com apenas 19 anos… Dava toda a pinta de um provável Stretch Four para NBA nos próximos anos, uma pena que foi parar no limbo que virou o Barcelona, no desenvolvimento de jogadores jovens. Pelo que andei lendo, ele vai jogar no Olympiacos, que também contratou o David Blatt. Me parece um cenário bem promissor, voltando a mostrar o basquete que jogava na Grécia, quem sabe os Nets não tragam o búlgaro em 2019. Em termos de característica acredito que vem ao encontro do que eles gostam e procuram, vide que pegaram Musa e Kurucs no último Draft.