“Já com saudades”, Steve Nash anuncia aposentadoria do basquete

Um dos melhores armadores da história da NBA decidiu que a hora de parar chegou. Steve Nash anunciou oficialmente sua aposentadoria do basquete neste sábado, em uma carta publicada no site The Player’s Tribune. O anúncio finaliza a carreira de 19 anos do ídolo do Phoenix Suns, vencedor de dois prêmios de MVP e protagonista de uma das trajetórias de sucesso mais improváveis já vistas na liga.

“Eu ouvi alguém dizer um dia que há um momento em que as pessoas falam que você não tem mais condições de jogar. Quando você é um jovem cheio de sonhos e contam isso, assusta. O que fiz, então? Tracei objetivos, mantive a obsessão pelo jogo, sonhei, me esforcei. Inspirei-me em meu herói, Isaiah Thomas. Pensava que se melhorasse a cada dia, por cinco ou dez anos, um dia poderia ser tão bom quanto ele”, lembrou Nash, de 41 anos.

O craque ainda está sob contrato com o Los Angeles Lakers até o fim da temporada, mas um problema crônico nos nervos das costas deixou-o fora de ação desde outubro do ano passado – quase decretando sua aposentadoria. A notícia também frustrou um trabalho físico especial que ele havia realizado ao longo da última offseason inteira. Foi o capítulo final de sua história “obsessiva” com o esporte.

“A obsessão tornou-se minha melhor amiga e a coisa pela qual sou mais agradecido em minha carreira. Em minha vida, de certa forma. É óbvio que valorizo mais meus filhos e família do que o jogo, mas ter essa amiga – essa onipresente busca por ser melhor – fez de mim quem sou. Aprendi muitas lições valiosas sobre eu mesmo e a vida em quadra. Lógico, ainda tenho muito para aprender”, contou, admitindo o papel do esporte em sua formação como pessoa.

O melhor momento da carreira de Nash aconteceu em sua segunda passagem pelo Arizona, quando liderou o Suns por anos como um dos favoritos ao título. Naquela época, vieram as múltiplas convocações para Jogos das Estrelas, seleções para quintetos ideais da liga e os dois prêmios de MVP. No entanto, nunca o tão sonhado anel. Provavelmente, sua maior lamentação em uma trajetória absolutamente brilhante.

“Não ter conquistador o título que os torcedores do Suns mereciam sempre vai doer. Sim, nós tivemos azar. Eu sempre vou olhar para trás e pensar que podia ter convertido um arremesso a mais, não cometido um erro ou feito um passe melhor, mas não me arrependo de nada. Aquela arena sempre estava lotada e pulsando. Foi o melhor momento da minha vida. Obrigado, Phoenix!”, agradeceu o veterano, que jogou um total de dez anos pela franquia.

Nash nunca foi um atleta de elite, sempre teve reconhecidos problemas defensivos e chegou à NBA em um momento em que os canadenses não eram presença comum nas quadras do melhor basquete do mundo. Mesmo com as limitações e dificuldades, porém, alcançou um patamar quase tão alto quanto qualquer armador na história da liga. Por isso, olhar o fim da jornada é, inevitavelmente, lembrar o início.

“É provável que eu nunca mais joguei basquete novamente. É amargo. Eu já sinto saudades imensas do jogo, mas também estou empolgado com o que vou aprender a partir de agora. Quando penso em minha carreira, vem á cabeça aquele garoto com sua bola de basquete, que apaixonou-se pelo esporte. É com ele que ainda me identifico e identifiquei-me ao longo de toda minha carreira”, encerrou o astro.

Décima quinta escolha do draft de 1996, Nash jogou 18 temporadas na NBA e – além de Suns e Lakers – atuou também pelo Dallas Mavericks. Além dos dois MVPs, o craque foi eleito para oito Jogos das Estrelas e possui sete seleções para um dos quintetos ideais da liga no decorrer da carreira. No livro de recordes do Suns, ele é o recordista de assistências (6.997), cestas e índice de conversão para três pontos (1.051, 43.5%) e aproveitamento de lances livres (90.7).

Com 10.335 assistências distribuídas na carreira, Nash ainda é o terceiro maior assistenciador da história da NBA. Ele só fica atrás dos grandes John Stockton (15.806) e Jason Kidd (12.091).

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.