Técnico de Duke credita “fracasso” de Jahlil Okafor na NBA à falta de maturidade

Jahlil Okafor chegou à NBA com o status de uma terceira escolha de draft, após grande temporada na Universidade de Duke, em 2015. E, então, nada aconteceu: o pivô perdeu espaço a cada ano no Philadelphia 76ers, acabou negociado e teve que esperar meses como agente livre até receber só um contrato mínimo do New Orleans Pelicans. Para Mike Krzyzewski, tudo foi produto de um talento que queimou etapas na carreira. 

“Jahlil é um adolescente que precisou profissionalizar-se por questão econômica, porque seria uma das três primeiras escolhas do draft. Ele é um dos melhores garotos que eu já treinei, de coração puro, mas a maturidade ainda não estava lá. Não quero dizer que ele era imaturo, mas é um jovem que necessitava fazer parte de um programa de formação por mais tempo”, contou o lendário técnico, em entrevista a uma rádio da Philadelphia. 

Todos os serviços especializados em basquete colegial ranqueavam Okafor como um dos dois melhores prospectos do país em 2014, quando Duke venceu a concorrência para tê-lo no campus. Krzyzewski sempre soube que o jovem atleta estava destinado a ficar um ano somente em Lexington antes de ir para a NBA. No entanto, com o passar do tempo, o veterano percebeu que o comandado não tinha um grupo de suporte pessoal ideal. 

“Nós vivemos novas experiências dos 18 aos 22 anos e necessitamos de uma estrutura que ajude-nos nesses momentos de descoberta. Não estou acusando que o Sixers não oferecesse isso, mas Jahlil nunca teve esse tipo de apoio. Cometeu erros, como qualquer jovem. Uma coisa que você precisa enfrentar ao entrar na NBA é a relativa solidão – e ele precisava de estrutura familiar forte”, contou o integrante do Hall da Fama. 

Krzyzewski mantem contato com Okafor nos últimos anos e disse que o jogador sentiu-se especialmente triste ao ser negociado pelo Sixers. Foi um choque de realidade, que levou-o a colocar sua carreira em perspectiva. O pivô não é titular no Pelicans, mas já virou uma presença consolidada na rotação do time e é bem elogiado internamente. O treinador crê que, nessa nova fase, o atleta de 24 anos mostra ter amadurecido. 

“Eu conversei com Trajan Langdon [ex-jogador de Duke e, hoje, GM do Pelicans] e eles estão empolgados com Jahlil. Ainda tem que transformar um pouco seu jogo, mas sua postura tem sido absolutamente exemplar. Estou orgulhoso dele porque é alguém que aprendeu com os seus erros. Ele fez uma dura reflexão, mudou alguns de seus piores hábitos e assumiu a responsabilidade de seus atos”, finalizou o popular “Coach K”. 

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.