Times históricos que não foram campeões – New York Knicks (1994)

O New York Knicks de 1994 é o homenageado no terceiro texto da série quinzenal “Times históricos que não foram campeões”. Dona de dois títulos na NBA (1970 e 1973), a equipe novaiorquina foi uma das principais forças da liga na década de 90, chegando a duas finais, quatro finais de conferência e sete semifinais no Leste, entre 1989 e 2000.

Nesse período, a rivalidade com o Chicago Bulls de Michael Jordan era muito forte, a maior da liga, já que os times se enfrentavam com frequência nos playoffs. Foram seis encontros entre 1989 e 1996, e o Knicks só conseguiu vencer justamente em 1994, quando Jordan havia se aposentado do basquete. Mas nas finais daquele ano, o algoz foi Hakeem Olajuwon, um dos maiores pivôs da história do basquete (o melhor da posição que vi jogar).

Antes de falar da inesquecível equipe de 94 é preciso contar como se deu a formação do elenco que entrou para a história do Knicks.

Temporada 1988/89

O ponto de partida será a temporada 1988/89. A equipe era treinada por Rick Pitino e vinha de uma eliminação na primeira rodada dos playoffs de 88, quando foi batida pelo poderoso Boston Celtics de Larry Bird, em uma série de quatro partidas. Patrick Ewing, que havia sido a primeira escolha do draft de 1985, era o destaque do time. O pivô era eficiente nos dois lados da quadra e foi o líder da equipe em pontos, rebotes e tocos. Além dele, outras peças importantes naquele Knicks eram o armador Mark Jackson (atual comentarista na ESPN) e o ala-armador Gerald Wilkins. Billy Donovan e Rick Carlisle, atuais treinadores de Oklahoma City Thunder e Dallas Mavericks, respectivamente, eram reservas e tinham pouco tempo de quadra.

Na offseason de 88, o Knicks trouxe o ala-pivô Charles Oakley, após uma troca com o Bulls, em que o pivô Bill Cartwright foi enviado para Chicago. O veterano Kiki Vandeweghe chegou do Portland Trail Blazers para reforçar o banco do time novaiorquino. No draft, a franquia selecionou o armador Rod Strickland, na 19ª posição. Ele seria o reserva imediato de Jackson.

No segundo ano de Pitino à frente da equipe, Oakley fez uma grande dupla de garrafão com Ewing. Graças ao bom encaixe deles, o Knicks fez a segunda melhor campanha da conferência Leste, com 52 vitórias e 30 derrotas, atrás apenas dos Bad Boys do Detroit Pistons. Nos playoffs, o time varreu o Philadelphia 76ers de Charles Barkley na primeira rodada. Em uma das semifinais de conferência, a equipe novaiorquina foi derrotada pelo Bulls, em uma série de seis partidas.

Temporada 1989/90

Após a decepção nos últimos playoffs, a franquia demitiu Pitino e efetivou o auxiliar Stu Jackson no comando do time. Aos 33 anos, ele era o segundo treinador mais jovem da história da NBA.

No meio da temporada, o Knicks trocou de armador. O jovem Strickland foi enviado para o San Antonio Spurs e, em contrapartida, o veterano Mo Cheeks (atual assistente técnico no Thunder) chegou à Nova Iorque. A troca não surtiu efeito de imediato e o time perdeu 15 dos últimos 21 jogos da temporada regular. Apesar de tudo, Cheeks ganhou a posição de titular de Jackson.

Com a quinta melhor campanha do Leste (45-37), o Knicks chegou desacreditado aos playoffs e sem vantagem no mando de quadra. Para a surpresa de muita gente, o time eliminou o experiente time do Celtics, na primeira rodada, em uma série de cinco partidas. A dupla Ewing e Oakley teve uma atuação espetacular no último jogo do confronto, realizado em Boston, combinando para 57 pontos, 25 rebotes, 14 assistências, cinco tocos e 60% de aproveitamento nos arremessos de quadra.

Na semifinal, o adversário era o atual campeão: o temido Pistons. O Knicks não foi páreo para os Bad Boys e caiu em cinco jogos. Naquele ano, o time de Detroit se tornaria bicampeão da liga.

Temporada 1990/91

Na offseason de 1990, o Knicks assinou com o até então desconhecido John Starks. Ignorado no draft de 1988, o ala-armador disputou 36 jogos com a camisa do Golden State Warriors e foi dispensado no ano seguinte. Starks perambulou por dois times da antiga CBA (liga menor de basquete) antes de ter uma nova chance na NBA. Durante um treino da equipe novaiorquina, ele tentou enterrar sobre Ewing, e se machucou com o “chega para lá” dado pelo astro. O time não poderia dispensá-lo até que ele se curasse da lesão no joelho. Por isso, Starks chamou Ewing de seu salvador. O ala-armador se recuperou, mostrou bola nos treinamentos e permaneceu no elenco.

Depois de apenas 15 jogos, Jackson foi demitido e o experiente John MacLeod comandou o time no restante da temporada. O Knicks terminou na oitava posição do Leste e foi varrido pelo Bulls na primeira rodada dos playoffs.

Temporada 1991/92

A offseason de 1991 foi, talvez, uma das mais importantes da história da franquia novaiorquina. O Knicks trouxe Pat Riley, tetracampeão pelo Los Angeles Lakers, nos anos 80, para dirigir o time. Além disso, a equipe adquiriu o ala Xavier McDaniel junto ao Phoenix Suns, assinou com o agente livre Anthony Mason, negociou Cheeks com o Atlanta Hawks e trouxe Ernie Grunfeld (atual GM do Washington Wizards) para o cargo de gerente-geral. No draft, o Knicks selecionou o armador Greg Anthony, na 12ª posição.

Com um um treinador gabaritado e um elenco mais encorpado, o Knicks fez a quarta melhor campanha do Leste. com 51 vitórias e 31 derrotas. Nos playoffs, o adversário na primeira rodada foi o Pistons, qua ainda tinha boa parte do elenco bicampeão em 1989 e 1990. O Knicks venceu a série, em cinco jogos, e enfrentou, mais uma vez, o Bulls. Resultado: o time de Chicago, que vinha de seu primeiro título na temporada anterior, levou a melhor em uma emocionante série de sete jogos. Nem preciso dizer quem foi o campeão em 1992…

Temporada 1992/93

Da esquerda para a direita: Starks, Mason, Rivers, Ewing e Oakley

O bom desempenho da temporada anterior animou a direção do Knicks, que vislumbrava a possibilidade real de voltar às finais da liga depois de quase duas décadas. Para alcançar esse objetivo, Grunfeld fez uma mini reformulação do elenco. Primeiro fechou uma grande negociação com o Los Angeles Clippers: adquiriu o armador Doc Rivers (atual técnico do Clippers), o ala Charles Smith e o ala-armador Bo Kimble, e abriu mão de Mark Jackson e de uma escolha de segunda rodada no draft. Também trouxe, via trocas, o veterano Rolando Blackman, o ala Tony Campbell e o pivô Herb Williams. No draft, a equipe selecionou o ala-armador Hubert Davis, na 20ª escolha. E, por fim, não renovou os contratos de Wilkins, McDaniel e Vandeweghe.

Do núcleo principal, apenas Ewing, Oakley, Anthony, Starks e Mason foram mantidos. As mudanças deram certo e o Knicks terminou a temporada regular com a melhor campanha do Leste, com 60 vitórias e 22 derrotas. Riley foi eleito o técnico do ano. Nos playoffs, o time eliminou, sem dificuldades, o Indiana Pacers de Reggie Miller e o Charlotte Hornets de Larry Johnson e Alonzo Mourning.

Na aguardada decisão do Leste, mais uma vez o Bulls estava no caminho do Knicks. E para variar, a equipe de Jordan levou a melhor, em seis jogos. O Knicks abriu a série com duas vitórias no Madison Square Garden, mas perdeu os dois jogos seguintes, em Chicago. A série voltou para Nova Iorque e o time da casa esteve perto de ganhar o quinto jogo. O Bulls vencia por 95 a 94, mas o Knicks teve a posse de bola para vencer. Smith protagonizou um dos lances mais incríveis da história dos playoffs. O ala conseguiu levar três tocos seguidos quando tentava fazer a cesta decisiva, um de Horace Grant e dois de Scottie Pippen. O Bulls ainda sacramentou a vitória com uma cesta no contra-ataque. Com o triunfo no jogo seguinte, o time de Chicago eliminou o Knicks pela quarta vez, em quatro séries de playoffs disputadas nos últimos cinco anos, chegou às finais, bateu o Phoenix Suns e conquistou o tricampeonato.

Temporada 1993/94

A frustração da temporada anterior não derrubou a moral do Knicks para 1993/94. Pelo contrário. Com a aposentadoria de Jordan, a franquia novaiorquina viu a grande oportunidade para, finalmente, deixar de ser freguês do Bulls, ganhar o Leste e chegar às finais. E é a partir daqui que o homenageado deste artigo ganha o seu devido destaque.

A base do time de 93 foi mantida, mas uma lesão de Rivers, logo no início da temporada, obrigou o Knicks a fechar uma troca com o Dallas Mavericks. O experiente Derek Harper chegou ao time novaiorquino para ser o armador principal e o principal marcador de perímetro. A formação titular da equipe tinha Harper, Starks, Smith, Oakley e Ewing. No banco, um dos mais fortes da liga, Mason, Anthony e Davis eram as principais opções de Pat Riley.

O Knicks terminou a temporada regular com a segunda melhor campanha da conferência, com 57 vitórias e 25 derrotas, incluindo uma sequência de 15 triunfos angariados entre 1º de março e 2 de abril. A equipe foi a dona da melhor defesa da liga, com média de 91.5 pontos sofridos, e a primeira em eficiência defensiva, com 98.2 sofridos por 100 posses de bola.

Além disso, o Knicks, que priorizava o jogo de meia-quadra e explorava bastante Ewing na área próxima à cesta, era o quarto time com menos posses de bola (média de 92.8). Com uma defesa fora de série, o Knicks nem precisava ter um ataque de primeira linha. A equipe tinha o sétimo pior ataque da liga, com uma média de 98.5 pontos anotados por partida, e era apenas a 16ª em eficiência ofensiva (105.7 pontos por 100 posses de bola).

Graças ao sucesso do time, Starks, Oakley e Ewing foram selecionados para o All-Star Game de 1994. Oakley ainda foi eleito para o time ideal de defesa da temporada.

New York Knicks – 1993/94

Time-base: Derek Harper (PG), John Starks (SG), Charles Smith (SF), Charles Oakley (PF), Patrick Ewing (C)

Principais reservas: Anthony Mason (SF/PF), Greg Anthony (PG), Hubert Davis (SG), Doc Rivers (PG)

Técnico: Pat Riley

Jogador Idade Pontos Rebotes Assistências Roubos Tocos Minutos
Patrick Ewing 31 24.5 11.2 2.3 1.1 2.7 37.6
Charles Oakley 30 11.8 11.8 2.7 1.3 0.2 35.8
John Starks 28 19.0 3.1 5.9 1.6 0.1 34.9
Doc Rivers 32 7.5 2.1 5.3 1.3 0.3 26.3
Anthony Mason 27 7.2 5.8 2.1 0.4 0.1 26.1
Charles Smith 28 10.4 3.8 1.2 0.6 1.0 25.7
Greg Anthony 26 7.9 2.4 4.6 1.4 0.2 24.9
Derek Harper 32 8.6 1.6 4.4 1.5 0.1 24.3
Hubert Davis 23 11.0 1.2 2.9 0.7 0.1 23.8

Na primeira rodada dos playoffs, o adversário foi o New Jersey Nets. Sem dificuldades, o Knicks bateu o rival em uma série de quatro jogos. Em uma das semifinais do Leste, uma velha “pedra no sapato”: o Bulls, mas desta vez sem Jordan. Quem achou que o duelo seria tranquilo para o Knicks se enganou completamente. Liderado por Pippen, o time de Chicago vendeu caro a derrota. Os times se detestavam. Pat Riley e Phil Jackson não se davam bem. Foram partidas duras, com defesas agressivas, provocações e até uma briga. No jogo 3, Harper e o ala-armador Jo Jo English partiram para as vias de fato, bem em frente ao comissário da NBA na época (David Stern), deram início a uma confusão generalizada e foram ejetados de quadra. O Bulls venceu aquele jogo, mas o Knicks levou a série, que chegou a sete partidas. Enfim, o time de Nova Iorque eliminou o Bulls. O fantasma de Chicago não assombrava mais a equipe novaiorquina.

Na final do Leste, mais um duelo que entrou para a história. O rival foi o Pacers. O Knicks venceu as duas primeiras partidas, mas foi derrotado nas três seguintes. O jogo 5 da série é um dos mais espetaculares da história dos playoffs. O Knicks liderou boa parte da partida e chegou no último período com uma vantagem de 12 pontos: 70 a 58. Parecia uma fatura liquidada. Parecia… No quarto final, o ala-armador Reggie Miller anotou 25 dos 35 pontos do time de Indiana e calou o Madison Square Garden. A cada cesta, ele provocava o cineasta Spike Lee, famoso torcedor do Knicks. O Pacers conseguiu a virada improvável e jogou o time novaiorquino nas cordas.

O sexto jogo do confronto seria disputado em Indianápolis e o Knicks precisava da vitória para não morrer na praia novamente. Com uma grande atuação de Starks, que anotou 26 pontos, o time visitante venceu por 98 a 91 e levou a decisão para Nova Iorque.

O dono do sétimo jogo da série foi Ewing. O grande astro do Knicks teve uma atuação fantástica – 24 pontos, 22 rebotes, sete assistências e cinco tocos – e guiou a equipe às finais. Vinte e um anos depois, o Knicks estava de volta à decisão da NBA.

O adversário nas finais foi o Houston Rockets, que havia derrotado o Utah Jazz de Karl Malone e John Stockton na decisão da conferência Oeste. Por ter feito uma campanha melhor (58 vitórias e 24 derrotas), o time texano teve a vantagem no mando de quadra.

Não havia um claro favorito na série. O lema “defesas ganham campeonatos” era mais do que apropriado para aquelas finais. Knicks e Rockets tinham as duas melhores defesas da NBA, e não possuíam ataques poderosos. A decisão seria marcada pelo duelo de dois dos melhores pivôs da liga: Ewing e Hakeem “The Dream” Olajuwon.

A promessa era a de que teríamos confrontos com pontuações baixas e decididos apenas nos instantes finais. E não deu outra. É só observarmos os placares das partidas: 78 x 85, 91 x 83, 89 x 93, 91 x 82, 91 x 84, 84 x 86 e 84 x 90. Nenhuma contagem centenária. Nenhum jogo vencido com facilidade.

O Knicks tinha uma equipe pronta para ser campeã, com jogadores experientes e qualificados, e um treinador vitorioso. Mas do outro lado havia um nigeriano naturalizado norte-americano que teve um desempenho espetacular na temporada. Com médias de 27.3 pontos, 11.9 rebotes, 3.6 assistências, 1.6 roubo de bola e 3.7 tocos, Olajuwon foi eleito MVP e melhor defensor em 1994. Sabe quantos jogadores na história da NBA ganharam os dois prêmios no mesmo ano? Apenas ele e Michael Jordan (1988).

Na era dos super pivôs, a maior expectativa de todos os que acompanhavam a NBA era com relação ao embate entre Ewing e Hakeem. No primeiro jogo das finais, melhor para “The Dream“. Ele conseguiu um duplo-duplo (28 pontos e dez rebotes) e o Rockets venceu por 85 a 78. Na segunda partida, Olajuwon voltou a ser o destaque, mas o Knicks levou a melhor por 91 a 83 graças a uma ótima atuação coletiva, em que seis atletas anotaram ao menos dez pontos.

A vitória em Houston deixou os fãs do time novaiorquino eufóricos com a possibilidade de conquistar o título em casa, pois o Knicks “só” precisava vencer os próximos três jogos, que seriam disputados no Madison Square Garden, para levantar o caneco. Na terceira partida, Olajuwon novamente entrou em cena. Com 21 pontos, 11 rebotes, sete assistências e sete tocos, o pivô foi fundamental para o triunfo do time texano por 93 a 89. Com isso, o Rockets recuperou a vantagem no mando de quadra.

No jogo 4, o Knicks perdia até o último período. No quarto final, o time novaiorquino teve um excelente aproveitamento no ataque (coisa rara). Marcou 31 pontos e venceu o Rockets por 91 a 82. Ewing e Oakley combinaram para 32 pontos e 35 rebotes. Starks e Harper combinaram para 41 pontos e nove assistências. Pelo time texano, Olajuwon, para variar, foi o destaque: 32 pontos, oito rebotes e cinco tocos.

Com o confronto empatado, o jogo 5 ganhou contornos de dramaticidade. Knicks e Rockets fizeram mais uma partida equilibrada, decidida apenas nos instantes finais. Ewing fez o seu melhor jogo na série, com 25 pontos, 12 rebotes e oito tocos, e levou o time da casa à vitória por 91 a 84. O Knicks estava a um triunfo do título. O problema é que os dois últimos duelos da série seriam realizados em Houston…

Na sexta partida, Starks foi o grande personagem. Ele levou o Knicks nas costas, anotou 16 pontos no último período, mas cometeu erros nos momentos decisivos. A 40 segundos do fim, quando o placar apontava 84 a 82 para o Rockets, ele errou um passe para Ewing e o time desperdiçou a chance de empatar ou até virar o marcador. Na sequência, Olajuwon sofreu falta e converteu os dois lances livres. A vantagem do time texano passou a ser de quatro pontos.

Após um pedido de tempo de Riley, o talismã Mason converteu um arremesso da zona morta a 32 segundos do final e manteve o Knicks vivo na partida. Na posse de bola seguinte, o armador Kenny Smith (hoje comentarista do canal TNT) foi muito bem marcado por Harper e forçou um arremesso da cabeça do garrafão. Mason pegou o rebote e, prontamente, pediu o último tempo que a equipe tinha direito. Dois pontos atrás no placar, o Knicks tinha sete segundos no relógio para levar o duelo para a prorrogação ou até mesmo ganhar e conquistar o título. Starks recebeu a bola na lateral e sofreu falta de Robert Horry antes do ato do arremesso. O Rockets, de forma inteligente, gastou sua última falta. Estava claro que a bola decisiva seria arremessada pelo camisa 3 do Knicks.

Na sequência, os cinco segundos mais dramáticos da história do Knicks. Como previsto, Starks recebeu a bola e tentou ser o herói do time de Nova Iorque ao tentar uma bola de três pontos. Se a bola caísse, ele teria o nome eternizado na franquia como o jogador que converteu o arremesso do título. Só que a história foi diferente. A bola não bateu nem no aro. Olajuwon, o MVP e melhor defensor daquele ano, atrapalhou Starks durante o arremesso (um dos dedos dele resvalou na bola) e foi decisivo mais uma vez.

Os fãs do Knicks, obviamente, queriam que o time fechasse o confronto no sexto jogo para soltar o grito de campeão. Mas, por tudo o que estava ocorrendo naquelas finais, a série merecia ser definida no sétimo jogo. Riley se tornou o primeiro técnico na história da liga a alcançar um jogo 7 das finais por duas equipes diferentes (havia chegado com o Lakers em 1984 e em 1988). A equipe de Nova Iorque não poderia deixar se abater. Mesmo jogando na quadra adversária, nada estava perdido.

Como não poderia deixar de ser, o último duelo da série foi tenso, equilibrado, decidido apenas nos instantes finais. A 50 segundos do fim, o Rockets estava seis pontos à frente no marcador (84 a 78). Starks desperdiçou três arremessos de longa distância, em sequência, e o sonho do título chegava ao fim naquela temporada.

Lembra quando eu mencionei o famoso lema “defesas ganham campeonatos”? Então, Starks errou todos os 11 chutes de três pontos que tentou na partida. O Knicks converteu apenas três arremessos de quadra nos últimos seis minutos de jogo. Graças à sua defesa fenomenal, ancorada por Olajuwon, o Rockets conquistou o seu primeiro título da NBA.

A sensação que ficou era a de que o Knicks tinha mais time, mais elenco, mais talento, que o título havia escapado das mãos naquele jogo 6. Só que o Rockets tinha Olajuwon, um dos maiores jogadores de todos os tempos. O pivô foi espetacular nos dois lados da quadra. Com médias de 26.9 pontos, 9.1 rebotes, 3.6 assistências e 3.9 tocos, e limitando Ewing a 36% de aproveitamento nos arremessos de quadra, ele foi eleito o MVP das finais. The Dream foi um verdadeiro pesadelo para o Knicks.

Na temporada seguinte, o time de Nova Iorque fez a terceira melhor campanha do Leste e parou nas semifinais ao ser derrotado pelo Pacers, em uma eletrizante série de sete partidas. Foi o último ano de Riley no comando do Knicks. O trio Ewing, Oakley e Starks atuou junto até 1998 e chegou a mais três semifinais de conferência. Em uma delas, em 1996, foi derrotado sabe por quem? Pelo Bulls, que já tinha voltado a contar com Jordan.

Ewing, com quase 37 anos de idade, ainda fez parte do elenco que, de forma surpreendente, alcançou as finais em 1999. Na ocasião, o Knicks foi derrotado pelo San Antonio Spurs, em uma série de cinco partidas. O pivô lendário deixou a equipe em 2000, após ser envolvido em uma troca com o Seattle SuperSonics. Foram 15 temporadas e 1.039 jogos disputados com a camisa da franquia de Nova Iorque. O camisa 33 é mais uma das lendas da NBA que encerrou a carreira sem um título sequer.

Patrick Ewing e Pat Riley, dois nomes fundamentais na campanha de 94

Há três anos, Pat Riley revelou que uma das maiores tristezas que ele teve na NBA foi não ter ajudado Ewing a conquistar um anel de campeão. “Patrick foi um cara que deu tudo o que poderia dar a Nova Iorque para que o time ganhasse um campeonato. Provavelmente, uma das maiores lamentações que tenho na vida foi não ter sido capaz de dar o suficiente nos jogos 6 e 7, quando estávamos em Houston. Então, Patrick poderia ter conseguido o seu primeiro campeonato”.

Se o atual Knicks entrar em quadra com metade da tenacidade e garra daquele time de 1994, a franquia mais valiosa da NBA (avaliada em US$3.3 bilhões, segundo a revista Forbes) poderá pensar em trilhar novamente o caminho das vitórias.


P.S. Fique ligado. Daqui a duas semanas sai o quarto artigo da série “Times históricos que não foram campeões”. O homenageado da vez será o Orlando Magic de 1995. Não perca! Até lá!

Times históricos que não foram campeões – Portland Trail Blazers (1991)

Times históricos que não foram campeões – Phoenix Suns (1993)

 

Gustavo Lima
Gustavo Lima
Jornalista graduado pela UFMG e pós-graduado em Produção em Mídias Digitais pela PUC-MG. Natural de Ipatinga e residente em BH. Editor do Jumper Brasil desde 2007. Acompanha a NBA desde 1993. Torcedor do Phoenix Suns, mas adepto da imparcialidade.