Times históricos que não foram campeões – Orlando Magic (1995)

O Orlando Magic de 1995 é o homenageado no quarto texto da série quinzenal “Times históricos que não foram campeões”.

A franquia da Flórida, que coleciona fracassos recentes, chegou à sua primeira final de NBA seis anos depois de sua fundação e era liderada em quadra por dois jovens: o pivô Shaquille O’Neal e o armador Penny Hardaway.

Antes de falar da inesquecível equipe de 95 é preciso contar como se deu a fundação da franquia, uma das mais novas da liga, e a formação do elenco que entrou para a história de Orlando.

A fundação

O Magic surgiu graças ao décimo processo de expansão promovido pela NBA. Em meados da década de 80, o empresário Jimmy Hewitt tinha o sonho de fundar uma franquia da liga na cidade da Disney. Para colocar o plano em prática, ele pediu a ajuda de Pat Williams, que, na época, era gerente-geral do Philadelphia 76ers. O dirigente “abraçou” a ideia de Hewitt, pediu demissão do Sixers e partiu rumo à Flórida.

Como o desejo da NBA, na figura de seu comissário David Stern, era o de expandir a liga, a tarefa da dupla não foi tão difícil assim. Hewitt e Williams estavam tão confiantes de que o sonho se tornaria realidade que, antes mesmo de convencer Stern e os donos das outras equipes de que seria vantajosa a criação de mais um time na liga, eles promoveram um concurso para a escolha do nome da franquia. Depois de uma seleção prévia, os quatro nomes finalistas foram: Heat (isso mesmo), Tropics, Juice e Magic.

Reza a lenda de que uma visita da filha de Williams, Karen (sete anos na época), aos parques da Disney teria sido fundamental para que o nome Magic fosse escolhido. A menina teria dito ao pai: “I really like this place. This place is like magic.” (Eu realmente gosto deste lugar. Este lugar é como mágica.). O nome ganhador, que seria uma alusão à magia de Orlando, influenciado, obviamente, pelo complexo da Disney, foi anunciado em 27 de julho de 1986.

Na época, o Magic foi uma das quatro novas franquias da NBA, junto com Charlotte Hornets, Miami Heat e Minnesota Timberwolves, e se tornou o primeiro grande time de liga profissional de esportes da cidade de Orlando. Hornets e Heat entraram na NBA em 1988. Magic e Timberwolves no ano seguinte.
Os primeiros anos na NBA

Com o processo de expansão aprovado, o próximo passo da direção do Magic seria o de montar o elenco e a comissão técnica. Matt Guokas, que havia sido o técnico do Sixers, entre 1985 e 1988, foi o primeiro treinador da história da equipe.

No draft de expansão, realizado em junho de 1989, o time de Orlando levou a melhor no cara e coroa com o Timberwolves e teve o privilégio de começar escolhendo. Ah, uma explicação rápida sobre esse tipo de recrutamento: as equipes que ingressaram na NBA tiveram o direito de selecionar jogadores de outras franquias. Isso foi feito para garantir que não houvesse um abismo técnico entre os novos e os antigos times da liga. Mas vale a pena destacar que as franquias consolidadas da NBA puderam “proteger” oito jogadores. Com isso, elas deixaram veteranos em final de carreira, jogadores tecnicamente medianos ou aqueles com alto custo benefício disponíveis para o recrutamento.

Dos 12 jogadores selecionados pelo Magic no draft de expansão, quatro deles merecem ser citados: Sidney Green (pivô, que pertencia ao New York Knicks), Reggie Theus (ala-armador, que pertencia ao Atlanta Hawks), Terry Catledge (ala-pivô, que pertencia ao Washington Bullets) e Scott Skiles (armador, que pertencia ao Indiana Pacers). Os outros, podem acreditar, não deixaram saudade alguma em Orlando.

Além desses jogadores com rodagem na liga, o Magic selecionou, no recrutamento “normal”, o novato Nick Anderson. O ala-armador foi a 11ª escolha e, alguns anos depois, entraria para a história da franquia.

No primeiro ano de NBA, o time de Orlando fez a segunda pior campanha entre os 27 times da época: 18 vitórias e 64 derrotas, o que era perfeitamente compreensível dada a qualidade (falta dela, aliás) do elenco.

Devido ao péssimo desempenho na temporada anterior, o Magic teve direito à quarta escolha geral do draft de 1990. O selecionado foi o ala Dennis Scott, especialista em arremessos de longa distância. O veterano Theus, segundo cestinha da equipe, foi negociado com o Nets.

Após jogar a primeira temporada na conferência Leste, o time de Orlando integrou a Oeste em 1990/91. Com os jovens Scott e Anderson ganhando destaque, e os experimentados Skiles e Catledge dando retorno técnico em quadra, o Magic terminou a temporada com a nona melhor campanha de sua conferência: 31 vitórias e 51 derrotas. Skiles, inclusive, ganhou o prêmio de jogador que mais evoluiu. Aliás, em dezembro de 1990, o armador conseguiu um feito até hoje inalcançável: distribuiu 30 assistências na partida contra o Denver Nuggets.

A sorte sorri para o Magic

Em setembro de 1991, o time de Orlando passou a ter um novo dono. O empresário Richard DeVos comprou a franquia por US$85 milhões e permanece como proprietário até os dias atuais. Segundo levantamento da revista Forbes, hoje, o valor do Magic é estimado em US$920 milhões.

Na temporada 1991/92, a equipe retornou para a conferência Leste e foi um “saco de pancadas” como no ano de estreia. Depois de assinar com o agente livre Anthony Bowie, ala-armador que teve passagens discretas por San Antonio Spurs e Houston Rockets, e manter a base do plantel, o Magic fez a segunda pior campanha da liga, com apenas 21 vitórias em 82 partidas.

E foi justamente aquele desempenho medíocre que possibilitou à franquia começar a ser relevante na NBA. Na agência livre, o Magic assinou com o ala Donald Royal, ex-Spurs, que se tornaria um jogador importante no time de 1995. Mas a cereja do bolo veio no draft. A franquia se deu bem na loteria do recrutamento graças à sorte do GM Pat Williams e ficou com a primeira escolha geral de 1992. Os pivôs Shaquille O’Neal e Alonzo Mourning, e o ala-pivô Christian Laettner (campeão olímpico com o Dream Team) eram os principais nomes do draft. Shaq, da Universidade de Louisiana State (LSU) foi o escolhido pelo time de Orlando. Mourning foi a segunda escolha (Hornets) e Laettner a terceira (Timberwolves).

Logo em sua primeira temporada, aquele jogador de 2.16m, que pesava quase 150 quilos e tinha apenas 20 anos de idade correspondeu às expectativas e mostrou que seria o próximo pivô dominante da NBA. Shaq foi o líder do Magic em pontos (23.4), rebotes (13.9) e tocos (3.5) e começava a assombrar o mundo do basquete. Como não poderia deixar de ser, ele foi o novato do ano e selecionado para o All-Star Game. Além do desempenho notável em quadra, Shaq tornou-se um sucesso comercial imediato e possibilitou que a franquia ficasse mais conhecida.

Primeira escolha do draft de 1992, Shaq tornou-se um sucesso dentro e fora das quadras

A equipe terminou 1992/93 na nona posição do Leste, com 41 vitórias e 41 derrotas, e só não foi aos playoffs porque perdeu nos critérios de desempate para o Indiana Pacers. Shaq foi o destaque, mas vale dizer que Skiles, Anderson e Scott também foram importantes para o time. Ao final da temporada, Guokas deixou o comando do time e assumiu um cargo diretivo na franquia.

Na offseason seguinte, a sorte voltou a sorrir para o Magic. A equipe entrou na loteria com a pior chance de angariar a primeira escolha (1.5%) e o talismã Williams entrou em cena novamente. Pelo segundo ano seguido, o time de Orlando teve direito à first pick do recrutamento. O Magic selecionou o ala-pivô Chris Webber, destaque do Fab Five da Universidade de Michigan, mas não ficou com o jogador. Williams trocou a escolha com o Golden State Warriors. Na negociação, o Magic recebeu o jogador selecionado pelo time de Oakland na terceira escolha, o armador Anfernee “Penny” Hardaway, além de três futuras escolhas de draft. A negociação mudou os rumos da franquia da Flórida.

Para a temporada 1993/94, o Magic efetivou Brian Hill, que era assistente de Guokas, no cargo de treinador principal. Com a aposentadoria de Catledge, o time de Orlando assinou com o ala-pivô Larry Krystkowiak, que era agente livre, para formar a dupla de garrafão titular com Shaq. No meio da temporada, a equipe trouxe o também ala-pivô Anthony Avent via troca com o Milwaukee Bucks. Nenhum dos dois se destacou em Orlando. Com a ascensão de Hardaway, Skiles foi para o banco de reservas.

Com essas mudanças, o Magic fez a quarta melhor campanha do Leste, com 50 vitórias e 32 derrotas, e, consequentemente, a sua melhor campanha em cinco anos de liga. Nos playoffs, o time sentiu a pressão e ficou na primeira rodada, após ser varrido pelo Pacers de Reggie Miller. A decepção foi grande, mas ficou a sensação de que a equipe de Orlando tinha uma base forte e que, com poucos ajustes no elenco, poderia novamente figurar entre os melhores da conferência.

A magnífica temporada de 1994/95

Na offseason de 1994, o Magic trocou Skiles com o Washington Bullets. A saída do jogador que tinha o quarto maior salário do time, mas que havia se tornado um reserva, possibilitou ao Magic que assinasse com o ala-pivô Horace Grant, tricampeão pelo Chicago Bulls (1991-1993). A franquia, que tinha montado a base do elenco via draft, começou a pensar grande, que poderia dar um salto de qualidade e ir longe nos playoffs. Além da bagagem na NBA e do currículo, Grant adicionou poderio defensivo ao time da Flórida. Ele era a peça que faltava para que o Magic tivesse um dos melhores quintetos da liga – Hardaway, Anderson, Scott, Grant e Shaq.

Para o banco de reservas, Brian Shaw foi contratado para exercer o papel de combo guard (jogar nas posições e 1 e 2). Vale dizer que, ao longo da temporada, Royal ganhou a vaga de Scott na formação inicial.

A expectativa de bons resultados se traduziu em quadra, com o Magic terminando a temporada regular com a melhor campanha do Leste (57 vitórias e 25 derrotas) e o melhor ataque da NBA (média de 110.9 pontos por jogo).

Os jovens Hardaway e Shaq tiveram desempenhos espetaculares e foram selecionados como titulares para o All-Star Game. Penny, aliás, conseguiu a façanha de ser eleito para o time ideal da temporada, enquanto Shaq integrou o segundo time.

Estrelas do Magic, os jovens Shaquille O’Neal e Penny Hardaway foram titulares no All-Star Game de 1995

Orlando Magic – 1994/95

Time-base: Penny Hardaway (PG), Nick Anderson (SG), Dennis Scott (SF), Horace Grant (PF), Shaquille O’Neal (C)

Principais reservas: Donald Royal (SF), Brian Shaw (PG), Anthony Bowie (SG)

Técnico: Brian Hill

Jogador Idade Pontos Rebotes Assistências Roubos Tocos Minutos
Shaquille O’Neal  22 29.3  11.4 2.7 0.9 2.4  37.0
Penny Hardaway  23  20.9  4.4  7.2 1.7  0.3  37.7
Nick Anderson  27  15.8  4.4 4.1  1.6 0.3  34.1
Dennis Scott  26  12.9  2.4 2.1 0.7  0.2  24.2
Horace Grant  29 12.8  9.7  2.3 1.0 1.2  36.4
Donald Royal  28 9.1 4.0 2.8  0.6  02  26.3
Brian Shaw  28  6.4 3.1 5.2  0.9  0.2  23.5
Anthony Bowie 31 5.5 1.8 2.1 0.6 0.3  16.4

O Magic chegou aos playoffs na condição de favorito da conferência, já que tinha um time em ponto de bala e a vantagem do mando de quadra. Logo no jogo inicial da primeira rodada, a equipe atropelou o Boston Celtics por 124 a 77. O time de Orlando levou a série em quatro partidas.

Na semifinal, o Magic enfrentou o Bulls. O detalhe é que Michael Jordan havia acabado de retornar da aposentadoria, o que poderia ser uma ameaça à equipe da Flórida. Não seria fácil passar pelo time de Chicago. No primeiro duelo da série, o Magic venceu por 94 a 91. Shaq conseguiu um duplo-duplo (26 pontos e 12 rebotes) e foi o destaque da partida. Bem marcado por Anderson, Jordan acertou apenas oito dos 22 arremessos de quadra tentados e anotou 19 pontos. Ao final do jogo, o ala-armador do Magic disse que o agora camisa 45 do Bulls já não era mais o mesmo.

No segundo duelo, Jordan mostrou a Anderson que ainda poderia ser espetacular em quadra. O maior de todos os tempos anotou 38 pontos e conduziu o Bulls ao triunfo em Orlando (104 a 94). Os próximos dois jogos seriam disputados em Chicago e o Magic sabia que não poderia deixar Jordan crescer na série.

Na terceira partida, o time de Orlando recuperou a vantagem do mando de quadra e venceu por 110 a 101 graças a uma ótima atuação coletiva. O quarteto Shaq, Penny, Anderson e Grant foi responsável por 87 pontos da equipe. Jordan anotou 40, mas não impediu a derrota do Bulls. No quarto duelo, nova vitória do time de Chicago (106 a 95). Jordan e Scottie Pippen combinaram para 50 pontos e foram os grandes nomes da partida.

No quinto jogo, a série retornou à cidade de Orlando e o time da casa venceu por 103 a 95, apesar dos 39 pontos anotados por Jordan. A dupla de garrafão do Magic teve um desempenho magistral na partida. Shaq e Grant combinaram para 47 pontos, 33 rebotes e seis tocos, e deixaram a equipe da Flórida a um triunfo de alcançar as finais de conferência.

No sexto jogo, disputado em Chicago, o Magic contou com a pontaria afiada dos jogadores do perímetro e fechou a série com uma vitória por 108 a 102. Penny, Anderson e Scott (que voltou a ser titular) combinaram para 12 cestas de três pontos, o que era notável na época. Shaq, para variar, conseguiu o duplo-duplo: 27 pontos e 13 rebotes. O time da Flórida deu um recado claro ao mundo ao eliminar o Bulls de Jordan: vamos em busca do título.

Na final do Leste, o adversário foi o Pacers, algoz da temporada anterior. A série chegou a sete jogos, com cada um dos times vencendo em seus domínios. Melhor para o Magic, que tinha a vantagem do mando de quadra. Na sétima e decisiva partida, a equipe de Orlando amassou o rival por 105 a 81. Reggie Miller, o principal jogador do Pacers, anotou apenas 13 pontos. Pelo lado do Magic, Shaq marcou 25 pontos e pegou 11 rebotes, e todos os titulares combinaram para 89 pontos. Shaq era um pivô dominante, mas para a equipe conseguir o objetivo de ser campeã era preciso que os outros jogadores contribuíssem. E foi o que aconteceu com o Magic naqueles playoffs do Leste.

Na decisão, o Magic tinha pela frente o atual campeão da Liga, o Houston Rockets. O time texano fez uma campanha irregular durante a temporada regular, tanto que terminou apenas com a sexta melhor campanha do Oeste (47 vitórias e 35 derrotas). Só que, na pós-temporada, o Rockets foi eliminando um favorito de cada vez. Primeiro, o Utah Jazz da dupla John Stockton e Karl Malone. Depois, o Phoenix Suns de Charles Barkley. E na final de conferência, o eliminado foi o San Antonio Spurs, time que havia feito a melhor campanha da temporada regular e que tinha o pivô David Robinson, MVP daquele ano. Vale lembrar que, no meio da temporada, o Rockets se reforçou com o veterano Clyde Drexler, lenda que deixou o Portland Trail Blazers justamente pela chance de conquistar o primeiro título na NBA.

De um lado, o melhor ataque da liga, que tinha um pivô jovem e dominante como Shaquille O’Neal, um elenco de apoio muito qualificado e a vantagem do mando de quadra. Do outro, o atual campeão, que fez uma pós-temporada fantástica e que contava com o poder de decisão de duas lendas como Hakeem Olajuwon e Drexler. Nenhum dos finalistas tinha uma defesa confiável. A expectativa era a de que veríamos uma final espetacular, sendo marcada pelo equilíbrio, por placares centenários e chegando a sete partidas. Só o duelo entre dois dos maiores pivôs da história como Olajuwon e Shaq já valeria a pena.

Decisão de 1995 foi marcada pelo duelo entre Hakeem Olajuwon e Shaquille O’Neal, dois dos pivôs mais dominantes da história

No entanto, nada saiu como esperado. Na primeira partida da decisão, o Magic chegou a abrir vantagem de 18 pontos, mas deixou de ganhar por conta do péssimo aproveitamento nos lances livres, nos instantes finais. Anderson errou quatro lances livres consecutivos quando o time de Orlando liderava por três pontos, a menos de dez segundos para o fim. O Rockets não perdoou e levou o jogo para a prorrogação graças a uma cesta de longa distância do armador Kenny Smith (hoje comentarista da TNT) no último segundo. Na prorrogação, o time texano teve mais tranquilidade e venceu por 120 a 118. Cestinha da partida, com 31 pontos, Olajuwon dez a cesta da vitória no estouro do cronômetro. Drexler e Smith contribuíram com 23 pontos cada. Robert Horry anotou 19 e Mario Elie outros 18 pontos. Em suma, o quinteto titular do time de Houston foi responsável por 114 pontos. Pelo Magic, Shaq teve uma grande atuação e ficou perto de alcançar o triplo-duplo – 26 pontos, 16 rebotes e nove assistências. Hardaway também anotou 26 pontos. Grant e Anderson combinaram para 37 pontos e 27 rebotes. O primeiro jogo das finais foi sensacional, emocionante, mas deixou um gosto amargo entre os fãs do Magic. Ah se Anderson tivesse acertado pelo menos um dos quatro lances livres…

No segundo duelo, novamente disputado em Orlando, Olajuwon e Shaq voltaram a brilhar. O pivô do Rockets marcou 34 pontos e pegou 11 rebotes, enquanto o camisa 32 do Magic anotou 33 pontos e coletou 12 rebotes. O diferencial da partida foi um jogador vindo do banco de reservas. O armador Sam Cassell marcou 31 pontos e ajudou o time texano a vencer por 117 a 106. Definitivamente, o Magic estava em apuros. Após perder os dois primeiros jogos em casa, o time de Orlando teria força para reverter a série em Houston?

Só que a derrota catastrófica no jogo 1 ainda ecoava entre os jogadores do Magic. Na terceira partida, a definição do vencedor só ocorreu nos instantes derradeiros. A 14 segundos do fim, “Big Shot” Horry recebeu passe de Olajuwon e acertou uma bola de três pontos. A vantagem do Rockets, àquela altura, era de quatro pontos (104 a 100). Na sequência, Hardaway deu um airball em um arremesso de longa distância. Posteriormente, Drexler converte um lance livre e a vantagem subiu para cinco pontos. A três segundos do fim, Anderson, o vilão do jogo 1, acertou uma bola de três e ainda deu esperanças ao Magic. Na saída de bola, Cassell sofreu falta e foi para a linha de lance livre. Ele converteu um dos dois arremessos e o placar apontava 106 a 103 a favor do time da casa. O Magic teve a posse de bola final, mas Hardaway desperdiçou o arremesso derradeiro. Delírio em Houston. A equipe texana só precisava de mais uma vitória para conquistar o bicampeonato. Para variar, Shaq foi o destaque do time de Orlando, com 28 pontos e dez rebotes. Hardaway marcou 19 e distribuiu 14 assistências. Grant contribuiu com 18 pontos e dez rebotes. Pelo Rockets, Olajuwon anotou 31 pontos, pegou 14 rebotes e distribuiu sete assistências. Drexler e Horry combinaram para 45 pontos, 22 rebotes e 11 assistências.

Nenhum time na história da NBA conseguiu reverter uma desvantagem de três a zero nas finais. A missão do Magic era inglória. O equilíbrio foi a tônica de boa parte da quarta partida. Só que, no último período, o time de Orlando entrou em colapso e permitiu que o Rockets finalizasse a série com certa tranquilidade e conquistasse o bicampeonato. A questão mental, mais uma vez, foi inimiga do Magic.

Shaq fez sua parte, com 25 pontos e 12 rebotes. Hardaway contribuiu com outros 25 pontos. Anderson, aquele que falou que Jordan não era mais o mesmo, aquele que desperdiçou quatro lances livres seguidos no final do jogo 1, teve uma atuação risível: quatro pontos e 1-7 nos arremessos de quadra. Pelo bicampeão, Olajuwon, eleito MVP das finais, anotou 35 pontos, pegou 15 rebotes e distribuiu seis assistências. Pela segunda final consecutiva, The Dream foi um monstro em quadra. Drexler, enfim campeão na NBA, quase alcançou o triplo-duplo: 15 pontos, nove rebotes e oito assistências.

Médias de Hakeem Olajuwon e Shaquille O’Neal nas finais de 1995

The Dream: 32.8 pontos, 11.5 rebotes, 5.5 assistências, 2.0 tocos
Shaq: 28.0 pontos, 12.5 rebotes, 6.3 assistências e 2.5 tocos

Na temporada seguinte, com o mesmo elenco, o Magic chegou às finais do Leste depois de ter feito a melhor campanha da história da franquia (60 vitórias e 22 derrotas). Só que do outro lado havia Michael Jordan. O Bulls varreu o time de Orlando na decisão da conferência e, na grande decisão, bateu o Seattle SuperSonics e conquistou o quarto título na liga. O então gerente-geral, Pat Williams, foi promovido a vice-presidente Executivo da franquia.

Em 1996/97, o Magic sofreu um duro golpe: Shaq decidiu deixar a franquia e assinar com o Los Angeles Lakers no período de agência livre. Era o começo do fim. Hardaway começou a sofrer com seguidas lesões e, em 1999, foi negociado com o Suns. Naquele ano, Grant foi trocado para o SuperSonics e Anderson foi enviado para o Sacramento Kings. Os pilares do time de 1995 já não faziam mais parte do elenco.

Apesar da varrida nas finais, o Magic de 1995 foi o melhor time da história da franquia, o que mais marcou. Apenas seis anos depois de sua fundação, o time de Orlando conseguiu chegar à decisão da NBA com uma base montada sobretudo através do draft. Pat Williams deu uma aula de gestão na época. Claro que o fator sorte ajudou, com as duas primeiras escolhas seguidas, mas Williams soube, no momento certo, elevar o time de patamar, de mero coadjuvante a contender. Que esse bom exemplo seja repetido e que os atuais dirigentes da franquia consigam trazer a magia de volta a Orlando.


P.S. Fique ligado. Daqui a duas semanas sai o quinto artigo da série “Times históricos que não foram campeões”. O homenageado da vez será o Seattle SuperSonics de 1996. Não perca! Até lá!

Times históricos que não foram campeões – Portland Trail Blazers (1991)

Times históricos que não foram campeões – Phoenix Suns (1993)

Times históricos que não foram campeões – New York Knicks (1994)

Gustavo Lima
Gustavo Lima
Jornalista graduado pela UFMG e pós-graduado em Produção em Mídias Digitais pela PUC-MG. Natural de Ipatinga e residente em BH. Editor do Jumper Brasil desde 2007. Acompanha a NBA desde 1993. Torcedor do Phoenix Suns, mas adepto da imparcialidade.
  • Alexsander Anzini

    Baita texto! Os dirigentes atuais deviam ler, porque acho que esqueceram da história do orlando.

    • gusilvalima10

      Valeu, Alexsander!

  • Leilson Joaquim

    Parabéns pelo texto, eu como torcedor do Magic fico muito satisfeito da história sendo contada com tamanha qualidade. (Os atuais dirigentes deveriam lê esse texto pra vê se inspiram pra esse novo processo de rebuild que parece se iniciar).

    • Will #lakaodamassa

      Magic tem torcida ? Hahah
      Zoeira amigão,simpatizo com o Magic torço por uma volta por cima !

      • Caseh

        Um dos chefões do Jumper Brasil é Magic, inclusive… rs

        • gusilvalima10

          Deixa o Stabomito ler isso! hahahahaha

    • gusilvalima10

      Obrigado, Leilson!

  • Elias Ferreira

    Texto incrível, parabéns Gustavo! Uma pena Shaq não ter ficado mais tempo em Orlando, essa matéria aqui explica um pouco sobre.. http://jumperbrasil.lance.com.br/shaquille-oneal-reconhece-arrependimento-por-ter-saido-do-magic/ .

    • henrique

      Elias tem um documentário (nao me recordo o nome) que conta mais detalhes sobre ele nao ter assinado com o Magic….na época ele se sentiu, um pouco jogado de lado pela franquia. Inicialmente a franquia não queria dar o contrato maximo pra ele, só depois que cobriu a proposta e isso deixou ele magoado….bacana o assunto

      • Elias Ferreira

        Entendi, obrigado pelas informações Henrique, não sabia desse ocorrido.

        • WLuz

          30 for 30 – The Magic Moments, da Espn

    • gusilvalima10

      Obrigado, Elias!

  • Wadson Pinheiro

    Assisti essas finais e lembro bem da amarelada que o Magic deu no primeiro jogo, principalmente Nick Anderson. A vantagem era grande e os jovens jogadores de Orlando não souberam como reagir com o Houston cortando vantagem e encostando no placar. Eu torci muito pelo Magic, pois o Houston eliminou o meu Suns após está perdendo a série por 3 a 1 e isso já havia acontecido no ano anterior.

  • henrique

    Muito show…como os outros….a historia do fab five de Michigan daria um otimo texto tambem

    • gusilvalima10

      Valeu, Henrique. Fab Five pode ser uma boa pauta mesmo.

  • Doug

    Esse foi doloroso…eu me lembro bem…aqueles três lances livres errados…e The Dream doutrinando…meninada do Magic não deu conta frente à experiência do HOU, que soube aproveitar bem a ausência de MJ na liga…

  • Lucas

    Nesta década podemos dizer que tivemos times históricos que não foram campeões? Sim quando esta geração se aposentar todos nos lembraremos do time do OKC como o time que não venceu estamos falando de Westbrook que é o atual MVP Harden que fez uma partida histórica ontem e deve ganhar MVP este ano Durant MVP da temporada e finais provavelmente encerrará a carreira com mais de 30 mil pontos talvez sendo top 5 em pontos na historia.

    • Neverminder

      Sei la… talvez os Spurs de Parker, Duncan e Manu Ginobili (3 vê jogadoraços, sendo na minha opinião, os 2 últimos lendas) levando aquela bola de 3 do Ray Allen no jogo 6 das finais mereça entrar na série… que tal,Gustavo Lima?

  • RL23

    Cara, confesso que fico esperando ansioso por essa coluna!
    É como relembrar da infância e tbm de como a paixão por esse esporte foi nascendo dentro da gente!
    Essa do Magic é um pouco mais recente mas nem por isso, deixou de ficar sensacional tbm, como as outras!
    Parabéns ao autor e toda equipe Jumper!
    Viva o basquete ✌🏻

    • gusilvalima10

      Obrigado, Renato. Viva o basquete!

  • Gabriel S Monteiro

    Belo texto, difícil ver isso num site nacional sobre NBA, Parabéns Jumper!

    • gusilvalima10

      Obrigado, Gabriel!

  • Mathias

    Excelente matéria!

    • gusilvalima10

      Valeu, Mathias.

  • Neverminder

    Shaq e Penny jogaram muito aquele ano, mas do outro lado tinham 2 mitos (Drexler e Olajuwon)…

    Ansioso para ler sobre Seattle (que era meu 2º time), e, principalmente, sobre o mais classico dos times que não foram campeões, o Utah Jazz de Stockton e Malone

    • gusilvalima10

      São os próximos, Rubens!

      • Neverminder

        Massa… aguardo ansiosamente

      • Neverminder

        Os Spurs de Parker, Duncan e Ginobili que levaram aquela bola de 3 do Ray Allen no jogo 6 e o Golden State dos 73-9 são aptos a entrar na serie? Ou só times que não ganham nada nada mesmo, tipo os Clippers e o patético mineiro de Vespasiano?

  • Matéria sobre o Seattle e meu coração já tá como…

  • Ah, esqueci: Acima de parabenizar, preciso AGRADECER. Esses textos me fazem viver na época que não vivi e realmente me sentir parte. Muito, mas muito obrigado.

    • gusilvalima10

      Obrigado, Diogo. Esse é o objetivo da série! hehehe
      Abraço.

  • Maurilei Teodoro

    Gostaria de saber dos que acompanharam a NBA na década de 90: Quem era mais “cultuado/seguidores/fãs” dentre Shaq e The Dream !!

    • WLuz

      Shaq sem dúvida, ele comercialmente era quase igual a MJ. The Dream jogava demais, mas no meu ponto de vista foi ofuscado, e com razão, pelo MJ. Pois chegram juntos na NBA, mas MJ brilhava mais individualmente. Hakeem conseguiu seus títulos e prêmio de MVP por causa do afastamento de MJ, ao contrário MJ seria campeão de 91 até 98 sem dúvidas.

    • WLuz

      Shaq era um fenômeno quando chegou na NBA

    • vsr.snake

      Shaq sempre foi um jogador muito carismático, então ele sempre teve uma fanbase forte, tanto é que fez filmes (medonhos) em Hollywood e aquele jogo tosco do Shaq Fu. Então ele era mais famoso. Mas o Hakeem deve se contentar por ter sido melhor que o Shaq hahahahah

    • Norrin Radd

      Mais ibope sem dúvida o Shaq. Figuraça, rapper, “ator”…
      Agora, mais jogador boto fé no Hakeem pela técnica impecável, embora com o tempo o Shaquille tenha melhorado muito sua técnica de esmagar as defesas.

  • Gustavo – DefendTheLand

    Pena que o Shaq n teve o numero
    aposentado no Magic, isso me deixa uma duvida, será que OKC vai aposentar o numero do Durant? Ou o Cavs aposentaria o numero do LeBron, caso ele n tivesse voltado?

    • vsr.snake

      Cavs aposentaria sim, com certeza, mesmo com o bad blood causado pela saída problemática do Lebronha. OKC eu tenho minhas dúvidas, mas acredito que sim, aliás, se pá tem mais chances de aposentar a dele lá que em Oakland, a meu ver.

      • Gustavo – DefendTheLand

        N vejo dessa forma, KD com certeza vai ter a camisa aposentada no GSW, foi MVP das finais. Agr em OKC eu tenho minha duvidas, mas acho que sim.

        • vsr.snake

          Não acho que deveriam aposentar jersey de jogadores com relativamente pouco tempo de casa não, mesmo que tenham ganho um titulo e etc, só pq eles são grandes nomes da liga. Não acho que o Heat deveria ter aposentado a Jersey do Shaq, por exemplo, como tb a do MJ (coisa mais absurda que já vi). Se o Durant ficar mais tempo, ok, mas saindo amanhã, por exemplo, acharia algo banal.

          • Gustavo – DefendTheLand

            Heat aposentar o 23 eu achei muito bizarro tbm, mas o KD deve ficar mais tempo lá, e provavelmente ganhar mais títulos.

    • Alex Vilela #PG MVP#

      Nem pensar em aposentar a camisa desse cara, ainda mais depois de tantas bobagens que ele fez e falou da franquia.

  • Edu Silva

    Curioso que todos os timaços desses belos artigos, até agora, tiveram uma pedra em comum: MJ…

    • gusilvalima10

      E vem mais… Sonics de 96, Jazz de 97…

  • Guilherme Petros

    “Shaq & Penny foi o Shaq & Kobe antes de Shaq & Kobe”
    Palavras do O’Neail.
    Hardaway jogava MUITO antes das lesões.

  • wilker pereira

    ate koje me perguntoo como foi possivelnao dar o mvp de 95 ao shaq!!!!!!????

    • vsr.snake

      David Robinson: 27.6 ppg, 10.8 rpg, 2.9 apg, 1,7 spg e 3.3 bpg
      Shaq: 29.3 ppg, 11.8 rpg, 2,7 apg, e 2.4 bpg

      Não achei o MVP do Admiral injusto não, ainda que a temporada do Shaq tenha sido a nível de MVP tb, e se tivesse ganho não seria injusto. E eu acho o time do Spurs inferior ao Magic daquela época, apesar dele ter sido seed 1 da liga.

      • wilker pereira

        almirante teve boa epoca
        mais fala serio o shaq teve melhor ( a diferenca nao foi abismal) epoca veja os numeros e a posicao de cada um nas onferenias ? quem teve mais vitorias!!? acho que o almirant so foi superior em steals!!

        • vsr.snake

          Spurs liderou a liga naquele ano, 62-20, com um time, a meu ver, pior, enquanto o Magic teve a seed 4 no geral (sendo líder da East), com cinco vitórias a menos.

  • vsr.snake

    Veja bem, Magic draftou o Chris Webber, que depois se tornou um dos melhores PF a pisar na liga, e trocou pelo Penny, que era excelente (pena que as lesões acabaram com ele). O time do Magic era empolgante, talvez não tivesse tanta profundidade de elenco quanto alguns outros times da sua época, mas não podem reclamar pois tiveram sua chance. Shaq depois disse que se arrependeu de ter saído tão cedo de Orlando. Vale lembrar que, mesmo indo pro Lakers, o time só passou a ser contender mesmo quando o Kobe se firmou na liga, 4 anos depois de ter saído de lá.

  • Danilo Celtics #Banner18

    curioso o stabolito n ter feito esse texto kkkkkkk

  • LEONARDO

    Valeu Gustavo Lima, ótimo texto e uma linda recordação. Devido a esse time, que assumi os MAGIC como meu time a torcer. Era bom de mais ver esse time jogar !

    Vlwww abração !

    • gusilvalima10

      Obrigado, Leonardo. O time era muito divertido de se assistir! Abraço!

  • samuel pereira

    belo texto!! me fez volta no tempo quando a band passava os jogos no brasil eu adorava ver os grandes times da epoca como o magic,bulls,jazz,supersonics,pacers,rochets,spurs,suns etc jogadores fantasticos como shaq,hardwai,olajuon,jordan,pippen,malone,stocton,barkley,robinson reggie miller, drexler entre outros o saudade tempo bom! e o time do magic era show de bola inesquecivel se shaq e hardway tivessem ficado juntos o magic ganharia um titulo mais perdeu para um baita time tbm de olajuon e drexler! espero que o magic volte ao topo um dia pq e uma franquia magica!!

    • gusilvalima10

      Valeu, Samuel. Bons tempos aqueles de NBA na Band!

      • samuel pereira

        sim! bons tempos!! de chega da escola as 23;00 kkkkkk e ve esses times e jogadores fantasticos!! acordar com sono no dia seguinte mais feliz!!!

  • Jefferson Cavalcanti

    Essa série é sensacional.

  • Stefan Obermark

    Parabéns pela série!
    Será que veremos algo sobre o Dallas de Nowitzki, Finley e Nash, Utah de Malone e Stockton, Lakers de Nash, Howard, Kobe e Gasol, Lakers de Payton, Kobe, Malone e Shaq, Phoenix de Nash, Marion e Stoudemire…

  • Naum

    Mais um belo texto…saudosa narração do Luciano do Valle, incrédulo com os quatro lances livres desperdiçados pelo Anderson, no final do jogo 1. Comprei camisas do Shaq (tenho até hj) e do Hardaway.Obrigado pelas boas lembranças!!!