Toni Kukoc: “Gostaria que Jerry Krause estivesse vivo para dar sua versão da história”

O vencedor Chicago Bulls da década de 1990 voltou a ser assunto das rodas de discussão sobre basquete com o lançamento de “The Last Dance”. No entanto, para um dos ex-jogadores daquelas históricas equipes, o documentário é injusto com uma figura importante na construção da dinastia. O ex-ala Toni Kukoc é um crítico da forma como o ex-dirigente Jerry Krause é vilanizado pela produção.

“Eu gostaria que Jerry estivesse vivo para dar sua versão da história. É fácil adorar caras como Michael Jordan, Scottie Pippen, Dennis Rodman e Phil Jackson. Amo todos eles e é preciso tirar o chapéu para cada um. Mas precisávamos ouvir o outro lado. Jerry construiu um time que ganhou seis títulos da NBA. Temos que dar-lhe o devido crédito também”, afirmou o ídolo croata, em entrevista à ESPN.

Kukoc, de fato, tinha relação (muito) mais amistosa do que outros atletas daquele elenco com Krause. Ele foi escolhido no draft como uma aposta pessoal e passou anos sendo recrutado pelo executivo, falecido em 2017 e citado brevemente em entrevistas de arquivo por “The Last Dance”, até assinar com o Bulls. Por isso, o ex-jogador chegou hostilizado pelo elenco por ser visto como o “cara de Jerry”.

“Eu entendi desde o início que precisava merecer respeito. Estava me juntando ao melhor time do mundo. Você precisa colocar seu orgulho de lado, porque já não importava o que havia feito na Europa. Nunca senti que as críticas que faziam a mim eram maldosas, sabe? Só estavam tentando apontar a direção certa para mim”, minimizou o hoje conselheiro especial da franquia de Chicago.

A postura de Kukoc foi uma enorme demonstração de modéstia por parte de um dos maiores talentos da história do basquete europeu. Ele aterrissou na NBA com um currículo que incluía três títulos seguidos da Euroliga, o título e prêmio de MVP do Mundial de 1990, uma medalha de prata olímpica e já eleito um dos 50 maiores jogadores da história da FIBA com apenas 23 anos de idade.

“Eu acredito que, se tivesse atuado em um time onde deixassem a bola em minhas mãos, poderia ter tido médias de 20 pontos, sete rebotes e sete assistências. Mas, no fim das contas, nunca trocaria a carreira que tive por alguns Jogos das Estrelas ou coisa do tipo. Qualquer atleta daria tudo para ser partes dos times em que joguei. Foi a melhor época de minha vida”, afirmou o veterano.

Agora, Kukoc vive a expectativa por um último feito: ser eleito para o Hall da Fama de Springfield. O lendário ex-ala já é elegível há alguns anos para introdução direta pelo comitê internacional, mas, inexplicavelmente, continua sem ser reconhecido – enquanto viu atletas como Yao Ming e Dino Radja serem eleitos. O melhor reserva da NBA em 1996 torce para que a homenagem venha o mais rápido possível.

“Ser eleito para o Hall da Fama é muito importante para mim. Eu realmente não sei qual é o critério utilizado, mas espero que encontrem motivos para colocar-me lá. Espero que aconteça em breve, pois o meu pai tem 82 anos e é a razão de ter me apaixonado por esportes. Quero ser selecionado enquanto ele ainda estiver vivo”, explicou o membro da classe de 2017 do Hall da Fama da FIBA.

“The Last Dance” tem sido uma chance de Kukoc colocar parte importante de sua carreira em perspectiva e, ainda que todos foquem no papel negativo de Krause, ele pede para que vejamos o lado positivo da história. “De quem foi a culpa por aquela equipe ter sido desmanchada? Isso é trivial. Fizemos muita gente feliz e essa é a parte que gosto de lembrar”, finalizou o ex-jogador.

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.