Causou certa estranheza quando LeBron James acertou a ida ao Los Angeles Lakers, em julho do ano passado. Pudera, o astro deixava a conferência Leste pela primeira vez na carreira depois de disputar as últimas oito finais da NBA jogando pelo Miami Heat e Cleveland Cavaliers.

Desde 2003 na liga, LeBron só renovou seu contrato uma vez na carreira. Ao fim de seu acordo de calouro, em 2006-07, o astro seguiu no Cavs por mais três anos — optou por tornar-se agente livre no quarto. No mais, James sempre deixou seus times: em 2010, para o Heat, em 2014, de volta para o Cavaliers e, por fim, em 2018, para o Lakers.

Estar em um time extremamente popular e perto de Hollywood faziam parte dos planos. LeBron queria explorar um mercado forte, basicamente inexplorado após a aposentadoria de Kobe Bryant. Só que as coisas não funcionaram exatamente conforme o esperado.

Troca de Anthony Davis frustrada, sequência de derrotas, e problemas dentro e fora de quadra colocam o Lakers cada vez mais longe dos playoffs.

Montagem de elenco

O Lakers, como todos sabem, vinha tentando remodelar seu elenco. Fazia, ano a ano, movimentações para obter boas escolhas no draft. Na agência livre, no entanto, cometera alguns equívocos gigantescos, como assinar com Luol Deng e Timofey Mozgov por salários astronômicos, basicamente comprometendo seu orçamento. Aos poucos, entretanto, a diretoria conseguiu se livrar dos dois (dispensando e trocando), mas ainda o time não melhorava, o talento não chegava.

Quando LeBron resolve deixar Cleveland para jogar pelo Lakers, a diretoria parece surpresa com tal decisão. Sabe-se que tudo partiu do próprio jogador. James queria um desafio de atuar na conferência Oeste, especialmente pelo Lakers.

A matemática é simples: você tem o melhor jogador da NBA chegando no time mais popular. É óbvio que os reforços vão chegar. Mas aqui vão duas perguntas: qual a qualidade deles e quando?

A partir do momento em que James vai para o Lakers, o que se imagina é o grupo do banana boat jogando junto. A realidade é, entretanto, bem diferente. Dwyane Wade anuncia seu último ano e, pela experiência anterior (no Cavs), a parceria não seria refeita, enquanto Chris Paul teria Carmelo Anthony ao seu lado no Houston Rockets, mas a parceria durou pouco.

Chegaram Rajon Rondo, Lance Stephenson, JaVale McGee, Michael Beasley, e, posteriormente, Tyson Chandler. Ou seja, ninguém da chamada primeira prateleira na atualidade. Rondo, depois de deixar o Boston Celtics, rodou por Dallas Mavericks, Sacramento Kings e New Orleans Pelicans, antes de fechar com o Lakers. Stephenson jamais produziu aquilo que era esperado e o mesmo serve para Beasley. McGee teve um início bom e, depois, perdeu tempo de quadra. Por fim, Chandler, outrora melhor defensor da NBA, chega em outro estágio na carreira.

Repararam que ninguém ali é especialista em arremessos de longa distância?

Bem, agora tem Reggie Bullock. E?

A NBA de hoje vive do perímetro. Cada vez mais, times arremessam de três e buscam o ataque com a quadra espaçada e em transição. Veja o elenco do Lakers e entenda que um dos motivos pela campanha instável está na formação do grupo.

Quantos armadores (organizadores) coexistiram com LeBron? É só procurar e vamos encontrar pouquíssimos jogadores desse estilo: Mike Bibby em algum momento no Heat e, talvez, Eric Snow no começo no Cavs. James sempre foi esse coordenador das jogadas. Eventualmente, Mo Williams, Kyrie Irving e Wade fizeram isso. No mais, ele não teve em toda a carreira um armador de fato. Do nada, chega ao Lakers com Lonzo Ball e Rondo.

 

Tentativa frustrada por Anthony Davis

Ali foi o princípio do caos. LeBron estava lesionado, Rondo vinha se recuperando de contusão e, de repente, Ball se machuca. Tudo ao mesmo tempo, enquanto a diretoria oferecia tudo o que poderia ao Pelicans por Anthony Davis. Quando mais notícias chegavam sobre as negativas da equipe de New Orleans, pior ficava o ambiente nos vestiários.

Os tropeços começaram a acontecer e o time queimou peças, como o pivô Ivica Zubac. O Lakers precisava mesmo trocar o jovem atleta? Dias depois, o time estaria interessado justamente em um novo pivô. Ora, que bagunça.

Desde a lesão de Ball, o Lakers perdeu 12 de 17 jogos. Enquanto pode ser apenas coincidência o fato de o time cair tanto de produção por sua ausência (ótimo defensor de perímetro e muito bom organizador), tem ali o vestiário. LeBron começou a atribuir as derrotas aos seus companheiros e os jovens jogadores, os mesmos que poderiam ser trocados, não gostaram nada daquilo. A situação chegou a ser tensa em alguns episódios antes mesmo da possível negociação. Luke Walton, que pode (deve) ser demitido ao fim da atual temporada, teve problemas com alguns jogadores.

Distância para os playoffs

A cada rodada o Lakers vai se distanciando dos playoffs, algo que não acontece desde 2012-13. O time soma três derrotas seguidas, cinco nos últimos seis jogos. Por mais que James faça números fantásticos, ele não joga sozinho. Kyle Kuzma e Brandon Ingram contribuem no ataque, mas voltamos a falar sobre o arremesso de três e, nisso, eles são apenas medianos.

Hoje, a equipe ocupa o melancólico 11° lugar na conferência Oeste. Muito pouco para um time que conta com LeBron.

Só nos próximos cinco jogos, o Lakers pega três times considerados melhores: Denver Nuggets, Boston Celtics, Toronto Raptors, além do embalado Detroit Pistons. Restam 18 embates e, na pior das hipóteses, o oitavo colocado do Oeste precisa ter, pelo menos, 45 triunfos. Atualmente, o time soma 30. O San Antonio Spurs, último na zona dos mata-matas, já venceu 36.

O Lakers está em situação delicada. Não adianta querer perder agora em busca dos últimos lugares porque, só no Leste, cinco times estão com campanhas piores que a equipe californiana. Brigar por playoffs, na atual situação, ainda é o melhor a ser feito. Mais que isso, o Lakers precisa ser competitivo. Mesmo que não se classifique, o time vai brigar por grandes nomes no mercado.

Gustavo Freitas
Gustavo Freitas
Mineiro de Uberaba, é co-fundador do Jumper Brasil e fã do Boston Red Sox.