Visita ao Departamento Médico #6 – Al Horford

Nesta nova edição, vamos abordar a lesão sofrida pelo pivô Al Horford, do Atlanta Hawks. Pela segunda vez na carreira, o titular teve uma ruptura do músculo peitoral. Ele está fora da temporada por conta do problema.

A estrutura

O peitoral é formado pelos músculos peitoral maior e menor. O primeiro ocupa a parte superior do tronco e está ligado à área anterior da clavícula, na lateral de todo o esterno (osso do peito), além de se “espalhar” pelas costelas até se ligar ao osso úmero (braço).  

peitoralO peitoral menor é um músculo pequeno em formato de triângulo que se localiza embaixo do peitoral maior. Ele está ligado às costelas e escápula (ombro).

As funções

A musculatura do peitoral maior tem como função principal auxiliar nos movimentos gerais de braço (adução, adução horizontal, flexão, extensão e rotações). Em todas as direções que o braço se mover, a contração do peitoral maior é requerida por causa de sua inserção no úmero.

movimentos ombroO peitoral menor, por sua vez, é requisitado apenas nos movimentos de elevação  do ombro e não é ativado nos movimentos do braço.

As lesões

No esporte, as lesões da musculatura peitoral são de certa forma bem raras, com pouca prevalência nos atletas de esportes coletivos (como o basquete). De forma geral, os atletas de academia são aqueles que sofrem com esse problema.

Na academia, a lesão no peitoral é relativamente comum e causada especialmente por erros no treinamento – seja por intensidades, posições ou instruções equivocadas que geram uma sobrecarga no músculo. Os problemas surgem principalmente no tendão que liga o peitoral ao úmero, que, com os movimentos consecutivos e esforços provenientes dos exercícios, acaba não suportando as seguintes e contínuas microlesões. No fim das contas, rompe-se.

Os anabolizantes também são fatores primordiais para lesões desta natureza.

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Cirurgia e recuperação

Uma vez lesionado, a melhor alternativa para ter a certeza da ruptura é o exame físico realizado pelo médico. A RNM (Ressonância Nuclear Magnética) é um teste complementar e indispensável para o auxilio ao diagnóstico, mas o médico responsável terá a certeza da contusão pelo exame físico mesmo.

Na cirurgia, um novo tendão (enxerto) será implementado – geralmente formado por “pedaços” dos músculos semitendíneo  e gracil – e fixado na sua região de inserção no úmero. Muitas vezes, até parafusos são implantados para uma melhor fixação.

Na recuperação, gelo e repouso são os fatores iniciais. Os exercícios serão  introduzidos na reabilitação com o tempo. Algumas técnicas de eletroterapia, como ultrassom e laser terapêutico, serão iniciadas para uma melhor adaptação do novo tendão, assim como a ajuda em seu fortalecimento.

O tempo de recuperação da cirurgia é de aproximadamente seis meses, mas, em média, o novo tendão  demora cerca de um ano para recuperar todas as suas funções da melhor forma possível, com o máximo de amplitude e força.

Caso Al Horford

Nós só podemos especular sobre o caso de Horford, pois não há como ter certeza do verdadeiro culpado pelo pivô ter sofrido tal lesão duas vezes. Muito provavelmente, as causas são semelhantes aos casos de atletas de academia, aliados ao calendário da NBA. Ele é um jogador de um físico avantajado, com grande força física e muscular. Claro que esse volume de força dos braços, ombros e peito são oriundos de horas de academia e musculação desde a juventude.

Com a intensidade dos treinamentos na academia, o contínuo estresse sofrido pelo músculo vai fazendo com que, internamente, haja um enfraquecimento (degeneração) e vá perdendo sua capacidade de cumprir funções normais do dia a dia. Como o desgaste não para – um jogador de basquete tem os músculos dos braços, ombros e peito requisitados o tempo todo durante os treinamentos e jogos –, os tendões acabam sofrendo um alto número de microlesões e favorece o aparecimento de uma lesão mais completa (ruptura).

Como sabemos, o calendário da NBA é apertado, com um alto número de jogos em curto espaço de tempo, a recuperação e descanso para os atletas e seus corpos é insuficiente e ajuda o desenvolvimento das contusões em geral.

Embora a lesão seja rara, ela não é exatamente muito preocupante. Mesmo com o importante papel do músculo, os indivíduos conseguem retornar tranquilamente às atividades após o período de recuperação pós-cirurgia e desempenhar suas funções normalmente.

Mas, se uma lesão deste tipo já é rara, imagine então duas. Sua recuperação deve ser feita com mais cautela e o jogador, em conjunto com a equipe médica de Atlanta, deve sempre tomar cuidado com a intensidade dos treinamentos a que se submete. Mesmo com a recuperação da cirurgia, Horford vai estar mais debilitado e sem a força de antigamente para absorver o estresse e rotina de atividades – principalmente porque, a cada movimento, essa musculatura está sendo exigida. Na preparação para se pegar um rebote, na briga por posição, no arremesso e na proteção da bola sempre estará se exigindo que o peitoral trabalhe.

Esperamos que o Hawks saiba lidar com o problema e se preocupe em cuidar bem da saúde. Aqui está um vídeo do processo de recuperação da primeira vez em que lesionou o peitoral:

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  • Fabrício duarte

    Muito bom o artigo, sou professor de educação física e realmente as micro lesões são bem frequentes nas academias, rarissimo uma ruptura do músculo peitoral. Aliás, acho q foi a primeira vez q soube de um casos desses num esporte de alto nível. Algo vai ter q mudar em sua preparação muscular para q não ocorra novamente na sua volta ao basquete

  • tenho uma síndrome rara , Síndrome do desfiladeiro torácico e já fiz a cirurgia de retirada de costela dos dois lados a primeira costela , um lado fiquei com sequelas neurológicas crônicas e do lado direto ainda tenho compreensão arterial o de subclavias e as artérias estão aneurismaticas as dores são terríveis e agora o médico quer retirar o tendão do músculo q prende e em uma segunda opção é retirar o músculo do do estou com muito medo ..complicado