“Zion Williamson não pode ser visto como salvador da pátria”, avisa David Griffin

Houve muitas surpresas na noite do draft, mas, com a decisão mais importante do processo, o New Orleans Pelicans passou longe de inventar. A equipe confirmou as expectativas ao redor da liga e selecionou o fenômeno Zion Williamson com a primeira escolha geral. Por mais que a opção pelo ala-pivô já fosse “bola cantada”, ouvir seu nome ser chamado foi um momento de emoção única para o prospecto.

“As emoções tomam conta quando você sobe no palco, cumprimenta o comissário, dá entrevistas com a sua mãe ao lado. Realmente não é fácil de explicar. Eu queria jogar na NBA desde criança e, quando você fala isso, as pessoas já perguntam qual é o plano B, pois as chances são mínimas. Então, chegar aqui e ainda ser o número 1, é melhor do que os meus sonhos”, comemorou o garoto de 18 anos.

Williamson chega ao Pelicans para ser a referência do processo de reconstrução que foi iniciado pela troca do astro Anthony Davis. Excetuando o experiente armador Jrue Holiday, o ex-aluno da Universidade de Duke vai jogar com um elenco muito jovem que inclui jogadores como Brandon Ingram, Lonzo Ball e o também calouro Jaxson Hayes. Ele não esconde estar animado com essa juventude do grupo.

“O que mais me empolga nessa equipe é o fato de que somos jovens e quase todos têm uma idade muito próxima da minha, então podem ajudar-me bastante com a administração da transição para o basquete profissional. Eu realmente acredito que vamos construir algo especial em Nova Orleans”, avaliou o jovem, que teve médias de 22.6 pontos e 8.9 rebotes em sua única temporada universitária.

É claro que a direção do Pelicans também está animada com a adição de um talento como Williamson, mas, nesse cenário de euforia, precisa assumir o papel racional e paciente. O vice-presidente de operações da franquia, David Griffin, vê o prospecto como um provável jogador de elite ao mesmo tempo em que é só um garoto. Hoje, sem pressão, o plano é ensinar-lhe a ser o astro que tantos projetam.

“Zion terá que aprender como vencer jogos nesse nível. Esse é o time de Holiday e, na hora certa, o bastão será passado. Não estamos com pressa e queremos deixar que seja uma criança aqui também, divirta-se dentro de quadra. Ele não pode ser visto como um ‘salvador da pátria’, pois não é assim que funciona. É só mais um garoto para a nossa família”, afirmou o executivo, em tom ponderado.

Além de Williamson e Hayes, Griffin escolheu Nickeil Alexander-Walker (17) e o brasileiro Didi Louzada com a 35ª escolha do draft e ainda conseguiu “despachar” um dos piores contratos do elenco do Pelicans, o ala Solomon Hill (US$12.8 milhões a receber até junho de 2020), para o Atlanta Hawks na negociação que envolveu a cessão da quarta escolha geral para a equipe da Geórgia.

Ricardo Stabolito Jr.
Ricardo Stabolito Jr.
Jornalista de 27 anos. Natural de São Bernardo do Campo, mas vive em Salvador há mais de uma década.