Ball, Haliburton e Wiseman se destacam na corrida pelo prêmio de Novato do Ano

Ao fim do primeiro mês da temporada regular, parece estar claro que não teremos um novato explodindo sob o ponto de vista estatístico – como foram os casos de jogadores como Ben Simmons (Philadelphia 76ers), Luka Doncic (Dallas Mavericks) e Ja Morant (Memphis Grizzlies) em anos recentes.

Esse cenário, aliás, já era adiantado pela Central do Draft durante o processo pré-recrutamento, período no qual afirmamos que a classe de 2020 se destacaria pela grande profundidade de jogadores úteis e alguns jovens com upside para se tornarem estrelas, não logo de cara, mas à medida que avançassem sem seus processos de desenvolvimento.

Dentro deste contexto de muito equilíbrio e pouca separação entre os prospectos, LaMelo Ball (Charlotte Hornets), Tyrese Haliburton (Sacramento Kings) e James Wiseman (Golden State Warriors) dão indícios de começarem a se separar como os favoritos ao prêmio de Calouro do Ano da temporada 2020/21.

Confira abaixo a segunda atualização da corrida:

1- LaMelo Ball (Charlotte Hornets) 

Números: 11.4 pontos, 6.0 assistências e 2.4 turnovers, 6.3 rebotes, 1.5 roubo de bola, 40.1% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 33.3% de aproveitamento na linha dos três pontos, com 4.5 tentativas por jogo

Embora sua eficiência como arremessador esteja, como esperado, flutuando de jogo para jogo, o armador do Hornets tem sido consistente em utilizar seu ‘pacote amplo’ de habilidades para produzir impacto positivo nas partidas.

Dono de medidas de elite para a posição e tremendos instintos de antecipação, Ball já se consolida como um dos bons guards reboteiros da liga (lidera os novatos no quesito), bem como uma verdadeira força disruptiva nas linhas de passe (lidera a classe não apenas em roubos de bola, mas também em desvios por jogo com 2.9).

O irmão mais novo da família Ball tem ainda confirmado as diferenças apontadas para seu irmão Lonzo, ao complementar sua genialidade como passador em situações de transição com a criatividade em seu controle de bola para pisar no garrafão adversário e criar para seus companheiros em drive and kicks e drive and dishes também na meia quadra (é o segundo em sua equipe em volume de infiltrações com 9.9; lidera os novatos em assistências por partida com média de 6.0 por jogo e um índice de assistência por turnover de 2.5).

 

2- Tyrese Haliburton (Sacramento Kings) 

Números: 11.4 pontos, 4.9 assistências e 1.5 turnover, 1.2 roubo de bola,  50.4% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 47% de aproveitamento na linha dos três pontos, com 4.7 tentativas por jogo

O ex-jogador de Iowa State segue impressionando pela maturidade e consistência. Sua leitura tática e – sobretudo – a consolidação de seus fundamentos para punir as diferentes coberturas defensivas identificadas, seja como cestinha ou como passador o coloca em um grupo seleto da história recente dos novatos da liga.

Desde Malcolm Brogdon, em 2016-17, a NBA não vê um novato com média de dois dígitos de pontuação e aproveitamentos superiores a 45% nos arremessos de quadra, 40% na linha dos três pontos, 80% nos lances-livres e, de quebra, um índice de assistência por turnover superior a 3.0.

Assim como o atual jogador do Pacers, calouro do ano naquela ocasião, Haliburton estende sua sólida contribuição também no lado defensivo da quadra – onde diminui o aproveitamento médio dos adversários em 6.2% em arremessos vindos do perímetro.

Além de uma ‘rocha’ em termos de consistência de jogo, o novato do Kings mostra sinais de que pode ter o ‘Fator X’ para ser muito mais do que uma peça complementar para a franquia da Califórnia – ao exibir muita personalidade e um carisma magnético, capaz de elevar o espírito e o nível de confiança de seus companheiros a um outro nível quando está em quadra.

 

3- James Wiseman (Golden State Warriors) 

Números: 11.8 pontos, 6.1 rebotes, 1.4 toco, 50.3% de aproveitamento nos arremessos de quadra

Selecionado para ser, antes de tudo, uma âncora defensiva para o Warriors nos próximos anos – Wiseman tem dado indícios sólidos de que será capaz de cumprir as expectativas, não apenas como um protetor de aro de elite, mas como alguém que poderá sobreviver a marcações mais altas no perímetro.

Líder de tocos e contestações gerais (8.6) entre os novatos, Wiseman – aos 19 anos – permite um acréscimo de apenas 1.2% no aproveitamento médio dos adversários quando defendendo fora do garrafão e figura no grupo dos novatos com mais contestações na linha dos três pontos (2.1) – números que afastam as projeções mais pessimistas de que ele seria um desses pivôs ‘jurássicos’ que se limitam à defesa do aro.

A segunda escolha do draft de 2020 tem feito ainda um sólido trabalho como screener (quarto entre os novatos em pontos gerados a partir de corta-luzes), bem como se consolidado como um finalizador para lá de confiável ao redor do aro – com a disposição e a tenacidade para ‘enterrar tudo’ (74.2% de aproveitamento na área restrita – lidera os novatos com ao menos duas tentativas).

 

4- Immanuel Quickley (New York Knicks)

Números: 11 pontos, 2.6 assistências e 1.0 turnover, 40.3% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 37% de aproveitamento na linha dos três pontos, com 3.9 tentativas por jogo

Se descolando da imagem de ‘apenas um especialista do arremesso’ que o acompanhou durante o período pré-draft, Quickley tem mostrado muito conforto para se aproveitar da ameaça de seu chute a fim de pisar no garrafão adversário com frequência – criando para si mesmo e para os companheiros em situações de infiltração (sexto entre os novatos em infiltrações por jogo, com 6.8).

Admirador declarado de Lou Williams, Quickley retira páginas do repertório do veterano ao mitigar sua envergadura mediana com excelente toque em seus floaters (46.5% de aproveitamento, com 3.1 tentatovas – lidera os novatos em floaters convertidos pro jogo com 1.4) e a habilidade de iniciar contato no momento da subida para bandeja, não apenas minimizando a efetividade dos protetores de aro, mas criando oportunidades de ir à linha do lance-livre (5.2 tentativas por 36 minutos em quadra).

Competitivo e físico também no lado defensivo da quadra, o ex-jogador de Kentucky tem feito um ótimo trabalho como ponto de ataque defensivo – pressionando ball handlers no perímetro com ótima agilidade lateral para se manter em frente da bola e contestar (reduz o aproveitamento médio dos adversários em 1.8% até aqui) e as mãos ativas para criar turnovers (1.0 roubo por 36 minutos).

 

5- Patrick Williams (Chicago Bulls) 

Números: 9.9 pontos, 4.3 rebotes, 46.7% de aproveitamento nos arremessos de quadra, 47.1% de aproveitamento na linha dos trÊs pontos, com média de 2.3 tentativas

Absolutamente confortável no papel de jogador complementar no sistema de Billy Donovan, Patrick Williams já afasta as previsões mais apocalípticas que o apontaram como ‘bust completo’ após ter sido selecionado de forma surpreendente na quarta escolha do último draft.

Seu excelente trabalho de pés e a tremenda paciência e sobriedade na seleção do arremesso o tem permitido ser para lá de eficiente em todos os arremessos do jogo – questão que, complementadas com a boa mobilidade e fundamento para ‘montar a cadeira e deslizar’ no lado defensivo da quadra (diminui o aproveitamento dos adversários em 2% no total dos arremessos de quadra; e em 2.9% na linha dos três pontos), parecem garantir seu piso como um 3 and D de carreira.

Mais do que tranquilizar o torcedor de Chicago quanto à possibilidade de ser um bust, porém, Williams os têm feito sonhar – mostrando flashes de um jogador que, possivelmente será capaz de criar seu próprio chute (46.3% de aproveitamento em pullups, com 2.7 tentativas) e, quem sabe, utilizar suas medidas de almanaque e a ótima força funcional para ser um go-to-guy no longo prazo.

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