Luka Doncic vem motivando alguns dos mais ambiciosos paralelos da história recente da NBA desde que chegou ao basquete norte-americano. Ídolos como Oscar Robertson, Magic Johnson e James Harden são nomes constantemente ligados ao jovem astro do Dallas Mavericks, que completou 22 anos de idade no último domingo. O lendário Larry Bird, porém, tem sido a comparação mais popular para Doncic – algo que encara como um elogio do qual ainda não é merecedor. 

“Eu vi muitos vídeos sobre como Larry jogava, mas vocês não podem nos comparar. As coisas que ele fez no basquete… ainda preciso de muitos jogos, falta muito tempo para que possa justificar isso. Está muito cedo. Simplesmente não posso ser comparado com Larry. Só quero continuar me divertindo jogando basquete e veremos onde isso poderá me levar na carreira”, afirmou o eleito all-star pela segunda vez, em entrevista após a vitória da equipe texana sobre o Brooklyn Nets.  

Paralelos com Bird são suscitados por Doncic desde o início da carreira, ainda na Europa, mas voltaram à tona por uma entrevista recente de um célebre ex-companheiro do ex-ala do Boston Celtics. Cedric Maxwell, que disputou seis temporadas com o membro do Hall da Fama e conquistou dois títulos no período, acompanha o líder do Mavericks atuar hoje e vê uma espécie de versão contemporânea do colega em quadra.  

“Você pode escrever o que digo: esse garoto é a reencarnação de Larry. É exatamente como Larry jogaria se estivesse atuando em 2020. Luka possui um tipo de arrogância, petulância em seu jogo que parece tirado do sangue de Bird. Vejo seus passes e sinto que já recebi alguns desses no passado. Na verdade, o menino é melhor do que Larry era aos 21 anos”, analisou Maxwell, eleito MVP das finais em 1981, em entrevista ao jornal New York Times. 

Mas Doncic não precisa ir tão longe para encontrar pessoas que fazem a ligação entre o seu estilo de jogo e Bird. O treinador do Mavs, Rick Carlisle, também jogou com a lenda da NBA no passado e consegue enxergar de onde vem a percepção especial de Maxwell. Ele acredita que, mais do que movimentos e recursos semelhantes, ambos possuem a mesma postura em quadra e espírito competitivo que constrói campeões na maior liga de basquete do mundo. 

“A quadra de basquete é o palco de Luka. E, quando há um outro cara na outra equipe puxando seus limites dentro de quadra, ele sente uma obrigação pessoal de alcançá-lo porque esse tipo de jogador é assim. O desafio é o que move. Eu vi Reggie Miller fazer isso no passado de perto. E vi Larry fazer isso também”, assegurou Carlisle, que foi campeão da NBA pelo Celtics em 1986, em uma entrevista no início de fevereiro.