Lenda da NBA, Kobe Bryant morre em acidente de helicóptero em Los Angeles

A NBA está em total luto e choque: o ídolo Kobe Bryant morreu na manhã deste domingo, em um acidente de helicóptero na cidade de Calabasas, na Califórnia. O lendário ex-atleta do Los Angeles Lakers acaba de ser confirmado como um dos ocupantes do seu veículo aéreo, que sofreu aparente pane durante um voo e caiu sem deixar sobreviventes. O craque tinha 41 anos de idade.

De acordo com o portal TMZ Sports, o helicóptero pessoal de Kobe – que utilizava para viagens rotineiras, desde a época em que ele ainda era jogador – sofreu um incêndio repentino no ar e chegou a pedir ajuda segundos antes de colidir com o chão. As causas do trágico acidente continuam em investigação pelos oficiais de polícia de Los Angeles.

O TMZ apurou que o helicóptero tinha nove ocupantes e estava a caminho de uma partida de uma das filhas de Bryant, Gianna Maria. A menina de 13 anos estava a bordo e, infelizmente, está entre as vítimas fatais do acidente – assim como duas colegas de time e um de seus pais. Outras integrantes da família do ex-atleta, incluindo a esposa Vanessa, não estavam no voo.

A tragédia aconteceu poucas horas após LeBron James, que hoje também atua pelo Lakers, ter ultrapassado Kobe para tornar-se o terceiro maior pontuador da história da NBA. O último tuíte do lendário ala-armador foi uma saudação para o quatro vezes MVP da liga que dizia: “Continue a levar o jogo adiante, LeBron. Tenho muito respeito por você, meu irmão!”.

Os jogos da NBA agendados para a tarde deste domingo foram mantidos, mas o impacto da notícia foi além de minutos de silêncio antes das partidas. No início do duelo entre Toronto Raptors e San Antonio Spurs, por exemplo, os dois times “estouraram” os 24 segundos de posse de bola em uma clara homenagem ao falecido atleta, que ficou famoso por vestir a camisa #24.

A saudação das equipes foi só uma das várias demonstrações de reverência vistas nos esportes e show business, muito além da NBA, nas últimas horas. O atacante Neymar dedicou um dos gols que marcou na vitória do PSG, hoje, ao icônico ex-ala-armador. A cerimônia do Grammy, que acontece nessa noite, também teve uma série de apresentações musicais que foram dedicadas a Kobe.

Bryant vivia um “retorno às quadras” da NBA nos últimos tempos, motivado pela crescente paixão de Gianna Maria pelo basquete. Ele afastou-se do esporte logo depois da aposentadoria, em 2016, prometendo dedicar mais tempo à família e raramente fazia aparições em jogos do Lakers até o ano passado. Foi, então, sua devoção à filha que recolocou-o nos holofotes da liga.

Essa reaproximação rendeu também novas chances comerciais para o craque, que passou a fazer uma série especial de análises sobre basquete para a ESPN norte-americana – o “Detail”, em que ele detalhava as grandes atuações de jogadores atuais na tentativa de desvendar a forma como enxergam o jogo.

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Agora, vários torcedores do Lakers fazem uma vigília na frente do ginásio Staples Center em homenagem àquele que é apontado até por outros ídolos angelinos – como Magic Johnson – como o maior jogador da história da tradicional franquia. Outra grande homenagem anunciada é que o Dallas Mavericks aposentará a camisa #24, embora Bryant nunca tenha atuado pelo time texano.

Filho de um ex-jogador de basquete, Kobe Bean Bryant cresceu e aprendeu a jogar basquete acompanhando a carreira do pai em várias partes do mundo. Foi em sua infância na Itália que ele conheceu o brasileiro Oscar Schmidt, sua declarada maior inspiração no esporte. Já um fenômeno, anos mais tarde, ele sairia diretamente do basquete colegial para ser a 13ª escolha do draft de 1996.

Kobe disputou as suas 20 temporadas profissionais pelo Lakers, onde foi campeão da NBA em cinco oportunidades e conquistou o prêmio de MVP da temporada em 2008. O astro foi eleito para 18 Jogos das Estrelas ao longo da brilhante carreira, além de ter sido escolhido para em um dos quintetos ideais da liga por 15 vezes. Suas duas camisas (#8 e #24) são aposentadas pelo time angelino.

O craque ainda é dono de duas medalhas de ouro olímpicas com a seleção dos EUA (Pequim-2008 e Londres-2012) e protagonizou, no mínimo, duas das performances mais icônicas da era moderna da NBA: os 81 pontos contra o Raptors em 2006, segunda maior pontuação individual em um jogo da história da liga, e os 60 pontos em sua partida de despedida do esporte, diante do Utah Jazz.

Kobe estendeu ainda mais seu status como uma lenda do esporte em 2018, quando ganhou o Oscar de melhor curta-metragem de animação como roteirista e um dos produtores do filme “Dear Basketball”. O desenho foi uma ilustração a mão que tomou como base sua carta de despedida das quadras, uma singela declaração de amor ao basquete.