Querido Los Angeles Lakers, eu sei o que vocês fizeram no verão passado. Na verdade, nos verões passados. O time californiano encheu o time de jogadores talentosos mais uma vez, mas o resultado pode repetir insucessos. O que pode ser feito para a equipe voltar a brigar por algo na atual temporada? Vamos tentar descobrir. Mas, antes, vamos relembrar os elencos estrelados que não funcionaram.

Lakers de 2003-04

Em 2003-04, o Los Angeles Lakers vinha de três títulos consecutivos e uma semifinal de conferência. No entanto, a diretoria sabia da pressão e do peso de ter Shaquille O’Neal e Kobe Bryant sem ser campeão. Aliás, Kobe já havia sido o cestinha da equipe na campanha de 2002-03, quando o Lakers foi parado pelo San Antonio Spurs. Então, havia a necessidade de ser agressivo no mercado. Karl Malone e Gary Payton estavam disponíveis. Por que não?

Lakers fizeram verão passado

JED JACOBSOHN/AFP

Ambos eram veteranos e estavam no fim de suas carreiras, mas como não acreditar em um elenco forte, cascudo e com quatro Hall da Fama? Impossível, né?

Malone já havia sido MVP em duas oportunidades e registrou médias de 20.6 pontos, 7.8 rebotes e 4.7 assistências em 81 partidas em 2003, aos 39 anos. Logo, o Lakers sabia que poderia contar com ele. Experiente, sim, mas muito durável e de confiança. Já Payton, tinha números tão impactantes como: 20.4 pontos, 8.3 assistências, 4.2 rebotes e 1.7 roubada em 80 jogos, aos 34 anos. Isso, sem contar sua defesa impecável. Portanto, era um combo fantástico: Kobe, Shaq, Malone e Payton. A discussão na época era se bateria o recorde de vitórias do Chicago Bulls de 1995-96 e se iria conseguir passar pelos playoffs sem derrotas. Sério. O papo era esse.

Mas, como tudo tem um mas…

Não deu certo, parte I

O início da campanha foi avassalador. Cinco vitórias seguidas. Depois, o time teve dois tropeços, mas se recuperou com 13 triunfos em 14 jogos disputados. Entretanto, Malone, que jamais havia se contundido na carreira, tropeçou no pé de Derek Fisher e se machucou em dezembro de 2003. Perdeu 40 jogos da fase regular. O Lakers não repetia mais as grandes atuações e as coisas começaram a se complicar. Quando voltou, ele estava muito fora de ritmo, apesar de conseguir se recuperar antes dos playoffs.

Payton estava completamente perdido nos triângulos de Phil Jackson e Tex Winter. Quem entendia mesmo era Rick Fox, que passava longas horas tentando explicar ao múltiplas vezes All Star como funcionava. Também não funcionou como o esperado.

Daí, outros problemas aconteceram. A relação entre Shaq e Kobe azedou de vez. Um achava que era o dono da equipe, enquanto o outro tinha certeza. Phil Jackson tentava aparar as arestas, mas a situação era praticamente insustentável.

O Lakers foi para as finais, no entanto, caiu diante do Detroit Pistons por 4 a 1. Sim, o Pistons anulou o time de Los Angeles nas quatro partidas seguintes. Com O’Neal muito acima do peso, ele não conseguia se livrar de Rasheed e Ben Wallace e não tinha velocidade lateral para sair nas bolas de Rip Hamilton e Chauncey Billups do lado da tabela. Kobe era muito marcado (com a mão no rosto, inclusive), por parte de Tayshaun Prince. Malone estava sem as melhores condições físicas, enquanto Payton não entendia os triângulos. Não deu.

Lakers, eu sei o que vocês fizeram no verão passado.

Lakers de 2012-13

Após os dois títulos (de 2009 e 2010), o Los Angeles Lakers foi eliminado duas vezes seguidas na semifinal de conferência. Assim como em 2003-04, o time tinha a pressão pelo campeonato. Tudo normal, como sempre. Mas a diretoria foi atrás de novos medalhões. Agora, eram Steve Nash, assim como Karl Malone, duas vezes MVP e Dwight Howard, o melhor pivô na atualidade. E o Lakers já tinha Kobe Bryant, Pau Gasol e Metta World Peace. Pronto, 2004 estaria vingado.

sei fizeram verão passado

KEVIN C. COX/AFP

Nash, apesar de estar em fim de carreira, ainda conseguia brilhar. Na temporada anterior, ele havia obtido 10.7 assistências, após ter liderado a liga no quesito em 2010 e 2011. A combinação com Howard era uma das coisas mais esperadas. Um armador cerebral e um pivô que já tinha sido campeão do torneio de enterradas. Claro que daria certo. Óbvio!

E Howard não era só um cara que enterrava. Ele tinha movimentos embaixo da cesta, era um dos melhores defensores da NBA e estava no Jogo das Estrelas todos os anos. Logo, o fit dele com Nash seria perfeito. É o sonho de todo pivô ter um organizador de jogadas assim.

Kobe ainda era um dos melhores jogadores da liga. Embora não fosse mais tão explosivo na defesa o tempo todo, ele garantiu um segundo time do quesito em 2012. Mas ele sabia pontuar como poucos.

Gasol já era experiente, apesar de ser considerado soft na defesa. Entretanto, ele era extremamente talentoso com a bola nas mãos. Pontuava de onde quisesse e sabia passar muito bem.

Já World Peace, bem… era World Peace. Inconstante no ataque e sabia o que tinha de fazer (só veja), mas muito eficiente na defesa. E sabia provocar os adversários.

Porém, como tudo tem um porém…

Não deu certo, parte II

Assim como Shaquille O’Neal, Dwight Howard teve problemas com Kobe Bryant. Mas pense: qualquer um que quisesse ser protagonista em um time com Bryant, teria problemas. É o que acontece com caras muito, mas muito grandes. O Los Angeles Lakers, definitivamente, era dele. Então, Howard chegou querendo ser tão grande como Kobe. Claro que não dá. Michael Jordan também não aceitava isso. Michael Schumacher, idem.

Steve Nash se machucou, assim como Karl Malone. Suas performances não foram, nem de longe, o que ele já conseguira. Pau Gasol teve um ano inconstante, mas já estava chateado com a diretoria. Ele estava envolvido na troca que não aconteceu (por Chris Paul) no ano anterior. Metta World Peace continuou sendo Metta World Peace.

O Lakers foi varrido logo na primeira rodada dos playoffs pelo San Antonio Spurs.

Depois, no ano seguinte, Howard foi embora para o Houston Rockets, Nash ainda tentou jogar (fez 15 jogos), Kobe teve a pior lesão da carreira e atuou em seis partidas. A equipe sucumbiu e sequer foi aos playoffs.

Lakers, eu ainda sei o que vocês fizeram no verão passado.

Lakers de 2021-22

Você já sabe, né? A pressão de Los Angeles sempre faz com que a diretoria se mexa para ir atrás de grandes nomes. Como você leu até agora, é uma prática bem comum no Los Angeles Lakers. Seja por parte da exigente torcida, do mercado, da TV ou dos próprios jogadores, sempre acontece. Então, acrescente LeBron James nessa brincadeira.

O Lakers foi campeão na “bolha” de 2019-20 com Anthony Davis e LeBron, mas sempre foi falado em um terceiro astro. Foram feitas algumas mudanças no elenco para a temporada seguinte, porém não funcionou por vários motivos.

James e Davis conviveram com contusões, Dennis Schroder não quis renovar, Marc Gasol e Montrezl Harrell ficaram decepcionados com a chegada de Andre Drummond e as coisas não deram certo. O time não conseguiu escapar do play-in, mas superou o Golden State Warriors e encarou o Phoenix Suns nos playoffs. Caiu e sem dar resposta, enquanto o Suns só foi parado pelo Milwaukee Bucks na final da NBA.

Adam Pantozzi/AFP

Então, o Lakers fez uma troca por Russell Westbrook, trouxe Dwight Howard de volta para uma terceira passagem, Rajon Rondo para uma segunda, fechou com Carmelo Anthony e um monte de veteranos.

O famoso fit foi questionado logo de cara, mas o Lakers fez o que precisava (até certo ponto): trouxe um armador melhor que Schroder, colocou vários arremessadores no elenco e “resgatou” Avery Bradley, que havia sido dispensado pelo Golden State Warriors. O verão passado do Lakers poderia ser melhor com Buddy Hield, mas não foi assim que os diretores fizeram no fim.

Todavia, como tudo tem um todavia…

Vai dar certo?

Bem, primeiro é interessante analisar se o time vai saber se reajustar quando Anthony Davis voltar de lesão. LeBron James vem fazendo um ano de MVP mais uma vez, enquanto Russell Westbrook é questionado a cada rodada (sim, eu sei…). Mas vamos ser sinceros aqui. Não está legal.

O técnico Frank Vogel vive de improvisos. Basta ver como foi na “bolha”, quando Dwight Howard servia para alguns confrontos, mas não em outros. Davis tinha de jogar como pivô, mas ele não gosta. Então, DeAndre Jordan, que começou a temporada como titular, não pisa em quadra desde 23 de dezembro. Com ele, o time possui nove derrotas em 18 jogos como titular. Hoje, ele é carta fora do baralho e, não duvide se ele for dispensado, caso o Lakers não consiga uma troca. Já Dwight Howard, entra de vez em quando. Contra o Sacramento Kings, ele fez a diferença em um garrafão surrado pelo Minnesota Timberwolves do “poderoso” Naz Reid (Karl-Anthony Towns não jogou).

Movimentos vão ser feitos, mas não parece que Westbrook será trocado. Embora LeBron tenha elogiado Westbrook no jogo contra o Kings por não ter cometido erros de ataques (pela primeira vez, desde 2016), ele deixou no ar que o time precisa conter os turnovers para ter chance de vitória. Claro, o Lakers cometeu apenas cinco e, com isso, proporcionou 16 arremessos a mais que o Kings.

Tirar a bola de Westbrook?

Talvez, a solução seja deixar Russell Westbrook fora do caminho. Não totalmente, claro. Deixar ele menos com a bola nas mãos, o que é difícil imaginar. Não por ele ser ou não ser “fominha”. Nada disso. Mas pelo fato de LeBron James organizar mais o time do que ele e deixar para ter a posse quando for definir, batendo para a cesta ou arremessando de média distância.

Mais uma vez, foi um teste feito na base do improviso. Embora o Lakers tenha treinado muito pouco durante toda a temporada, tudo tem sido testado durante os jogos. Pode ser uma tendência nas próximas partidas. É assim que Frank Vogel funciona.

LeBron vai jogar de pivô com Davis?

Isso é algo para observarmos quando Anthony Davis voltar. Mas vamos lá. Com LeBron James, na posição de pivô, o Lakers venceu quatro partidas e não perdeu nenhuma. Perfeito, porém é necessário entender algumas coisas.

Primeiro, as posições da NBA estão pouco definidas. Não tem mais aquela de armador, ala-armador, ala, ala-pivô e pivô. Existem as formações altas e as baixas. Existem jogadores com múltiplas funções. Por isso, aquele pivô tradicional desaparece da liga cada vez mais.

Apesar de James estar marcando e sendo marcado pelo cara mais alto adversário, ele usa isso a seu favor, sempre na velocidade. Sim, aos 37 anos, ele ainda é capaz de bater o oponente na corrida com a bola. Sim, também sei que já falei que achava que seu reinado estava no fim, mas entenda: você acha mesmo que ele vai manter performances de playoffs na temporada regular por todo o ano? Tudo isso para brigar por um quinto, no máximo, um quarto lugar do Oeste? Vá lá, ele é meu jogador favorito na NBA, mas eu tenho dúvidas se ele vai conseguir vencer o tempo. Invariavelmente, o tempo vence.

Mas, sim, não dá para duvidar de LeBron.

Claro, não torço para que ele caia de produção, mas a minha preocupação é em relação aos playoffs. Quando Davis voltar às quadras, é pouco provável que James tenha tantos minutos como pivô. No entanto, ele vai poder jogar menos tempo e, de repente, descansar.

Eu ainda acho que DeMarcus Cousins, dispensado pelo Milwaukee Bucks, pode ser a bola da vez. Um jogador extremamente talentoso, com muita força e capacidade de jogar aberto. Ele é diferente de tudo o que o Lakers possui hoje. Uns 15 a 20 minutos por noite para ele na fase regular poderia dar ao time uma segurança na posição.

Trocas?

É bem provável que o Los Angeles Lakers faça alguns movimentos até a trade deadline. A partir do dia 15 de janeiro, Talen Horton-Tucker poderá ser negociado. Ele, que recebe cerca de US$9 milhões, pode ser adicionado em um pacote com Kendrick Nunn por um arremessador. Mas será que consegue pegar um de elite?

Russell Westbrook dificilmente sai agora, seja por seu salário ou pela desconfiança do mercado. E, ao contrário de uma maioria, eu não o considero burro. Ele é apenas afobado. Em muitos momentos ele consegue fazer jogadas que atrai a marcação e, em seguida, executa o passe. Foi assim na cesta que deu a vitória ao Lakers contra o Dallas Mavericks. Westbrook foi para o meio do garrafão, puxou todo mundo para ele e, depois, passou para Austin Reaves fazer de três.

A questão é saber utilizar o melhor que Westbrook proporciona e tirar dele o que ele prejudica. Se funcionar como contra o Sacramento Kings, pode virar tendência nos próximos jogos.

Agora, o Lakers já começou a se movimentar. Rajon Rondo foi trocado para dar flexibilidade e abrir uma vaga no elenco. Será DeMarcus Cousins chegando?

De qualquer forma, Lakers, eu continuo sabendo o que vocês fizeram no verão passado.

LeBron, agora no Lakers, eu sei o que você fez no verão passado

LeBron James é um GM no corpo de um astro. O Los Angeles Lakers ousou ao trazer Russell Westbrook, mas se ele acabar sendo trocado, no fim das contas, não chegará a ser uma surpresa.

Nos tempos de Cleveland Cavaliers, ele se juntou Dwyane Wade mais uma vez, na tentativa de fazer o time ser campeão. O elenco ainda tinha Isaiah Thomas, Derrick Rose, Jae Crowder, porém, em pouco tempo, foi avaliado que não iria funcionar. Enquanto Wade voltou para o Miami Heat, Thomas, Rose, Crowder, entre outros, foram negociados na trade deadline de 2018.

KEVIN C. COX/AFP

Ou seja, não seria novidade se o Lakers (LeBron) fizesse várias trocas. Ainda que ele goste de Talen Horton-Tucker, Westbrook e qualquer outro jogador na equipe, James vai fazer de tudo para que o time seja competitivo suficiente para brigar de igual para igual nos playoffs.

O verão passado do Lakers não foi tão legal, mas a diretoria fez o que foi pedido. A lição que fica é que, não adianta ter apenas astros se não tiver encaixe em quadra. Seja com Kobe Bryant, com LeBron James, não resolve ter um armador que usa muito a posse de bola com eles ao lado.

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