Luka Doncic pode ter apenas 21 anos, mas já é um dos maiores desafios para qualquer marcação da liga. Disputando a sua terceira temporada no basquete norte-americano, o craque do Dallas Mavericks é o único atleta entre as cinco maiores médias de pontuação (29.1) e assistências (9.4) no momento. O jovem é tão talentoso que um dos melhores defensores da NBA nesse século, o sempre polêmico Metta Sandiford Artest, prevê que teria vida difícil para marcar Doncic. 

“Luka é inteligente. E realmente talentoso. É um dos jogadores mais inteligentes que já vi, definitivamente. Quando eu penso em como poderia marcá-lo em meu auge, só digo que seria extremamente difícil. Seu arremesso é rápido, mas ele tem paciência em sua tomada de decisões. É um cara com um corpo muito grande e que não precisa de tanto espaço para pontuar. Seria complicado marcá-lo”, avaliou o ala previamente conhecido como Metta World Peace, em entrevista ao canal Basketball Network. 

A opinião de Artest é valiosa para compreender a dificuldade apresentada pelo jogo de Doncic para as marcações: o ex-jogador do Los Angeles Lakers e campeão da NBA em 2010 foi selecionado para quatro quintetos ideais de defesa da liga e ganhou o prêmio de melhor defensor do ano em 2004. Ele é um dos três únicos jogadores originalmente de perímetro a receberem a honraria nesse século, ao lado dos alas Kawhi Leonard e Giannis Antetokounmpo. 

“Eu assisto aos jogos de Luka e a conclusão que chego é que precisaria estar em quadra com meu melhor jogo para marcá-lo. Precisaria de um jogo nota dez, o mesmo nível de foco e atenção com que seria obrigado a defender caras como LeBron James ou Jayson Tatum, sabe? Estou sempre pensando em como marcaria os jogadores atuais e aposto que Luka não seria tão fácil quanto gostaria”, concluiu o veterano, que está aposentado desde 2017 e já trabalhou como auxiliar técnico na G-League. 

Outro fator que dificultaria o trabalho de marcar Doncic, de acordo com Artest, seria a configuração atual das regras na NBA. Não é segredo para ninguém que, antigamente, havia mais permissividade de contato e abordagens mais físicas na defesa. Para vários ex-jogadores, as mudanças foram concebidas para privilegiar os ataques em nome da popularidade da liga junto a fãs casuais. Esse reflexo é atestado pelo próprio Doncic, que já disse achar mais fácil pontuar na NBA do que no basquete europeu. 

“As regras mudaram muito na NBA atual. Estou convicto de que, antigamente, teria sido mais difícil para Luka pontuar. O jogo hoje é muito diferente daquele em que atuei. Não estou dizendo que os atletas da atualidade não seriam bons naquela época, nada disso, mas o basquete era bem menos espaçado e mais brigado, físico. Havia mais permissão para contato. Era um jogo muito diferente do que assistimos agora, definitivamente”, finalizou Artest, eleito para o Jogo das Estrelas em 2004.